LEVÍTICO – XII – DEUS REQUER VIGILÂNCIA ÀS FAMÍLIAS

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febrero 7, 2014 by Bortolato

 DEUS É JUSTO JUIZ EM TODAS AS CAUSAS

Coloquemo-nos no lugar do Altíssimo, assentado em Seu trono de glória, para dar uma sentença justa, dando habeas corpus aos inocentes, condenando ao infrator, e esperando para ver se seu comportamento melhora, ou piora, conforme o caso, aplicando sabedoria, isenção, imparcialidade e rígida autoridade quando necessário.   Teríamos nós o conhecimento necessário, o equilíbrio importante para conciliar entre a dureza e a misericórdia, para estas  serem ponderadas e comedidas, e a certeza de que teremos feito o que de melhor se poderia fazer em cada instância?

No capítulo  20, o Senhor manda que se apliquem sentenças duras contra os que pecarem de forma grave.

Talvez pensem alguns que a rigidez de Jeová tenha sido excessiva, e que se tais leis fossem vigorar  nos dias de hoje, não restariam muitos da sociedade atual em que vivemos.

Tentaremos fazer uma análise mais profunda desses casos, pois a punição, em quase todos eles, é a de morte.  Drástico, realmente, mas não seria o caso de ser justa e oportuna?

Intentamos desfazer-nos de toda a presunção humana de autojustificação, e nos prendermos ao que nos traz a vida, a fim de nos livrarmos das culpas que cansaram ao Criador.  No verso 23 o Senhor diz que está enfadado por tanto ter suportado os praticantes dessas coisas.

Deus é eterno, e Ele dá tempo ao pecador para arrepender-se e o Seu tempo é mui longo, bem maior do que o nosso, de modo que a Sua paciência foi longamente testada e abusada, durante esse período de espera e tolerância.   Como resposta a essa longanimidade, não houve reconhecimento disso, mas o homens continuaram a fazer coisas cada vez piores, Ele estava determinado a desfazer-se de alguns povos que O estavam constrangendo, e o Seu povo precisava saber disso.

De antemão, ainda, temos a dizer que temos de nos conformar de que Ele é Deus, o doador da vida, e que detém nas suas santas mãos as chaves do inferno e da morte (Apocalipse  1:18). Ele dá a vida, e pode tomá-la a qualquer momento, e é isso mesmo o que Ele faz.

Além disso, Ele é o Justo Juiz, que tem o martelo da decisão nas mãos, e por isso é muito bom e prudente que todos homens creiam nisso, e venha a temê-lo.   Se respeitamos aos juízes desta terra, muito mais devemos nós todos reverenciá-Lo.

Em terceiro lugar, colocamos o background histórico desses assuntos em pauta em Levítico.  Muitos deles, diante de uma análise franca e leal, não puderam resistir ao Seu olhar justiceiro. Foram-Lhe inaceitáveis, totalmente reprovados e passíveis de penalidades.   Se um de nós, seres humanos, estivéssemos no lugar dEle, com absoluta certeza que não toleraríamos nem a décima parte do que Ele pacientemente computou, e aguardou para aplicar o devido juízo sobre os faltosos a Seu tempo.

O primeiro caso em específico citado nesta seção se reporta aos que entregassem “sua semente a Moloque” (20:2).   Natural ou estrangeiro, a pena cominada para este crime era a morte por apedrejamento.   O próprio Deus ainda fala que “se o povo da terra de alguma forma esconder os seus olhos daquele… e não o matar, então Eu porei a minha face contra aquele homem, e contra a sua família, e o extirparei do meio de seu povo…” (versos 4 a 5).

Isso nos deixa bem claro que o Senhor detesta essa prática, e tem-na como repugnante, um crime hediondo, que só poderia ser tratado com uma punição:  com a pena capital.  Já temos comentado sobre isso em 18:21, mas prosseguimos enfocando detalhes sobre o caso.

