NÚMEROS – XXVII – BÊNÇÃOS PARA HOJE E PARA AMANHÃ

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Julio 12, 2014 by Bortolato

V. crê que que Deus tem bênçãos abundantes para acrescentar à sua vida ainda hoje?   Ou crê que somente as bênçãos de um futuro não muito próximo é que estarão à sua espera?  Cremos que Ele tem muitas dessas para nos dar em todo o decorrer de nossas vidas, não devemos menosprezar, pois, nem as de hoje nem as de amanhã.

Em Números, capítulo 32, notamos que os israelitas das tribos de Ruben e de Gade receberam o dom de descobrirem as bênçãos de hoje, através de uma visão de fé que lhes veio à mente, como que por insight.

Eles viram que as terras de Basã e de Seom, dantes pertencentes aos amorreus, eram boas para pastagens – e eles tinham muitíssimo gado!   Tudo aquilo lhes parecia encaixar como uma luva em suas mãos.    Era como a fome ter encontrado o lugar de saciar-se.  Eles bem sabiam que a Canaã prometida estava à sua espera para ser conquistada, lá do outro lado do rio Jordão.   Deus lhes havia prometido aquelas terras, mas como que em um acidente de percurso, eles toparam com o povo amorreu, que quis medir forças com eles, travando-lhes uma guerra onde sobraria vencedor somente UM desses povos – e isto, ali, a leste do Jordão.   Uma terra excelente para o que eles queriam fazer, que era manter seus negócios pastoris.   O outro lado do Jordão também os esperava, quiçá, para uma outra terra a ser conquistada.   Eles  podiam desprezar Basã e a terra de Gileade,  isto lhes teria sido uma opção – mas depois que estas foram já conquistadas a custo de uma guerra desafiadora?   E depois que tinham sido obrigados a lutar… Não foram eles que provocaram o embate, mas o resultado lhes foi amplamente favorável…   E deixar aquelas terras vazias de habitantes, para quem as quisessem, também teria sido um desperdício.

O fato é que Deus estava farto, irado e decididamente disposto a mudar o quadro étnico que ocupava o espaço geográfico das terras de Basã e de Gileade.    Se o povo de Israel não tivesse sido usado para isso, certamente que algum outro incidente teria acontecido que despovoaria aquela região, tal e qual aconteceu em cidades maias, no México, que se esvaziaram misteriosamente, sem deixarem pista de uma causa única que lhes teria sido determinante para tal êxodo – e alguns pensam que uma peste teria alcançado suas metrópoles.

Mas a guerra veio ao encontro de Israel, como uma ursa descontrolada, querendo defender seus filhotes.  Era o caso de matá-la ou morrer.   Correr de medo era morrer, pois seriam facilmente alcançados.

No final, guerrearam, venceram aos amorreus, e lucraram com a posse de suas terras.

Os líderes rubenitas e gaditas procuraram por Moisés e Eleazar, a fim de pedirem que pudessem assentar-se ali, naquelas terras tão convidativas para o seu extenso gado.   Eles estavam, sim, com vistas às terras de Canaã, do outro lado do Jordão, mas de repente algo se lhes deparou como uma bênção material que lhes foi oferecida pelos céus, naquela terra.

O paralelismo aqui é forte.    Isto indica que o povo de Deus receberá bênçãos, tanto do lado de cá como do lado de lá  do rio Jordão.    Em meio a lutas e a provas, Deus tem bênçãos para dar ao Seu povo, tanto nesta vida aqui, nesta Terra, como lá no céu.

Há cristãos que vivem sonhado com o que irão receber do Senhor  quanto atravessarem o rio da morte.    Não se importam tanto com o que receberão nesta vida na Terra, pois seus olhos estão fixados na sua Nova Jerusalém.   São excelentes fiéis, pois sua fé os move para a sua  cidade do além-rio, e esta é a sua grande motivação para viverem.    Os sofrimentos do seu tempo presente certamente que os incomoda, como não os incomodaria?    Mas tal como um espinho que penetrou em suas carnes, e lateja constantemente, prosseguem convivendo com suas dores no seu dia a dia.    Aprenderam a lidar com isso, a suportar a dor e toleram-na pelo tempo que lhes for necessário, como que por imposição do destino.   Encontraram sua compensação, voltando suas atenções para o Trono da Graça de Deus, e então são felizes, mesmo no meio de tribulações.

