NÚMEROS – XI – VENÇA A SÍNDROME DE CORÉ

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mayo 8, 2014 by Bortolato

Morte de Datã, Coré e Abirão

Seja feliz com aquilo que Deus faz!  Não duvide de Deus, mas vença a dúvida com a fé!   Nossos corações precisam ser gratos diante de tudo quanto Deus fez e faz por nós.  Nossos corações sofrem de uma síndrome que temos que controlar, para não deixar que se desenvolvam, dentro de nosso interior, sentimentos negativos ocultos, os quais só se manifestam em determinadas situações, escondendo-se, até então, de nossas próprias consciências.

Não devemos duvidar das obras que Deus faz, e não devemos nos contrapor às Suas decisões de escolha.   Depois de vermos tudo quanto Ele fez, não é o caso de nos considerarmos privilegiados pela Sua boa vontade?

Depois de havermos recebido um certo tanto de Suas bênçãos, não devíamos nos dar por felizes?   Pois há quem não se dê por satisfeito por não ter sido contemplado com a porção do seu vizinho.   Quando a palmeira do nosso próximo é sempre mais bonita e mais vistosa do que a que está plantada em nosso terreno, é tempo de tomarmos cuidado!

O que acontece muitas vezes é que temos de quase tudo o que nos aquece o coração.  Só por causa desse “quase”, deixaremos que o sentimento de insatisfação nos faça infelizes?

Temos que olhar para o fato de que Deus nos deu tudo de que necessitamos, e esse tudo, para nós, significa quase tudo o que desejamos ter, isto é verdade. Mas se ainda não nos damos por agraciados, é porque existe um ego exaltado, que anseia por sobressair-se nessas ocasiões.

Esta situação parece até coisa de crianças, que ainda não perceberam que a vida e o mundo não foi feito para fazer convergir todas as atenções de Deus sobre as suas pessoas.

Números, capítulo 16 – A dissidência de Coré.

O que dizer-se sobre a crise de Coré?  Era um levita, pertencia à tribo de Israel escolhida para servir a Deus junto ao Tabernáculo e seus móveis e utensílios.   Era, já, privilegiado por Deus, pois que Ele, o Senhor, trocara os primogênitos de Israel pelos levitas.   Não bastasse isso, ainda de quebra, Coré experimentou presenciar fatos exclusivos de quem pôde estar por perto da Tenda da Congregação, vendo com seus próprios olhos milagres instantâneos, e isto continuamente.

Tudo isso cresceu dentro de si, e olhava-se para si mesmo com certo orgulho “espiritual”.   Julgava-se santo.   Ao ver tantas maravilhas de Deus, achou que o povo todo também era santo, escolhido de Deus a dedo, dentre todas as gentes.

Tudo aquilo que ele ponderou em seu coração era verdade, mas em uma coisa errou – em pensar que poderia substituir a Aarão (e a Moisés) com vantagens para si e para todo o povo!  Assim começou a externar o seu desagrado para um, para outro, que por sua vez também espalhava o dito para outros, de modo que logo se formou um grupo de motim.

Ousadamente juntou-se a Datã, Abirão e a Om, da tribo de Ruben, e mais duzentos e cinquenta homens de Israel para peitar a Moisés e a Aarão, reivindicando a si uma certa santidade e dizendo aos servos do Senhor, líderes do povo:

“… por que vos elevais sobre a congregação do Senhor?”  (Núm. 16:3)

Ah, a inveja, mais uma vez, até onde leva a inveja!   Este foi o verdadeiro e mais profundo problema de Coré.

Além da inveja de Coré, Datã e Abirão estavam inchados de um estado de rebelião tal que nem tiveram a dignidade de atender ao chamado de Moisés  para dialogarem (Núm. 16:12).   Estavam tão possuídos de falta de reverência e do temor do Senhor, que acharam-se no direito de desconsiderar aquilo que Deus diz e faz por meio de Seu profeta; e não estavam peitando somente a homens, mas também a Deus!   Que falta de sabedoria e de discernimento!   No fundo, isso tudo era um reflexo da falta de crerem em Deus , e de respeito para com as opções que o Senhor adota.

Ocorre ainda que Moisés não era um mero milagreiro.   Os milagres que aconteceram em seu ministério não foram operado por seu poder pessoal – ele, Moisés, não passava de um ser humano com suas limitações humanas.   O poder era totalmente desprendido das mãos de Deus!    Isso quer dizer que Moisés não era um feiticeiro, fiado nos seu poderes.  E mais: ele não era um profeta como Jonas, que fugiu do seu encargo, nem como Balaão, que profetizava as palavras de Deus, mas tinha o coração voltado para o povo inimigo de Deus!

