LEVÍTICO – XIV – O SENHOR ACEITA SER FESTEJADO

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febrero 20, 2014 by Bortolato

O que lhe traria alegria em uma reunião familiar?   Talvez que cantassem em alta voz e dançassem, acompanhados de boa música em tom feliz, na presença do patriarca da família, o qual deu origem a toda a sucessão, honrando os seus cabelos brancos, presenteando-o como em uma festa de aniversário, em dia determinado, combinando todos em certo local para se encontrarem, com almoço e jantar especiais.   Isso traria muita satisfação ao progenitor que doou sua genética, caracteres hereditários, sua educação, seus costumes e tradições, a toda a sua gente.

É quase desta maneira que o Senhor marcou Seu encontro em datas especiais para conviver e alegrar-Se com o Seu povo.

“Celebrai com júbilo ao Senhor”, diz o salmista (Salmo 100:1), “todos os moradores da Terra”.   Interessante notar que Deus, neste salmo, convida a todos os povos, moradores da Terra, para virem  à celebração.   Isso mostra que Ele é interessado em que venha a ser louvado por todos, indistintamente.   Lógico, a escolha dEle por Israel no Antigo Testamento teve uma finalidade:-  a de tornar-Se conhecido como o único e verdadeiro Deus no meio de um povo (para começar, apenas um), e depois tornar conhecida a Sua vontade, para que todos, um dia, cheguem a conhecê-Lo e à Sua bendita vontade.

A convocação para festas em Levítico, capítulo 23, se dirigiu a Israel, para que o mundo todo entendesse que Ele, o Senhor, tem prazer em que homens de toda e qualquer nação dEle se aproximem.   Não fosse assim, Ele não teria admitido estrangeiros em Israel, para louvá-Lo e a adorá-Lo, mas alguns até tornaram-se prosélitos.    E depois, com o advento de Cristo, todos os povos, tribos, línguas e nações são convidados a conhecê-Lo e servi-Lo – e que o façam com muita alegria!

Primeiramente, o Senhor convocou o povo a celebrar o dia de Sábado.   É o sétimo dia, do descanso, e o dia de folga, dia que Jeová escolheu para que Seu povo O adore, desprendido dos seus afazeres e de preocupações desta vida terrena.   Porque Ele é eterno, e haveremos de gozar todos os dias da eternidade em Sua santa presença, num eterno sábado.   Aliás, quando Cristo veio para este mundo, já nos deu um descanso das lutas, das provações, das enfermidades, do jugo do pecado, enfim, Jesus é, sem dúvida, o Verdadeiro descanso que aqui na Terra podemos conhecer, e nEle potencialmente obteremos um maior descanso no céu.

A Cruz

Uma segunda convocação nos faz o Senhor: – para celebrarmos a Páscoa.   Em hebraico, pessash, que significa “passagem”, reportando-se ao milagre da passagem dos israelitas pelo mar Vermelho a pé enxuto.   Para os judeus esta era a oportunidade de uma comemoração:   no primeiro mês, começando dia 14 à noite, e sete dias a seguir, comendo pães asmos.  Estes    pães eram um memorial de que os israelitas tiveram que  sair às pressas do Egito, e não deveriam levedar seus pães para estes não azedarem pelo longo caminho que tinham pela frente. Seriam sete dias lembrando de uma grande libertação, e ao sétimo dia, como no primeiro, o povo deveria descansar do seu labor, para se reunir e louvar ao Senhor, relembrando, e, ao sétimo dia, assim como no primeiro, o povo deveria descansar de seu labor, para reunir-se e louvar ao Senhor, relembrando das Suas beneficências.

Esta festa se dava no mês de Nissan (o primeiro mês do calendário judaico).   Embora dentre os sete dias de celebração,  entre o primeiro e o último dia, fosse permitido o trabalho normal do dia a dia, os adoradores teriam que prestar neste período, em todos esses dias, suas ofertas queimadas.

Esta era a festa de louvor a Deus em gratidão por haver Ele operado com o Seu poder a libertação de Seu povo.    Quantas vezes tem Deus feito obras grandiosas de livramentos para abençoar aos Seus, povo do qual fazemos parte, e não Lhe temos sido gratos?   Não seria o caso de pararmos tudo o que fazemos para meditarmos em Seu amor por nós?   Pois esta era a vez e a oportunidade para Seu povo ser lembrado de honrá-Lo, por ocasião da Páscoa.

Devemos lembrar que Cristo é a nossa Páscoa, o Cordeiro imaculado que foi morto e  assim como o sangue do cordeiro pascal foi o salvo conduto para os hebreus no Egito, Jesus, com o Seu sangue, é o nosso habeas corpus diante de Deus, que nos livra da morte eterna.

Uma outra celebração era bem vinda pelo Senhor, por ocasião das colheitas.   Seu nome, ‘omer, em hebraico = Primícias.   O povo deveria trazer uma parte dos primeiros frutos da sega de cereais.   Este ato era o reconhecimento de que é Deus quem nos concede as chuvas, o sol, o orvalho, o bom tempo, fazendo com que a terra produza satisfatoriamente.

Não comer os primeiros cereais da colheita, até que se levasse esse fruto das primícias (correspondia à décima parte de um efa – medida de capacidade que correspondia a de 36,92 l, ou 40,5 litros, dependendo da época), e erguê-lo como oferta ao Senhor era um ato de pequeno sacrifício, mas que deveria ser envolvido com uma alta devoção e gratidão nos corações.   Enquanto os homens assim prestavam seu culto de louvor e gratidão a Deus pelas suas colheitas, o Senhor estava preparando-nos Cristo, “as primícias dos que dormem” (I Coríntios 15:20), o primeiro verdadeiramente ressurreto como um sinal e uma promessa da nossa futura completa redenção no esperado dia da ressurreição dos mortos.