O Senhor, porém, sabedor de todas as coisas, também lhe provê outras bênçãos nesta vida, que concorrerão para lhes firmar sua fé.   São as bênçãos do lado de cá do rio da morte.

Assim foi que aconteceu com as tribos de Gade e Ruben.   Queriam logo se assentar ali, em Gileade, e gozar das bênçãos da Terra de “aquém” Jordão.   Moisés porém foi muito perspicaz e não teve dificuldades em lhe fazer uma pergunta incisiva:

“Irão vossos irmãos à peleja, e ficareis vós aqui?” (Números 32:6)

Há uma sutil tentação quando alcançamos nossas bênçãos aqui nesta Terra: – a de nos acomodarmos, e cessarmos de perseguir a Nova Jerusalém, além do que, se assim procedermos, por consequência, deixaremos de tentar trazer conosco um povo que deseja muito lá entrar, mas sozinho não o conseguirá, pois demandará a nossa ajuda.

Não devemos, portanto, achar que, uma vez que Deus nos abençoa nesta vida material aqui, que já obtivemos a nossa inteira porção de Sua parte.    As lutas continuam, e precisamos, além disso, ajudar aos nossos irmãos a encontrarem o seu pedacinho do céu também.

Os rubenitas e gaditas reconheceram que não poderiam desamparar aos seus irmãos que continuariam a pelejar em conjunto pelo seu quinhão, mas não desistiram de pleitear por algo que lhes pareceu uma bênção do céu que se lhes ofereceu nesta Terra.    Se eles se sentissem privilegiados por uma conquista que se antecipou aos planos de Moisés, e quisessem ficar em Gileade para apenas “arrumar suas casas”, e deixar as demais tribos à mercê de suas próprias lutas, isso poderia também acontecer com as outras tribos que, aos poucos, iriam encontrando seus espaços já dentro da Terra da Promessa, de tal forma que as últimas tribos teriam que guerrear sozinhas, como se Israel não fosse uma nação unida.   Isto não seria justo, teria sido um mau início para uma nação, e, além do mais, desabonaria a conduta dessas duas tribos.

A solução para este dilema lhes parecia clara:  os homens de guerra não descansariam nas terras conquistadas,  mas apenas construiriam seus currais, edificariam suas cidades, deixariam suas famílias ali, e passariam armados  para o além-Jordão para colaborar com seus irmãos, até que todos eles já estivessem de posse de suas propriedades.

Esta é uma lição de unidade para o povo de Deus.   Não estamos sozinhos na guerra.   Não somos os únicos a batalhar, bem como não devemos deixar de cooperar com os irmãos  nos seus desafios e dificuldades.   Não devemos construir muralhas para estabelecer divisão entre nós, mas sim, depois de edificar nossas defesas, proteger os mais fracos e, como fazem os leões, os lobos, os cães selvagens, as orcas, ou os chimpanzés, nos organizarmos e promovermos ações em conjunto, para um maior sucesso.

Jamais, pois, guerrear irmãos contra irmãos.   Jamais tentar boicotar, isolar, solapar, puxar o tapete, atacar para derrubar, ou abocanhar aquilo que estiver na área de irmãos.   Os inimigos devem ser muito bem identificados, e jamais confundidos estes com os irmãos.

O que mais aprendemos com a narrativa deste trecho da Bíblia?   As pelejas desta Terra nunca cessam, bem como a guerra espiritual.    Dificuldades não nos faltam, mas temos o Deus de Abraão e de Moisés que batalha por nós, e nós não devemos ser negligentes nessas batalhas.   As conquistas materiais que o Senhor nos dá hoje não devem ser tornadas em pedras de tropeço (às quais o povo de Deus muitas vezes se apega como se fossem únicas a serem obtidas), para que deixemos de batalhar pela fé e pelas bênçãos de Deus que nos esperam além do rio.

Que recebamos nossa porção de aquém-Jordão, e continuemos a buscar e pelejar por encontrar o nosso descanso eterno.   Lembremos que a porta é estreita, e apertado o caminho que conduz à vida eterna, e são poucos os que entram por ela.

Porfiemos, pois a vida nos convida a pelejarmos.   Enquanto isso, “conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor; como a alva, a sua vinda é certa; e ele descerá sobre nós como a chuva, com chuva serôdia que rega a terra” (Oséias 6:3).


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