DEUTERONÔMIO – XIII – REFLEXOS DA CRUZ NO VELHO TESTAMENTO

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noviembre 21, 2014 by Bortolato

Serpente no Deserto

Podemos ver os efeitos da cruz de Jesus, olhando para dentro da Lei, da Torah.  A cruz de Jesus foi subliminarmente apregoada através do Velho Testamento, mesmo por meio da Antiga Aliança, com palavras que eram imbuídas da maravilhosa graça que se manifestou no sacrifício remidor que o Messias fez, depondo sua própria vida.    Foi mais que um ato de heroísmo, e mais que um grande exemplo, foi um poderoso feito, um esforço sobre-humano, que nos trouxe efeitos magníficos de amor, perdão, e alegria da salvação.

 Como poderíamos descobrir essas mensagens maravilhosas, olhando através de preceitos de uma Lei que, muito embora tenha superado a todas as demais leis de outros povos contemporâneos,  não deixaria de ser um compêndio de obrigações positivas e negativas, de coisas que deveriam ser feitas, e de coisas que não o deveriam?  Um “não faça isto, mas faça aquilo”?

Em Deuteronômio, capítulo 15, vemos diversas figuras que insistem em nos apontar para o Cristo Sofredor, e para os benefícios que Seus sofrimentos nos trouxeram.

Deuteronômio 15:1-6 é uma seção que trata do ano da remissão.   A remissão do Senhor (v.2) devia ser proclamada e praticada.   Essa remissão envolvia o perdão das dividas que um irmão ou compatriota hebreu tinha para com seu credor da mesma nação.

Observe-se que isto era um preceito que era dato para que homens não se tornassem avarentos, isto é, apaixonados e dominados pela busca do vil metal.      O Senhor lhes ordenara assim, deixando embutido nesta palavra que Ele é o grande Remidor, que nos perdoa de todo pecado.  Fiel e Justo é o Senhor para nos perdoar (I João 1:7-10), e este é o exemplo de como devemos agir para com os irmãos na fé, pois o Seu amor não dá espaço para a falta de perdão.   A cruz do Calvário foi a demonstração de remissão mais poderosa que já aconteceu sobre a face da Terra.

Assim, este trecho bíblico deixa insinuado, nas suas entrelinhas, a nossa remissão através do sangue de Jesus, que pagou um tão alto preço, a fim de nos restaurar a Deus.  Este é o espírito da remissão.   É apontando para este fato que a Lei da remissão das dívidas foi colocado no Antigo Testamento, acima, bem acima da obrigação de um israelita perdoar as dívidas de seu irmão.   Embora sejamos eternos devedores a Deus pelo fato de havermos um dia nos comprometido com o pecado, somos contemplados com a excelsa bondade do Pai, que nos perdoa com muito amor, e ainda por cima nos recebe como a filhos Seus.   Neste ponto o Antigo Testamento mais uma vez nos fala em termos um tanto limitados pelos moldes próprios da Antiga Aliança, mas mesmo assim nos aponta para aquele ato maravilhoso em que o Filho de Deus entregou-Se em uma cruz para arcar com as nossas dívidas e pagar o preço necessário para nos remir e nos livrar do julgamento no dia final.   Pois se existiu e existe amor como esse, que uma pessoa perdoa as dívidas do seu próximo (e a Lei foi, de verdade, cumprida por muitos), em obediência a Deus,  fica subentendido que o amor do Deus Vivo, encarnado na forma humana de Seu Filho, muito maior e mais poderoso, e mais expansivo também o é, elevado ao infinito.

É por este motivo que não devemos desistir nunca e jamais pensar em abandonar esta fé, pois a Deus devemos tudo o que somos e o que temos, somos eternamente comprados no sentido moral e espiritual da palavra.   Somos Seus devedores para sempre, mas Ele não nos oprime por este motivo.   Ele nos diz apenas para O amarmos com compromisso, lealdade, seriedade e responsabilidade – e quanto aos nossos pecados, bem…   a cédula da nossa dívida, que pesava contra nós, foi cravada na cruz do Gólgota! (Colossenses 2:14-15)   Está paga, e somos, por isso, remidos do Senhor – somos Seus pela segunda vez: (1) por termos sido amorosamente criados por Ele; e, uma vez remidos, (2) por termos sido libertos da dívida do pecado, pelo poder do sangue de Jesus.

Isto já é motivo para que, qualquer que seja assim salvo, pule de alegria!   Não há pobres no Reino de Deus, porque Ele enriquece a cada um!   Primeiramente, de uma vez, nos nossos espíritos, e, aos poucos ou de repente, também somos abençoados materialmente, se observarmos os Seus princípios atinentes à prosperidade.

Deuteronômio 15:6-12 trata do problema da pobreza no meio do povo de Deus.   Muitos há que enaltecem a pobreza, e têm-na como se esta fosse uma virtude, o que não deixa de ser uma opção pessoal de cada um.   O ascetismo abraça esta versão, como um meio de chegar-se a um estágio mais aperfeiçoado da vida espiritual, mas esta é uma escolha  feita pelo homem, e não uma obrigação imposta por Deus, muito embora Ele até chegue a abençoar aos adeptos dessa doutrina.   Não se pode negar, porém, que a pobreza traz muitas limitações e muitas lutas na vida dos pobres, não raro deixando-os à mercê de outras pessoas que aceitem ou não voluntariamente compadecer-se dos mesmos, no afã de poderem os seus problemas decorrentes da pobreza serem solucionados.   Os pobres acabam por se tornarem dependentes da misericórdia de alguém, e por isso, veio a Lei, revelando o cuidado que Deus tem dos que dependem dEle, que ordena a todos o perdão das dívidas no tempo determinado.

