DEUTERONÔMIO XIV – UMA SUTIL PRÉVIA DO MESSIAS SOFREDOR E JUIZ

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noviembre 26, 2014 by Bortolato

Acontecimentos importantes da vida merecem ser lembrados e também celebrados.  Uma formatura em uma famosa Universidade; uma conquista muito almejada; um salto de um degrau para outro superior na escalada de uma promissora carreira; a aquisição da casa dos nossos sonhos; o nascimento de um filho ou filha, ou uma outra grande alegria.   Tudo isso é digno de grande comemoração.

É esta a razão da ordem que ficou registrada em Deuteronômio 16:1-8.   Foi o caso dos hebreus que, uma vez libertos de uma longa e cruel escravidão, receberam instruções para um memorial, descrito pelo próprio Libertador, o qual não foi ninguém senão o próprio Senhor Jeová.   A primeira cerimônia foi algo muito familiar, dentro dos lares dos escravos que, por fé na promessa de libertação, deveriam preparar um cordeiro imolado para cada família, na véspera do dia da libertação e saída do Egito, lugar onde sofreram muito, e o povo que seria então liberto, também pela fé, já teria preparado pães não levedados.   Comeriam a carne do Cordeiro, cujo sangue tingiria as vergas das portas com aquele um tanto drástico (para não se dizer tétrico) colorido vermelho carmesin.   Se alguém pudesse passear pelos logradouros da terra de Gosen, naquela noite, sem saber o que se passava dentro de cada casa que ostentava aquela terrível insígnia de sangue, pensaria que estava perambulando por uma vila de terrores,  e provavelmente, ao notar aquelas marcas de sangue em cada porta, seria repentinamente tomado de pânico, desejaria sair dali o mais rápido quanto possível, movido de pavor, temendo que fosse escolhido como a próxima vítima.

Se, entretanto, o assustado visitante pudesse receber um convite amistoso para entrar e cear com algum daqueles hebreus como seu convidado especial, se o mesmo não se recusasse terminantemente a ali entrar, ao adentrar à primeira porta, passaria a sentir que seus temores começariam a desaparecer, pois passaria a ver um cordeiro assado sobre a mesa, e receberia uma fantástica explicação para aquele sangue espalhado e escorrido junto aos umbrais daquela porta por onde ele passou, e compartilharia não somente de uma simples refeição, mas de um ato profético, cheio de fé e de esperança.   Esperança de um povo marcado pelos sofrimentos de uma dura escravidão, de que naquela noite haveria um desprendimento especial do poder do céu para vir ao encontro de suas mais profundas aspirações.   Esperança de um amanhecer de um novo dia na história de seu povo oprimido.   E eles não estavam enganados.   Não era uma profecia falsa, que apenas lhes prescrevera um ritual, mas uma palavra de Deus a eles dedicada para seu conforto e consolação, e que se cumpriu na íntegra.

Comeram todos a carne do cordeiro pascal, obedecendo às ordens de Deus, enviadas através do Seu servo Moisés.   Isto foi um ato em reconhecimento de que aquela direção vinha do Deus altíssimo, o qual exigiu aquele sangue para que pudessem desfrutar da Sua presença real entre eles.

Aqui cabe uma observação:  nesse sentido, nenhum outro sangue é tão eficaz e poderoso como o sangue do Senhor Jesus, que limpa, lava-nos de todo pecado, e deixa nossos corações maravilhados, cheios de esperança, ao sabermos que Ele deu a Sua vida por nós;  cientes disso, como duvidar desse Seu tão grande e inexplicável amor? A última ceia do Senhor Jesus com seus discípulos o retrata muito bem quanto a isto.

Este foi o plano elaborado por Deus, e colocado em prática segundo a Sua boa vontade.   O pecado gera morte, mas como Deus deu a vida de Seu próprio Filho para que fôssemos alcançados e adquiríssemos a Sua vida, é desta maneira que somos salvos da ira e da morte.   Pode parecer um plano um tanto drástico, uma medida extrema demais, que envolveu o derramar do sangue do Homem Deus.    Não foi sem motivo que os Seus discípulos tivessem fugido atemorizados, ao presenciarem a prisão de Jesus no Jardim do Getsêmani.   Eles estavam pressentindo um sacrifício na cruz, e não queriam ser uma das vítimas.   Eles fugiram tomados de medo, assim como fugiriam os supostos visitantes da Terra de Gosen no dia da primeira Páscoa.   Foi, porém, este o caminho que o Pai escolhera, pois seria o Seu Único Filho, ou todos nós, a derramar o sangue e depor a vida.   Esta foi a maneira, altruísta ao extremo, de Deus abrir para nós o caminho da Salvação.

