NÚMEROS – XIV – SALVOS DE MALDIÇÕES

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junio 14, 2014 by Bortolato

balaam_y_el_burroSENDO IMUNE A MALDIÇÕES

Por certo que todos já ouvimos falar de alguém que disse ter sido vitimado por obras espirituais eivadas de maldade.

V. certamente já ouviu falar de bruxaria, feitiçaria, macumbas, mandingas, maus agouros, adivinhações sobrenaturais tendenciosas, astrologia, cartomancia, quiromancia, e coisas afins.   Certas igrejas até se concentram em atacar essas obras, quando pessoas se sentem atacadas pelas mesmas.   Não nos cabe discutirmos aqui a legitimidade do modus operandi dessas igrejas.   Apenas entendemos que existem todas essas coisas, movidas pelo reino das trevas, mas ao mesmo tempo também sabemos que em paralelo existem oportunistas que se aproveitam disso para levantar meios de fazer dinheiro; e também os que creem nisso de forma muito ingênua, deixando que arroubos de puro exagero, ou de falta de sabedoria, tragam alguma névoa de dúvida sobre sua realidade.

Vamos nos prender à tese de que as obras das trevas são reais, pois nada mais sensato que admitirmos que o mal existe de fato, e campeia por este mundo afora com muita frequência.  Como disse o Grande Mestre, “ o mundo jaz no maligno”, e ponto final.

Muitos há que temam tais obras, e, não raro, não conseguem evitar sua proximidade ou mesmo contato direto, devido a essas coisas estarem espalhadas por toda a parte.

Alguns, sentindo-se pressionados neste campo espiritual, acabam buscando por pessoas que se dão a tais práticas, a fim de tentarem impedir, bloquear, cancelar ou quebrar as maldições proferidas.    Há também quem, no desespero, faça longas viagens em busca de alguém que seja capaz de usar de palavras ou atos que desfaçam o mal do qual se acham alcançados.

Às vezes o poder de tais maldições é tão terrível e impressionante, que suas vítimas se sentem acuadas, perseguidas, combatidas tenazmente de todos os lados, ao ponto de atribuírem, sem sombra de dúvida alguma, a esses poderes espirituais da maldade, uma série de desditas que porventura lhes teriam sido encomendadas.

O que lhes acontece, para crerem assim?   A perda repentina de bens arduamente conquistados, com muito esforço;  a perda de parentes queridos; intrigas terríveis dentro da própria família; o insucesso em alguma atividade econômica; estas coisas têm sido observados com muita frequência na vida de determinadas pessoas.

Mal compreendendo a origem desses acontecimentos, certas vitimas dessas obras do mal chegam a comprar revólveres ou armas quaisquer, no intuito de lograrem matar a quem quer que lhes ameace com essas pragas.   Em vão.   Não se combatem forças espirituais com armas materiais – isto seria um engano, tanto quanto comprar arco e flechas, lanças e tacapes, com a finalidade de derrubarem bombardeiros supersônicos.    Não estão no mesmo plano, portanto, não estão no mesmo nível de alturas.   De nada adiantarão, se as ameaças estão partindo de e sobrevoando em outro plano – o espiritual.

Se, porém, algum desafortunado for atingido por uma força dessas, não haverá então como lhe oferecer resistência?   Será que tal capricho do destino fará suas vítimas esperar somente pelo mal até o fim?

Temos boas notícias a todos que chegaram ao fim de si mesmos em sofrimentos decorrentes desse tipo de coisas, e até já perderam as suas esperanças.

Existe, sim, uma forma de escape desses males oriundos das maldições proferidas, que se manifestam neste mundo tenebroso!

Diremos, sim, que existe somente Um, o grande Chefe, o Grande Deus, que tem o poder de desprestigiar e desbaratar a toda força do mal.   Outros pretensos libertadores são falsas esperanças, canoas furadas, e uma decepção embalada de uma alegria passageira.

Como já temos visto, este mundo espiritual está dividido entre dois reinos – o Reino de Deus, e o das trevas.   O fator que mais complica, quando se tenta distinguir entre um e outro, é que oreino das trevas usa fartamente de enganos, os mais sofisticados, querendo imitar as virtudes que há no reino da Luz de Deus.   Vamos, por isso, expor certas distinções.

Vamos usar o trecho do Livro de Números, capítulos 22 a 24, para elucidar esta situação.

