DEUTERONÔMIO – XXI – SEMEANDO PARA COLHER

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Diciembre 31, 2014 by Bortolato

DEUTERONÔMIO – XXI – SEMEANDO PARA COLHER

Gostaria de ouvir a voz de Deus falando-lhe coisas pessoais, de sua vida? Ele é um amigo que deseja nos falar, mas não é um amigo comum, como os deste mundo. O que quer que seja que Ele deseje nos falar, será para nosso aperfeiçoamento, o que redundará em bênçãos, será de bom proveito, quer achemos suaves ou pesadas as Suas palavras.   Temos que considerar que um bom amigo não é aquele que só concorda com  tudo o que fazemos ou falamos, mas aquele que tem a liberdade de, ao conviver conosco, quando for o caso, discordar, discutir conosco, e procurar fazer-nos ponderar e repensar sobre certos assuntos.

Ouvir a voz de Deus é um grande privilégio!   Muitos há que gostariam de ouvi-Lo proferir apenas uma única palavra, pois basta apenas uma, e nossas vidas serão abençoadas e restauradas.    Problemas enormes são resolvidos.  Pecados são perdoados, o Seu Espírito vem com a Sua palavra, acrescentando alegrias ao nosso espírito.   Lágrimas de gozo são derramadas.   Os corações são reconfortados, por se sentirem transformados – as amarguras se desfazem, deixando um gosto doce de “quero mais”.   Uma onda de alto prazer espiritual nos envolve, nervos e músculos relaxam, em resposta à paz que permeia nosso ambiente.   Não queremos que esse momento passe, pois é suave à alma, é delicioso… mas os minutos continuam correndo, como que nos apressando para o próximo ato do drama que se diluiu, e deixou o sentimento de sermos pertencentes a Deus, e herdeiros das bênçãos do céu, com mais uma sensível segurança que se aprofundou em nosso ser interior.    Como desejaríamos que esses momentos se perpetuassem… mas a vida continua, e temos que resolver problemas do nosso dia a dia – com a diferença de que agora, com os nossos corações fortalecidos, não há mais tristezas, e nem sentimentos de perdas.   É a força do Senhor, o Seu dynamis dentro de nós!

Assim opera a voz do Senhor!  Todos que assim a ouvissem, desejariam viver nesse estado a vida toda.   Que voz aprazível!   Diriam alguns que tem gosto de pudim, para a alma.  Maravilha das maravilhas!

Há, porém, muitos detalhes que nos chamam a atenção: ouvi-Lo também implica em responsabilidades.   Somente ouvi-Lo não é o suficiente.  É preciso também cumprirmos o que Deus diz para fazermos.

O Senhor já havia dito muitas palavras a Moisés, endereçadas ao Seu povo.   Poder-se-ia dizer que o compêndio da Lei já estava dado.

Naquele momento ali, Moisés sentiu que o povo que estava presente junto a ele, estava pronto para ouvi-lo – mas por quanto tempo teriam essa boa disposição?   Eles não se enfadarão de ouvir tanto?   Não preferirão, depois, dar um tempo para aquelas palavras poderem assentar em seus corações, serem melhor assimiladas, e nesse tempo não acabarão por esquecer-se delas?

Para recomeçar a falar-lhes, o velho profeta teve uma brilhante ideia, ou melhor, duas:

  1. A fim de que o povo mais próximo dele não se cansasse de ouvir sua voz senil, talvez em tom que lhes chegava monótono aos seus ouvidos, ele reuniu anciãos para falarem ao povo em alta voz, e em eloquentes palavras, com dramática ênfase, com energia, as quais certamente que seriam mais capazes de prender a atenção daquele público.
  2. Moisés lembrou-se de que no Egito haviam sido levantados alguns obeliscos e muros de pedra, nos quais estavam escritos os triunfos e feitos do Faraó, mas também ali se viam gravadas as leis que regiam aquele reino.   Em algumas vezes, criminosos eram presos, e estes alegavam ignorância da lei que transgrediram.   O que se fazia com estes?   Eram arrastados, levados à força e aos trancos até diante daquelas pedras, e mostravam-lhes aos seus olhos onde estava o dispositivo legal que burlaram.

