O LIVRO DE NÚMEROS – I

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abril 3, 2014 by Bortolato

Tabernaculo 

Qual a sua principal mensagem?  Eis que esta se focaliza nas misericórdias do Senhor, que se exerceu através de obras maravilhosas do Seu poder, por múltiplas vezes.  Esta foi a principal característica da atuação divina no deserto.

Em grego, a Septuaginta deu-lhe o nome que temos hoje, traduzido para nossa língua (Arithmoi), tomando o enfoque dos dois censos levantados, um no início, e outro no final dos quarenta anos de deserto.

O título hebraico denominou-o de Bemidbãr, que se traduz por “no deserto”, extraído do primeiro versículo – “falou o Senhor a Moisés no deserto de Sinai”.

Deus quis coabitar com o Seu povo, redimido com muito zelo, amor e muito poder, das garras do inferno da escravidão, e de um vida amarga, sem brilho, menosprezada e oprimida, fadada a nunca passar de reles escravos, e nada mais.   Faraó enrijeceu seu punho para não deixá-los ir embora, mas a mão poderosa do Senhor foi decisiva na questão.   Ele, Deus, queria libertá-los, e ninguém no mundo seria capaz de impedi-Lo, nem mesmo o imperador do mais poderoso reino desta terra.   E assim foi.   Para o período de pós-libertação, teria que haver um processo de adaptação de vida com este Grande Libertador, que tanto amou àquele povo – mas o povo era muito obtuso para entender as instruções e propósitos de Deus, e isso gerou uma série de problemas entre o Altíssimo e Israel.

Se nos prendêssemos às dificuldades que o povo passou no deserto, perderemos o melhor dessa história.   Realmente o deserto era um lugar de muitas dificuldades para se viver ali, mas em cada uma delas, o Senhor mostrou-Se como um Pai, que tomou seu filho em Seus braços para, com amor, limpá-lo das suas imundícias, purificá-lo, alimentá-lo, suprindo-lhe água e maná, e discipliná-lo, assim como se faz para que filhos sejam educados, e que possam um dia tornar-se gente decente, e quiçá, filhos que alegrem o coração dos seus pais.

Chamamos a atenção para cada dificuldade, e  cada intervenção divina.  Cobras, falta de água, falta de alimento, desorientação quanto ao caminho que teriam de percorrer, por exemplo, foram maravilhosamente solucionados pelo braço de amor, cuidado e carinho que se lhes mostrou abundantes e incessantes em Deus.

O Livro de Números começa em seu capítulo 1º com uma ordem divina de contar-se a soma dos homens israelitas de vinte anos para cima.   Não foi uma contagem para se estabelecer uma árvore genealógica, evidenciando os nomes e as figuras dos varões.   A finalidade era de saberem quantos seriam convocados para uma guerra, para a formação dos seus exércitos.

Quando, porém, lemos que o rei Davi intentou levantar o mesmo tipo de censo, a ira de Deus caiu sobre o povo, na forma de uma peste que matou 70.000 homens (II Samuel 24:1, 15), porque o que pesou neste último caso foi a falta de fé em Deus da parte do líder do povo.

Por que motivo então teria o Senhor ordenado que se contassem quantos homens puxariam da espada no deserto do Sinai?   Ele bem sabia quantos eram os homens dispostos para a  guerra, e não precisaria pedir essa contagem.

Reunidos os líderes de cada tribo, procedeu-se a numeração, e chegaram à cifra final de 603.550 soldados em potencial.   Os levitas não foram contados.

Se repararmos bem, veremos que em Números 26, já no fim dos quarenta anos de deserto, foi levantado outro censo semelhante ao que foi feito no início da peregrinação, e os números acumularam menos soldados do que o primeiro (Números 26:51), isto é, 601.730.

Observamos que, ao defrontarem-se os primeiros hebreus contra os amalequitas e cananeus do sul de Canaã, tiveram uma grande decepção, pois que o exército de Israel foi derrotado, e voltou ferido diante de seus inimigos.

Contados os jovens que cresceram no deserto e mais ainda Josué e Calebe, estes, embora até em menor número do que sua geração que os antecederam, foram ajudados por Deus em suas batalhas, e tornaram-se vencedores.

Esta foi uma maneira de o Senhor dizer que não são números que vencem as guerras, mas sim, a fé em Sua fidelidade, somada com uma obediência constante.   Isso foi uma lição que nos incentiva à fé no Senhor dos Exércitos.

