GÊNESIS – XIX

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Diciembre 3, 2013 by Bortolato

OS SONHOS DE DEUS SÃO REALIZADOS

Chegados os anos da fome, José passou então a vender mantimentos aos povos de todas as terras (41:56, 57), e com isso, veio a comprar também,  em troca destes, as terras dos que lhe adquiriam os alimentos.

Quando então chegou o momento de rever os seus irmãos, parecia que José já os estava esperando, como que esfregando as mãos.   Ele tinha certeza de que,  a qualquer momento, eles desceriam até o Egito.   Antes mesmo de chegar a fome, José estava casado com Asenate, com a qual gerara dois filhos.   Era um homem muito ocupado, e estava sentindo que Deus ainda estava trabalhando com sua vida.   Estava vivendo momentos felizes, sendo muito bem realizado em seu trabalho, e sendo consolado dos tempos de agruras, junto à sua família.  Seu primogênito, por exemplo, foi chamado de Manassés, que significa: que faz esquecer; e seu segundo filho, Efraim, que quer dizer: duplamente frutífero.   Seu coração ainda estava procurando um lenitivo para as feridas deixadas pelos sofrimentos de sua vida, e o estava encontrando.   Enquanto isso, ainda buscava um modo de ajeitar seus sentimentos no tocante aos seus irmãos. 

 Agora tinha sido levantado como o homem mais importante do Egito, abaixo de Faraó, mas  ainda nutria dentro de si aquele senso de responsabilidade que tem um servo.  O caso com seus irmãos estava colocado em sua memória como que em uma prateleira, esperando a hora certa para resolver aquilo, sempre deixando nas mãos do Deus de seus pais.  Ele tinha certeza de que em algum momento eles teriam um reencontro.   Deus lhe deu esse poder de esperar em Suas mãos.   Muito embora tendo em seu coração uma certa forma de colocá-los no devido lugar, fazendo-os ver o quanto erraram, e foram injustos e opressores, não tinha desejo de vingança.   A vingança não satisfaz o espírito, mas somente à alma e à carne.   O sentimento de satisfação que esta traz é efêmero, e passa em bem pouco tempo.   Não nos traz felicidade duradoura, pois não é bom menosprezar o sofrimento alheio.   O amor nos diz que as pessoas vingadas fazem mal a si mesmas, pois a amargura as envenena.  Muitos há que se vingaram, e depois se arrependeram, ao ver o estado em que as coisas ficaram para a parte que lhe era contrária.   Não devemos contribuir com a desgraça dos maus, pois é isto mesmo o que Satanás lhes prepara com avidez – e não devemos compactuar com ele.

Seus irmãos, entretanto, lhe haviam traído, e desacreditando dos seus sonhos, então teriam que se encurvar diante dele, pois José  era o governador do Egito, e a quem a honra era justamente devida.   O poder e a autoridade de José agora não era mais um sonho, e sim, uma realidade.   Assim são os sonhos de Deus e por mais incríveis que pareçam, um dia se tornam reais, e quem escarneceu dos mesmos verá o quanto foi presunçoso, e terá de enfrentar o fato de que estavam errados.

Ao reencontrar a seus irmãos, estes não o reconhecem, pois José  se vestia como um importante homem egípcio, e, depois de vinte anos, as aparências das pessoas mudam um tanto.   Ele, porém, viu-os inclinarem-se perante ele com o rosto em terra (Gênesis 42:6), exatamente como em seu velho sonho profético que Deus lhe dera.

Ao reconhecê-los, várias coisas passam pela sua cabeça.   Primeiramente, um misto de sentimentos, tais como um choque que lhe elevou os níveis de adrenalina em seu sangue, pois aqueles homens ali, embora fossem seus irmãos, venderam-no aos ismaelitas, cerca de vinte anos atrás.   Depois, deve ter-lhe rodado como que um filme do passado, no qual ele se via sendo preso por mercadores de escravos e, sendo levado por estes, enquanto clamava inutilmente àqueles seus irmãos para que não lhe fizessem isso, e a caravana se ia afastando de Dotã, sufocando os seus gritos de pedido de misericórdia, e deixando-lhe apenas a angústia, a decepção e a tristeza de não saber se voltaria a ver o seu querido pai.  Então, uma certa dose de ira veio-lhe ao coração…

Tudo aquilo lhe cresceu dentro de seu peito em poucos segundos, e a emoção era tanta, que não podia deixar de falar-lhes com aspereza.   Sua voz engrossou, de embargada que estava, mas ninguém senão Deus e ele sabiam o porquê.  Ele agora precisava pensar bem o que devia fazer com aqueles que o rejeitaram e o entregaram nas mãos de homens que quiseram um dia maltratá-lo e até mesmo matá-lo, sem nenhuma compaixão.