Pentecostes2

Do dia da entrega das primícias ao Senhor, contavam-se, desde o domingo seguinte, sete semanas, somado do dia seguinte, cinquenta dias, um outro evento de consagração a Deus, o dia de Pentecostes.

Notar que a Páscoa seria coincidente com os dias das primeiras colheitas – logo, o dia de Pentecostes acontecia, ao que tudo indica, cinquenta dias após a Páscoa, e que a promessa do Pai foi cumprida sobre os discípulos de Cristo, fazendo-os receber o Espírito Santo, derramado com poder e maravilhas sobre suas vidas, em um dia de Pentecostes, revolucionando o mundo com a instauração da Era da Igreja.   Jesus foi “primícias dos que dormem” ao ressuscitar, e os seus discípulos, alvo das primícias do derramar  do Santo Espírito de Deus com poder, a graça e a glória divinas nesta Terra.

Mais adiante no correr dos dias do ano, quando chegava o sétimo mês, mês de Tisri,   mais uma vez o povo era chamado para servirem ao Senhor.   Um toque de trombetas (o shophar, que era um chifre de carneiro)             era solenemente entoado, e nenhuma obra servil era então permitida.   Era chegado o outono, e o tempo de final de colheita, o que equivaleria, em nossos calendário atual (o Juliano), a meados de setembro/outubro.  Eram dados brados de louvor a Deus, incentivando todo o povo a reunir-se, e certamente ajoelhar-se para reverenciar a Quem lhes deu um ano de boas colheitas.   Notar que essa ocasião, como as demais solenidades, apenas abria a oportunidade para os homens lembrarem-se que Ele, o Grande Benfeitor do mundo, merece ser adorado de todos os nossos corações.   Felizes os que aproveitam tais datas para abrirem-se de corpo e alma diante dEle, e derramarem-se com extrema dedicação e devoção que Lhe são merecidamente devidas.

Levítico 23:27 a 28 – O DIA NACIONAL DE EXPIAÇÃO, dia de acerto de contas espirituais com Deus.

Isto ocorria no décimo dia de Tisri (mês sétimo)              .  Ainda no mesmo mês, no 15º dia, o povo era convocado para outra santa celebração (23:34), que fazia parte da mesma festa espiritual.   Outra vez, no 15ª dia desse mês, nenhuma obra servil lhes era facultada, e durante sete dias os fiéis apresentavam suas ofertas queimadas (23:36) , e no oitavo dia, outro dia solene, dedicado exclusivamente ao Senhor.   Era o tempo da FESTA DOS TABERNÁCULOS.                                    

Notamos que por essas festas todo o povo israelita era reunido em determinado local: a partir da conquista de Davi, da cidade onde se achava o monte do Senhor (Moriá), passou a ser em Jerusalém.

Tabernaculo

Na festa dos Tabernáculos, o povo se acomodava em cabanas, lembrando que , após ser liberto da escravidão, teve de habitar em tendas no deserto, até o dia em que o Senhor lhes deu casas, na terra da conquista, Canaã.

A lição que depreendemos disso é que o povo de Deus tem uma enorme dívida para com Ele foi e é seu Libertador.    Ele nos tem libertado do pecado, e os nossos corações jamais devem esquecer-se disso.   Ele nos libertou, sim, com o Seu sangue de Cordeiro imaculado na cruz, e isso foi para nos separar da opressão dos nossos feitores, e de todas as circunstâncias que nos prendem e possam impedir-nos de desfrutar da alegria de sermos salvos por Ele.    Logo a seguir, temos que aprender a renunciar às ofertas do inimigo das nossas almas, que Satanás oferece: os melões, os alhos, cebolas, etc. do Egito, seus pratos bonitos, que nos convidam a voltar para o Faraó, mas que ocultam um  gosto de amargor das chicotadas dos feitores.                   Habitar, pois, em tendas no deserto, significa submeter-se ao que for necessário para preservarmos nossa liberdade, dizendo um solene “não” ao enganador, e dizendo um eterno “sim” ao Senhor, que será sempre a nossa coluna de nuvem de refrescante proteção durante os nossos dias de aridez de deserto, e a nossa coluna de fogo durante o frio das noites, em concordância com a Sua vontade, e com gratidão por nossa remissão.

Aos quinze dias de Tisri (Mês sétimo), por sete dias os adoradores do Senhor apanhariam ramos de árvores altas, frondosas, de palmas e salgueiros, celebrando-Lhe assim de uma forma alegre, e mostrando ao mundo que Jeová é Deus libertador, que lembra-Se dos oprimidos que insistentemente clamam a Ele na esperança de serem ouvidos e atendidos, e por fim libertos das suas aflições.

Este ato público ocorreu em Jerusalém, um dia, embora fora de época, quando Jesus estava chegando até a cidade, e clamavam: “Hosanas, bendito o rei de Israel, que vem em nome do Senhor” (João 12:13).   Mantos e palmas eram atirados, espalhando-se pelo Seu caminho, como que estendendo-Lhe um “tapete vermelho” para a Sua passagem, a passagem do Grande Rei.   Este ato cumpriu aquilo que em Levítico está escrito, mostrando-nos Jesus, o Cristo, o nosso grande Salvador e Rei que veio e também virá em nome do Senhor.   Que Lhe prestemos as devidas homenagens, abramos os nossos corações, e demos-Lhe o que de melhor tivermos em nossas mãos para Lhe dizermos: – “Hosana, Bendito o Rei que vem em nome do Senhor!”

Maranata!  Ora, vem, Senhor Jesus!

                                                                                                                                                                                                                                                          

 

 


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