Não era assim Moisés porque ele queria, sim, era obedecer completamente a Deus, dedicar-se a Ele com toda fidelidade, e sempre desejando o melhor para o seu povo.   Por isso é que Paulo fala em I Coríntios 13:2:

“Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, ao ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei.” 

Quando Deus tratava duramente com Seu povo, era o Senhor, e não Moisés, Quem o fazia assim.   Este foi o ponto em que Coré perdeu o referencial.

Coré, Datã e Abirão acharam que Moisés e Aarão estavam abusando do povo, ditando leis e dando diretrizes que vinham de sua própria cabeça, com o interesse de deterem nas mãos o poder de império que Deus não lhes teria delegado.

Outro fato a ser considerado é que toda sociedade, nação, tribo, família, clã, ou grupo social necessita de uma liderança, um cabeça para organizar as movimentações e colocar termos no tocante aos desejos e as aspirações do povo.    Imagine-se os pais de uma família sendo combatidos por um de seus filhos, como isso não causa uma gama de inconvenientes, resultando em uma crise de autoridade, que é necessário ser desfeita, a fim de que a paz e a confiança entre pais e filhos possam ser mantidas e restabelecidas.

É com muito pesar que pais responsáveis tratam com dureza a seus filhos rebeldes, pois que não se esquecem de que estes foram gerados das suas entranhas.   Jamais desejariam fazer com que filhos fossem punidos, mas como a ordem e o respeito necessários precisam de, sem dúvida, ser mantidos para o bem de todos, mesmo que sob condições drásticas ao extremo, medidas urgentes devem ser tomadas.

É preciso que se entenda que não se deve fazer pesaroso o fardo da liderança espiritual que nos assiste.   Críticas duras, palavras grosseiras, são não somente sinais de falta de educação, mas também falta de profundidade espiritual.   Aqueles que atacam uma liderança, enfraquecem-na, a menos que sejam colocados sob disciplina e vigilância, para controle da situação.

Assim é o princípio da liderança:  ou esta se mostra firme, apesar dos ataques e críticas, rebatendo-as, ou então é chegada a hora e a vez da rebelião, que tenciona alcançar um poder maior nas mãos .   Fosse qual fosse a verdadeira intenção de Coré, este se posicionou de forma a mostrar suas ambições:   Ele queria ser sacerdote, no lugar de Aarão.   Datã e Abirão queriam o poder sobre o povo nas suas mãos.   Quanto a Om, filho de Pelete, este era um chefe dos rubenitas, que também se juntou ao motim;  talvez por causa de sua expressão ter sido mais fraca do que a de seus outros dois correligionários daquela sua causa, foi mencionado apenas  uma vez, em 16:1.   O clima se desenrola, atacando por duas frentes:  a religiosa, de um lado, e a rebelião civil, de outro.

Aarão e Moisés eram apenas dois, contra mais de 250 homens, na ocasião, humanamente sem chance de encarar e vencer a um tamanho levante que veio sobre eles.

Acontece, porém, que, na história sagrada, Deus é quem escolhe, e não o homem.   E se é Deus quem escolhe, não há lugar para contestação sobre as Suas escolhas.   Estas são feitas segundo os padrões que Ele, o Senhor, pode constatar nos corações.   Não é uma escolha feita sob um sufrágio universal.   Não são meros homens, sem sabedoria plena, sujeitos a errar em muito, que definirão os critérios para tal escolha.

Os critérios, padrões e medidas de Deus são diferentes das humanas.   Os homens escolhem seus líderes pela sua capacidade de comunicação, pela sua ousadia, pela sua força, tenacidade, capacidade de resolver problemas e mostrar autoridade sobre os demais.   Nas escolhas humanas pode haver até uma certa concorrência, uma disputa eleitoral, onde entra em jogo até a capacidade de enganar-se ao povo.

Deus já vê os corações, e não atenta para as aparências (I Samuel 16:7).  Ele abomina a soberba, e inclina-Se para os humildes de coração (Mateus 5:3).   Até mesmo Jesus, o Filho de Deus, foi humilde (Mateus 11:29) na sua vinda a este mundo e mostrou os reais valores que são bem vistos pelo Pai (Isaías 42:1-3).   Não foi jactancioso, gabola, nem escandaloso, nem opressor – pelo contrário, veio dando muita atenção ás ovelhas perdidas, às ovelhas enfermas e sofredoras da casa de Israel.   Atentou para os humildes, mas combateu aos exaltados e aos sábios aos seus próprios olhos.

