DEUTERONÔMIO – V – A BALANÇA DA JUSTIÇA DE DEUS

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septiembre 9, 2014 by Bortolato

A mágoa de Deus! Como?   Então Deus se magoa?   Ele se entristece?  Ele se aborrece?   Daí passamos a pensar se Ele não estaria magoado conosco…  E que dizer das mágoas de Deus, se é que de fato Ele se magoa?

A balança da justiça que Ele detém nas mãos mostra a mágoa de Deus contra os que aderiram ao pecado.   Se Deus não estivera magoado contra aquelas sete nações cananitas, contemporâneas a Moisés e Josué, então por que Ele teria ordenado uma verdadeira eliminação desses povos de sobre a face da Terra?    Aqueles povos foram rebeldes contra Ele, talvez numa medida semelhante à dos moradores deste planeta à época de Noé, quando um Dilúvio os consumiu.

Não ofereçam resistência a Jeová!   Ele é soberano, e faz aquilo que Lhe apraz.   As sete nações de Canaã optaram por ultrapassar os limites da Sua santa paciência, fazendo atos que muito Lhe desagradaram.

O Soberano Deus, embora cheio de compaixão, misericórdia e amor, também é justiça.  A Torah é testemunha de que Ele não tem condescendência para com a impiedade.   Ele é longânimo, é longa a Sua paciência, mas também é terrível quando esta se esgota.

Ele projetou, imaginando em Sua santa vontade, quis realizar Seus sonhos de derramar bênçãos espirituais sobre a Terra de Israel, e a partir desta, sobre todo o restante deste mundo, mas estava profundamente desagradado com o performance das sete nações de Canaã.   Logo, decidiu desalojá-las, desampará-las e praticamente extingui-las.

As causas desta decisão tão drástica estavam: na idolatria, que nada mais é senão uma afronta ao Senhor de toda a Terra; na criminalidade facilitada pelo afrouxamento da ética social; da licenciosidade que exalta os prazeres hedonistas da carne, em detrimento da boa educação e da integridade da família;  nas injustiças em geral, que assolam os direitos da cidadania;  na completa alienação da consciência que precisaria estar sempre voltada para as ponderações do Espírito Santo, o qual deveria estar constantemente sendo consultado em cada ação humana a ser tomada.

Por esses tantos motivos, e ainda outros mais, é que Deus, vendo tanto sangue inocente sendo derramado impunemente, tanta dor, tanta ausência de amor e presença do pecado, decidiu acabar com aquele jogo perverso daquelas sete ímpias nações e colocar em seu lugar um povo que Ele escolheu para servi-Lo, respeitá-Lo, louvá-Lo e adorá-Lo.   Esta decisão divina põe-nos em estado de alerta.   Não é que as coisas se repetem?  E não é assim que as coisas estão acontecendo hoje em dia?

Para que Israel não se deixasse influenciar pelos costumes daqueles povos, por isso mesmo teria que colaborar com os planos de Jeová, cumprindo a função de ser Seu braço exterminador.   Se Israel se deixasse corromper, logicamente todo aquele plano divino estaria fadado a fracassar e cair por terra.    De fato, Israel veio a se deixar contaminar por aqueles costumes pagãos, razão pela qual houve, anos depois, um cativeiro babilônico e uma diáspora, mas o sonho de Deus não morreu, mas continuou vivo, através de Seu remanescente fiel.

Mas afinal, quem eram essas nações que receberam tão duro juízo? Poucos vestígios elas deixaram, e por isso também pouca informação disponível teríamos para trazer à luz, com várias teorias de arqueólogos, levantando hipóteses e possibilidades a respeito.

