JOSUÉ – VIII –A VOLTA POR CIMA

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abril 7, 2015 by Bortolato

Este foi o tema de uma canção do compositor brasileiro Paulo Vanzolini, de 1962 .  Seu refrão é ainda mais enfático: “Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”.  Na execução interpretada pelo cantor Noite Ilustrada, ficou muito famosa.   Justamente no final daquele ano foi que pude receber meu diploma de Ginásio, pela então Escola “Brasílio Machado Neto”, em São Paulo.   Pudemos ouvir um discurso inflamado da professora Celma, que no ápice de sua fala, encerrou com uma nota, dizendo as mesmas palavras:  “Levanta, sacode a poeira, e dá a volta por cima”.    Suas palavras foram muito relevantes.   Advertia que no mundo poderíamos passar por vários problemas, mas que não nos deixássemos ficar prostrados, nem abatidos, nem abalados.    Isso vai de encontro com as palavras de Jesus:

“No mundo, tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”

Isso faz lembrar também um acontecimento que houve durante a copa do mundo de futebol, de 1954, na Suíça.    A equipe da Hungria despontou como a grande favorita, arrancando vitórias estrondosas, e até, por vezes, arrasando com os seus adversários.   Na fase de classificação dos grupos de países, venceu à Alemanha Ocidental pelo placar de 8 x 3.   Nessa mesma fase, humilhou a Coréia do Sul  com o escore de 9 x 0.   Já na fase das quartas de final, desclassificou o Brasil por 4 x 2, país que, na copa anterior, tinha sido o vice-campeão.   Nas semifinais, atropelou o Uruguai pelo mesmo placar.   Parecia um furacão que ia passando e derrubando tudo o que tinha pela frente.    Era uma grande equipe, mas como o mundo dá muitas voltas, aquela mesma Alemanha foi que a enfrentou na final daquela copa.  Quando todos estavam esperando um outro “show” de futebol aplicado sobre os germânicos, veio a surpreendente virada, e os alemães se sagraram os campeões.   Os alemães corrigiram suas falhas, conseguiram recuperar-se da primeira derrota, e deram a volta por cima.

É o espírito de combatividade, de tenacidade, e de esperança que precisa estar sempre movendo os jogadores.   Chegou-lhe a derrota vergonhosa?    Levante a cabeça, porque a vida continua.   Assim é em todos os setores da vida.   Se o nosso estandarte caiu, e o inimigo se ufana de haver vencido a primeira batalha, não nos esqueçamos que poderá haver uma segunda, terceira, ou quarta, muitas delas…  O nosso nome não está constando na lista dos falecidos que se publica nos jornais de grande circulação, então é porque ainda temos o fôlego de vida, continuamos vivos neste mundo, e a vida sempre é uma luta.   Viver sem lutas, além de ser uma monotonia, é também uma utopia, pois enquanto há vida, ainda há esperança.

O tempo que passou já é passado, e os momentos, horas, dias e anos que temos à frente nos trazem novas expectativas.

É bem verdade que temos que fazer retrospectos, aliás isso é muito oportuno.  Temos que analisar causas, corrigir erros, testar novas e velhas hipóteses, fortalecer pontos que antes eram frágeis e então, sentindo-nos mais preparados, voltarmos à carga.

Foi assim que Josué teve que “dar a volta por cima” de uma derrota que lhe veio como uma paulada em sua cabeça.    A cidade de Ai lhe infringiu uma situação que parecia  ter acendido uma centelha de esperança para todos os povos cananeus que torciam e rezavam por sua queda – e ao mesmo tempo, um balde de água fria sobre os ânimos dantes fervorosos dos hebreus.

Foram momentos de incerteza, insegurança quanto ao futuro, e vacilação.

Onde estaria a causa da tragédia?    Há muitas coisas nesta vida que acontecem, tendo como princípio, um problema espiritual.   Está no espírito das pessoas, e muitas delas não se apercebem disso.   Prosseguem vivendo, às vezes cambaleando como bêbadas, mas não se dando contas de qual é o real problema que estaria havendo, e nem aonde irão parar os acontecimentos.

No caso da derrocada de Ai, o ponto crítico surgiu antes daquele combate, quando Acã, filho de Carmi, tomou para si do anátema, do proibido aos homens, fato que certamente iria acarretar em uma contaminação geral que se espalharia pelo povo de Israel.   Acã cedeu à cobiça, tentou burlar a vigilância de todos os demais, mas não logrou esconder o que fez aos olhos Senhor…   E o Senhor Deus não gostou, antes abominou aquele atos escuso.

