INTRODUÇÃO E TIPOLOGIA NO LIVRO DE ÊXODO

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junio 16, 2014 by Bortolato

Esfinge de Gizé

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE ÊXODO

 

TIPOLOGIA:

 

O tipo é uma classe de metáforas, que não consiste meramente em palavras , mas em fatos, pessoas e objetos que designam fatos semelhantes, pessoas ou objetos que viriam a revelar-se no porvir com mais clareza.

Para se evitar abusos nas tentativas de interpretar tipos, recomenda-se:

  1. Aceitar como tipo o que assim é aceito no Novo Testamento. Assim, por exemplo, não se deve colocar um urso coala, ou um cão fiel ao dono como tipos de Jesus.
  2. O tipo é inferior ao seu antítipo
  3. O tipo e o antítipo podem ser bem diferentes, tais como pessoas X animais.
  4. Não são dados os tipos para servirem de base e fundamento de doutrinas. Exemplo: não se deve montar sermões para se dizer que um cordeirinho é totalmente como Jesus.

Exemplos de Tipos:

  1. O Tabernáculo, como tipo da morada de Deus no céu, conf. Hebreus 9:11,24.
  2. A serpente de metal do deserto, tipo de Cristo
  3. Jonas “enterrado” no ventre do grande peixe, tipo de Jesus , que ficou 3 dias no sepulcro e depois ressuscitou.
  4. O primeiro Adão, tipo do segundo Adão, Jesus.
  5. O Cordeiro Pascal, tipo de Cristo, o Salvador do Mundo.
  6. Moisés foi um tipo de Jesus, como intermediador de uma Aliança, profeta a quem se deveu muita atenção, a fim de que os que os ouvissem fossem salvos da morte ou de destinos indesejáveis.
  7. Aarão foi tipo de Jesus por ter sido sacerdote intercessor entre pecadores e Deus.
  8. O rei Davi foi um tipo de Jesus como o Messias Triunfante sobre os inimigos.

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Dentro do gênero TIPOS, existe a espécie SÍMBOLOS.

O símbolo é uma espécie de tipo, pelo qual se representa alguma coisa ou algum fato, por meio doutra coisa ou fato conhecido, para lhe servir de semelhança ou representação.

Muitas vezes é diferente do tipo por não prefigurar a coisa que representa.

Jesus é o chamado Leão da Tribo de Judá, símbolo de força e de realeza

Jesus é também chamado de Cordeiro de Deus, símbolo de submissão e de sacrifício.

CLASSES DE SÍMBOLOS:

através de objetos:

  • O sangue, por ser elemento renovador da vida, do reino animal, simboliza a vida ou a alma.
  • O linho fino simboliza a justiça real.
  • O véu do santuário, símbolo da carne de Cristo, conf. o apóstolo Paulo.
  • O ouro simboliza a riqueza da glória de Deus
  • O candelabro de ouro, símbolo da igreja e de sua liderança espiritual (Apoc. 2).
  • A prata simboliza o resgate de algo, pois era muito comumente usada como moeda.
  • O fogo simboliza o juízo divino, que queima o pecado, e queimava aos animais que o representava.
  • O óleo do azeite simboliza o Espírito Santo
  • Os pães da proposição, símbolos de Cristo, o Pão da Vida, o qual deu a Sua carne para salvação do mundo (João capº 6º).
  • O incenso simboliza as orações
  • O fermento simboliza a tendência corruptora do pecado, pois pode fazer perder toda a massa.
  • O Urim e o Tumin eram placas de ouro que eram usadas por Deus para dar alguma direção ao povo, confirmando ou negando alguma afirmação. Isso demandava sabedoria na hora de se fazer a indagação a Deus, tal como se deve ter sabedoria no momento de orarmos a Ele.   Quem nos guia hoje é o Espirito Santo, razão porque cremos que o Urim e o Tumin eram símbolos do Espírito Santo, que sabe bem como nos guiar nesta vida.

através de nomes: o Egito, símbolo da escravidão do pecado que há no mundo.

através de números:

  • Sete – número da plenitude, perfeição, ou totalidade.   Sete eram as lâmpadas que havia no caldelabro.
  • Doze – é o número do povo de Deus. Doze tribos, eram representadas por Aarão, que trazia em seu éfode duas pedras, sobre seu ombro, com o nome das doze tribos nelas gravadas; e também no seu peitoral, que era na verdade um bolsão pendurado por uma corrente de ouro, que Aarão trazia no seu peito, com doze pedras preciosas onde os nomes das doze tribos de Israel estavam gravados. Era para que Aarão levasse junto ao seu coração os nomes das doze tribos, e assim as apresentasse diante de Deus, assim como Jesus carrega cada um de nós em Seu coração, pois cada um de nós é conhecido dEle e amado, precioso mais do que pedras nobres ao Seu coração.

Através de cores:

  • Azul é a cor do céu, e sugere a perfeição celeste.
  • Púrpura é a cor dos mantos reais dos gentios. Puseram esse tipo de manto sobre Jesus, insinuando atribuir-Lhe realeza, que, na verdade Ele já a tem desde há muito.
  • Escarlata ou Carmesim – símbolo de pecados dos mais terríveis, que podem ser tornados como a branca lã, ou a neve, por meio do sangue de Jesus, a que este mais excelentemente representa.

 

A numerologia no livro de Êxodo não é muito explorada, mas está presente, como vimos acima.   São doze as tribos de Israel, doze foram os discípulos e apóstolos, vinte e quatro serão os anciãos que se assentarão nos tronos da visão de João em Apocalipse 4:4, doze serão as portas de pérola da Cidade Santa, conf. Apocalipse 21:21.