Por cerca do ano 1.450 A.C., Israel aprendera, após quarenta anos de peregrinação pelo deserto, várias coisas importantes em todo aquele período.   Aprendera que, dentre uma raça de gente pecadora, corrompida por cobiças, adultérios, idolatrias, escravização, opressões, porfias, guerras, etc., a humanidade toda ficou alienada da presença de Deus.   Note-se bem que a raça humana não estava desafeta ou desvinculada a alguma religião, pois havia abundância de cultos de adoração a vários deuses.

O Senhor Jeová, afeiçoado por essa raça condenada, que se tinha tornado moralmente desprezível, resolveu dar-lhe a chance de conhecê-Lo.   Simpatizando sobremaneira com Abraão, escolheu os de sua descendência para tanto, e ainda lhes ofereceu um pacto interpessoal, uma aliança íntima com Ele, na qual Ele lhes seria por Deus, e Israel, Seu povo.

Excelente proposta.   Não havia nada melhor para um povo que se via sofrendo debaixo de chicotes de feitores.   Mas, como estavam vivendo debaixo da maldição do pecado, aquele povo teve que passar por sérias situações, e duro aprendizado, a fim de chegarem ao ponto de crerem incondicionalmente em seu Deus.

Israel teve de aprender que, sendo pecador, para agradar ao Deus Santíssimo, não adiantaria conversas, nem boa argumentação.  Não adiantaria querer parecer “boa gente”, ou “bons meninos”, quando sua natureza era basicamente má – e assim somos nós todos.  Carecemos da misericórdia de Deus, e sem Ele, não lograremos vencer as péssimas condições do deserto deste mundo.   As nossas boas obras, ou nossos feitos heroicos, nossos esforços hercúleos são inúteis para nos salvar.    Podemos até nos considerar boas pessoas, mas isso não apaga o efeito e a carga pesada que nossos pecados lançam sobre nossas costas.   Ou aceitamos a graça maravilhosa que reconhecemos que se simpatiza com os pecadores que somos, e nos acolhe com a Sua ternura de Pai Celeste, ou nos debatemos em autojustificativas que culminam com o farisaísmo.   A isso, diremos que o inferno está cheio de “boas pessoas”, que “não fizeram nada de mal”, assim como as cadeias e presídios também estão bem populosos destas.

O único tipo de “boa obra” que o Senhor aceita para alcançar o favor dEle, vinda de nossa parte, é a prática da fé – mas a fé que crê que, a fim de lograrmos alcançar a Sua bênção eterna, nos apresentamos diante dEle com as mãos vermelhadas pelo sangue da Cruz de Seu Filho.   Não o sangue de animais (estes apenas foram representações dramáticas do sacrifício de Jesus), na verdade.   Aqueles animais sacrificados seriam apenas “símbolos ao vivo” que apontavam para Jesus, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.   E a marca de Jesus esteve entre os hebreus durante todo o tempo em que vigorou a Antiga Aliança, muito embora nem sempre bem percebida.   Aquela haste de bronze que erguia a serpente de bronze, em Cades, por exemplo, foi uma dessas marcas simbólicas de Cristo.

Com fé no Deus Vivo, o mesmo Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, lá iam os israelitas, perambulando pelo deserto.  Foram atacados duas vezes, covarde e impiedosamente por Amaleque (Números 14 e Êxodo 17:8-16).  Depois, pelo rei de Harade, o cananeu (Números 21:1-3);  depois por Seom, e depois ainda por Ogue, reis amorreus.   Israel não somente lhes resistiu, como também os venceu completamente, tendo enchido de fé os seus corações.   Essas nações queriam realmente varrê-los e exterminá-los da face da terra, mas o Deus de Moisés protegeu a Seu povo, quando se fizeram crentes fiéis e obedientes à Sua palavra.

Ao chegarem vitoriosos, depois dessas batalhas, às campinas de Moabe, Israel ali se assentava, invejado e temido pelo povo e pelo rei daquela nação, Balaque, o qual, estrategicamente ocultava um desejo ardente e feroz de causar o mal aos hebreus.    Afinal, aqueles ex-escravos saídos do Egito foram protagonistas de vitórias estrondosas sobre o povo que havia tomado aquelas terras das mãos dos moabitas.   Isso foi estranho, mas inegável, e causou espanto e medo a Balaque.

Sem sequer saber  o que estava acontecendo, do alto das montanhas de Moabe, Israel estava sendo observado atentamente, e visto com aqueles maus olhos.

