NÚMEROS – XXVI – DEUS GUERREIA

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julio 6, 2014 by Bortolato

Como compreendermos isto?   Então o Deus que nos dá a maior paz que existe neste mundo, também se ocupa com guerras?   Pois Ele possui a fama de “Varão de Guerra” (I Samuel 17:47; Salmo 144:1; Zacarias 10:4; Josué 5:10-15).   Seu nome é temido na Terra, a todos os seus inimigos venceu, e não houve aquele  que pudesse deter a Sua mão.  Quem é como o Senhor Jeová?  Não há um só deus que se possa comparar a Ele.

Mas se Ele guerreia, é porque Ele tem inimigos.   O fato é que Jesus disse que “aquele que comigo não ajunta, espalha”  e “aquele que não está comigo, está contra mim”. (Mateus 12:30; Lucas 11:23)

Toda Palavra de Deus é verdade, e ela nos mostra que só há dois caminhos mutuamente excludentes, duas portas (somente duas opções), dois tipos de árvores com seus respectivos frutos, e dois tipos de casas construídas sobre dois tipos de terreno (Mateus 7:13, 17, e 24-26).   Vale dizer, e repisar este conceito: são apenas dois – duas alternativas – e o exposto até aqui indica que duas forças antagônicas estão em perpétua guerra:  o bem contra o mal, isto é, a luz contra as trevas.   São dois reinos espirituais que disputam a posse desta Terra.   E por que desta Terra?   Afinal, por que, em todo o universo não se vê, não se percebe que há uma disputa tão ferrenha como esta, senão somente aqui nesta Terra?    Por que não em Marte?  Ou Vênus, ou Júpiter?   Ou em algum outro lugar longínquo do espaço sideral?

Vamos retomar alguns pontos importantes de partida.   Em que  lugar do Universo Deus colocou o homem e a mulher?   No Jardim do Éden – e onde este se localizava?  Ninguém sabe ao certo com precisão, mas foi aqui nesta Terra.

Satanás quis entrar no Jardim do Éden, e encontrou um canal para ali oferecer suas tentações – quem eram os que ele atacou com sutilezas e armações ocultas?   O homem e a mulher!

Satanás continua a tentar a homens e mulheres neste mundo.  Já não mais os procura no Jardim do Éden, mas em qualquer lugar onde encontra homens e mulheres – nesta Terra.

Deus chamou a Abraão e a sua descendência para serem parte de Seus planos de restauração da vida, e do primeiro Adão.   Buscou um povo no Egito, seu descendente, libertou-o e levou-o a um deserto para dar-Se a conhecer mais intimamente, bom como às Suas leis, princípios, mandamentos e ordenanças.     Queria um povo limpo, puro, e santo, diferente e separado das outras nações, que O rejeitaram.

Enquanto isso, os outros povos entregavam-se totalmente a outros deuses.   Mergulharam de cabeça nessa opção errada.    Quem eram esses deuses?   Baal, dos fenícios, Quemós, dos moabitas, Aserá, dos cananitas, Amom-Ra, dos egípcios foram somente alguns poucos dentre muitíssimos.   Na verdade, esses deuses eram e ainda hoje são milhares e milhões.   Só na Índia já são mais de cem milhões, pois cada cidadão que morre passa a ser tratado como se fosse um deus.

Fustiga-nos a curiosidade de sabermos como foi que esses deuses se impuseram e conseguiram impor-se lhes e serem cultuados.   Pelo poder de Satanás e seus anjos, que, no anseio de quererem dominar aos homens desta Terra, dividiram-se territorialmente, com vistas a fincar estacas e manter por eles dominados todos os lugares deste planeta.

Aos midianitas, bem como muitos outros povos, Satanás impôs uma espécie de culto em que se fazia sobressair a sensualidade, a sedução, e o poder de conquista que as mulheres podiam exercer sobre os homens, arrastando-os à licenciosidade.

Ao ver que Israel, como se fora um povo nômade, movimentava-se pelas terras de Moabe, os midianitas logo procuraram associar-se com os moabitas para lançar maldições sobre o povo de Deus.   Vendo que não o puderam fazer através de encantamentos (práticas rituais para ensejar a aproximação com algum deus), seguiram ao conselho de Balaão, cevando-lhes amizade, mas usando como isca as mulheres mais lindas, ousadas, traiçoeiras e idólatras.  Com essa participação escusa e ardilosa contra os planos de Deus junto ao Seu povo, os midianitas, que desejavam fazer cair Israel perante Javé, atraíram uma terrível maldição sobre os sobre si mesmos!

Um vínculo de atração sexual se abriu como um canal entre Israel e Midiã, com grande força corruptora.   O canal foi interrompido pela providência divina, mas o seu leito ficou seco, parcialmente aberto, deixando um rastro por onde o povo de Deus poderia novamente passar e outra vez estabelecer um intercâmbio de relações nada interessante para Israel, sob o ponto de vista espiritual, principalmente naquele momento.