A humildade, o amor e a beneficência sempre são bem vindos ao Reino de Deus (Miquéias 6:8); portanto, não há lugar para se reivindicar glórias, cargos e posições.   Nem mesmo os discípulos Tiago e João lograram receber uma promessa de posição mais exaltada no Governo de Cristo, quando vier para reinar sobre a Terra, ainda que sob os rogos da mãe destes.

Coré, Datã e Abirão ainda caíram em um grave erro:  além de rejeitarem a liderança dos servos de Deus, rejeitaram também o fato de Deus os haver escolhido para serem profeta e sacerdote.   Criticaram mais do que a homens – arrogantemente atacaram aos critérios de Deus, depois de terem testemunhado muitas maravilhas do poder maravilhoso de Deus, as mais notáveis que já se viram sobre a Terra.

Estes homens não se conformaram com o fato de chegarem às fronteiras da Terra Prometida, e terem que então voltar, frustrados pela perda da grande oportunidade de suas vidas.  Quiseram culpar a Moisés e a Aarão por isso, invertendo a atribuição da culpa que ao povo pertencia.   Julgaram mal aos líderes do povo que foram constituídos assim por Javé, o Senhor.  Desprezaram ao Senhor (16:30). Devido à sua contumácia, receberam em troca serem engolidos pela terra.  Desafiaram aos profetas de Deus e a Deus, e provavelmente em um abalo sísmico, perderam suas vidas, suas famílias, suas crianças, seus pertences e tudo o mais que compunha suas fazendas.   A narrativa bíblica é de algo terrível que lhes ocorrera.   Após caírem para dentro de uma fenda que apareceu repentinamente na terra, a terra os cobriu, enterrando-os vivos, e assim morreram os agitadores da rebelião.   O povo que estava por perto correu, espavorido.

Fogo sobre os 250 no deserto

Quanto aos 250, veio da parte do Senhor um fogo que os consumiu enquanto estes ofereciam-Lhe incenso.    Isto é muito significativo.   Eles vinham ousados, com incensários em suas mãos, querendo mostrar ao povo que eles também podiam ser sacerdotes, quando Deus não os chamou e nem os designou para isso.

O sacerdócio é a função do homem que intercede pelos demais de sua nação, em rogos e em orações, pedindo o perdão de seus pecados.

Aquele fogo foi-se alastrando de tal forma que carbonizou àqueles 250 pretendentes ao cargo do sacerdócio, que não estava vago.

No dia seguinte, houve mais uma murmuração, da parte dos israelitas – todos diziam que Moisés e Aarão tinham matado o povo do Senhor!

Era de se pasmar.

Mais uma confusão, não bastasse o que já havia ocorrido, mais uma tentativa de inverterem as culpas, mais uma crise de autoridade, mais um desgosto para o coração de Deus e de Seus representantes.   Outra vez, pois, a fúria do Todo Poderoso se manifestou.

Estavam todos ali, ajuntados frente à Tenda da Congregação, acusando e pressionando num piquete de manifestação pública de repúdio contra Moisés e Aarão.   Outra vez as tensões cresceram e a situação ficou muito delicada.   Aqueles dois servos do Senhor outra vez se viram em apuros, cercados de inimigos.

Como resposta a este movimento de protesto, o Senhor os envolveu com a Sua nuvem, e fez novamente a Sua glória resplandecer sobre aquele ajuntamento de pessoas.   Deus então falou a Moisés para que ele, Aarão e, certamente, com suas respectivas famílias, se retirassem daquele acampamento.   Por quê?   Porque Ele estava para derramar uma desgraça naquele local, que mataria a todos.   Foram momentos de graves acontecimentos e fortes emoções.