Montou uma estratégia, e passou a tratá-los como se fossem espias.   Na verdade, ele sabia que não eram espiões, mas conhecia os seus corações criminosos.  Fez-lhes um rápido inquérito, procurando saber detalhes sobre seu pai e de seu irmão Benjamin, e, aparentemente procurando um tempo para pensar.   Durante seu curto interrogatório, ouviu-os falar acerca dele mesmo, mas como se já fora um morto.   Isso o indignou ainda mais.

Quando porém os ouviu, em hebraico, seus diálogos de arrependimento acerca do jovem José, angustiado naquele dia fatídico da traição, procurou um lugar para chorar às escondidas.   De outro lado, amava muito a seu pai, e gostaria muito de tornar a ver Benjamim, seu irmão, também filho de sua mãe, Raquel.    Benjamin, da última vez que o viu, tinha menos de nove anos de idade, era apenas uma criança…  as saudades também o apertavam.

Seus irmãos disseram que seu pai estava com Benjamin, em Canaã.   Se ele os prendesse por muito mais tempo, não sabia que traumas ou preocupações poderia trazer a Jacó.   Também estes estavam precisando de mantimentos.   Tinha pensado, inicialmente, em prendê-los todos, fazendo somente um deles retornar para buscar a Benjamin, mas pensando em seu pai, desistiu da ideia.   Preferiu deixá-los ir, porque temia a Deus!   Interessante notar que aí ele deixou escapar uma pista sobre quem era, embora lhes falasse o nome do Senhor através de intérprete.   Realmente, o temor do Senhor é o princípio da sabedoria (Gênesis 42:18).

Ao final, ficou resolvido:  iria reter a um deles preso  no Egito, restituiu-lhes astutamente o dinheiro dentro dos sacos de trigo que levavam, exigindo que voltassem da próxima vez com a presença de Benjamin.

Em Gênesis, capítulo 43, houve o desenrolar de mais um ato do drama ocorrido entre José, seus irmãos, e Jacó.   A fome apertou muito, e a sequidão do estio já chegava a ressecar fontes, e pequenos ribeiros.   Onde antes havia um verde de folhas e de campos férteis, a terra estava nua – nem grama, e nem mato verde, mas somente a seca.

Jacó viu que os mantimentos se acabaram mais uma vez, e envia a seus filhos, com muita relutância e sofreguidão por causa de alguém que lhe era muito querido, novamente ao Egito.  E desta vez, Benjamin os acompanha.    Jacó pede ao Senhor que lhes conceda misericórdia perante o governador do Egito, e entrega-lhes o seu futuro em Suas mãos.

Como neste mundo precisamos da misericórdia de Deus!    Ai dos homens, se esta não lhes fora concedida!   Se esta lhes fosse negada, este mundo já não mais existiria, mas o profeta Jeremias nos diz que elas são novas, a cada manhã!   Que ninguém se glorie, pois a nossa salvação nos vem somente pela graça de Deus, por fé em Sua boa vontade, em Cristo, nosso Senhor!

Descem, então, dez filhos de Jacó ao Egito.  José e Simeão (o que tinha ficado preso) já estavam ali.   Eles se apresentam com presentes e são muito bem recebidos.  José vê de relance a Benjamin, e promete almoçarem em sua casa.

José então lhes cria mais um ardil, a fim de culpar a Benjamin, para mantê-lo junto a si, e também a fim de testar aos seus irmãos; será que estes folgariam, ao ver-se novamente livres de outro filhinho preferido de seu pai?   Ou desta vez já teriam amadurecido, ao ponto de não se conformarem com a situação?   Ordenou que fosse colocada uma taça de prata de sua propriedade, na sacola de trigo de Benjamin, pretexto para retê-lo consigo, sempre desejoso de ver a reação dos demais.    Queria ele, e muito, que estes estivessem mudados para melhor.

Fechados os negócios, ao partirem da cidade, tendo andado pouca distância, José dá ordens aos seus comandados para os perseguirem, e apurarem com quem ficou a sua taça particular de prata.

A taça estava no saco de mantimentos de seu irmão Benjamin.   A princípio, o amor que José  tinha por seu irmão mais novo levava-o a querer que este ficasse mais perto de sua pessoa.   Como negar a amizade e o carinho que José demonstrava por Benjamin?   Nisto, ele era igual a seu pai, que amava mais ao filho de Raquel, preferindo-o aos demais.   A verdadeira intenção de José, porém, visava àqueles sete anos de vacas magras, e pensava também em seu pai, e apesar de não o merecerem, também em seus irmãos, malgrado tudo o que estes lhe causaram em tristezas e dor.