A fim de evitar-se esse restabelecimento de elos de conexões inconvenientes para Israel, e contrárias à vontade de Deus, o Senhor ordena-lhes, através de Moisés:

– “Vingue-se dos midianitas, pelo que fizeram aos israelitas”  (Números 31:1).

Assim, Israel organizou um exército de doze mil homens, os quais obtiveram êxito em uma campanha militar contra Midiã.   Eliminaram aos exércitos midianitas, e queimaram a fogo suas cidades.   Como prêmio pelo seu esforço bem sucedido, os israelitas voltaram com mulheres e crianças tomadas como escravas, e um rebanho de 675.000 ovelhas, 72.000 bois, 61.000 jumentos, e mais as escravas que deixaram viver.

Antes, porém, da distribuição desses itens todos entre o povo, uma coisa indevida havia sido feita pelos líderes, os capitães do exército dessa campanha: trouxeram aquelas mulheres que participaram da tentação sexual de Baal-Peor.   Ora, estas, como escravas, iriam dar plena continuidade aos planos de Balaão!   Como não viram isso aqueles capitães do exército de Deus?

De que, afinal, adiantaria trazerem eles tantos animais, dividirem a presa pela metade, entregando a Javé aquela oferta tão gorda, se no fundo eles estariam se enlaçando novamente no mesmo erro que provocou tão grande ira do Senhor contra eles mesmos?   Parece que algumas lições do passado não foram suficientemente bem aprendidas, e para caírem em si, Moisés e Eleazar deliberaram-lhes uma sentença terrível.

Ao chegarem ao acampamento de Israel, Moisés e  Eleazar logo se lhes opuseram, e tiveram que executar àquelas mulheres.   Foi uma drástica medida de prevenção, mas tiveram que assim fazer, assim como se matam a serpentes e escorpiões com o fito de afastar o seu veneno mortal de seu arraial.    Tiveram de fazê-lo antes que aquelas se tornassem nova ameaça para o povo.

O mais terrível dessa guerra étnica foi ver que o mesmo tratamento teve que ser estendido também aos meninos que capturaram.   Às meninas, era apenas verificar quais eram virgens, e poupá-las como prêmio por sua pureza;  aos meninos, porém, como saber quais eram já iniciados na religião, e nas práticas de prostituição religiosa?  Não havia como, e não se poderia confiar em suas palavras.   Era uma questão de sobrevivência: ou se viveria ao lado de Javé, debaixo de Sua bênção, ou se deixaria que os Seus inimigos crescessem hoje para os afligirem amanhã.   Ou arrancamos o mal pela raiz hoje, quando este é pequeno, ou deixaremos que este se torne amanhã em uma força muito grande que puxa e arrasta homens para o grande abismo.   Pois é, um pequenino cãozinho hoje pode parecer muito delicado, inofensivo, e até mesmo muito engraçadinho, mas ao crescer, este poderá ser um pitbull ou um fila indomável, que abocanha a tudo o que pode, ferindo e rasgando a toda a carne que estiver ao seu alcance.   E tal era a semente dos midianitas.

O deserto lhes ensinou muitas coisas, e uma delas é que a natureza selvagem de seus inimigos não os teria poupado.   Deus sabia do complô que armaram junto a Balaão, e os seus motivos ocultos, quando ainda nenhum israelita se havia apercebido disso.

Assim como serpentes, escorpiões e lacraias do deserto, o veneno estava já armazenado nessas criaturas, e prontas para matar, infringir dores, trazendo-lhes maldições, amaldiçoando-os, e enfraquecendo-os.  Esses midianitas queriam separar o povo israelita de seu Deus, que era a sua força, sua bandeira e seu baluarte.  Destarte , os midianitas, inimigos ocultamente que aparentavam somente querer compartilhar de sua religião politeísta e de suas mulheres, queriam, por trás de uma máscara de boa amizade, trazer-lhes toda sorte de males, a fim de diminuí-los, prejudicá-los e escorraçá-los de suas vistas; assim seriam aquelas mulheres e meninos, ao crescerem e multiplicarem-se.

Apesar, ainda, do ato expurgatório sobre eles aplicado, os midianitas que ainda se fixaram em outras localidades não alcançadas pela campanha israelita, vieram a multiplicar-se e tornar-se em um verdadeiro tormento  para o povo de Deus, na época dos Juízes, conforme poderemos ver mais adiante, ao comentarmos a história de Gideão.

Que o Senhor nos conduza a darmos os passos necessários para nos mantermos firmes com Ele, não deixando que outros nos seduzam com suas astúcias, e O sirvamos com muita alegria!

Não haja em nós nenhum apego ao que o inimigo nos oferece, pois são como panelas de carne quentes, cheirosas, apetitosas, mas venenosas, onde se nos oferece a morte.

Escolhamos a vida, escolhamos a Jeová, escolhamos a Jesus!   Vida eterna, e abundante!   Viva!

 


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