  1. Os amorreus, também chamados de amoritas, descendentes de Amori (em hebraico = orgulhoso), um dos filhos de Canaã, filho de Cam.  Tudo indica que eram o povo mais poderoso entre as tribos cananeias, e ocupavam ambas as margens do rio Jordão, por ocasião do confronto com Israel, desde o Mar Morto ao sul, até o monte Hermon, ao norte.   Habitaram Ai e por algum tempo também estiveram em Jerusalém, Hebrom, Jarmute, Laquis e Eglom, lugares onde foram derrotados pela campanha de Josué (Jos. 10:1-27).   O seu tipo de idolatria foi comparado com a idolatria de Acabe e a de Manassés, reis que mais tarde se sobressaíram em práticas religiosas detestávels aos olhos do Senhor.   Seom e Ogue foram seus principais expoentes na região de Canaã.   Ogue, por sinal, foi um dos gigantes, raça que impressionou aos primeiros espias de Israel, por causa de sua estatura.   A grandeza, a força e o poder nas suas mãos lhes serviram de enganosas armadilhas, pois que caíram na soberba.   O Senhor, que abate aos soberbos e exalta aos humildes, lhes foi por seu Grande Opositor.
  2. Os cananeus – o seu nome já denota serem filhos ou descendentes de Canaã, filho de Cam.   Seu nome significa “pertencente à terra da púrpura vermelha”.   Os seus povos dominavam as terras a oeste do rio Jordão, tendo até vivido na Fenícia (Gênesis 10:15-20). Na verdade, vemos que os jebuseus, amorreus, girgaseus, heveus e outros povos eram todos descendentes de Canaã, filho de Cam.   Adoravam a El, pai de Baal, mas principalmente a este último, tanto na Fenícia como na terra de Canaã.   Segundo suas crenças, El matou a seu irmão e a alguns de seus filhos. Cortou a cabeça de sua filha, castrou a seu pai e a si mesmo, e obrigou os seus concidadãos a fazerem o mesmo. A irmã e amante de Baal, chamada Anat, converteu-se na nojenta deusa da paixão, da guerra e da violência, e era feroz contra os inimigos de Baal. Adoravam também a Astarote, deusa que abria espaço à adoração de Baal em qualquer monte onde fosse fincado um pedaço de tronco na terra, tal e qual carrancas ou totens.   Baal era o deus que, para seus adoradores, controlava o tempo, de modo que se atribuía a ele as chuvas, tidas por seu sêmen derramado sobre a terra.   Para uma nação de agricultores, esses deuses lhes serviam de “muleta espiritual”, pois que neles se apoiavam, confiados em seus poderes.   Como se pode ver, esses deuses eram muito temperamentais, iracundos, muitas vezes intempestivos, e sujeitos à alteração de seu humor, de acordo com as variações do clima local. Servi-los era uma imoralidade e ao mesmo tempo uma terrível insegurança.   Não raro, eram exigidas vidas humanas depostas em seus altares, o que reputamos por prática comum às religiões satânicas.
  3. Os heveus – em hebraico, “aldeões”, que ocupavam o sudoeste da Palestina. Foram expulsos da faixa de Gaza pelos Filisteus.   Embora tivessem ascendência cananita, estes formaram uma nação distinta dos demais, mas seguindo os mesmos costumes dos povos vizinhos.
  4. Os heteus – também chamados de hititas, descendentes de Hete (Gênesis 27:46). Habitavam na região de Berseba e Hebrom (Gên. 10:15; 23:3,7 e 25:10).   O nome próprio “Hete” significa em hebraico “terror”, ou “medo”, e foi dado a um dos filhos mais velhos de Canaã.   As duas primeiras esposas de Esaú eram de sua descendência, e realmente foram um tormento, causa de grave desgosto para Rebeca e Isaque.   O nome dado a diversas pessoas, muitas vezes acabavam por definir o seu caráter, e a cultura do terror era muito explorada nos povos antigos.   Homens queriam ser temidos e por isso procuravam desenvolver habilidades guerreiras e uma postura tal que impressionasse, impondo medo aos seus contemporâneos.   Para punir e coibir tal tipo de atitude, o Senhor lhes enviou o povo israelita, ao qual passaram a temer.
  5. Os girgaseus – conforme Gênesis 10:16 estes seriam descendentes do quinto filho de Canaã (I Crônicas 1:14).   O seu nome, ao que tudo indica, significa “clientes de um deus”.   O deus a quem serviam era, por certo, Ges, um deus da luz, também adorado na Suméria.   Assentaram-se inicialmente a oeste do mar da Galileia, e pouca coisa se fala a respeito desta nação.
  6. Os fereseus, ou periseus – Em Gênesis 13:7 esse povo é citado como se não fossem da descendência de Canaã, filho de Cam.   O seu nome significa “habitante de aldeias sem muros”, e foram encontrados nas colinas (conf. Josué 11:3 e Juízes 1:4-ss.), perto de Betel (Gênesis 13:7) e de Siquém (Gênesis 34:30).
  7. Os Jebuseus – descendentes do terceiro filho de Canaã, que habitavam paralelamente com amorreus e heteus.   Seu principal reduto era ao redor de Jerusalém (dantes chamada de Jebus).   Permaneceram estabelecidos ao sul do Monte Moriá, até que dali foram expulsos por Joabe, um dos homens de Davi.   Ocuparam uma faixa de terra entre Judá e Benjamin. Os jebuseus conseguiram ali construir uma fortificação que tinha uma área pouco maior que a de Jericó, com altas muralhas e fortes guarnições militares, e assim protegiam seu local mais sagrado, onde mantinham um templo cananeu.