As tensões chegaram a um ápice.  José insiste que Benjamin ficará, e que os demais  poderiam voltar a Canaã.

Judá, porém, aquele que dantes havia sugerido aos seus irmãos para venderem a José, de repente se humilha muito diante deste, e revela-lhe que seu pai estava cheio de desgosto por tê-lo perdido um dia, e que toda aquela afeição que tinha por seu filho, a quem presenteara com uma túnica de mangas longas, diferenciada nas cores ou o formato, estava agora direcionada a Benjamin.   Revela-lhe também Judá, que seu pai não resistiria a perda de seu último filho de Raquel, e que a notícia de sua detenção como escravo no Egito certamente esmagaria a alma de seu velho pai, ao ponto de  este morrer por desgosto.

Judá então suplica, com muita habilidade, que ficaria preso no lugar de Benjamin, com o consentimento de José, e para o alívio de seu pai, e de todos os irmãos. A esta altura, estes chegaram ali com suas vestes rasgadas, ao perceberem que estavam novamente com problemas em suas relações com José do Egito, e mais ainda por verem que, desta vez, o problema se tornou ainda mais sério.   Que tristeza para eles, que poderiam presenciar uma síncope em seu pai, ao saber disso.

Foi esta a medida que transbordou as emoções de José.   Não havia mais como suportar aquilo.   Ele então se revela a seus irmãos.  Sua voz, emocionado que estava, falou tão alto, ao ponto de os egípcios e os da casa do Faraó terem-no ouvido, e souberam ser aqueles homens os irmãos de José.

José demonstra, então, que não guarda qualquer sentimento de revanchismo, ao abraçar e beijar a todos eles, e chorar sobre cada um (45:14-15).

O Faraó, ao saber da notícia, oferece carros com cavalos, para transportar a Jacó, a crianças e as mulheres, de Canaã para o Egito.  

NOTA: SAUDADES DE SEU PAI:

Ao que tudo indica, José não sabia e não entendia o porquê do silêncio de seu pai, durante todos aqueles anos de sua ausência, no Egito.   Sabia que Jacó era já idoso quando o fato ocorreu, e foi extraditado da presença de seus irmãos.    Não sabia como estavam os corações de seus irmãos com relação a ele, e isto já era motivo para aguardar o momento certo de revê-los.   Suas atribuições também não o permitiriam sair do Egito, pois, em termos mais práticos, ele é quem desempenhava o papel de chefe do Executivo, função do Faraó, ali.  

Da fala de Judá, José depreende que seu pai muito se angustiou pela notícia de que ele mesmo, ao desaparecer,  teria sido acometido por uma morte súbita, e sua saudade aumentou mais ainda.

José, ao ser vendido por vinte peças de prata, recebeu a honra de poder ser comparado com o Senhor Jesus, que foi vendido por trinta moedas de prata, para ser entregue nas mãos de seviciadores, e morreu, para nos dar, como a seus irmãos, um lugar melhor a todos nós, junto com o Pai.   Jesus nos perdoa dos nossos pecados e assim é o segundo mandamento de Deus, que nos amemos uns aos outros, assim como Ele nos amou.   Que os nossos corações sejam dóceis nas Suas santas mãos, e possamos todos matar as saudades do Pai Celeste.

Assim vemos que José perdoou a seus irmãos, assim devemos nós também perdoar uns aos outros.

Jesus mesmo disse que se não perdoarmos as ofensas uns aos outros, nosso Pai também não nos perdoará.   O perdão nos aproxima de Deus, e a sua falta nos afasta da santíssima Presença.

Quando soube que José era vivo, e que governava o Egito, diz a Bíblia que o coração de Jacó desmaiou, porque já estava descrente da sua sobrevivência, mas ouvindo toda a história, os recados que José lhe enviara, e vendo os carros que do Egito lhe foram enviados, o seu espírito reviveu.

 

 

Gênesis, capítulo 47 – O REENCONTRO

Chegados ao Egito, José vai ao encontro de Jacó, e eles se abraçam, e choram longamente.    José apresenta seus irmãos ao Faraó, que lhes concede habitar em Gosen, na terra de Ramessés, a melhor terra para pasto e agricultura.