 Balaque percebeu que não poderia vencê-los num combate frente a frente.   Os reis amorreus até que o tentaram, mas deram-se mal, pois quiseram desafiar o Senhor, o Deus de Israel, e constataram que Ele é também  Deus de guerras e de vitórias inenarráveis.  Foram grandes as demonstrações de força e de poder.

Balaque então achou que poderia, talvez, vencer a Israel, se invocasse a forças espirituais do mal para, antes de qualquer investida, amaldiçoar ao povo de Deus, e assim poder obter o moral e a força suficientes para chegar a uma vitória.   Estava realmente empenhado nisso, intentando lançar uma completa desgraça ao povo de Israel.   Como?   Onde acharia um homem ou mulher dotados da capacidade de desfazer a sorte nas batalhas que Israel vinha tendo?

É aí que ele se lembra de Balaão, e envia emissários para procurá-lo.

Quem era Balaão?   Era um desses videntes famosos, que tornou-se eminente nessa arte, e que estava na Mesopotâmia, próximo ao rio Eufrates (Números 22:5; Deuteronômio 23:4).  É pitoresco e relevante notar que, conforme descobertas arqueológicas, localizaram em 1967, na Jordânia, em terras outrora habitadas pelos moabitas, uma inscrição das profecias de Balaão.  Presumem ter sido escritas pelo século 8º A.C., o que confirmou a existência desse homem, um renomado profeta, ao qual se referia, mesmo séculos depois de sua vida e morte, tamanha era a sua fama.

Balaão era especialista em adivinhações, e agoureiro.   Consultava deuses a fim de descobrir suas vontades, e supunha-se que ele fosse capaz de conversar com estes e influenciá-los.

Balaque pediu-lhe então que amaldiçoasse ao povo de Israel.   Isso já era uma praxe na vida de Balaão, pois que este vivia de receber  recompensas por suas maldições que lançasse sobre alguém – este era o seu metieé, fonte do seu ganho ou lucro – mas para amaldiçoar a Israel, isso só poderia ser feito com o consentimento do Deus de Israel, o mais poderoso e Único digno de ser assim chamado.

Não sabemos como o tal profeta pagão conseguiu obter um diálogo franco com o Deus de Israel.   Para um pagão, idólatra não haveria problema se procurasse pelo Deus que tirou o Seu povo do cativeiro egípcio e abrir o mar Vermelho para fazê-lo passar e salvá-lo de seus inimigos.  Para Balaão, Jeová era apenas um entre outros deuses.   Conseguir uma audiência com o Todo-Poderoso é que são elas, mas no caso, o Senhor quis que os pagãos também conhecessem qual o Seu querer.

O fato é que o Senhor Jeová estava empenhado em ajudar ao Seu povo, e Ele é grande, terrível, Todo Poderoso na guerra, e Soberano, Ele Se comunica com quem bem o quiser.  E a Ele, Balaão foi buscar pelos montes da terra de Moabe.   Ninguém melhor que Jeová para decidir uma questão e, ao que tudo indica, Balaão bem sabia disso – mas para o desassossego de Balaque, o Senhor não Se deixou manipular pelo profeta pagão.

Balaão teve três “conversas a sós” com Jeová.    Assim como Satanás de quando em vez consegue apresentar-se à presença do Trono do Senhor Deus (Jó, capítulos 1º e 2º), assim foi.

Conforme o relato bíblico, mesmo antes de sair de sua base residencial em Peor, na Mesopotâmia, o Senhor já o havia advertido para não acompanhar à comitiva moabita-midianita que o procurou.

Insistiu Balaque com Balaão e então lá foi ele  para satisfazer a vontade daquele rei moabita – o Senhor então o permitiu, mas tomou a iniciativa de enviar um anjo com espada desembainhada à mão, para interceptar-lhe no caminho.

Ia Balaão montado tranquilo sobre sua jumenta, mas de repente…   a jumenta viu ao anjo, e saiu daquela rota que lhe parecia ser a morte à frente.   Desviou-se por veredas estreitas, procurando escapar  daquela aparição que a assustara, indo de um lado para outro.

Enquanto isso, Balaão não poupava esforços, espancando àquele pobre animal, a fim de fazê-lo retomar o seu rumo para a terra de Moabe.

Tanto espancou àquela mula, que esta, em dado momento, não  tendo para onde fugir da espada do anjo bem à sua frente, eis que o animal se deitou, e um fato estranhíssimo ocorrera ali.   Um fato inédito: a mula falou com seu dono!   Incrivelmente esse profeta dialogou com a mula, como se isso fosse algo normal, que acontecia de vez em quando.