LINGUAGEM FIGURADA:

É a maneira de se dizer coisas usando de metáforas, isto é, usa-se de situações conhecidas e claras ao entendimento, muitas vezes simples, para nos referirmos a outras, incluindo-as comparativamente a outras mais complexas e menos conhecidas, de forma a lançar-se luz, chamando-se a atenção sobre algum detalhe tido como importante.

As ALEGORIAS usam muito dessa linguagem figurada, pois tentam fazer comparações cujo embasamento é livre, isto é, não necessariamente bíblico.

Alegorias, na verdade, são ficções que representam coisas para dar ideia de outras. Também constituem um simbolismo concreto que abrange todo o conjunto de uma narrativa ou quadro, de maneira que a cada elemento (símbolo) corresponda um elemento simbolizado, ou significado.

As narrativas bíblicas são históricas e verídicas, e não alegóricas.   O apóstolo Paulo, contudo, fez aplicação de alegoria sobre um incidente realmente ocorrido entre Sara e Agar (Gálatas 4:21-31). “Agar é Sinai…” = servidão da Lei. Sara é Jerusalém, cidade onde Jesus nos resgatou da Lei e dos nossos pecados.

 

CONTEXTO HISTÓRICO DO LIVRO DE ÊXODO:

Este livro conta a história da libertação dos israelitas da servidão do Egito, acontecimentos que ocorreram por cerca do ano 1450 A.C.

José, filho de Israel, antes de falecer, fez seus irmãos jurarem que, voltando a Canaã, levariam consigo os seus ossos. Passados 300 anos, entre o epílogo de Gênesis e o primeiro capítulo de Êxodo, chegou um tempo em que Faraó não era mais conhecedor da história de Jacó e de sua migração para o Egito.

É muito provável a identificação desse “Faraó que não conhecera a José” com a dinastia dos reis hicsos. Há uma tradição que remonta pelo menos até a época de Josefo (c. 90 DC.) que declara que uma dinastia hicsa reinava no Egito quando José subiu ao poder como primeiro ministro, mas essa teoria não se encaixa com a data da escrita do livro.

Os hicsos eram um povo oriundo da Ásia, de origem preponderantemente semítica, que aos poucos foram invadindo o Egito, e chegaram a ocupar o trono. Provavelmente começaram a se infiltrar no Egito c. 1900 AC., chegando ao poder em 1730.   Jacó teria chegado ao Egito para ali morar até seu dia final, segundo alguns, por cerca de 1707 AC., e segundo outros, em 1876.

Os hicsos foram chamados de “reis-pastores”, o que também não se harmoniza com o fato de os egípcios da época de José considerarem abominação a atividade pastoril.

Na verdade, há evidências que favorecem tanto a uma teoria quanto a outra, não nos deixando nenhuma margem de segurança sobre quem foi o opressor e o do Êxodo.

Seja como for, os Faraós da época foram Totmés III, de 1515 a 1462 AC., acerca do qual muitos dizem ter sido o opressor de Israel; Amenotepe II, de 1450 a 1420 AC., que muitos dizem ter sido ele o faraó do Êxodo.   As cartas de Tel-el-Amarna se reportam a um povo chamado de “habiri”, possivelmente uma referência ao povo hebreu, que estava invadindo a Palestina nessa época.

Há porém quem diga que foram Ramsés II, 1318 a 1304 AC.. o faraó da opressão, e Merneptá (1238-1229 AC) o faraó do Êxodo. Estes tiveram todas as características de reis hicsos. Uma placa denominada de “Israel” diz ter havido uma incursão egípcia em Canaã, que teria afligido a Israel. Convém no entanto lembrar que os egípcios não registravam as suas derrotas, e uma simples e minúscula vitória ao sul da Terra de Israel teria sido supervalorizada, e assim descrita nesta pedra.

Todas as múmias destes quatro foram encontradas, e se encontram nos museus do Cairo, da Universidade de Pensilvânia, e no Metropolitano.

De qualquer forma, a religião desses egípcios era politeísta, muito embora aquela nação tivesse tido uma origem monoteísta.   Antes, porém, do alvorecer do período em questão, cada tribo egípcia tinha o seu próprio deus, que era representado pela imagem de um animal, como segue abaixo:

Ptá, ou Apis, divindade de Mênfis, era representada por um touro.

Amom, deus de Tebas, era um carneiro.

Hator, deusa da alegria, uma vaca

Mut, esposa de Amon, um abutre.

Horus, deus do céu, um falcão.

Ra, deus Sol, representado por um gavião

Set, deus da fronteira oriental, um crocodilo

Osíris, deus dos mortos, representado por um bode.   Ísis, sua esposa, por uma vaca.

Tote, deus da inteligência, por um macaco.

Hequite, deusa, por uma rã.

Nechbt, deusa do Sul, por uma serpente.

Bast, deusa representada por um gato.

E muitos outros deuses, tais como o próprio faraó, e o rio Nilo.

Não admira que o Senhor Deus Javé tenha feito questão de fazer uma vara transformar-se em uma serpente que engoliu as serpentes de James e Jambres; a praga de piolhos, e de saraiva ter matado tantas vacas e touros; a praga de trevas ter mostrado quem realmente tem o domínio sobre a luz do Sol, ou as trevas da noite; aquelas rãs que invadiram o palácio e a cama do faraó; e a morte dos primogênitos mostrar quem é que detém nas mãos o poder da vida e da morte.


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