Por outro lado, a riqueza não deve ser o alvo principal da vida dos homens.   Os anos sabáticos e anos jubileus foram instituídos para controlar a cobiça e desfazer a ganância, pois as terras teriam que descansar, e os pobres, nessas ocasiões, deveriam ser perdoados.   Esta é a Lei, que ordenou o perdão, e nos aponta para o maior perdão, que é aquele que Deus nos dá por Sua graça.

Deuteronômio 15:12-18 passa a nos transmitir a visão do grande amor de Deus que nos vê como servos Seus.

O versículo 12 desse trecho nos diz que “quando um de teus irmãos hebreu ou hebreia te for vendido, seis anos servir-te-á, mas no sétimo o despedirás forro”, isto é, livre.

Ora, um hebreu poderia vender sua liberdade em troca da quitação de alguma dívida que, não raro, devia ser de uma alta soma, provavelmente impagável perante seus parcos recursos.   Era uma troca opcional – serviços a serem prestados por seis anos, com promessa de ser considerada paga a dívida no final desse período.

Um detalhe importante é que o tipo de relacionamento entre o servo o seu senhor poderia ser desenvolvido de forma a tornar-se um meio de identificação empática de objetivos e uma troca de experiências e conhecimentos tal que chegaria a unir ambos em uma profunda amizade, proporcionando uma sensação de segurança e de transparência sincera, idônea e amável.  Tais variáveis poderiam culminar com o desejo de perpetuar-se esse tipo de aproximação, e o tal escravo não desejasse mais sair da casa de seu senhor, e então, voluntariamente, o mesmo poderia receber a continuidade da condição de escravo.  Para tanto, seria necessário um ato que marcaria essa nova etapa de sua vida com uma marca característica dos escravos da época:  ele (ou ela) teria uma de suas orelhas furadas.

Um furo na orelha acaba por provocar um pequeno escorrimento de sangue.   Este ato nos leva ao Novo Testamento, quando Cristo, mesmo sendo Filho de Deus e Senhor,  fez-Se como escravo, servo de Deus, em nosso lugar.

Além de pagar o preço do nosso resgate com Seu sangue, Jesus nos serviu a nós, dando Sua própria vida, e toda a Sua vida, para nos conquistar, pagando o preço do nosso resgate  e da nossa liberdade – é assim que somos tornados livres.

Ao chegar-se o sétimo ano da escravidão (vemos aqui mais uma vez que Deus escolheu o número sete para revelar coisas e períodos em que uma obra se completa e se aperfeiçoa), o escravo via-se novamente na condição de poder despedir-se de seu senhor, e deixaria, a partir de então, de ser escravo.

Então vemos mais uma vez como a mensagem do Antigo Testamento converge para o Novo Pacto, a Nova Aliança.  Cristo, como servo de Deus, humilhou-Se a Si mesmo e submeteu-Se à morte na cruz, oferecendo um sacrifício remidor, que pagou o preço da nossa redenção.   Desta forma, Ele nos deu a chance de vermo-nos livres da condenação e do poder do pecado.   Esta maneira dEle nos tratar é, assim também, uma forma de aproximação conosco que nos cativa pela Sua bondade, pela Sua generosidade, e Seu amor por nós.

Os pecadores, outrora escravizados, têm então o privilégio de verem as correntes da escravidão caírem ao chão, e seguirem seu novo caminho, numa nova condição de vida – mas para onde ir, assim livres?

O apóstolo Pedro encontrou a fórmula correta que dá a resposta a esta pergunta, em João 6:68:

– “Senhor, para quem iremos nós? Só Tu tens as palavras de vida eterna.”

Logo, os pecadores redimidos sentem que só serão definitivamente felizes se se tornarem servos dAquele que os tratou tão bem, e o assumem assim para todo o sempre.

Tal como o escravo que fazia a opção de servir a seu senhor até o fim de sua vida, e era levado à porta, isto é, diante de todos os da casa, e dos de fora, e solenemente feito servo seu incondicionalmente, assim os remidos por Jesus devem ser batizados diante da congregação de Deus para passarem a servir ao Senhor para sempre, pois para este chamado é que foram comprados pelo preço de sangue.

Deuteronômio 15: 19-23 – por que o Senhor teve tanto cuidado em ordenar na Lei que os primogênitos do gado não fariam trabalho no campo, e sequer deveriam ser tosquiados?

Vejamos bem: esses primogênitos do gado deveriam ser sacrificados “no lugar que o Senhor escolher”.    O lugar desses sacrifícios era o altar dos holocaustos, que a partir da dedicação do Templo de Salomão, teria que ser em Jerusalém.    Teria que ser um exemplar animal, forte, belíssimo, sem defeito, isto é, que não fosse manco, nem cego, ou coxo, ou que tivesse algum defeito grave.   Um espécime perfeito.

Assim Cristo também, o Cordeiro imaculado de Deus, perfeito em tudo, sem pecado, o primogênito dentre todos os mortos (Colossenses 1:18) foi imolado em Jerusalém.

É desta maneira que o Velho Testamento está constantemente descrevendo tipos de Jesus, o Cristo.   Esses tipos nãose encaixavam em todos os detalhes com o seu Antítipo, Cristo, mas de uma forma sutil apontavam para Aquele que cumpriu todos os quesitos importantes para ser o poderoso mediador e intercessor dos homens perante Deus.   Assim, o conhecimento de Jesus é acentuadamente aprofundado no processo da revelação do Filho de Deus, pois que todos os seus tipos apenas aguçaram nos corações dos homens a sede de obterem uma aproximação maior e mais satisfatória, plena, do Santo de Deus, dentro de suas almas.


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