Moloque era o nome de um deus amonita, conforme I Reis 11:7 – nome este que continha as mesmas consoantes as mesmas consoantes do vocábulo “Melek” (em hebraico = “rei”),  combinadas com as vogais da palavra “bosheth” (hebr. = “vergonha”), formando um nome próprio – Moloque, ou Moleque.   Aliás, esta é a origem do termo “moleque” em nossa culltura e em outras línguas, que tem uma conotação de coisa ruim, destinada ao sacrifício idólatra, quando dirigido a crianças travessas.   Esta conotação é tão importante quanto o tipo de palavra profética que lançamos sobre nossos filhos, que deveria ser evitada, pois há poder em nossas palavras.

Assim como não devemos entregar nossos filhos a Moloque em sacrifício, não devemos também lançar sobre estes quaisquer palavras que os defina como alguém marcado pelo destino para ser mau, e como sangue a ser derramado para satisfação de demônios.

No verso 20:6 de Levítico, novamente são mencionados os adivinhos e encantadores, e que já temos comentado ao visualizarmos o verso 19:31.

Em Lev. 20:9 temos uma pesada sentença para aquele que amaldiçoasse a seu pai ou a sua mãe.   Morte!    Este versículo revela o quanto Deus considera importante cada palavra que é falada.   Honrar pai e mãe é um dos dez mandamentos.    Amaldiçoá-los seria o oposto, seria desonrá-los.   Ponderemos alguns pontos sobre este assunto.   Quando estávamos sendo gerados no ventre materno, éramos apenas embriões e fetos,  totalmente dependentes do instinto de preservação que Deus colocou nos corações de nossas mães.   Quando nascemos, continuamos a ser dependentes também, já num outro estágio de nossas vidas.   Precisávamos ser alimentados, vestidos, embalados, higienizados, e com o nosso desenvolvimento, maiores cuidados ainda, para não colocarmos nossas vidas a perder.   De um modo geral, são os pais que cuidam tanto de seus filhos.   Eles perdem noites de sono e se desdobram ao máximo para nos criar, e educar-nos.

Quando não são os pais que assim o fazem, terá sido feito sempre por alguém que concorreu para que nos mantivéssemos vivos e com esperanças, expectativas na vida – pessoas que então passam a receber o galardão de honra dos pais naturais.

Este é o instinto natural que Deus colocou em pessoas e até em aves e animais.   Quando assim o fez, Deus inoculou-nos os padrões de comportamento próprios para a perpetuação da espécie, do clã, da tribo, ou da família – porque Ele é o Criador, e sempre está criando.   Sermos pais, portanto, é sermos conforme o padrão natural de imitação à paternidade de Deus.   Ele é Pai, e Ele é amor.

Ele ama e ama muito até mesmo ao próprio pecador, e transgressor da Lei, e nisso Ele não muda.  

Por outro lado, não há como negar que muitos desses homens são criaturas muito más e rebeldes ao mando divino.   Ele não deixa de amá-las, mas existe um problema para estes: quem mais se aproxima do Senhor, tem a consciência de que mais precisa abandonar os padrões deste mundo, e assim procede para mais desfrutar do Seu amor.    A recíproca também é verdadeira:  os que se afastam dos caminhos de Deus, mais se afastam do grande amor que Ele quer-lhes dar, conforme Provérbios 4:18-19:

“O caminho dos ímpios é como a escuridão; nem conhecem aquilo em que tropeçam.”

Alguns se afastam tanto que tornam-se insensatos, ao ponto de amaldiçoarem aos próprios pais.   Tornam-se em desafetos.   A Lei mandava que esses tais fossem mortos.   Parece algo extremamente rígido, para alguns.    E é mesmo.   Acontece que hoje, tendo em vista que a Graça de Cristo pode perdoar a qualquer tipo de ofensa, as leis cíveis, assim embasando-se, não preveem punição para este tipo de pecado, mas em compensação, nunca se viu tantos problemas de relacionamento dentro dos lares, como nos dias atuais.   Nunca vimos tantos casos de parricídios, matricídios e fraticídios.   O ódio entre os membros das famílias nunca foi tão abalador, culminando com verdadeiras barbaridades acontecendo em golpes inimaginavelmente traiçoeiros e violentos, onde deveria haver o amor que tanto Deus nos inspira e para isto nos convida, a conhecê-Lo cada vez mais.   Tendo em vista tamanha monta de crimes dentro das famílias, perguntamos:   se a honra aos pais, e o amor fraterno tivesse sido um ponto inquebrantável de nossas culturas, chegaríamos a este ponto a que chegamos?   Pois na sociedade teocrática, do povo de Deus, este ponto era defendido pela Lei com a morte para os que maldissessem a seus progenitores,  e assim era cortado o mal antes que este crescesse e frutificasse.