Imediatamente, uma praga mortal fulminante começa a derrubar homens, e a percorrer as tendas do arraial, de forma tão rápida que já havia envolvido 14.700 pessoas, fora os que já haviam morrido por causa de Coré.   Gritos de agonia começam a erguer-se aqui e ali, numa cena terrível, semelhante às de um filme de terror.   Homens que ali estavam em pé estavam caindo mortos, uns após outros, como que se tivessem sido atingidos pela espada de um anjo, do anjo da morte que havia passado pelas casas do Egito na noite de Páscoa, e aquela espada trabalhava muito rapidamente.   Aquelas pessoas sentiram a morte chegar muito depressa para junto delas, e não tinham como se escapar, a menos que…

Num rápido vislumbre, num lampejo de insight, cremos que movido pelo próprio Deus, Moisés pede a Aarão, e este corre para tomar do incensário, acendê-lo, e colocar-se, como sacerdote intercessor, à frente do lugar onde evoluía a praga.   Aarão, corajosamente, coloca-se na linha limítrofe entre os que estavam morrendo, e os que restavam vivos, com seu incensário aceso, como que usando a si mesmo como escudo humano, e aquele “efeito dominó”, que derrubava e matava, cessou de operar.   Deus aceitou o seu gesto dramático de pedido de misericórdia, e acabou por poupar ao restante do povo.

Vemos neste incidente algo tremendo, e também cheio de significados simbólicos e espirituais.

Aarão era o sacerdote escolhido por Deus.   Ninguém mais deveria sequer ambicionar ou ousar tentar usurpá-lo, (nem mesmo o lograram seus filhos Nadabe e Abiú), porque ele prefigurava a Cristo Jesus, o nosso sumo sacerdote que intercede por nós perante o Pai.

Assim Jesus disse em João 10:7-8:

“… Em verdade, vos digo que eu sou a porta das ovelhas.  Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores…”

Ai dos que deliberadamente se propuseram como a ponte entre Deus e os homens.  Isto se estende às religiões que não colocam Cristo como o seu único intercessor e sacerdote perante o Pai.   Não terão sucesso nesta sua tentativa, porque Deus, o Senhor, exigiu para esta posição um sacerdote que se apresentasse perante Ele trazendo o seu próprio sangue derramado, e este sangue teria que ser imaculado, sem pecado, de um sacerdócio perfeito e cheio do poder divino.

Não há outro igual e nem semelhante.  Somente Jesus, o Cristo, preenche estes requisitos, também, até porque somente Ele é divino e humano ao mesmo tempo.

Muitas religiões prometem o céu, o nirvana, ou um novo mundo, em uma nova era, ou a salvação eterna através de boas obras, ou por meio de frágeis sacerdotes humanos.   São barcos furados, fadados ao naufrágio.   Infelizes os que neles se fiam, pois morrem afogados antes de chegarem à praia.

Tal como Aarão foi o único escolhido para interceder pelo povo hebreu, Jesus assim o é para todas as nações, e povos, e para o mundo todo.

A fim de que os israelitas fossem salvos, Aarão, um único homem, colocou-se na brecha entre os vivos e os mortos, e, no fim, foi-lhes o seu salvador.   Assim Jesus coloca-Se entre nós e o Pai, e, os que nEle creem são salvos.   Aí entra também o valor da fé neste Sumo Sacerdote, que precisamos ter em nossos corações.

Tão importante e tão marcante foi este episódio da história de Israel, que o Senhor ordenou que Eleazar, filho de Aarão, tomasse dos incensários usados pelos 250 que morreram queimados, e destes mesmos incensários fossem feitas folhas de bronze para revestimento do altar de bronze, como memorial, para lembrarem sempre: o Senhor aceita somente UM sacerdote, e tem que ser exclusivamente de Sua escolha.   Aarão era apenas figura do único sacerdote suficiente e capaz de ser aceito na presença de Deus:  Jesus, o Cristo, o Filho de Deus!

Jesus! É Ele quem se coloca sobre a linha divisória que separa os Seus da morte, tal e qual Aarão assim fez no dia da tentação no deserto.

Jesus é o nosso Sumo Sacerdote, que intercede pelos Seus perante Deus, o Pai.   É Ele quem Se colocou como escudo humano (e ao mesmo tempo, divino) à nossa frente, recebendo em Seu corpo a morte, derramando o sangue puro e santo que promove a nossa paz com Deus.

Que Ele tenha toda a liberdade no coração dos prezados leitores, para purificar dos pecados e conduzi-los salvos à presença do Pai dos altos céus.

Que Deus assim nos receba para a nossa salvação, santificação, e glorificação eternas.

Que a paz do Senhor nos cubra como a nuvem do deserto, a nos dar o privilégio de mostrar a vontade dEle, conceder vida, e salvar-nos da morte eterna.  Amém!


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