DEUTERONÔMIO – XXVII – AS MARCAS DE DEUS SOBRE UM HOMEM

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febrero 10, 2015 by Bortolato

Silhueta ao ocaso
Silhueta ao ocaso

Silhueta ao ocaso

Qual seria a marca que gostaríamos de deixar para os nossos entes queridos, quando partíssemos desta Terra?   De alguns se disse:   – “Era um bom homem!”    Ou: “Esta foi uma grande mulher!”  Ou ainda:  “Pessoa honrada”, e palavras semelhantes, em muitos dos casos.

De outros, porém, não se falaram palavras tão boas.  Tudo porque nós sempre representamos alguma coisa para as pessoas que nos conheceram , seja boa ou má a nossa imagem que lhes comunicamos.   Mencionamos o caso da rainha Atalia, acerca da qual se disse que “todo o povo se alegrou, e a cidade ficou em paz depois que mataram  Atalia à espada,  junto ao palácio real”  (II Reis 11:20 – Versão Almeida Século 21).

No caso de Moisés é claro que este nos deixou uma nota excelentíssima, com apenas uma pequena ressalva, dada pelo próprio Deus, ao referir-se àquele episódio ocorrido em Cades (Números 20:10) em que o servo do Senhor, em vez de apenas FALAR à rocha, feriu-a despejando sua ira, glorificando-se a si mesmo e a Aarão, e não ao Senhor, proferindo estas rudes palavras:

“Ouvi, agora, rebeldes, porventura faremos sair água desta rocha para vós outros? “

Naquele momento, Moisés não obedeceu totalmente a Deus e tampouco foi imbuído  daquele espírito de mansidão e submissão que estavam muito bem formados dentro de seu ser com muito carinho e amor divinos para com ele.   Assim, ele ultrapassou ao mando de Deus, tomou a dianteira na decisão, e promoveu um pequeno discurso inflamado de sentimentos negativos, de mágoas, cheio de amargura diante de todo o seu povo.    O Senhor viu isso, e o reprovou.

Andar com Deus implica em segui-Lo passo a passo.   Não devemos nos atrasar, seguindo-O de longe, vendo-O ir adiante, e contentando-nos em ficar para trás.   Por outro lado, não é de bom alvitre querermos nos adiantar, como o fez Moisés em Cades, falando e fazendo aquilo que Deu não o autorizou a falar e fazer.

Quando acontece de um profeta falar ou fazer algo que Deus não o autorizou, há um impasse.   O profeta pode ser desqualificado.   Deus honra a Sua palavra, mas não necessariamente honra à dos homens.   E se um profeta se adianta para dizer coisas que não saíram da boca de Deus, este poderá ser classificado e lançado para dentro do patamar de falso profeta.   Não foi o caso de Moisés, que sempre falava a palavra que Deus lhe dizia, apenas incorrendo em um erro em que a ingerência de sua própria mente lhe induziu, enganando-o, colocando à frente do povo certos sentimentos humanos desaprovados pelo crivo do Onisciente – mas foi um erro que precisaria ter sido corrigido, a fim de que a fonte de águas doces não se tornassem amargas, não se poluíssem de vez, e não se azedasse o vinho novo.

Pode parecer para alguns que Yaweh se tenha endurecido muito por um pequeno escorregão do profeta, não lhe permitindo ingressar na Terra da Promessa, a qual tanto encheu de esperanças os corações, contudo…  Deus é fiel, é Deus e almeja que todo Seu povo também Lhe seja fiel.   Sua generosidade é inconteste, e anseia que os Seus sejam Seus imitadores.   Ele quer que os Seus representantes, no caso Moisés,  sejam um espelho de Si.  Se algum desses espelhos falhar, o povo irá segui-lo em seu erro   , criando uma cultura indesejável.

Um pequeno gesto, uma pequena atitude em falso, pode parecer-nos pouca coisa, mas aos olhos dEle, que é perfeito em tudo, é uma mancha escura de sujeira, que se destaca contrastando com um pano de fundo branco.   Basta apenas UM pecado para tornar o homem culpado.

É claro que Deus é misericordioso, e pode perdoar uma Ele não nos ajudar em nossas fraquezas humanas.

O pecado, no entanto, não deixa de ser pecado, algo extremamente detestável aos profundamente perscrutadores olhos divinos – e quem se sobressai à frente do povo de Deus também deixa sobressair à mostra de todos, quando chega a pecar.

Moisés era um homem mui manso, mas em Cades a sua carne se ergueu mais do que a sua mansidão.   O Senhor o perdoou, mas aquela mancha lhe trouxe uma consequência à frente de seu caminho:  como ele se adiantou, fazendo o que o Senhor não lhe ordenara, e, diga-se de passagem, também o reprovara, o velho profeta também não se adiantaria, na sua trajetória de vida, para dentro da possessão da Terra Prometida – pelo menos na sua vida em carne.  Em espírito, ele viria ali, com o Senhor, a um alto monte, o monte da Transfiguração, diante de Jesus e três discípulos, para conversar com Aquele com quem conversara muitas vezes no deserto, cujo brilho de glória ali notório fez resplandecer também o seu rosto no passado, o próprio rosto de Moisés.

Apesar dessa restrição em sua vida, ele ainda pôde subir ao monte Nebo, e ver, tendo uma visão global daquela maravilhosa Terra, Canaã.

Ele subiu ao monte, viu a terra, e depois desceu a um vale, onde faleceu,e o seu corpo foi enterrado em local desconhecido de todos seus irmãos israelitas, pelas mãos do anjo Miguel e pelo Senhor.

No mais, Sua vida foi muito exemplar, diante de Deus e dos homens, não pelas suas obras, que chegaram até a assassinar um egípcio, mas pela maneira muito humilde, amoldado como um barro nas mãos do oleiro, depois de quebrado, amassado vigorosamente, e refeito um vaso novo, segundo a vontade do Grande e poderoso Oleiro.

Seu período no deserto de Midiã foram quarenta anos de quebra de seu ego.  Depois disso,vieram os seus quarenta anos de um deserto terrível e implacável, que moldou seu caráter, cada vez mais próximo do Todo-Poderoso El Shadday.

Aprendeu que com Yaweh tudo é possível, e a libertação do povo hebreu foi apenas um detalhe – mas para isso foram necessários muitas horas, dias, meses e anos de conversa íntima com Deus, para que fosse viabilizado o desprendimento do Seu poder a cada momento – e todo o povo o viu e foi diretamente beneficiado com seu ministério abençoadíssimo.

As palavras de Moisés, que repassaram ao povo a voz do Senhor não há como se contestar.  Foram escritas por iniciativa do profeta, que provavelmente fez uso da pena de um terceiro, um escrivão.   O próprio relato da morte dele o foi, com toda certeza, viabilizado pela mão de alguém que, com sua pena, teve acesso aos escritos originais, e pôde inserir o final da história desse homem – um homem que foi marcado pela presença de Deus em sua vida, como não sabemos de nenhum outro, senão o próprio Senhor Jesus.


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