NÚMEROS – V – CELEBRAI COM JÚBILO AO SENHOR

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abril 17, 2014 by Bortolato

NÚMEROS – V – CELEBRAI COM JÚBILO AO SENHOR

O livro de Números, em seu capítulo 9º, coloca em prática o que está escrito no Salmo 100:1, e nos admoesta a celebrarmos a Páscoa.

O povo de Israel havia recebido, havia um ano atrás, o grande livramento vindo de Deus, que os libertou da condição de escravos do Faraó.

Isso foi tremendo.  Faraó não queria ceder, e levou até o fim uma queda de braço com o Todo-Poderoso Javé, e o povo escravo não tinha como escapar do chicote opressor.   O braço forte do Senhor se estendeu, quebrando a força do Egito, numa dramática e acirrada disputa, medindo forças.   No final, o exército de Faraó teve de sofrer uma terrível e completa destruição, em poucos minutos, apenas com um toque do dedo de Deus.   Foi ao mesmo tempo terrível e fantástico.  Inesquecível, mas o homem tem um problema sério em seu comportamento: esquece-se muito depressa de suas angústias, uma vez que estas ficaram no passado.

Já passado um ano do havido, foi preciso que o Senhor lembrasse ao povo que era chegada  a ocasião da celebração da Páscoa, em memória daquele acontecimento marcante.

É bom lembrarmos das grandes coisas que Deus faz por nós, e alegrarmos em nossos espíritos pela boa vontade que Ele dispensa a cada um de nós.  Ele espera que o façamos com desprendimento de coração e com alegria.

No caso dos hebreus, eles estavam então no deserto, sustentados pelo próprio Senhor, que lhes fez sair água do meio de uma rocha, enviou-lhes o maná do céu à terra, do nada depositando na areia pequenas gotas que se condensavam em matéria muito nutritiva, que os acompanhou por onde fossem por aquelas paragens.   Era um milagre diário a sobrevivência daquele povo todo em região tão árida.

O milagre da morte dos primogênitos do Egito tinha que ser lembrado de geração em geração, pois marcou a data do dia da libertação.   A Páscoa teria que ser celebrada ano após ano, dali para a frente. 

Um cordeiro deveria ser imolado, e pães asmos, e ervas amargosas teriam que estar sobre a mesa, sempre naquele dia marcado: dia quatorze do mês de Nisã, o primeiro mês do ano.   Até os que por motivo de viagem ou de contato com mortos se sentissem impedidos de celebrá-la teriam sua segunda oportunidade de fazê-lo no mês seguinte, aos quatorze dias do mês.   Todos, porém, do povo resgatado, teriam que celebrar aquele evento.

A Páscoa, de fato é tão importante para Deus, que Ele mesmo escolheu essa ocasião para um dia permitir que Seu próprio Filho, Jesus, fosse imolado como um Cordeiro Pascal, cerca do ano 29 da nossa era.   Como deixarmos de comemorá-la?   Pois ela nos traz a marca da morte e do sangue derramado que nos trouxe vida, libertação e reconciliação com Deus!

Em Números 9:14-23 lemos sobre acoluna que desceu do céu.

Depois de tantas demonstrações de um poder incalculável que se desprendeu do céu para presentear a todo um povo descendente de Abraão, libertando-o, salvando-o, abrindo o mar, derramando-lhes o maná que os alimentou por quarenta anos; nunca deixando de lhes prover com água, de modo a demonstrar-lhes o Seu amor imenso, o povo de Israel aprendeu a ser um humilde dependente dos atos caridosos do Senhor.

Israel sabia que a sua vida estava nas mãos do Deus de Isaque e Jacó; dEle dependia para tudo.   Não convinha dar-se um passo sequer fora da Sua direção.   Sair das Suas veredas era o mesmo que sofrer a morte.   O que mais os esperava no deserto, além de cobras, lagartos, estio, sol escaldante provocando-lhes calor, aves de rapina pairando no ar à espera de ver algum corpo caído na areia, dunas sem fim, oferecendo-lhes a morte por todos os lados?   Mas o deserto foi a opção que Deus lhes deu, a oportunidade dos israelitas conhecerem que Ele é o Deus para Quem não há impossíveis – e Ele não os guiara até ali para fazê-los morrer, mas sim, para iniciarem um convívio lado a lado, para enchê-los com fé e amor, em seus corações – e aqueles que nEle cressem, teriam um recompensa especial.   A recíproca também foi verdadeira: os que descressem, murmurassem e tentassem voltar para o Egito, também teriam sua paga pela ingratidão, no decorrer do tempo… quarenta anos!