Ao apresentar-se Jacó ao Faraó, este abraça ao rei, que lhe pergunta qual seria a sua idade.  Jacó contava então com seus 130 (cento e trinta) anos, mas acrescentou a expressão “poucos e maus foram os dias dos anos da sua vida…”

Jacó disse “poucos”, porque já se sentia idoso, cansado, comparando os seus 130 com os 175 de Abraão, e os 180 de Isaque, sentia-se mais desgastado e fraco.  “Maus”, devido aos anos de vida que teve, sofrendo as ameaças de Esaú, seguidos dos enganos de seu sogro Labão, que não se constrangia em explorá-lo, e depois, mal conseguia suportar ver a Jacó.   Depois disso, vivenciou a morte de Raquel,  súbita e precoce, da sua mulher amada; soube do estupro de Diná; a violência de seus filhos em Siquém; a dor de morte que teve de suportar pelo fato que lhe apresentaram “indícios” dos restos de José.   Tudo isso fez a vida de Jacó parecer-lhe uma constante tormenta, na qual sofria os trancos das ondas e marés contra o seu barquinho, que sobreviveu mal a tantas intempéries.

Às vezes pensamos que ele não teria sofrido tanto, se não tivesse ficado com a bênção e a primogenitura de Isaque.   Certamente que a sua vida teria sido muito mais quieta e sossegada, mas com toda certeza, muito medíocre, nada célebre, e de menos momentos felizes.   As suas muitas lutas e vitórias se deveram a seu temperamento forte, o que de fato não aconteceria se ele se tivesse acomodado com o menos em sua vida.

Jacó  é também o exemplo de um homem lutador, e que enfrentava seus problemas, muito embora ele mesmo tenha adquirido gratuitamente alguns desses, com suas atitudes mal planejadas, e precipitadas, fora dos planos de Deus.   Sua vida parece-se um muito com muitos cristãos de hoje: começa a existência desconhecendo ao Deus de Isaque, e de Abraão, e em dado momento comete alguns erros movidos por sua ambição; em dado momento recebe uma revelação, na qual o Senhor Se mostra disposto a abençoá-lo;  depois disso, faz um concerto com Ele, em termos tacanhos, desconhecendo a grande prodigalidade dAquele que deseja abençoar; sofre muitos desacertos e desencontros na vida, mas o Deus de Abraão não o abandona e o protege, livrando-o de ser acometido por desgraças;  é enganado várias vezes, mas não é desamparado;  prejudicado até por parentes do seu próprio sangue, mas não fica sem o amparo divino;  seus queridos, os maiores alvos de afeto e amor lhe são vedados, mas o amor do Senhor o sustenta, apesar de sofrer tristezas; por fim, recebe a vitória e sua alma descansa nos braços do Todo-Poderoso, que o reservará  para sua ventura eterna.

Gênesis 48 e 49 – PROFECIAS NA FORMA DE BÊNÇÃOS PATERNAS:

Estes dois capítulos nos mostram como são importantes as bênçãos dos pais sobre seus filhos.   Já em Gênesis 27, vimos como as bênçãos de Isaque sobre Esaú e Jacó se fizeram verdadeiras profecias.   Esaú quis que seu pai lhe invertesse o efeito das palavras proferidas de então, mas Isaque respondeu-lhe que não seria possível fazer aquilo.   A palavra falada nunca mais pode deixar de ser dita, pois já foi pronunciada, e assim, uma bênção sobre um filho não será desfeita, nem por amor a outro filho.

Maldições também são lançadas, e surtem as suas consequências – com a diferença de que estas podem ser canceladas e anulados os seus efeitos, para alívio dos que receberam a carga negativa das mesmas.

Alguns detalhes apontamos relativamente a essas bênçãos de Jacó sobre os seus filhos.

Primeiramente, vemos que é muito importante que filhos possam ser agradáveis e motivo de alegrias para seus pais.   Apesar que os pais possam nutrir suas preferências por este ou aquele, ao final os filhos que trazem maior conforto aos seus progenitores são bem-aventurados.

José era o preferido de Jacó por vários motivos, a começar por ser o primogênito de sua mulher mais amada, mas a sua fidelidade a Deus e a seu pai terreno foi que lhe proporcionou a chave de receber a maior bênção, materialmente falando, do que seus irmãos.   Manassés e Efraim, seus filhos, por isso receberam as maiores porções da Terra de Canaã, como legado para sua descendência.   Manassés recebeu porção dupla na possessão da terra, mas Efraim tornou-se uma tribo líder, para as tribos do Reino Norte.

Ruben, por ter sido fraco e não se negar a possuir a concubina de seu pai, deixou de ser abençoado com a primogenitura.