Isso gerou um problema espiritual.   A mão de Deus se recolheu,  Ele Se retirou do meio de Seu povo, o qual, sem perceber, ficou desamparado  no espírito, o que os fez sair para a guerra sem o seu Escudo principal, dAquele que  dantes os defendia.    O desastre foi notório.

Abalou-lhes os alicerces da falsa paz.   Eles temeram e tremeram.     O que teria havido, afinal?   E o que haveria de ser dali para a frente?   Então humilharam-se diante de Deus.

O Senhor apontou para a brecha, e todos ficaram sabendo qual foi o problema.  Para irem adiante, teriam que corrigir aquilo que foi a causa daquela tremenda decepção.

Eliminada a causa, corrigida a falha e sepultada a questão, então volta-se à carga.   A que foi que eles chegaram até ali?   Para dar continuidade às conquistas de Canaã.   Foi para isso que se propuseram a realizar.    Não foi para desanimarem e nem retrocederem.  O sonho, pois, ainda estava de pé.

Quantas e quantas vezes não teremos de olhar para trás, a fim de analisarmos questões, diagosticar causas, encetar  um plano mais aperfeiçoado e voltarmos àquilo que iniciamos, para darmos continuidade.

É isso que tem faltado, em demasia, a muitas pessoas.   Querem prosseguir, mas sem corrigir defeitos.   Não vão lograr êxito, se assim o fizerem.

Temos de considerar que o errar parece estar enraizado no espírito humano, pois que todos erramos em algo – mas o segredo do negócio é reconhecer os erros, e fazer todo o possível para não mais cometê-los.      Errando aprendemos, mas se de fato o aprendemos, não é para continuar voltando aos mesmos erros.

Josué, depois de eliminar a causa daquele fracasso de Ai, elaborou um outro plano de ataque, ou melhor, ouviu de Deus qual a estratégia que deveria ser usada para vencerem aquela etapa que já lhe estava entalada na garganta.  Quando Deus fala, não há mais o que discutir – é agir em consonância com Seus planos.

Josué armou uma emboscada – fingindo ao início do combate que estava com medo dos inimigos, pôs-se em retirada para fazê-los cair numa situação de cerco pela frente e por detrás.  Uma das vantagens que se tem quando reiniciamos um antigo projeto é a experiência, além da falsa impressão que os inimigos têm de que estariam se defrontando com o mesmo tipo de gente naquela tentativa de revanche.   Eram o mesmo povo, e as mesmas pessoas, mas os seus espíritos era outro.    Não carregavam mais aquela brecha por onde  tinham deixado Deus escapar-lhes de sua companhia.   Não eram mais os mesmos homens que apresentavam aquele “rombo” em seus espíritos, e desacompanhados da Presença do Excelso.

Dentro de uma nova tática de guerra, atraíram o inimigo para fora de sua cidade, e aproveitaram que, enquanto a fortaleza inimiga estava desguarnecida, uma outra frente israelita a tomou e lhe pôs fogo.    Cercados pela frente e por detrás, notando a fumaça que subia do meio de suas casas, os inimigos não tiveram saída, e viram que o mal já lhes estava determinado – isso já lhes fez perderem o moral, perderem a força, e que não tiveram mais chances.    Foram completamente vencidos, e não puderam escapar, nem um só deles.

A vitória veio, apesar do entrave e da vergonha da retirada na primeira batalha.   Nada como um dia depois do outro!    Essas viradas dramáticas valorizam muito mais a vitória final.   Começaram perdendo, não estavam bem, mas corrigiram a falha espiritual, removeram a pedra da vergonha, e puderam crescer um pouco mais na escalada da fé no Deus de Abraão, de Moisés e de Josué.

Isso nos traz lições inesquecíveis, que jamais devemos negligenciar.

1º) Não devemos prosseguir a vida com problemas não resolvidos, principalmente em se tratando de problemas com Deus.   Pendências só nos levarão, mais tarde, ao arrependimento.   Não se deixe para amanhã o que se pode fazer hoje.

2º) Ao tentarmos começar a trilhar o caminho da solução, antes de tudo buscar a Deus para se saber qual a diagnose e qual o remédio a ser usado.

3º) Feito isto, então poderemos voltar à carga, dando os passos necessários para, com o Senhor ao nosso lado, irmos com sabedoria e com força, com firmeza, rumo ao nosso alvo.

4º) Sigamos a todas as orientações e dicas que o Senhor nos dá.    Seu plano e Seu apoio são garantia de vitória e de salvação.


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