Foi então que, após a fala da mula, Balaão teve seus olhos abertos e viu ao anjo, o que o fez reclinar-se e prostrar-Se diante do ser celestial.   O anjo lhe fala então que o seu caminho para a terra de Moabe não era aprovado, e repreende-o severamente.

Balaão, depois disso, prossegue no seu caminho para a terra de Moabe, mas daí em diante o seu espírito está mudado;  ele já sabe que não deverá profetizar nada contra a vontade de Deus, e que Deus estava, sim, era muito interessado em deitar palavras abençoadoras sobre a nação de Israel.

Balaque então à sua espera, já tem preparado as vítimas para o sacrifício, de bezerros e carneiros.   Leva Balaão para o alto de um monte, onde sete altares são edificados, e dali Israel é abençoado, em vez de ser amaldiçoado, para surpresa dos moabitas e midianitas.

Como alguém querendo comprar o coração de Deus, Balaque pede: – “Vem, amaldiçoa a Jacó, e vem, detesta a Israel” (Números 23:7), ao que Balaão lhe responde:

“Como amaldiçoarei o que Deus não amaldiçoa?   E como detestarei quando o Senhor não detesta?” (Números 23:8).

Importante declaração, que merece a atenção de todos os fiéis adoradores de Jeová.

A seguir, Balaque leva o profeta para outro monte, com as mesmas intenções, mas então acontece outra vez, outra bênção sobre Israel.   Neste segundo monte, no campo de Zofim, cume de Pisga, outros sacrifícios foram ofertados, em outros sete altares.  Deus então lhe falou através da boca de Balaão, abençoando a Israel, dizendo que:

“Contra Jacó não vale encantamento, nem adivinhação contra Israel” (Números 23:23)

Pela terceira vez, pois, vai Balaque e conduz a Balaão para outro lugar, para o cume de um outro monte, cuja vista se abria para o deserto.   Desta vez, Balaão não vai de encontro aos encantamentos, mas dirige seu olhar para as tendas de Israel, e veio a ele o Espírito de Deus, e dali mesmo abençoou solenemente a Israel, pela terceira vez consecutiva.

É de bom alvitre notar qual foi a causa dessas três bênçãos provenientes da boca de um profeta pagão, alugado por um povo inimigo.  Não foi por causa da justiça do povo israelense, pois aquele povo foi muito tempo rebelde contra o Senhor, mas sempre sendo disciplinado, e arrependendo-se e voltando atrás para reatar sua aliança com Jeová.   Devido à expiação das culpas dos pecados por meio do santo Sangue que era sempre representado por sacrifícios, Deus os aceitava novamente, como se tudo estivesse começando de novo, tudo limpo.

Do outro lado, o contrário ocorria: o profeta amaldiçoador que fora contratado pelos moabitas quase foi fatalmente alcançado pela espada do anjo do Senhor (Números 22:22, 32, 33).

Que o povo de Deus o saiba!   Ainda que imperfeitos, se reconhecemos os nossos pecados, e arrependidos confessamos os mesmos, e pedimos o perdão ao Senhor, isto é o bastante para passarmos a andar na luz, e o sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo pecado.   Nesta condição, não há mais acusação contra os servos de Deus, pois passamos das trevas para a Sua maravilhosa luz, e já não mais andamos segundo a carne, mas segundo o espírito (Romanos, capítulo 8º).

Não há por que então temermos o mal.

“Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus?  É Deus quem os justifica” (Romanos 8:33)

Pode ser que inimigos se levantem, mas…

“Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por Aquele que nos amou” (Romanos 8:37).

Balaão só teve uma alternativa, ou melhor, três: abençoar, abençoar e abençoar!  Abençoar a Israel, povo escolhido por Deus!  E ai dele, se ousasse sequer intentar amaldiçoá-lo!  Qualquer que fosse a maldição sobre os hebreus que fosse lançada, acumularia culpa sobre o autor desta, e o anjo do Senhor estava a postos, com a espada nua à mão, pronta para ferir ao amaldiçoador.   Esta é a condição dos que amaldiçoam ao povo de Deus!

Quando o diabo quiser nos desferir ameaças, só temos que usar as nossas armas de defesa: o sangue de Jesus e a Sua palavra – mas podemos contar, também, com a oração com fé em Seu nome (João 14:13) e o jejum (Mateus 16:20,21).

Temos armas para a vitória!  Usemo-las, e sejamos sempre vencedores e mais do que vencedores – felizes para sempre!


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