Um belíssimo sinal lhes era dado para que não duvidassem que Deus os estava guiando.  Uma nuvem que descia do céu na forma de uma coluna, tocava, em sua extremidade inferior, o Tabernáculo.   Era de encher os olhos.   Todo o Israel  podia vê-la, tão alta e vistosa era ela.  Era sinal da Presença do Todo-Poderoso El Shadday no meio do povo a quem Ele escolhera para ser Seu.   Nenhum outro povo da Terra teve essa visão, que fosse dada por algum de seus deuses.   Somente o Deus Único, criador do céu e da Terra pôde fazer algo assim.

Para tornar esse milagre em vívida memória, bem visível aos olhos do povo, a coluna de nuvem, ao chegar a escuridão da noite, transformava-se, tornando-se luminosa, alumiando todo o acampamento.   Hoje, nas grandes cidades deste mundo, há um sistema noturno de iluminação pelas ruas, mas ali no deserto, não havia geradores de energia, usinas elétricas e nem mesmo represas hidroelétricas para sequer pensarem em construir uma.   Era a luz do fogo divino, que iluminou a sarça no deserto, para falar com Moisés, e então, agora, estava sobreposta na Tenda da Congregação, revelando que Ele, o Senhor, é a luz verdadeira, que nunca se apaga, qualquer que sejam as circunstâncias – Ele é quem ilumina os corações dos Seus fiéis.   As luzes deste mundo apenas ilustram, imitam toscamente e enaltecem a verdadeira luz de Deus.

Lembramos ainda que, em João, capítulo 9, versículo 5, Jesus disse: – “Eu sou a luz do mundo”.  Quem anda com Ele, jamais se verá em trevas.

Deus nos deu os dias para trabalharmos, e as noites para repousarmos, mas que tal exercitar-se fisicamente durante um dia em que a temperatura é elevadíssima, devido ao sol ardente e a sequidão do estio?   Para isso, os israelitas tiveram o privilégio de serem presenteados com uma nuvem divina, todos os dias de sua peregrinação pelo deserto.

Acrescente-se a isso que pelas noites, quando a temperatura caía drasticamente, aquela coluna de nuvem se transformava em uma coluna de fogo.   As noites naquele deserto são açoitadas por ventos frios, de modo que, se os caminhantes não se cuidassem, poderiam sofrer muito com as extremas variações de calor e frio.   Além disso, uma iluminação noturna é providencial para coibir que pessoas  sejam atacadas por grupos, ou feridas por algum réptil ao qual não pudessem enxergar.   Para isso é eu a coluna de fogo servia, mostrando o cuidado paternal de Deus – a aquecer noites frias e a iluminar as áreas comuns do acampamento.

Por vezes, aquela coluna de nuvem se elevava, saindo de sobre aquela Tenda da Congregação.   Então todo o povo tinha que se preparar para partir para mais uma caminhada… e o melhor a fazer era realmente desmontar tendas, desfazer acampamento, ajuntar pertences, carregar carroças, e reiniciar mais uma jornada.     Números 9:21 diz que isso poderia acontecer a qualquer hora do dia ou da noite – então tinham que se mexer, preparando-se para exercitar-se pelo caminho afora.    Toda aquela agitação no acampamento era algo muito maravilhoso; se pudéssemos ver aquilo hoje, visualizaríamos todo um movimento de obediência ao comando do céu, na esperança de encontrar-se com uma terra onde mana leite e mel.    É muito bom quando um povo decide obedecer a Deus.   Bem-aventurado é esse povo.

Qual a melhor opção?   Partir pelo deserto seguindo a direção do Senhor, ou traçar outros planos?   Por tudo o que o Senhor lhes tinha feito até então, aquela era não somente a melhor opção.   Segui-Lo era escolher a vida e viver!