Esta mensagem era para ser aprendida muito cedo, mas devido à dureza de coração, o povo de Israel teve de sofrer duras penas; e mesmo depois de setenta anos no exílio babilônico (já anos depois, de 606 a 536 A.C.), persistiu Deus na mesma tônica:

“Não por força, nem por violência, mas pelo Meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos” (Zacarias 4:6).

Crer ou não crer, esta é a raiz de onde se faz brotar em nós a bênção ou a desventura.  Quer homens aceitem ou não, este é o ponto crucial.

Alguns dizem que não creem porque não creem, e isto seria tudo, mas na verdade, crer é uma opção, e resultado de uma decisão.  Há muitos que não creem, mas gostariam de crer.  Para estes basta dar o passo seguinte, que é DECIDIR a crer.   Os que não creem, e não se interessam em crer, jamais alcançam a fé salvadora.

Há até quem diga que não crê porque nunca precisou de Deus, o que nos faz concordarmos em parte com sua atitude, pois a necessidade é a mãe das decisões, e das grandes decisões.   Ora, o dia das necessidades vem para todos, e é bem melhor decidir-se hoje a crer, do que ter de enfrentar os últimos minutos de vida, lutando para crer, com olhos voltados para se escapar do destino eterno sem Deus.  Voltaire que o diga.

E por que devemos decidir crer em Deus? 

 Primeiramente porque Ele é a Verdade Eterna, que dura para sempre.    Esta vida terrena, até certo ponto, é repleta de mentiras.   A carne é mentirosa, porque ela diz que devemos desejar o prazer até a última gota, sem nos importarmos com o que virá depois, como que insinuando que a vida carnal durará para sempre.   A disposição, a força, a alegria que a juventude nos oferece são bens voláteis, que se vão dissipando aos poucos, até não restar mais nada deles.

A beleza física também é algo que parece uma planta que nasce viçosa, mas com o decorrer do tempo vai se secando, cada vez mais, até que tudo muda e fica muito diferente…

Se o tempo se parece com um verdugo que alça o seu machado lentamente e que por fim desce para o golpe final, temos de crer que sua lentidão em agir é para que ninguém se dê por desavisado.   Ele está indiretamente nos avisando, e alguns estão fazendo de conta que não o perceberam, mas quem poderá negar os seus efeitos?

Em segundo lugar, porque Deus é poderoso para cumprir o que diz.   As marcas dos Seus atos de poder estão por toda parte, anunciando-os, dando-nos um outro alerta.   As sobras de uma grande arca estão até hoje repousadas sobre o monte Ararate.   O dia longo de Josué (Josué 10:12-13) está escrito no céu, (bem como o dia em que o rei Ezequias foi curado milagrosamente  pelo poder de Deus, em 710 A.C.), de onde os astros falaram para os computadores da NASA que o Universo parou por todo um dia.  Os fósseis de carros, rodas, e ossos de cavalos jazem no fundo do mar Vermelho até hoje.   E quantas pessoas hoje continuamente estão sendo curadas pela mão de Deus, umas após outras, algumas simultaneamente, fazendo médicos ficarem estupefatos?

Muitos falam que tudo isso não passa de pura autossugestão, e não passa disso.   Outros dizem que pessoas se enganaram, ao quererem comentar as constatações dos fatos.  Ainda outros acham que é tudo mentira.   Ora, se assim é, neste caso, temos que concordar que essas “autossugestões”, esses “enganos” e essas “mentiras” fizeram maior bem à humanidade do que todas as supostas verdades que a ciência quis trazer-nos.

Outros se dizem céticos.   Duvidam de tudo quanto diz respeito às operações do poder de Deus.   A estes incentivamos a fazerem uso de uma fé que nunca experimentaram, lançando-se em uma aventura fascinante de explorar os mistérios do Espírito Santo.   Muitas são as dificuldades desta vida.  Podemos deixar nosso barquinho ser tragado pelas ondas do mar da vida, ou decidirmos encher nossos peitos de fé e clamarmos pela misericórdia de Deus, caso em que todos verão que vale a pena confiar no nosso Criador.   Os que nEle creram não ficaram confundidos.

Uma outra razão para crermos em Deus é que Ele é bom.   Além de fiel e verdadeiro, Ele é a melhor pessoa que existe em todo o Universo (e no céu espiritual também).  Ele é sofredor, porque exerce longa paciência e misericórdia, e Se compadece das misérias que há em todo este mundo.   Em Sua criação, deu ao homem o livre arbítrio, no qual Ele não interfere.  As nossas decisões são totalmente livres, a cada instante, e na Sua bondade, Ele não nos obriga a provarmos somente a Sua boa vontade – mas notifica-a, para que tenhamos boas razões e condições de ponderarmos, a fim de que possamos fazer boas escolhas, as melhore ao nosso alcance.

