NÚMEROS – IV – INSTRUMENTOS NAS MÃOS DE DEUS

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abril 14, 2014 by Bortolato

minorahNúmeros, capítulo 8º – Homens, habitação, utensílios, coisas grandes e pequenas, podem ser usados por Deus para cumprimento de Seus propósitos.

Nos versículos de 1 a 4, vemos que as sete lâmpadas do minorah, o castiçal do Tabernáculo, trabalho esmerado dos artífices, obra muito vistosa, em ouro brilhante, uma grande joia, um verdadeiro adorno que realçava o interior daquela Tenda, foi enfim colocado em seu lugar próprio e acendidas as suas luzes, para iluminar o recinto.   Aarão assim o fez, colocando em uso a operação de iluminação – pois o Senhor é luz, e assim seus anjos e mensageiros devem sê-lo.

Em Apocalipse 1:12 aparece a figura do mesmo candelabro,  mas sobre esta Jesus estende suas mãos, pois o mesmo representa os sete anjos, isto é, os sete pastores das sete igrejas da Ásia Menor.   Esse minorah nos revela que Deus, que é luz, empresta a Sua luz ao Seu povo.   No Antigo Testamento, vemos isso através de Moisés, de Aarão e dos profetas (Zacarias 4:1-2), e continua a abençoar-nos nesta era da igreja.   Precisamos, pois, fazer acesa a nossa luz do céu em nós, e não a deixemos de modo algum apagar-se, pois isto seria deixar apagar o Espírito Santo dentro de nossos corações – um verdadeiro desastre espiritual. Uma vez acesas as suas luzes, NUNCA MAIS deveriam deixar-se apagar.   Que o Espírito Santo esteja sempre vivo, atuante, e aceso dentro de nós.   Não fora assim, não valeria a pena sermos do povo do Senhor, pois, sem Sua bênção, viveremos sem a alegria de servi-Lo, sem a alegria da Sua salvação, e por que não dizer, nossas vidas se secarão e jazerão em trevas, e assim não compensaria sequer vivermos.    Cuidemos SEMPRE, como os sacerdotes cuidavam para que a luz do candelabro não se apagasse.   Não permitamos que vozes deste mundo, ou mesmo do outro, do além, nem a perseguição, nem as agruras da vida, nem os seus cuidados, nem as riquezas, nem as pessoas mais íntimas que temos chegadas a nós nos impeçam de estarmos sempre tratando de manter acesas a luz de Deus em nós.

Em Números 8:5-22 lemos que os levitas são chamados por Deus para se apresentarem diante de Sua Presença, antes de assumirem suas funções específicas.   Esta é a ordem para se fazer antes de assumir-se um serviço para Deus.    Se somos chamados para servi-Lo, temos que deixar público e notório que não temos esse ou qualquer dom ou ministério brotado de nossas mãos, mas temos recebido um mandado, que vem de Deus, e isto nos faz cheios da autoridade divina.   Embora sejamos humanos, rodeados de fraquezas, impulsionados pelo Deus Vivo podemos nos tornar em verdadeiras forças invencíveis, pois Ele faz de Seus ministros labaredas de fogo   (Salmo 104:4).  A nossa consagração a Deus mostra que a nossa força não vem de dentro de nós, mas nos é outorgada pelo Espírito Santo, através dos servos dEle, os quais, por sua vez, também receberam a unção através de outros servos, e estes últimos, tampouco, não foram de modo diferente – e todos foram, assim, de elo em elo, até chegarmos a Cristo, o grande Autor da nossa fé.   Cristo é a nossa unção, e a nossa autoridade, o começo e o fim do poder de Deus, o primeiro e o último.

E qual é essa ordem dos passos para nos dispormos para o serviço de Deus?

Primeiro, Deus escolhe a quem  Ele quer para determinada tarefa.   Em I Coríntios 12:4-11, lemos que Deus deu dons diversos à Sua igreja, e cada membro tem recebido a promessa de que terá sua parte de capacitação ao serviço, de acordo com a boa vontade do Senhor (I Cor. 12:18).     No caso dos Levitas, estes tinham sido escolhidos no lugar dos primogênitos de Israel (Núm. 4:41) – Deus os quis para o Seu serviço, e os escolheu a dedo.   Esta escolha precede a todo o despertamento da pessoa que for alvo da mesma, a toda reação, toda iniciativa pessoal humana, pois que Ele, o Senhor já a fez, antes mesmo que qualquer de nós viesse a existir.  A Sua poderosa presciência já nos anteviu, antes da fundação do mundo.   Para se entender melhor este conceito, devemos considerar que Deus, quando pensa em algo, ao Seu simples imaginar, seguido de Sua elaboração de planos para realizar, faz algo que já preexiste, mesmo fora da matéria, apenas em Suas santas maquinações, cheias do Seu grande amor.   Daí a fazer vir à existência, é só uma questão de tempo – e o tempo, para Deus, é algo que não se encaixa dentro do nosso tempo.   Um dia é  como mil anos, e mil anos, é apenas um dia, na Sua presença.   Esta presciência divina é algo que não cabe dentro do entendimento humano – aliás, lógicas humanas nada são diante dEle.   Admoestamos, pois, que ninguém queira preceder aos propósitos de Deus, e nem tente entendê-Lo, pois não o logrará.   Deus é tão diferente da raça humana, e muitíssimo diferente até de Seus anjos, que não há como perscrutar Seus pensamentos – e só Ele é tanto assim.

