JOSUÉ – II – O TEMPO DE DEUS CHEGOU

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febrero 26, 2015 by Bortolato

Ninguém poderá contestar aquilo que Deus faz.   Os Seus tempos chegam somente quando Ele os determina e os libera.   Quem mais conhecerá o futuro?   Podemos, sim, com a nossa mera e limitada capacidade de pensarmos, chegarmos a analisar as questões, e julgá-las, mas nossa visão de futuro é apenas circunscrita dentro das possibilidades ou probabilidades, podendo estas falharem a qualquer momento, mediante os múltiplos tipos de imprevistos que chegam sem aviso, como o soprar de um vento.   As variáveis são infinitas, de forma a termos que lidar com fatores desconhecidos e incertos.   Isso não nos impede termos expectativas da vida.  Se o tempo de Deus ainda não nos chegou, resta-nos esperar pacientemente, preparando-nos para a chegada do nosso tempo de cantar.

Deus usou a Moisés como profeta, legislador e administrador geral de seu povo, mas não lhe permitiu entrar na terra tão suspirada pelos hebreus.   O tempo de Moisés neste ministério então era passado.   Foi muito bom, foi excelente a sua performance, mas terminou.  Seu tempo na Terra acabou, pelo menos por alguns séculos.

Agora Deus tinha um outro nome, de um outro homem, para trabalhar por Seus propósitos nesta Terra.   O nome era Josué.   O Senhor começou, então, imediatamente, a falar com esse outro homem, permitindo-Se-lhe interagir, como intermediário, líder interlocutor, durante o novo processo pelo qual o povo de Israel teria que passar.    O dom profético teria o mesmo timbre de voz a ser ouvida, mas o novo profeta a ser usado teria outras características pessoais, que o Supremo faria ir ao encontro das necessidades do povo, nessa nova fase.

Analisando-se o caso sob a ótica da eternidade, vemos que não importam tanto os nomes dos homens nesta Terra, pois todos passam, todos se irão embora um dia, e, quando muito, deixam apenas os seus rastros, ou, na melhor das hipóteses, um legado para a posteridade.   Através da vida tão efêmera desses profetas de Deus, os planos divinos vão-se cumprindo na vida das pessoas, ao nível das comunidades, sendo usados uns após outros; quando uns se ausentam, outros se levantam, e lacunas vão sendo preenchidas.   Tudo a seu próprio tempo (Eclesiastes 3:1-10).   Assim, passou-se o tempo de Moisés, e iniciou-se o de Josué.

Tendo então Moisés já passado, considera-se terminada uma etapa da vida dos hebreus: a das peregrinações pelo deserto.    Assim também todos os servos de Deus têm esses mesmos períodos em suas vidas: (1º)  a fase do Egito, (2º) a do deserto, (3º) e a de Canaã.

Passou-se a escravidão, o sofrimento desmedido nas mãos dos feitores.   Assim também passamos pela etapa em que vivemos escravos do pecado e de sua consequente dura servidão.   É o tempo em que sentimos que correntes espirituais nos obrigam a permanecer na prática das coisas que não agradam, distanciam-nos e nada têm a ver com Deus.   O sofrer das consequências é às vezes contínuo, às vezes sazonal, de maior ou menor intensidade, mas no decorrer do tempo sempre aparecendo, não se deixando ficar ausente por muito tempo, sem deixar suas marcas indeléveis.

Passou-se também o período seguinte, que foi o de deserto, tempo em que os fiéis tiveram de aprender lições difíceis de fé, submissão a Deus, reeducação espiritual e dependência total de seu Libertador e confiança no futuro, apesar das circunstâncias desafiadoramente impossíveis para os homens.   Os que superam essa fase, e são aprovados, estarão prontos para usufruir das mais ricas bênçãos do Senhor neste mundo e no porvir.

Como chegou a hora de passarem pelo rio Jordão, o Senhor elegeu a Josué para os liderar e começa falando com este elemento homem, exortando-o a alguns pontos importantes, como listamos abaixo:

  1. Ser forte e corajoso.   O Senhor é a fonte de toda a força e nos encoraja a irmos em frente, em rumo às batalhas.
  2. Ser diligente na observância à Palavra de Deus.   Assim como a Lei foi escrita e dada ao povo de Israel, a Palavra do Senhor tem que ser lida e relida várias vezes, da mesma forma que temos de consultar e estudar o extenso mapa da nossa mina de ouro.
  3. Para tanto, o livro sagrado jamais deverá ser apartado de nossas bocas,e das nossas meditações em todo o tempo, dia e noite.
  4. Não se deixar desencorajar.   Este é um inimigo sutil, mas dos mais eficientes para abater os crentes fieis.   É preciso ficar alerta, pois quando o desânimo começar, vier a propor-se, ou mesmo esboçar sua operação em nossas mentes, será preciso reagir com presteza e dureza.   É rechaçá-lo, e ficar firme, dentro dos propósitos de Deus.
  5. Não se deixar atemorizar, e muito menos apavorar-se.   Quem é chamado para lutar, não deve olhar para o tamanho dos inimigos, pois temê-los é aceitar a derrota antes da iniciada a batalha. Jesus nos disse para, quando encetarmos o propósito de começar uma guerra, calcularmos com cuidado, para sabermos se de fato poderemos vencê-la – e em caso contrário, nem começá-la.   No caso de Josué, como no caso de todos os servos fieis a Deus, contamos com a milícia celestial, e portanto, não temos o que temer.   Maior é Aquele que conosco está, do que os que estão com o nosso inimigo.