Em Levítico 20:10-12 vários tipos de adultério são mencionados, com um certo enfoque para os que ocorressem dentro das famílias, mas no fundo, todos estes recaem na máxima ordenada no mandamento da Lei que diz:  “Não adulterarás”.   Este pecado era punido com pedradas, até a morte.   Já temos comentado sobre este ponto, que foi uma ordem dada ao povo de Israel, sob intensa trovoada, relâmpagos, fumaça, e ao clangor de trombetas do céu, anunciando a chegada de Deus, ali no monte Sinai – audível a todos, para que ninguém se desse por escusado (Êxodo 20:18).

Afinal, Deus quer “casar-se” espiritualmente com um povo que saiba honrá-Lo, respeitá-Lo e amá-Lo todos os dias de sua vida, e Ele detesta a traição, o adultério, pois que este tem um significado que ressoa com ecos de infidelidade para com Ele também.   Quem é infiel para com seu cônjuge, o será também para com o Senhor, e isso Ele não tolera.

Adultério é um mal que tem causas enraizadas no fundo das almas, e precisa ser tratado.  Sob a Lei, a sentença era a morte.    Sob a Graça de Cristo, se acompanhado de um profundo arrependimento, diz Jesus aos adúlteros: – “Vai e não peques mais.”(João 8:11)

Em 20:14 menciona-se tomarem uma mulher e sua mãe, no sentido sexual, como uma classe de maldade.  Em uma sociedade onde a bigamia não era proibida, este preceito se torna carente de maiores esclarecimentos, pois que havia mães solteiras, viúvas e divorciadas.   Em uma cultura monogâmica, não há o que se contestar, mas temos que avaliar a situação autóctone.   Que tipo de maldade seria esse, a respeito do qual Deus assim o qualificou e condenou?

Por vezes, podiam ser mãe e filha tomadas como escravas.   Neste caso, em especial, a Bíblia não fala nem um pouco de haver atenuantes.   Maldade é.  E ponto.

Poderia ser o caso de alguém tomar uma mulher para si, e ao mesmo tempo cobiçar a filha desta, ou a sua irmã, destruindo os sonhos de uma jovem que desejaria casar-se e ser feliz em um futuro matrimônio.

A ideia mais maldosa, porém, é aquela em que “vale tudo para se obter o prazer, mesmo que só por alguns minutos”.   Então valeria passar como um trator por cima de toda a terra à sua frente, sulcando-a e deixando um rastro de mulheres-objeto (se bem que hoje também há casos de homens-objeto) para trás, com uma porção de feridas abertas nas almas?

Quando o impulso sexual é supervalorizado, normalmente o que acontece é a desestruturação das famílias.   O cônjuge sofre, e os filhos são as maiores vítimas inocentes, às vezes até ameaçadas de morte, chegando algumas a virem a óbito por causa de uma paixão de um ou de ambos os pais.   É quando o uso do sexo se tornou em uma arma, e em falta de amor.   A sentença capital de Deus quis bloquear esse tipo de comportamento, numa época em que a força e o vigor eram alvos principais, ou melhor, meios altamente buscados, para se obter o maior sucesso.

Os casos de incesto estão enquadrados nesta seção, e a punição era a morte, como a única sentença para os culpados levarem sobre si as consequências de sua iniquidade (20:17).

Em Levítico 20:18, um preceito para salvar um casal de contaminarem-se mutuamente, e numa relação em que, mais ainda, a mulher doente poderia alastrar sua insalubridade para outras mulheres.   A pena de morte era a solução para que tal enfermidade não fosse repassada a outrem; no caso, a enfermidade tem todas as características de ser daquelas sexualmente transmissíveis, ou de doenças venéreas.

No final deste capítulo,  vemos que o Senhor exige que o Seu povo se separe, e jamais se polua com coisas que para Ele são inaceitáveis.   Este era o objetivo da Lei – fazer com que o homem compreendesse o que é aceitável, agradável, justo e bom diante de Deus, e o que não o é.


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