NÚMEROS – XXV – O PODER DA PALAVRA PROFERIDA

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julio 4, 2014 by Bortolato

V. sabia que há poder nas palavras que V. mesmo fala?  Pois palavras ditas são energia de uma mente em ação.  Agora, imagine quando as palavras são buscadas, organizadas e montadas em uma linguagem inteligível e, se as mesmas procederam do coração, empregadas com toda a alma.   Essas palavras têm muito poder sobre quem as falou, e, conforme o caso, terá poder também sobre situações e sobre outras pessoas.

Existe um outro detalhe: se essas mesmas palavras estão em coerência com a vontade de Deus, elas produzirão fruto, tal e qual uma profecia, exercendo poder sobre outras pessoas, situações e sobre o mundo.   Em alguns casos há evidências de que até o universo sofreu alterações devido ao poder de uma palavra, dita por um homem.  Por este motivo, precisamos ter cuidado quando enunciamos algo diante de Deus.

Ao examinarmos Levítico, capítulo 27, já temos visto que votos podem ser feitos, comprometendo-se a pessoa que os fez a cumprir o prometido, mas há uma questão importante: que se cumpra na íntegra o que se prometeu, pois Deus não é tolo, e nem tampouco Se agrada de tolos.   Eclesiastes, capítulo 5º fala muito bem sobre isso.

O capítulo 30º de Números, porém, fala de algumas situações que se mostraram um pouco complicadas na sociedade: o voto feito pela mulher.

Tanto quanto os votos dos homens, também eram válidos os feitos por mulheres, mas havia, pelo menos dentro da cultura hebraica, outros fatores que interferiam nesse negócio.

Era o caso das moças solteiras, que deviam submissão a seus pais.   Esta ligação familiar, entre pais e filhas era algo muito forte, mormente no tocante à autoridade paterna, e um pai podia ser expressamente contrário ao voto de sua filha, o que, no caso, anularia seus efeitos.

O mesmo se dava com mulheres casadas, com relação a seus maridos.  Se os maridos destas manifestassem seu desaprovo ao voto de suas esposas, a Lei de Moisés dizia que o seu voto estaria anulado, para todos os efeitos.

Em caso de omissão da parte da pessoa do pai ou do marido (conforme o caso) os votos dessas mulheres seriam tidos como válidos.

O princípio básico que rege esta Lei sobre o voto é o do compromisso com Deus através da palavra expressa.   Uma palavra dita diante do Altíssimo enlaça quem a proferiu, assim como uma promessa a ser cumprida é como uma dívida a ser quitada.

As palavras faladas deveriam sempre ser assumidas por quem as falou, arcando com o peso de responsabilidade que estas têm.   Muito embora a maioria destas não tenham sido escritas e assinadas, o seu valor diante de Deus tem o mesmo peso,a mesma importância.   Isso não quer dizer que quem fala não possa mudar de ideia mais tarde, mas que, quer mude ou não de opinião, palavras ditas já foram ditas, e devem ser confirmadas como ditas, mantidas como ditas pelo seu autor – e bem assim, compromissos são compromissos, e devem ser mantidos e honrados pelas pessoas, quer se arrependam ou não de os haver assumido.   Nas palavras do salmista, “Aquele que jura, mas mesmo com dano seu, não muda…”, quem age assim, nunca será abalado (Salmo 15:4,5).

Deus não deixa jamais de cumprir a Sua palavra, e por isso nós também devemos cumprir as nossas.

Para encerrar esta questão, diremos que uma sociedade só pode progredir e prosperar, se houver a verdade como o fio do prumo para os tratados.

Políticos podem ser tratantes, e infelizmente isso é muito comum em todo o mundo, mas os que não cumprem suas promessas ficam marcados perante o povo em geral, pois que este sofre quando cai nas mãos de governos inescrupulosos, desonestos e corruptos.

Casamentos são feitos com votos.  Quando feitos debaixo da livre vontade dos nubentes, são recheados de promessas de amor que devem ser cumpridas, senão há a desestruturação da família.   E a família é a célula madre de uma nação, base em que se estrutura uma sociedade, e por isso deveria ser muito bem preservada, malgrado tudo o que se diz contra esta instituição.

Transações comerciais também exigem seriedade e veracidade nos contratos, senão perde-se o poder das palavras – haverá calotes, estelionatos, fraudes, dolos, simulações, tudo isso para a destruição da confiança nas pessoas.   E sem esta confiança mútua preservada, pode comprometer-se até a economia de uma nação.

Os juízes e tribunais, órgãos e mandatários do Poder Judiciário também dependem de haver verdade nas palavras, e nas afirmações, pois, caso contrário, a justiça não prevalecerá, a instituição perderá o seu valor, seus atos ficarão eivados de vícios, e vazios de sentido.  Tudo então perderá o brilho, desvanecerão as esperanças, e o direito de ninguém estará assegurado – e desse modo não haverá nem que se falar em Estado de direito.

Se leis, que são a verbalização de pactos sociais, não fossem cumpridas em absoluto – perigo que ocorre quando um povo não se vê defendido pelas mesmas – isto significa que o direito perdeu sua força, está abalado, enfraquecendo também os laços de união entre as pessoas.   Daí ergue-se uma outra lei: a do vale-tudo, e do salve-se quem puder, onde chora menos quem pode mais.   É uma tristeza generalizada, pois sempre haverá alguém mais forte do que aquele que se julga mais forte que muitos – o que significa que o poder estará escapando das mãos de uns e outros para pular de mão em mão, deixando para trás um rastro de sangue e de destruição.    A paz social, a estas alturas, terá morrido debaixo dos pés dos poderosos de hoje, que poderão bem ser os subjugados de amanhã.   Sob este ponto de vista, um governo desse tipo fica bem abaixo até dos imperadores de Roma, que instituíram a Pax Romana.

Juramentos, votos, e promessas são a expressão da vontade de alguém, mas se este desejo expresso degenerar-se e romperem-se os acordos, quebra-se o princípio que mantém unida toda uma sociedade.  Contratos entram, assim, em colapso e caducidade.  O resultado disso é uma frustração total.

Se a jura, o voto ou promessa não forem cumpridos, então, na mesma proporção, ficará abalado o relacionamento entre o homem e Deus.  Apenas é escusado e justifica-se o não cumprimento destes quando um outro princípio, que é o da autoridade familiar, pronunciar-se contra, anistiando-o.

Quem, porém, quiser obter o favor de Deus, deve também procurar agradá-Lo, pois a Ele devemos todo o louvor, honras e glórias, mesmo que tudo permaneça no “status quo” .

Uma das maneiras de agradá-Lo é cumprindo integralmente com a nossa parte nos tratos – tanto individual como coletivamente.   Ele sempre cumpre com Sua parte em os Seus pactos, e nós também devemos ser assim, como Seus fiéis discípulos e Seus imitadores.


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