Esta é a receita para a vida vitoriosa do fiel a Deus.

O livro de Josué, portanto, é sumamente encorajador.   Torna-se também fortalecedor das nossas esperanças, até ao ponto de nos excitar para nos levantarmos e corrermos ao lado do Senhor, com os corações cheios da certeza das vitórias.   É assim que todo fiel deve viver.  Teremos gigantes à nossa frente, querendo impressionar-nos, insinuando que sua estatura é fator decisivo para estes vencerem a batalha, o que eles já o têm demonstrado no passado.   Agora, porém, é diferente.   Ninguém é maior do que Yaweh.   O Senhor é o maior referencial nessas guerras.   Ele é o paradigma, o padrão incomparável da medida, a Quem devemos olhar acima de todas as coisas.   Fixando-se os olhos no Deus Altíssimo, todos os homens se tornam inferiores ao tamanho das formigas.   Nossos inimigos serão reduzidos a nada, com o Senhor do nosso lado.

O Senhor ordena: -“ Marchai!  Lutai!  Corram empunhando suas armas, revestidos da santa armadura, corram na força do Senhor!   Nem se mencionem o medo, dores, preocupações, incapacidades, inabilidades, falta de defesa, ou quaisquer outros handicaps.  Esqueçam as desculpas!  Corram como heróis em busca da sua glória!   O Senhor é Varão de Guerra, e Ele está correndo à frente!   Corram para acompanhá-lo de perto!   A nossa recompensa está bem próxima, e logo a veremos despontar-se à nossa frente!”

Como que acendendo uma lâmpada que vai brilhando gradativamente cada vez mais, começando com o tênue brilhar dos prelúdios da vitória, os soldados israelitas receberam a ordem de levantar acampamento para partirem.  Tudo indicava que estava chegando o momento do grande lance do jogo decisivo, do derby.   A sua primeira etapa seria então prepararem-se para passar o rio Jordão.    Este rio  é o símbolo do portal da glória, e o portão de entrada para a Terra Prometida.  Para os céticos, esse rio não passa de apenas um obstáculo a ser transposto, mas…  Para quem tem os olhos cheios da fé que borbulha desde um coração pleno do Espírito Santo, o rio Jordão é uma porta aberta, um delicioso convite para a entrada e tomada de posse da terra onde mana leite e mel.   E essa porta estava se escancarando aos olhos do povo de Deus – e a mão de Deus lhes estava apontando e empurrando-os para lá.

Esta foi a ordem dada ao povo:  – Levantem-se,  e carreguem todos a sua bagagem, os apetrechos requeridos para uma boa campanha militar!   Passado o Jordão, estariam entrando em território até então pertencente ao inimigo, mas à medida que seus pés vão pisando e penetrando na terra, esta passaria a ser a nova casa dos fiéis, e reconhecidamente a Terra de Deus – não mais a terra de Astarote, Baal, Aserá, terra de idolatrias, de injustiças, de impiedade, de crimes, de infanticídios, não mais a cidadela de Satanás!   Já estava decretado!

Vale aqui também notar que as promessas de Deus muitas vezes parecem demorar-se muito para se tornarem realidade.   Convém compreendermos que o tempo de Deus é diferente do nosso tempo.  Ele é Eterno, e diante de Seus olhos, o tempo torna-se um anacronismo.   Para Ele, mil anos são como um dia, e um dia como mil anos.   Os israelitas tiveram de passar quatrocentos anos de escravidão no Egito, antes de poderem tomar posse da terra que Deus lhes prometera.   Aliás, o Senhor Deus prometera aquela terra, primeiramente a Abraão em cerca de 1.920 A.C. (Gênesis 12:1), em c. 1913 AC. (Gen. 15:17-21 e 17:8) e depois também a Isaque em cerca de 1.804 AC. (Gênesis 26:1-5), a Jacó em c. 1.760 AC. (Gênesis 28:10-15), a Moisés em c. 1.454 AC. (Êxodo 6:2-4), e a Josué em cerca de 1.404 AC. (Josué 1:3).   Apesar de, para nós, isso parecer uma mui longa jornada de espera, na verdade Ele cumpre as Suas promessas no tempo certo – não tarda e não Se adianta.   As razões que motivaram Deus a deixar gerações passarem-se são muitas, mas a tônica que mais se acentuou foi não se ter enchido ainda a medida da iniquidade dos povos amorreus (Gênesis 15:16), e trinta e oito anos por conta da falta de fé nos corações dos espias de Israel (Números 14).

A nós, que hoje já podemos desfrutar dessas revelações, fica o ensino da paciência.  É com paciência que devemos levar os nossos dias de fé, esperando pela manifestação de um futuro abençoador.   As promessas de Deus não falham.  Pode parecer-nos que demoram, mas no tempo certo, no tempo de Deus, esta se cumprirão.   Podemos ter pressa, mas isso não adiantará muito.  Que a nossa disposição para lutar pela nossa terra prometida se acumule, isso será bom no tempo exato, a fim de que tenhamos um só espírito, concorde com Seus propósitos.  Ele faz o tempo passar para nós de tal forma que nos resta fazermos com fé a oração de Moisés no Salmo 90:12, enquanto o tempo passa:

“Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos corações sábios”


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