NÚMEROS – VIII – É HORA DE DECISÃO – ABRACE A FÉ

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abril 29, 2014 by Bortolato

Josue e Calebe cacho de uvas

Muitas vezes Deus quis fazer maravilhas conosco, com a condição de que nossos corações deveriam estar bem dispostos a aceitá-lo, bem abertos para tudo o que vem dEle.

Caminhar com Deus é um privilégio que precisa ser bem compreendido, pois que demanda, sobretudo, uma atitude positiva.

Qual teria sido a melhor atitude a ser tomada, naquela circunstância em que o povo de Israel foi colocado, conforme a narrativa de Números, capítulo 13?

Em primeiro lugar e antes de tudo, crer no Senhor, no sentido de confiar.

“Crede no Senhor vosso Deus e estareis seguros; crede nos seus profetas, e prosperareis”.  (II Crônicas 20:20)

Já temos afirmado que crer é um ato que é pré-formado por uma decisão.   Se decidirmos crer, então creremos.   Descrer é uma outra opção aberta, mas diametralmente oposta, que traz em seu bojo graves consequências.

De acordo com Deuteronômio 1:20-23, a ordem do Senhor foi que o povo se dispusesse, e enviasse um exército para guerrear contra os habitantes da terra de Canaã.   Não foi bem isso o que aconteceu.   O povo sugeriu que mandassem espias pela terra, a fim de colher dados a respeito do povo que lá habitava, o que pareceu bom aos olhos de Moisés, o qual certamente passou a questão  para as mãos de Deus.   No fundo, aquele atitude de cautela demonstrava que Israel estava já temeroso com o que teria de enfrentar.

Números 13:1-2 mostra que o Senhor aceitou a sugestão do povo, e então foram enviados doze homens para espionar as sete nações cananitas que lá então se assentavam.

A princípio, o que era que o Senhor queria?   Que o exército fosse e marchasse sobre a terra, cheio de fé e de coragem.   O Senhor dos Exércitos estava com eles.   Quem os poderia resistir? (Salmos 27:1;  46:1-2;  68:1-3).   Os seus inimigos seriam todos completamente vencidos, se esta fosse, decididamente, a sua atitude positiva.

Note-se que muito embora Moisés os tivesse enviado para o serviço de espionagem, pedindo que verificassem se o povo que habitava naquela terra era forte ou fraco, pouco ou muito, que tipo de cidades tinham construído, nada disso foi relevante quando realmente, quarenta anos depois, tivessem que marchar para a conquista da terra. (Números 13:18-19)

Um exemplo disso foi Jericó.   Cidade de tão altas e grossas muralhas, tidas humanamente como intransponíveis e indestrutíveis, mas que ruíram abaixo ao mando da voz de Jeová, do som de trombetas, e dos brados soltos antes do início do ataque.    Nunca teriam ali vitória, se não fosse a mão de Deus.   Em suma, fossem fracos ou fortes, poucos ou muitos, de cidades fortemente muradas ou não, o destino da campanha militar de Josué seria o mesmo: a vitória para os que tivessem fé no Senhor dos Exércitos.   Até o sol e a lua colaborariam, o universo como um todo, colaborariam com o povo de Deus, caso fosse necessário, como aconteceu em Gibeom  e no vale de Aijalom (Josué, capítulo 10).

Logo, para que uma incursão de espias?   Para Deus, aquela vacilação não passava de um atraso no caminho de Seu povo.   Contudo, sentindo-se inseguros para avançarem adiante, pediram que os doze espias fossem enviados, quem sabe, para sentirem quais eram os pontos fracos das defesas inimigas.   Deus o consentiu, porque não adiantava tentar explicar-lhes o Seu plano absoluto, e assim, lá foram eles para espiar a terra.

O que foi que eles viram?

A resposta a esta pergunta dependeu do ponto de vista dos observadores.

Dois deles estavam com os seus corações transbordando de alegria e de vontade de marchar avante, conquistando cidade após cidade.   Eles viram as dádivas da terra, e principalmente consideraram o fato de o Senhor estar com eles.  Sentiram firmeza naqueles passos, de que estavam no caminho certo para muitas vitórias.   Sentiram-se já lutando, vencendo e conquistando a Terra Prometida, antegozando as bênçãos de fartura que esta lhes proporcionaria.   Seus olhos estavam voltados para o tamanho dos cachos de uvas que Deus lhes daria, e, ao vê-los, isso lhes aumentou aquele tanto a fé em seus corações.   Já estavam sentindo-se gratos a Deus por poderem viver aquele momento.   O Senhor não somente os libertou da escravidão, como os colocou diante dos outros inimigos para os vencer.

O Senhor só não iria com eles, entretanto, se esmorecessem, pois os soldados que têm medo de seus adversários entram na luta já com moral baixo, e praticamente derrotados.   Havia uma necessidade de manifestarem estar em confiança, concordância e cumplicidade com Deus, pois caso contrário, o Senhor não iria com eles.   Foi uma pena, o que aconteceu a seguir.

Dez dos espias que voltaram de examinar a terra, mostraram uma visão completamente diferente dos seus outros dois companheiros.   Fixaram-se em uma visão dos homens altos, dos gigantes, e das fortalezas eretas na terra.   Estavam impressionados com isso, e pessimistas.   Esqueceram-se de tudo quanto o Senhor lhes fizera até então, duvidaram das intenções ou da capacidade dEle e de Moisés;  apresentaram um relatório infeliz, sentindo-se fracassados por antecipação, enganados, e traídos pelo Altíssimo.   Acharam-se prestes a morrer  nas batalhas; viram-se caindo feridos, em fuga diante dos inimigos.   Frustraram-se, e com palavras difamatórias, contagiaram a todo o povo.  Foi um momento vergonhoso, pela sua atitude mesquinha e ingrata.

