DEUTERONÔMIO – XII –SEPARAÇÕES QUE DEUS QUER

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octubre 23, 2014 by Bortolato

Será que V. sabe exatamente quais coisas deve incluir e quais excluir em sua vida? Temos coisas a fazer, temos preferências, temos prioridades, temos uma escala de valores, reputamos algumas coisas como de suma importância, e outras tratamos como se fossem material descartável, e outras, como lixo.   Algumas coisas as temos como emergentes, e a outras postergamos indefinidamente, como se nunca mais as quiséssemos ver à nossa frente.   Estamos sempre decidindo, e selecionando.    Como por exemplo: quando V. quer comprar um carro, deixaria ser levado e influenciado totalmente por um vendedor, ou V. já vai à loja sabendo o que deseja ter, e escolhe previamente aquilo que quer, de acordo com suas posses?

Este jogo de preferências está sempre à nossa frente, em coisas grandes, bem como nas pequenas.   Por exemplo, quando vai à feira, V. deixaria ser levado a comprar aquilo que o primeiro feirante que lhe oferece aos altos brados, ou passa por este e segue em frente, pois já sabe de antemão, ou tem ideia de onde buscar o que quer comprar?

Se V. tivesse que fazer uma seleção de pessoal, escolhendo, entre muitos, um povo para ser levado à frente de uma batalha, como V. faria isso?   Certamente que V. teria que separar o bom do mau, os capazes dos incapazes.   Entrevistas?   Sim, para conhecer cada indivíduo que vestirá a sua farda, para saber o perfil psicológico, como cada um se comportaria em cada situação, emergente ou não.   Cegos, coxos, síndromes de down, doentes mentais, alcoólatras, viciados em drogas, criminosos, nem pensar numa coisa dessas.   Avaliará habilidades, aplicará um treinamento intensivo, no qual se preverá as medidas a serem tomadas em cada caso de restrição de víveres, munição e precauções para sobrevivência.   Haverá que lhes mostrar as coisas que deverão fazer, alimentos que poderão ingerir, e considerar o grau de fidelidade à causa que V. quer defender, administrando recursos, riquezas, provisões, e armamentos que lhe forem disponibilizados.

Em Deuteronômio 14, pode-se vislumbrar esses itens sob o ponto de vista de Deus.   Assim como não se envia à guerra um povo totalmente despreparado, é assim que o Senhor, neste capítulo da Bíblia revela algumas coisas importantes.   Seu povo precisa ser bem formado no sentido de saber separar coisas, e ser diligente no agir, discernindo as coisas.

O povo de Deus não nasceu para ser igual a todos os demais.   Cada povo tem a sua cultura, e cada um a sua religião que melhor lhe parece, mas o povo de Jeová teria que ser diferente em muitas coisas.

Os critérios de seleção de pessoal dentro dos moldes divinos são muito específicos e totalmente diversos dos que se conhece.   Tanto é assim, que o mundo até os estranha.

Para começar, no verso 1º  deste capítulo, vê-se que Ele aceita receber na Sua escola de treinamento aqueles que nunca sequer pegaram em uma arma – e o treinamento, muitas vezes é feito no campo de batalhas.   Davi não suportou sequer a armadura que Saul quis dar-lhe para ir ao encontro do gigante Golias – mas isso não foi problema para Deus, que usou, em vez de escudo, elmo, espada e lança, apenas UMA pedrinha colhida no ribeiro (I Samuel 17).   Josafá não teve de usar armas para se ver livre das três nações que queriam a sua cabeça (II Crônicas 20).   Precisaram, sim, de armas espirituais – estas são bem mais importantes do que as armas materiais.

O primeiro requisito exigido neste capítulo é um ato de separação, conforme está escrito no primeiro versículo.   Os povos gentios tinham costumes pagãos que se pronunciavam quando dos funerais.   Era comum que aqueles povos seguissem rituais que envolviam a invocação de deuses, cortes sobre a carne, e raspagem de cabelos da cabeça.   Eram atos casados, que se amarravam uns aos outros em uma sequência característica da idolatria que praticavam.

O Senhor jamais quis algo assim de Seu povo – logo, essas práticas teriam de ser abolidas e rejeitadas.

Outro ponto tratado foi quanto às carnes de aves e animais que deveriam aceitar ou rejeitar. Soldados mal alimentados ou que ingerem qualquer tipo de carne podem ficar adoentados.   Isso não é bom para quem precisa ficar forte para os combates.   Como saber o que pode e o que não pode ser parte de seu cardápio?    O Senhor lhes dá uma lista dos animais e aves puros e dos impuros.   Era só questão de observar atentos, e obedecer.   Quem não quisesse seguir esta orientação, teria a lamentar pelas consequências que  naturalmente que lhe adviriam.

É muito comum também que povos deste mundo sejam apegados a dinheiro ou a bens materiais.   Isso os leva muitas vezes à ganância e à avareza.   O povo de Jeová, ao contrário, deve escolher a beneficência, o socorro aos necessitados, e exercitar abrir mão de coisas, em atendimento às ordens de Deus.

Os dízimos, pois, eram a oportunidade que o Senhor deu a Seu povo para lhes despertar o sentido de que as boas colheitas, os lucros, a prosperidade, são coisas que vêm do céu.   Se faltasse água das chuvas, apenas como hipótese, como poderiam os homens ser felizes com o fruto do seu trabalho?