Em segundo lugar, Deus chama aos que escolheu.   Logicamente a escolha divina deve ser acompanhada de um atendimento ao Seu chamado, da parte do homem.   Aí, já a Sua escolha se interpõe em nossa dimensão de tempo e espaço, mas sempre partindo de um princípio misterioso, pois ninguém pode saber como será para um ou para outro individualmente.  Se alguém receber o Seu chamado para fazer algo, poderá atender, ou negar-se a fazê-lo, e Deus nunca obrigará a ninguém ser Seu servo.   Existe, contudo, uma diferença muito grande entre os que se sentem privilegiados em ser Seus escolhidos e O atendem, felizes no Seu serviço, e os que não quiserem atendê-Lo, pois que estes restringirão os canais das bênçãos de Deus em suas vidas.

Em terceiro lugar, Deus prepara os que queiram servi-Lo. Interessante notar que no capítulo 4 de Números, temos que a idade para Seu serviço é de trinta anos, a idade adequada para o início do ministério levítico.   Já neste capítulo 8º , fala-se dos 25 anos para serem separados para tanto.   O intervalo de cinco anos entre essas idades servia para receberem Suas instruções, como parte de uma formação escolar para levitas.   Sua preparação era essencial para que pudessem conscientizar-se de que estariam trabalhando com coisas muito poderosas no campo do espírito, e em certos casos, se negligenciassem algum procedimento sério, poderiam morrer na presença de Deus, tanto quanto os sacerdotes.

Por motivos de segurança, e até de preservação da própria saúde dos levitas, estes teriam de exercer suas atividades que lhes foram atribuídas, conforme o capítulo 4º de Números, até os cinquenta anos.   Depois de alcançada tal idade, deveriam dar seus postos de serviço aos mais jovens.    A razão disso é que Deus sabia e sabe muito bem que certos labores exigem esforço, e que a chegada dos anos cinquentenários trazem já certo declínio das forças dos homens.

Isto não significava que os “cinquentões” levitas deviam parar de todo com o trabalho, mas sim, cuidariam da guarda da Tenda da Congregação, deixando de lado os trabalhos mais pesados.   Isto é sabedoria do Alto que conhece a nossa estrutura, e sabe que a velhice é algo que não se atinge de repente, mas sim, um processo evolutivo que vai se desenrolando lentamente, ao decorrer do tempo.

Este cuidado de Deus para com os idosos nos mostra a Sua misericórdia para com o homem que, desde o pecado original, foi condenado a morrer fisicamente.

Seria muito desanimador para jovens, pensar em tais dias, mas a sabedoria divina inspirou o autor do livro de Números a escrever assim, tal e qual o autor de Eclesiastes 12:1:-

“Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais venhas a dizer: – “Não tenho neles contentamento”

Fato pitoresco é notado em Números 8:9, que aponta uma exigência divina para o ministério dos levitas:  estes teriam que passar por um ritual em que  teriam de receber a aspersão da “água da expiação”, o que, para alguns, faz lembrar o ritual de um batismo.

Além dessa aspersão de purificação, os levitas noviços teriam de raspar todos os pelos e cabelos de seu corpo.   Depois lavariam suas vestes, apresentariam dois novilhos (pré-figura do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo – Jesus), e receberiam a imposição das mãos do povo congregado.

Por que a raspagem dos pelos e cabelos do corpo?   Aqui temos de entender que Deus recebe as coisas dos homens à Sua maneira, e não há explicação plausível que O justifique.   De Isaías, Ele exigiu que o profeta andasse nu diante do povo por três anos.   De Ezequiel, que este dormisse em uma cama, deitado somente de um lado, por vários dias (Ezeq. 4:4; 4:6), e que comesse esterco de vaca misturado com cevada (Ezeq. 4:12-16), e raspasse os cabelos de sua cabeça (Ezeq. 5:1), mas de Sansão e dos nazireus, que não raspassem sequer sua barba.   Cada exigência dessas tinha um sentido específico, e Deus pede de uns o que não pede a outros.   Com toda certeza, tais pedidos ficaram sob a égide da Antiga Aliança, mas devemos sempre levar em conta que a soberania, a autoridade e o poder de Deus Lhe dão ensejo para pedir o que Ele bem o quiser de cada um de nós, a qualquer tempo.

Por este motivo, cada qual terá a sua própria cruz para carregar, enquanto segue ao Grande Mestre, e a melhor maneira de assim proceder-se é aceitando cada fardo como uma oportunidade do céu, para aumentarmos nossos galardões eternos.

Carreguemos, pois, a nossa cruz cada dia, cantando e louvando a Deus sem murmurações.  Esta é a melhor maneira de fazê-lo.    Deus nos vê do céu, e nos recompensará.


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