Então fazemos a pergunta:  o que é que estamos vendo?   O que enfocamos é do Senhor, ou dos inimigos?   Qual é a visão que estamos permitindo diante de nossos olhos, e nutrindo em nossos corações: a do poder maravilhoso de Deus ou das dificuldades?   Tudo o que estivermos deixando ser alimentado em nossos pensamentos irá crescer, avolumar-se, e por fim, concretizar-se – ou para bem, ou para mal.

Voltemos para cerca de dois a três anos antes, para aquela praia do Mar Vermelho.   Vemos Deus conduzindo o povo para ficar à frente do mar, tendo um exército inimigo, sedento de sangue e de opressões, querendo matar, oprimir, e levar a muitos como escravos de volta para o Egito.

Para onde os israelitas olharam?   Para Moisés, o intermediador de Deus, Javé, que enviara dez pragas e os libertara.   Situação crítica.  Era crer, ou ser alcançado pela espada dos egípcios.  Ou uma coisa ou outra.   O Senhor disse ao povo que marchasse sobre as águas do mar.  Era a Sua corda de salvação – era pegar a corda de Deus, ou largar.  Por tudo o que já tinham acabado de ver no Egito, tinham que crer.

Para ajudar a sua fé, o Senhor colocou a Sua coluna de nuvem entre o povo egípcio e o de Israel.   A coluna de nuvem, naquela noite, produziu grande escuridão para os egípcios, estorvando-os no avanço, enquanto era clareado o caminho no meio do mar para Israel correr livre para a outra praia, do outro lado.

Se o povo de Israel parasse frente ao mar, e ficasse só no desespero de ver o avanço do inimigo, só iriam chorar de medo antes de serem mortos ou capturados, e de miséria depois, ao verem o que a espada do inimigo lhes teria feito.

Mas o Senhor estava ali e os guiou até aquela circunstância.  Para alguns, céticos, estes poderiam achar que Deus deixou Israel cair numa armadilha, da qual depois teve que Se esforçar para não deixar o pior acontecer, como que tentando impedir um desastre terrível que repentinamente ali se desenhava, como que tentando apagar a um incêndio que aparecera de surpresa.

O que realmente ocorreu, porém, foi um plano muito bem arquitetado pelo Deus de Moisés: acabar com o exército do Faraó de vez, no meio do mar, e assim o povo ficou livre para sempre dos seus opressores egípcios.   Desta forma, Faraó nunca mais teve forças para os perseguir – no deserto ou, que fosse, na terra de Canaã (provas arqueológicas revelam que o Egito dominava a grande parte das terras ao seu noroeste).  O mar, pois, lhe sepultou todo o seu desejo de escravizar e oprimir a Israel.

Enquanto isso, os israelitas tiveram uma excelente oportunidade para crescer mais um degrau da escalada da fé, e saíram-se vitoriosos, pelo estender do braço poderoso de Javé, o Senhor dos Exércitos!  Foi tremendo!   Febricitante!   Nunca mais escravidão no Egito, não porque guerrearam, mas porque confiaram no Senhor e deixaram que Ele por eles guerreasse.

Tornemos agora para Cades, no deserto.   Os espias partiram de Parã, de um deserto ao sudeste de Canaã, e voltaram para encontrar-se com seu povo, quarenta dias depois, já em Cades.   Dois pontos de vista lhes foram permitidos ter.   Duas versões sobre a terra a ser conquistada.  Duas visões antagônicas, que de modo algum se harmonizavam.

Uma das visões, a dos dois espias, Josué e Calebe,  dizia que a porta de entrada para a terra estava aberta, pela mão de Deus.  Deus mesmo a estava a abrir-lhes, e convidando-os para lá adentrarem.  Era a oportunidade de suas vidas, que tanto estavam esperando.

A outra visão, a dos outros dez, apenas olhou a porta aberta, e recuou, negando-se a crer em Deus.   Olharam para o tamanho do desafio, e esqueceram-se de tudo o que o Senhor lhes havia feito até ali.   Em vez de verem uma bênção divina à sua espera, viram a sua própria morte nas mãos dos inimigos.   Seus semblantes descaíram, ficaram tomados de um espírito de amargura e covardia, que lhes promoveu um sentimento de desamparo, ao ponto de seus corações enlouquecerem.  Medo do futuro, era só o que conseguiam ver à sua frente.

Voltamos á pergunta:  o que é que estamos a ver?   Onde estamos fixando os nossos olhares?   Onde estamos colocando maior peso:  na esperança da vitória, de um espírito pronto para a luta perseverante, até conquistar nossos espaços, com os nossos corações totalmente fortificados pela fé?

Ou nos estribamos na desconfiança, para estancarmos, e voltarmos atrás, depois de tudo o que Deus já fez em nossas vidas?

Gravemos bem em nossas memórias esses dois episódios da história de um povo que foi escolhido por Deus para ser abençoado por Ele nesta estrada da vida.   Assimilemos bem a lição que ficou profundamente marcada nos corações de todo um povo.   Analisemos as duas perspectivas, e os seus dois caminhos, e para onde nos leva cada um deles.   Podemos escolher um dos caminhos, mas não podemos escolher as consequências.  Para cada caminho assumido, colheremos os frutos que são próprios destes.

Façamos a melhor escolha, e que Ele coloque a Sua mão abençoadora sobre as nossas cabeças.  (Números 6:24-26)

Tenhamos fé em Deus.   Tudo é dado ao que crê!


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