A Páscoa dos judeus, pois, é um ato profético que aponta para o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo – Jesus Cristo, o nosso Senhor

Esta Salvação é tão grande, e o livramento que nos foi dado é tão precioso, de tão imensurável valor, que seria um despropósito e até mesmo um desatino deixar de celebrar esse acontecimento.   Para isso, pois, foi instituída a celebração da Páscoa.   Deus estaria presente em cada celebração – e por isso mesmo, os celebrantes, no caso dos hebreus que saíram do Egito, deveriam vir a Jerusalém, para também estarem presentes, com muita alegria – isso nos anos que vieram a seguir.

Deuteronômio 16:9-17 nos fala da obrigação que os israelitas tinham de voltarem-se para Jerusalém para celebrarem outras duas festas:  a festa das Primícias (ou Pentecostes) e a dos Tabernáculos.

Tanto o Senhor Se fez presente nessas festas, que em uma delas, na de Pentecostes que ocorrera cinquenta dias após a Páscoa da ressurreição de Jesus, houve um toque todo especial com a descida e o derramar do Espírito Santo no Cenáculo onde os discípulos estavam ali reunidos.   Se repararmos bem, veremos que aquilo não foi um fato pontual, mas foi um marco de um começo, uma festa de inauguração da era da Igreja.   E esse derramar continuou havendo aqui e ali, basta lermos o livro de Atos dos Apóstolos nos capítulos 8 (em Samaria), 10 (em Cesareia), 19 (em Éfeso) – e este mesmo Espírito Santo continua a ser derramado até os nossos dias, segundo as santas e ternas misericórdias do Senhor, que faz como quer, onde e quando quer.   O importante é que somos o alvo desse derramar, e podemos esperar a qualquer momento o mover de Sua mão, visitando-nos nesta Terra.

Foi em uma Festa de Primícias que Deus, que muito nos fala sem palavras, bastante através de Suas obras, operou naquele dia de tal forma que um milagre mal compreendido, a glossolalia, manifestou-se de maneira a abalar os romeiros que estavam ali peregrinando.    Mas uma coisa ficou clara: era o primeiro derramar das chuvas do Espírito Santo sobre o povo de Deus.  Ninguém poderia negar que os discípulos passaram daquele dia em diante a pregar ousadamente, até para os responsáveis pela morte do Senhor Jesus, que Ele é o Filho de Deus, e hoje é o tempo e a oportunidade para o arrependimento, estendido a todos os povos.  Inaugurada foi, assim, a Era da Igreja (ekklesia), da congregação dos alcançados pela graça e a misericórdia do Senhor ressuscitado.

A outra festa, a dos Tabernáculos, também era outro motivo para se ir a Jerusalém, logo após o término das colheitas.    Além de terem seus celeiros recheados de cereais, motivo para os fiéis se sensibilizarem e ofertarem presentes ao Senhor como prova de gratidão pelas provisões, as tendas deveriam ser montadas, e os fiéis então relembrariam que eles, ou melhor, seus ancestrais, conviveram com o Senhor no deserto, e Ele também, tal e qual Seus adoradores, também dignou-Se a habitar em uma simples tenda, ali com eles – suprindo em suas necessidades, curando suas enfermidades, perdoando seus pecados e recebendo-os como a filhos Seus.

Deuteronômio 16:18-22 termina o capítulo ordenando ao povo que fossem instituídos juízes que julgassem as causas dos povo com justiça e imparcialidade, porque Ele, o Senhor, é justo, é justo Juiz, incorruptível, e quer que os Seus sejam a Ele semelhantes, para que com os tais possa habitar, pois onde Ele reina não habita a injustiça.