Assim também hoje temos uma opção:   Jesus!   Um só Caminho, uma só Verdade, e a única Vida.   Quem nEle crer, terá a vida como presente do céu a lhe galardoar.   Quem, porém, não crer nEle, infelizmente fará a opção errada e consequentemente não desfrutará da vida eterna que Ele promete, e vagueará sem rumo no deserto deste mundo.

Números, capítulo 10º – Ao soar das Trombetas de Deus.

O Senhor ordenou a Moisés que se fizessem duas trombetas de prata (hebr.: haçoceroth),  – estas eram distintas daquelas que foram usadas por Josué para suas batalhas – o shofar – que eram feitas de chifres de carneiro. Estas de prata serviam para convocação do povo, e para autorizar a partida dos arraiais (10:2).   O simples recolher da coluna de nuvem era aviso para o povo preparar-se para marchar avante, mas havia mister que houvesse ordem nessa movimentação, e para tanto é que foram destinadas essas duas trombetas.

Discernir os sons era simples:

  • Um simples toque de ambas as trombetas era sinal para todo o povo reunir-se à porta da Tenda da Congregação (10:3).
  • Um simples toque de apenas uma das trombetas era a chamada para os príncipes, cabeças dos milhares de Israel.
  • Quando ambas estas retiniam, era sinal de autorização para o primeiro grupo de tribos começarem a retirar-se do seu local, e seguirem a direção da coluna de Deus.   Embora esse retinir tenha uma tradução incerta, cremos que era um toque diferente em tons e em notas musicais mais duradouras.  O grupo que ficava na banda do oriente, que era comandado pela bandeira de Judá (Judá, Issacar e Zebulom) era o primeiro, no caso.   A seguir, os filhos de Gerson e Merari os acompanhariam, levando o Tabernáculo desmontado.
  • Ao toque em que retiniam as duas trombetas pela segunda vez, era autorizada a partida do grupo de tribos ao sul do acampamento, sob a bandeira de Ruben, com esta tribo, Simeão e Gade.   Então os coatitas partiam também, levando o Santuário desarmado.
  • A seguir, partia a bandeira do arraial de Efraim, que era acompanhado de Manassés e Benjamin.
  • Por derradeiro, partia a bandeira do arraial de Dã, e com esta tribo, Aser e Naftali.

Assim procedeu o povo no dia vigésimo do segundo mês, do segundo ano da saída do Egito (10:11).

A coluna de nuvem ergueu-se, as trombetas tocaram, e seguiram os israelitas pelo caminho que o Senhor lhes preparara.   Aqui nota-se o perfeito senso de organização de Deus.   Pela saída do Egito, havia uma desordem muito grande, que misturou o povo todo do jeito que lhe foi permitido, mas já a partir de então no deserto, o povo tinha uma ordem predeterminada para não haver atropelos e correrias.

Saíram do deserto do Sinai, e a nuvem parou no deserto de Parã.  Havia expectativas a respeito.   Ninguém sabia ainda como seriam as coisas dali em diante.   Assim  são os caminhos de Deus – não sabemos de muitas coisas, e dentre estas, qual será o nosso meio de caminhada e o fim;  talvez tenhamos provas, e alguns problemas à frente, mas o ingrediente que não pode e não deve faltar é a nossa aposta na confiança de que Ele, o Senhor, está nos conduzindo.   Precisamos entender que as nossas incertezas poderão ser abrandadas pela poderosa mão de Deus.   Talvez ainda não tenhamos chegado ao ponto aonde queríamos, mas podemos ter uma certeza: a de que, ao soar da última trombeta do céu, receberemos o nosso galardão, se formos Seus servos fieis até a morte (Apocalipse 2:10b).   Nunca nos falhe, portanto, uma boa disposição para ouvirmos a voz de Deus,  para que com alegria possamos atendê-Lo, e aonde Ele for, ali há alegria do céu para nós.   Não haverá falta de água e nem de alimento, a Sua nuvem nos protegerá e nos guiará até o fim, quando Ele há de nos buscar e nos dizer:

– “Bem está, servo bom e fiel, sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei; entre no gozo do teu Senhor”. (Mateus 25:23)

Escreveu Paulo em II Coríntios 15:52 que ante a última trombeta, os mortos ressuscitarão e os vivos serão transformados.   Finquemos fé nesta promessa, pois existe nela embutida uma grandiosa recompensa para os que crerem.


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