Será que o leitor não creria num pai terreno que lhe oferecesse sempre o melhor, e nunca faltando com o seu carinho paterno?   Pois Deus é o maior e o melhor Pai que existe, e já existiu.   Ele merece a nossa atenção e a nossa melhor resposta de gratidão e amor, crendo nEle sem hesitação.

 

Números, capítulo 2:  Deus ensina organização e planejamento

Este capítulo do Livro de Números mostra uma questão de ordem no acampamento israelita.   O povo deveria estar organizado por setores, para o momento de se locomoverem de um lugar para outro, a fim de facilitarem todo o processo.   Se cada tribo tivesse que seguir a mesma trilha que alguma outra que seguisse à sua frente em cada jornada, isso causaria uma séria confusão, e levaria muito tempo, talvez semanas, para o povo começar a deslocar-se totalmente, desde o primeiro até ao último homem.   Deus então lhes deu um posicionamento estratégico: três tribos se localizariam do lado norte, três delas do lado sul, três do leste e três do oeste.   Devido ao amplo espaço que o deserto lhes oferecia para caminharem, esta disposição geográfica lhes proporcionaria a possibilidade de todos eles prepararem-se simultaneamente, antes de partirem, e seguirem uma ordem de partida pronta e lado a lado.

A tribo de Levi, por ser aquela que cuidava de armar e desarmar a Tenda da Congregação, ia sempre na posição central.

Daí concluirmos que quem criou a ordem e a organização foi o próprio Deus.   Administrar a um povo de cerca de dois milhões de pessoas ou mais, era como administrar a uma nação.   Eles não possuíam, ainda, nenhuma terra, mas tinham de organizar-se mesmo assim.

Hoje encontramos livros e mais livros versando sobre este assunto, com a finalidade de suprir sabedoria capaz de resolver problemas administrativos, tanto no setor público como no privado, mas quem deu esse know how ao homem foi Aquele que o criou.

Interessante é notar também que o povo de Israel se arranjava assim no deserto, e quem pudesse vê-lo do alto de alguma montanha, ou, se possível fora, de algum helicóptero, poderia ver que eles, organizados assim, formavam a figura de uma cruz.   Este é mais um detalhe que nos parece muito significativo, pois a cruz já estava presente no meio do arraial de Deus desde aquela época.

O que mais poderia fazer Deus a um povo que O irritou por quarenta anos?   Depois do episódio do bezerro de ouro, em que o Senhor mostrou-Se indignado com eles, e mais as várias demonstrações de falta de piedade e  temor ao Altíssimo, a bem da verdade, era –Lhe muito difícil esconder o nojo e a ira, mas aquele povo tinha Moisés como seu intercessor, prefigurando a pessoa de Cristo – e para aliviar aquele clima de tensão, o Senhor que os olhava lá do alto, do céu, contemplava também a cruz, símbolo de Sua boa vontade para com os homens.

A cruz também foi vista pelo Senhor quando o povo que era picado por serpentes devia olhar para uma haste levantada, onde foi aposta uma serpente de bronze.  A haste tinha o formato de uma cruz.    Aqueles que simplesmente olhassem para aquela haste, embora envenenados pelas serpentes naturais do deserto, eram salvos da morte.  Que restaria aos israelitas infelicitados pelo encontro fatal com tais répteis peçonhentos?   Aí vem a mesma questão: crer, ou não crer.    Quem quisesse crer, olhava para aquela haste (cruz), e vivia.   Quem não quisesse crer, não olharia, mas pereceria.   A fé nesta saída que Deus lhes deu era necessária, a fim de que as curas se concretizassem, mas a operação desse milagres de restauração da saúde de pessoas condenadas pelo veneno ofídico provinha unicamente da liberalidade de Deus, através da cruz.

É muito interessante também notar que os soros antiofídicos são preparados com uma mistura do veneno das serpentes com o sangue de cavalos de certa raça inglesa.    O sangue desses cavalos produziria os elementos físicos necessários para neutralizar a ação do veneno, qualidade que o sangue humano geralmente não tem – e assim são produzidos tais soros medicinais.

Já o sangue de Cristo, Jesus, tem a capacidade de vencer não somente o veneno de serpentes naturais da terra, como também o poder de neutralizar o pecado e suas consequentes morte espiritual e condenação eterna – e quem nEle crer, será salvo, neste mundo e na eternidade.

O sangue santo de Jesus, o Senhor, é o grande lance de Deus para nossa redenção hoje e para sempre.


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