Deuteronômio 17:1-13 – assim como a injustiça não poderia habitar com Ele, tampouco deveriam os Seus adoradores compartilhar o lugar de Sua adoração, o Seu Templo, bem como a terra que Ele escolheu para Seu povo assentar-se, com outros deuses.   Isso seria uma terrível confusão, e uma ofensa grave.  Não se pode servir a Deus e a Mamom, bem como a qualquer outro deus.   A Sua glória não será compartilhada com outrem.   Seu é todo o poder, toda a glória, e a Ele seja toda a honra e louvor.   Somente Ele é digno de adoração, e nenhum outro.   Os deuses são uma mentira, porque, em síntese, na verdade não são deuses, mas pretensos deuses.   Servir a outros deuses é tomar das bênçãos e dos dons que Deus nos dá para oferecê-los a quem não as merece:   o culto, a adoração, a servidão com alegria, a fé firme e constante, a dedicação e sobretudo o amor.   Seria como coroar um impostor enganoso e mau no trono da majestade – não fica bem, e com o passar do tempo, todos verão no final que isso é terrivelmente prejudicial para todos.   Toda glória, majestade, domínio, honra, e  poder sejam, pois ao Único que é digno merecedor de reinar sobre este mundo:  o verdadeiro Deus Vivo, o  nosso Senhor Jesus Cristo.

Deuteronômio 17:14-20 – A necessidade de haver uma liderança sempre presente junto ao povo levaria os israelitas a almejar serem, um dia, governados por um rei.

Na verdade, o único Rei que satisfará plenamente ao Senhor Deus é Jesus, que veio para arrebanhar os Seus, para prepará-los para a Sua segunda vinda a esta mundo, numa manifestação de muita glória e poder, que deixará a muitos abismados e boquiabertos.   Nele não há e nem haverá injustiça alguma, e Ele representa fielmente a imagem dAquele que reina em Seu amplo domínio celeste.   Os infiéis e os ímpios serão  desarraigados, e o Seu Reino durará para todo o sempre.

Antes, porém, da instauração de Seu Reino nesta Terra, Ele quer reinar nos corações dos homens, fazendo-os voluntariamente servi-Lo com muita alegria e amor.   E somente Ele.   Ele é o Profeta, o Grande Sacerdote, e o legítimo Rei desta Terra.

Enquanto Ele não volta a este mundo, contudo, o Seu povo não deveria escolher um rei preposto segundo os corações dos homens, e sim, deixar essa escolha nas mãos de Deus.   Os israelitas não respeitaram a este princípio, e mais tarde elegeram a Saul como seu rei, desprezando assim as recomendações feitas pelo velho profeta Moisés neste trecho.   Por este motivo foi preciso que Davi tivesse de passar por sérias dificuldades e lutas, até chegar a subir ao trono, o qual lhe fora emprestado temporariamente pelo Senhor dos Exércitos – pois só o Senhor é Rei, por direito legítimo, desde o princípio.

Os reis prepostos (assim chamaremos os que subiram ao trono desde Saul, até os descendentes de Davi, conforme narrado nos livros de I e II Samuel; I e II Reis; e I e II Crônicas) deveriam ser preparados por Deus para saberem como melhor liderar o povo:  não deveriam voltar ao Egito, nem para comprar cavalos, pois a força do Senhor é que os defende; não deveriam ter muitas mulheres, pois que os prazeres da carne não deveriam assumir um lugar importante ao ponto de corromper seus corações; e não deveriam acumular muitas riquezas para não depositar nelas a sua vida e nem a sua confiança (vv. 16,17).

Salomão, infelizmente, apesar de ter sido colocado por Deus no trono de Israel, pecou em todos esses itens, e ainda culminou em cair na idolatria, deixando um péssimo exemplo para a sua posteridade, e esta foi a causa da divisão do reino em duas partes, Norte e Sul, após sua morte.

Uma coisa, porém, os reis prepostos fizeram bem, fazendo-nos vir a nós, até hoje, o traslado da Lei de Moisés, que, noutras palavras, é o que temos no livro de Deuteronômio. (vv. 18-19).

Tenhamos, pois, Jesus como o grande Rei que governa nossos corações, fazendo a Sua plena vontade prevalecer sobre as nossas, e desta maneira atraindo a nós a Sua breve vinda, para ser também o nosso bom Rei que há de assentar-Se visivelmente sobre o Seu Trono nesta Terra, ocasião em que hemos de depositar a Seus pés todas as coroas a nós confiadas, as quais Ele há de apresentá-las todas em submissão ao Pai da Glória.

 

 

 


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