Simeão e Levi, por sua belicosidade que traiu a Jacó em Siquém, também deixaram de ser abençoados – estes ainda ficaram sem as suas porções da terra, e foram amaldiçoados porque sua ira foi assassina sobre homens pacíficos.

Muito embora esta tenha sido a única maldição de Jacó sobre seus filhos, isto, ao final, não deixou de lhes acarretar em bênçãos.   Simeão teria sido, mais tarde, absorvido pela tribo de Judá, a qual recebeu as maiores bênçãos espirituais sobre sua descendência.   Em outras palavras, Simeão foi abençoado, por extensão, dentro das bênçãos destinadas a Judá, e assim, a maldição ainda se lhe foi tornada em bênçãos.

Levi também não recebeu uma porção da Terra Prometida, mas isso não quer dizer que não pôde ali receber as bênçãos de Deus.   No final, essa maldição a ele dirigida se lhe fez em maior bênção espiritual, pois ele seria ministro de Deus junto ao Seu altar, e sua descendência seria de sacerdotes, aqueles que alimentariam a fé nos corações de seus irmãos, e adentrariam ao Lugar Santo, e até ao Santo dos Santos, seriam pessoas que dedicariam seu tempo, não para criar gados e ovelhas, mas para estarem na Presença de Deus, e servi-Lo integralmente.   Da sua  descendência procederam Moisés, Arão, Miriam e toda a linhagem sacerdotal israelita.

A bênção de Jacó sobe Judá também foi abundante, quase como a dada aos filhos de José  – Judá foi aquele líder que procurou evitar que José fosse assassinado por seus irmãos, muito embora vendendo-o a estranhos.   Ele ainda foi o que humildemente se deixaria ser preso e escravizado, no lugar de seu irmão Benjamin, por amor a seu pai.   Seu pai reconheceu aquilo que ele fez, e o bendisse.

De Judá sairia Aquele que há de reinar para sempre – o Messias Rei.   De Judá procederam reis abençoados, mas o Maior de todos ainda virá.  Os demais filhos de Jacó foram galardoados  com bênçãos de alegria, conquistas e abundância em suas descendências.   Não foram os mais excelentes, mas foram também benditos de seu pai.

Acabadas essas palavras, Jacó se encolheu em seu leito e, de forma impressionante, expirou.    Ele recebeu de Deus as últimas forças para amar e dizer como amava a seus filhos.   De tal forma foi usado pelas mãos de Deus, que, ao que parece, cumpriu a sua última tarefa: a de abençoar.   É para isso mesmo que todos os filhos na fé que teve Abraão, Isaque e Jacó são chamados – para proferirem palavras que abençoem e aproximem as pessoas da presença do Eterno Deus.   Suas últimas palavras se cumprem à risca, até os dias atuais, e continuarão a se cumprir no Reino do Senhor na Terra, através do seu Cristo.

Gênesis capítulo 50 – O PERDÃO É CONFIRMADO PARA SEMPRE

  Logo após a morte de seu pai, os irmãos de José vêm no seu enterro a chance de acabar de enterrar também o mal que estes lhe fizeram.

Eles estavam pensando que talvez José não os maltratasse enquanto Jacó era vivo, para não magoá-lo.

Chegam à sua presença, pedem-lhe  perdão, prostrando-se diante dele, e este momento fez José se lembrar de tudo o que passou, chorar de emoção, e abrir-lhes o coração: ele não estava mesmo com nenhuma intenção de vingança, mas sua alma ainda os amava, exalta a Deus, que afinal Quem usou daquele incidente para conservá-los em vida ((Gênesis  50:20).   Como foi este o plano do Grande e Sábio Deus, ainda promete sustentá-los a todos e suas crianças.

Bendito seja Deus, que criou o perdão para dar vida, livrar da morte, para conduzir-nos a livramentos os mais incríveis, fazendo com que os males deste mundo sejam sobrepostos por Sua forte mão.

Com o perdão de José, continuou a hegemonia de Israel, a vida de uma nação, a alegria deixada logo lhes deu forças para viverem, aprendida a lição de que o amor é maior e  mais forte que o ódio, porque mesmo disse João:  “Deus é amor” (I João 4:8).

No mais, José e seus irmãos viveram até o final de suas vidas no Egito, viu até a sua terceira geração, e morreu com 110 anos.   Antes de morrer, Deus lhe prometeu, e ele assim creu, que um dia os filhos de Israel voltariam para Canaã – e pela fé deu ordem a respeito de seu corpo embalsamado, para lá ser enterrado.


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