A idolatria desses povos, embora não muito detalhada, denota que esses povos eram muito religiosos e politeístas, e a Bíblia aponta este fator como o mais determinante para que houvesse a invasão hebreia, sua expulsão e posterior extinção.

O Senhor Jeová amou aquela terra por onde peregrinaram os patriarcas, e quis plantar ali uma agência do Reino do céu, por fidelidade à Sua palavra prometida ao Seu servo Abraão.  Escolheu a um povo descendente daquela linhagem para ali habitar, mas eles teriam que fazer diferença, isto é, não se deixar contaminar pelas práticas abjetas e abomináveis a que os povos daquelas sete nações se vinham entregando.

Daí porque tantas exortações para se ter o cuidado de não se deixar envolver com aquela gente.   Não deveriam fazer com elas nenhum tratado, não deveriam misturar-se com elas em laços matrimoniais ou de sangue, não deveriam aceitar nenhuma das imagens por elas cultuadas, mas antes, deveriam tomar posição firme de destruí-las.

Alguém perguntaria, pois: – o que se deveria fazer com toda aquela gente?  Não seria melhor que Jeová mesmo tomasse a providência de fazer todo o serviço de Sua soberana competência?   Que Ele mesmo, por suas próprias mãos decidisse extinguir, até não restar um só sequer resquício de impiedade e de idolatria (esses dois fatores que sempre caminharam juntos, concorrendo para a ruína daquelas nações)?   E então Canaã estaria pronta para ser habitada pelo povo que Deus teria escolhido?

Esta pergunta envolve várias questões que precisaríamos delinear melhor, senão vejamos:

  • Uma peste deflagrada, por exemplo, deixaria possivelmente algum veículo de contaminação que faria inviável a posterior tomada de posse daquelas terras, às quais teria atingido.   Arqueólogos apontam alguma doença fulminante como provável causa do total abandono de enormes cidades outrora habitadas pelos antigos maias, no México.  As pessoas que ali morreram foram provavelmente enterradas, e outras, ao serem abandonadas à peste, foram depois devoradas por feras selvagens ou por abutres.   Algumas, talvez, puderam escapar, fugindo para outras paragens, mas as cidades maias propriamente ditas deixaram suas maiores edificações em perfeito estado, para estupefação de todos os que pesquisam sobre sua civilização.   Nenhum povo mais ousou habitar suas casas, que, devido ao tempo decorrido, ficaram em pé apenas nos seus fundamentos. Os povos maias que restaram desprezaram toda aquela infraestrutura que por certo levou anos para ser construída. Logo, uma peste não seria a melhor solução para o caso de Canaã.
  • Conforme Deuteronômio 7:22, aquelas sete nações cananitas, ao serem destruídas por vários ataques, se o fossem de forma muito rápida, instantânea ou fulminante, deixariam ao mesmo tempo muitos corpos mortos em decomposição sobre a terra.   Isso atrairia os bandos de leões para devorá-los.   Se isso acontecesse, ao terminar a tarefa da eliminação daqueles povos de uma só vez, os israelitas teriam que passar a lutar contra outros inimigos, os leões que, aproveitando aquele farto e longo banquete, se teriam multiplicado muito rapidamente.   Daí, os novos proprietários daquelas terras passariam a ter um outro problema terrível para suas vidas, para o qual não estavam preparados para resolvê-lo a curto prazo, e passariam a culpar a Javé, que para lá os teria encaminhado.
  • De qualquer maneira, a eliminação da idolatria não se apagaria completamente de sobre a terra.   Os povos vizinhos também eram idólatras.   A própria história de Israel conta sobre a infiltração do baalismo nos tempos de Acabe, por influência de Jezabel, sua mulher e filha de Etbaal, rei dos sidônios – e por causa disso, quase que a Lei do Senhor, o sacerdócio levítico, e seu culto como um todo seriam totalmente apagados.
  • Isto significa que os israelitas tinham que aprender a discernir e separar o bom do mau, e saber combater a idolatria.   Não se trata apenas de separação, trata-se de uma luta entre forças espirituais.   A idolatria não tolera ao Deus Único e verdadeiro, bem como o Senhor tampouco tolera aos deuses estranhos. Não há compatibilidade aqui, como reflexo do antagonismo entre Javé e Satanás.
  • O dilúvio já havia feito uma “operação limpeza” sobre a iniquidade na Terra, deixando apenas uma só família viva neste mundo.   Essa lição a humanidade já havia recebido, e fora de uma dramaticidade tal que o Senhor até fez uma aliança com Noé: de nunca mais extinguir a raça humana através das águas.   O recado já estava dado.   A iniquidade gera a morte, sem dúvida alguma.   Como depois daquele cataclismo global a iniquidade voltou a proliferar na terra, surgiu então a necessidade de ser aplicado um outro tipo de tratamento.
  • Deus quis mostrar ao mundo que Ele é Deus, o Único que está acima de todos os deuses (estes últimos, na verdade, nada são senão demônios (I Coríntios 10:20-21 e 8:4-6), e que Ele é galardoador daqueles que O buscam em espírito e em verdade. A invasão gradual da Terra de Canaã mostrou àqueles povos que Deus é Soberano, e aqueles que Lhe são fiéis são abençoados, até mesmo na guerra contra seus inimigos.   Foi uma demonstração de poder tal, que a conquista de Canaã pregava, ainda que sem palavras, quem é Jeová.   A invasão gradativa chegou a dar chance de vida para Raabe e sua família, o que prova que nem tudo estava perdido para os povos de Canaã, mas somente aquela família veio a ser poupada, na tomada de Jericó. Nisto vemos a grande misericórdia de Deus se exercendo, mesmo durante o pleno exercício dos Seus juízos.
  • Não é esvaziando a terra que o Senhor cumpriria o Seu propósito que tinha quando a fez, mas preenchendo-a com gente cheia do Seu Espírito. Certo é que este alvo não será alcançado senão somente após a segunda vinda de Jesus, mas antes que isso aconteça, a Sua Revelação progressiva teve que se cumprir, e assim que chegou o tempo, a Lei foi dada a Israel, como um meio, um estágio intermediário a ser cumprido antes de chegar-se ao fim almejado.   A Lei trouxe os mandamentos e a morte, quando do seu lançamento, da sua ministração, a fim de que se soubesse o que é certo e aprovado por Deus, e, da mesma forma, o que é errado e desaprovado.   A vida veio somente através de Jesus Cristo, o Filho de Deus.   E estes são apenas alguns detalhes que mostram como Deus quis fazer as coisas.   Não nos devemos esquecer que Ele é sábio, sabe qual a melhor maneira e a Sua maneira tempestiva interferir no correr da história.
  • A morte de pecadores ocorrer de forma a tolher as vidas em seu pleno vigor não significa que estes todos terão como destino o inferno, ou melhor, o lago de fogo e enxofre.   Considere-se que crianças sem um perfeito juízo morreram na invasão de Canaã. Observe-se também não só as crianças, mas a morte do ladrão da cruz, ao qual a tradição da igreja o chama de Dimas, “o bom ladrão” deixou uma promessa de encontrar o Senhor no Paraíso.   Assim, nem toda sentença de morte leva o condenado para a perdição.   Muitos presos e sentenciados à pena de morte nos EUA confessaram piamente que se arrependeram de seus crimes, e que jamais levariam a mesma vida de outrora.   Alguns até confessam que receberam Jesus como seu grande Salvador e Senhor, e a promessa de Romanos 10:9-10 é clara em incluí-los no número dos salvos pela graça de Deus.

A invasão de Canaã feita gradativamente trouxe aos pecadores impenitentes a oportunidade de reavaliarem suas vidas e arrependerem-se de seus pecados, ainda que o fizessem no último minuto de existência terrena.

Leve-se isto em conta, e também que nada é mais recompensador que a vida eterna na presença de Deus, e que, tendo Ele Seus planos para com esta terra, então se saberá que Ele realmente fez aquilo que de fato foi o melhor a fazer.

Que nossas vidas sejam a vida de Cristo dentro de nós, e que estejamos sempre gratos e preparados para sermos agradáveis a Ele.   Que nossos pecados sejam deixados para trás, deixando espaço e dando lugar para o Senhor de toda a terra ocupá-los.

Que Ele purifique, sim, esta Terra toda, e que este mundo todo seja uma perfeita Canaã, onde Cristo seja o Rei que aqui governe, abolindo e eliminando a todo pecado.

O mais importante, porém, é que tenhamos aprendido que devemos ser separados do pecado e que, arrependidos, os confessemos e que o sangue de Jesus nos purifique de todos os que já infelizmente tenhamos praticado.  Que tenhamos firme esse espírito, e sejamos todos transformados à semelhança da ressurreição de Cristo, e que Ele viva para sempre em nós!


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