Os dízimos eram para ser separados e posteriormente dedicados ao Senhor, como prova do reconhecimento que homens deveriam ter de que TUDO nos é dado pela bondosa mão de Deus, e isso nos deve mover a ser-Lhe gratos, e a oferecer-Lhe ao menos uma pequena parte dos ganhos que Ele nos dá.   E Ele diz que deseja usar dessa parte para que Seu povo comungue em Sua presença (conf. 14:23-26).

Com os dízimos e as ofertas, os levitas e sacerdotes não seriam desamparados, pois as melhores peças dos rebanhos deveriam ser oferecidas a Deus em Jerusalém, e seriam ingeridas juntamente com representantes da tribo de Levi, na presença do Deus de Israel, e os dízimos das colheitas que não fossem trazidos “in natura”(cereais, vinho, azeite, etc.) deveriam ter seu preço calculado em dinheiro que, uma vez trazido até o local separado para isto, seria novamente transformado em alimentos para serem comidos diante do Senhor, que lhes fez prosperar em seus negócios seculares.

O constante cuidado de Deus para com todos os de Seu povo, que O cultua e O adora também se estendia aos pobres, aos estrangeiros, os órfãos e as viúvas que viviam dentro das respectivas cidades dos prósperos agropecuários de Israel.   Por este motivo é que, a cada três anos, nos terceiros e sextos anos que se seguiam após os anos sabáticos, os israelitas deveriam separar, cremos que outros dízimos (14:28) para destiná-los exclusivamente a essas classes de cidadãos que careciam de maiores cuidados, e assim o povo de Deus teria a chance de mostrar-se solidário para com Deus, que defende a causa dos menos venturosos.   Esta era a lei.   Quem assim a aceitasse de bom grado, seria recompensado pelo próprio Deus.

Os levitas pertenciam a uma casta religiosa, mas relativamente pobre, pois não tinha campos para semeadura e colheita.   Suas posses se limitavam a uma residência dentro das cidades, e uma pequena área ao redor destas, onde cultivavam umas poucas coisas para o sustento de suas famílias – logo, não gozavam de grandes colheitas e nem tinham dali algum lucro representativo.   Dependiam muito, sim, da entrega dos dízimos e das ofertas alçadas.

Quem tiver esse espírito liberal, capaz de considerar as necessidades alheias, sensibilizar-se com as condições menos afortunadas de seu próximo, certamente que será recompensado por Deus, que tudo vê dos céus.   Bom é podermos ver as criaturas de Deus sendo amparadas, socorridas, protegidas e amadas, pois esta é uma alegria dada a quem tem coração aberto.

“A César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”, disse o Mestre dos mestres.

Separar o tempo, dinheiro, recursos, espaços, e até mesmo o futuro de algumas pessoas, para entregá-los a Quem nos concedeu tudo isso, esta é a vontade de Deus.

Certa vez, em um espaço dedicado ao estudo bíblico dominical, fui interpelado por um servo de Deus, o qual apontou para a gravata que eu usava, e perguntou-me: “De quem é esta gravata? A quem pertence?”   Respondi que era minha, pois eu a havia comprado.   Foi então que ele mostrou a todos os ouvintes que nada nos pertence.   De tudo o que  temos em mãos, somos apenas mordomos, sejam casas, automóveis, recursos financeiros, joias, roupas, cônjuge e até mesmo filhos, sejam estes legítimos ou não.   Tudo isso pode estar debaixo de nosso poder e autoridade, mas apenas para administrarmos, pois nada nos pertence.   Daí é que convém ponderar: será que aquilo que Deus entregou nas minhas mãos está sendo lidado de acordo com a plena vontade do Senhor?

Até os nossos corpos são empréstimos por prazo limitado que recebemos de Deus. Logo, tudo quanto fizermos através de nossos corpos ainda um dia nos será cobrado.   Saúde, energia pessoal, forças, boa disposição para despendermos em nosso dia-a-dia, também são bens que recebemos para deles fazermos um uso apropriado e aprovado pelo Deus que nos criou.

Alguns serão chamados mais cedo do que outros para essa prestação de contas – outros terão um pouco mais de tempo, mas também serão chamados um dia. Deus nos dá muitas coisas para nossa própria alegria, mas não nos podemos esquecer de que Ele nos pede SEPARAÇÃO de parte ou de tudo, conforme o caso, para que se revertam para a Sua glória – e nada mais justo para Quem tem todo o direito de propriedade sobre todas as coisas.

O mundo pode não reconhecer esse direito divino, mas isso não muda em nada o fato de que um dia TODOS comparecerão perante Deus para apresentar o balanço de tudo o que recebeu em vida.

Dentro de 80 anos, que importância terá se temos vivido abastadamente ou apertados, em palacetes ou casebres; andando em carros de luxo, voando em jatinhos ou utilizando-nos apenas de passagens econômicas de ônibus, ou trens.   Talvez tenhamos andado muito a pé, ou no lombo de um jumentinho.  Se comemos caviar, ou nada mais que arroz com feijão;  se nos vestimos com primor, ou com panos de saco; se temos uma gorda conta bancária, ou mal portamos alguns trocado no bolso; se nossos amigos eram os poderosos, ou a plebe; que valor terá uma coisa ou outra?  Por este motivo, convém fazermos autoavaliações periódicas com honestidade e clareza, para partirmos para resoluções que alterem os rumos de nossos caminhos para melhor, diante de Deus e de Jesus.

Que, por ocasião de Sua breve vinda a este mundo, ouçamo-Lo dizer-nos:

“Bom está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei”


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