Por isto é que lemos em Deuteronômio 27:2,3 uma ordem nova, que o profeta lhes estava dando:

“No dia em que passares o Jordão à terra que te der o Senhor teu Deus, levantar-te-ás pedras grandes e as caiarás…”

Naquelas pedras pintadas a cal, seriam gravadas as palavras dessa Lei, aproveitando-se o fundo branco para dar maior destaque às letras.   Essas pedras teriam que ser levantadas no monte Ebal, juntamente com o altar de pedras não lavradas.

Este monte Ebal estava ao norte do monte Gerizim (27:12, 13).  Naquele vale foi edificada a cidade de Siquém.   O monte  Ebal era uma montanha árida e pedregosa, fato que o fazia um cenário perfeito para que ali se proferissem as maldições.   Já o monte Gerizim tinha uma aparência toda colorida de verde pela vegetação que o cobria – o que, talvez, tenha sido a razão de ser escolhido para nele serem profetizadas as bênçãos.

Foi ali, naquele vale, que o Senhor aparecera pela primeira vez a Abrão, prometendo-lhe aquela terra à sua descendência (Gênesis 12:6, 7)   Ali Abrão levantou um altar ao Senhor.  Anos mais tarde, Jacó veio a armar naquele vale suas tendas, e ali habitar, onde também levantou um altar ao Senhor, e chamou-o de “El Elohe Israel” (hebr.= Deus, o Deus de Israel, ou: O Poderoso Deus de Israel).   Existe, até os dias de hoje, um enorme altar de pedras brutas unidas com reboco, construído no monte Ebal, coisa que o tempo e nem guerras o lograram destruir.

Tudo indica que Deus se agradou daquele lugar entre aquelas duas montanhas, para que ordenasse que suas bênçãos e maldições fossem ali proclamadas, além de serem aqueles montes próximos um do outro, ao ponto de fazerem um papel acústico apropriado para levar em bom som os brados dos levitas e do povo.

Pareceu até um tanto irônico da parte do Senhor que tais bênçãos fossem contrastadas com as maldições, porque foi ali em Siquém que o altar de Jacó tinha sido erigido, e ali também os filhos de Jacó mataram aos habitantes daquela cidade, razão pela qual tiveram que mudar-se para Betel.

Aquele vale e aquele local tornaram-se, depois, com aquelas pedras repletas das palavras da Lei, um lugar marcante, pois por onde os viajantes passavam, estes teriam aquele estímulo, grande e visível aos olhos de todos, para lembrar-se da autoridade do Senhor, o legítimo autor daquele legado, e quem ordenou que se gravassem aquelas palavras.

Logo, ao ali tomarem posse os israelitas, Josué fez com que aquelas palavras fossem faladas em alta voz pelos levitas.   No monte Ebal, suas vozes eram respondidas em jogral pelos das tribos de Ruben, Gade, Aser, Zebulom e Naftali.  (27:11-14) Estes respondiam: – “Amém!” (palavra hoje universal, mas que foi derivada de uma raiz hebraica, que significa: “seja confirmado e sustentado”, no sentido de aceitar-se, concordar-se, e torná-las como um selo, desejando que “assim seja”).

E quais foram as maldições que se destacaram para serem lembradas ali, e em qualquer lugar, para sempre?   Vejamos.   Em todas elas podemos notar que já haviam sido advertidas aos israelitas, a fim de que jamais fizessem tais coisas, estigmatizadas como malditas:

  1. A idolatria era a causa da primeira maldição, transgressão ao primeiro mandamento (conf. Êxodo 20:1-6; Deuteronômio 6:5). Vale aqui frisar que quando alguém deixa de olhar e adorar ao Senhor, sempre coloca um ídolo no lugar, no altar do seu coração.   Isto é fatal, portanto a ordem é verificar sempre: a quem estamos venerando? O Senhor não dá a Sua glória a outrem, e somente a Ele pertence o Trono digno de toda adoração.
  2. A segunda maldição relembra o quinto mandamento, o qual ordenara para honrar-se a pais e mães (Êxodo 20:12; Deuteronômio 27:16). Honrando a nossos progenitores, estaremos tacitamente honrando a estrutura de família que Deus instituiu sobre esta Terra.
  3. A terceira maldição (27:17) se prendia à fraude que lesava ao próximo e se apoderava da propriedade deste indevida e injustamente; só o alterar marcos de uma terra, ainda que fosse de pequena monta a tomada da porção, já constitui em ofensa ao oitavo mandamento: “não furtarás”, e ao décimo: “não cobiçarás… coisa alguma que pertença ao teu próximo”, conforme Êxodo 20:15, 17.
  4. A quarta e quinta maldição (27:18,19) são apenas espécies do gênero que em Levítico 19:18, que ordena: “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”.   Preocupar-se especificamente com cegos, bem como com quaisquer outros deficientes físicos é, pois, uma preocupação de Deus (Levítico 19:14), pois estes também são nosso próximo.

Outros que são os órfãos, viúvas e estrangeiros, por consequência, também são alvos da misericórdia divina, que nos manda tratá-los com compaixão.   Esta maldição foi proferida devido á forma como se torna fácil esquecer-se destes, no momento propício a ter de tratar com os mesmos.  “Misericórdia quero, e não sacrifícios” (Oséias 6:6).

  1. Da sexta até a nona maldição, vemos tratar-se dos pecados tangentes à vida sexual do fiel. Há que se ter um coração puro, que respeita à vontade de Deus antes e acima dos desejos oriundos da carne.   Além disso, o negar-se a si mesmo, também aqui, implica em respeitar a integridade física, moral e espiritual do(a) próximo(a).   Incestos, bestialidades e coisas desse tipo são apenas alguns dos casos mais graves, que indicam algumas das classes de comportamento reprovadas por Deus.   Os servos de Deus têm que se manter dentro dos padrões de autocontrole.   As nações cananitas praticaram em alta escala tais pecados e o povo de Deus tem que ser diferente daquelas.
  2. A décima e décima primeira maldição são derivadas do sexto mandamento – “Não matarás” – Êxodo 20:13, esclarecendo apenas duas situações específicas: aquele que matasse ao seu próximo em oculto certamente que teria de haver-se com a justiça divina, que é infalível; e aquele que planejar e ordenar a morte de outrem é tão culpado quanto aquele que vier a executá-la, e sobre si pesa essa maldição .   É muito maravilhosamente certo que a justiça divina, que às vezes parece tardar, nunca falha, e o culpado oculto não Lhe é dado como inocente.

SOBRE MALDIÇÕES:

Uma palavra sobre as maldições.   As que foram elencadas neste capítulo 27 de Deuteronômio são as maldições que Deus lançou, que foram proferidas pela boca dos levitas, mas no fundo sabe-se serem maldições de Deus.   Todas estas têm o seu peso, e os pecadores que tropeçam nesses itens são amaldiçoados pela própria Lei de Deus, e isto é coisa terrível.

Há também maldições proferidas por pessoas humanas, e também aquelas proferidas por Satanás e seus anjos.

Ambas estas últimas têm consequências funestas, desastrosas mesmo, sobre os amaldiçoados, a menos que estes não tenham incorrido nos erros que porventura a teriam provocado, dando-lhes uma causa.   Por exemplo, se alguém é amaldiçoado pela família de um morto, supondo esta que aquele tivesse sido o causador do assassinato, ou da sua morte.  Em caso de haver engano nestas suposições, a maldição é sem causa – esta não produzirá nenhum efeito sobre o acusado.

Para a felicidade dos pecadores remissos, Jesus Se fez maldição no nosso lugar, a fim de que não venhamos a perecer, devido aos nossos pecados (Deut. 21:22, 23).   Jesus então quebra o poder das maldições, e quem for por Ele assim beneficiado, não sofrerá condenação, mas já passou da morte para a vida (João 10:28). Deus o Pai se alegra com este e remove-lhe as maldições que lemos em Deuteronômio 27 e 28.

As pessoas humanas e espíritos demoníacos que nos amaldiçoarem também esbarrarão no madeiro da cruz, e terão de ver suas maldições sendo frustradas.

Louvado seja Deus!  A Lei veio para que avultasse a ofensa, mas onde abundou a maldição do pecado, superabundou a graça de Jesus (Romanos 5:20).   Que os nossos corações sejam achados dignos de serem receptáculos dessa maravilhosa graça!    Com os nossos corações transformados pela misericórdia divina, não temos nenhuma necessidade de temermos o fruto das maldições que afetaram as nossas almas!   Deus, que estava em Cristo, transformou nossas maldições em bênçãos eternas.   Toda gratidão e glórias, exaltação seja a Jesus, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, (e, com isso, também toda maldição!) e nos faz bem-aventurados para sempre!    Não haverá mais escravidão do pecado, e nem maldição alguma no Reino do amor de Deus!   E faça-se a Sua santa e bendita vontade na terra, como ela é feita no céu!


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