JOSUÉ – XVI – INEGOCIÁVEL

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Junio 25, 2015 by Bortolato

Josué

“Esta é minha última palavra”, diria alguém quando quisesse exprimir sua vontade, fixando um ponto de alta relevância, finalizando um diálogo ou uma negociação.   Não voltaria atrás, e não modificaria em nada mais.   Sem mais delongas e emendas.  Sem outras alternativas.

O que V. diria aos seus parentes e amigos, se soubesse que seria a penúltima ou última vez em que teria esse contato com eles?   Para filhos, netos e pessoas de seu círculo mais íntimo, o que  teria a dizer?

Os  capítulos 23 e 24 do livro de Josué nos trazem uma situação, na qual o profeta se achava nos seus últimos dias.   Ele sabia que não duraria mais muito tempo a sua vida sobre esta Terra, e que precisaria transmitir coisas que não deveriam ser menosprezadas, e ele sentia que tinha que falar sobre este assunto.  O seu espírito se inquietou, ao meditar nisto.

Era uma hora estratégica para se repisar ideias, e deixar claramente marcado aquilo que jamais se deveria esquecer.   Jamais mudar, ou alterar, tanto por dentro como por fora.   Olvidar tais coisas seria um retrocesso fatal.   Os seu entes queridos e todo o povo que estava sob sua liderança teriam que ouvi-lo.

Algumas coisas precisavam ficar muito bem definidas.   Os homens de Israel gostaram de ser um povo intimamente ligado com Yaweh, ao ponto de dizer que O amariam sempre e sempre O serviriam?   Eram um grande povo, milhões de pessoas, e como cada uma falaria, senão somente por si mesmo?

Se V. estivesse nesta situação e não soubesse o que dizer, remetemos ao profeta Josué, que proferiu um último sermão ao povo de Israel.   Ele os havia comandado até ali.   Ele então os convocou, conclamando a todo o povo para virem a Siquém, e ali se reuniu com os anciãos, os líderes, os juízes e os oficiais – e eles se apresentaram no local, data e hora marcados.

O que disse Josué então?

Não lhes disse nada acerca de pequenas causas, nem sobre a repartição da sua herança.  Não falou acerca de riquezas desta Terra.  Aliás, os israelitas já estavam gozando dos frutos de Canaã, e estavam gostando disso.   Josué queria lhes falar de algo mais importante do que essas coisas.

Em seu penúltimo discurso, Josué já havia admoestado ao povo para que não fossem descuidados ou relaxados na tarefa de possuírem a terra (18:3), alguns anos antes.

Em Josué 23:1-5 o profeta inicia sua fala chamando a atenção dos cabeças do povo para fatos que vivenciaram juntos, um histórico óbvio, mas que, se não fosse valorizado e sempre lembrado, isto seria um erro muito grave.   Começou com aqueles fatos que lhes demonstraram que o Senhor Yaweh foi quem já lhes deu tudo quanto haviam de mister, e ele lhes desperta a atenção para que vejam o tamanho das terras conquistadas em Canaã.   Só isso já bastaria para fazê-los incentivados a completar a obra iniciada, pois ainda restavam alguns bolsões de resistência cananita em várias partes da terra.

Para nós, em nossos dias, Josué diria: – “Contem as bênçãos do Senhor, e não tenham receio quanto ao futuro!”

Em seu segundo discurso antes de sua morte, conforme narrado no capítulo 24, Josué mostra que o Senhor Yaweh lhes foi fiel desde a época de Abraão, quando aquela grande multidão de seus descendentes, seus ouvintes presentes em Siquém, nem sequer havia nascido.   Isto nos diz alguma coisa importante – se estamos vivos, e chegamos até aqui onde chegamos, é porque tudo já havia sido preparado desde antes de nascermos.   Se pudéssemos saber de cada luta e de cada provação que nossos ancestrais passaram, a fim de que chegássemos até hoje onde estamos é porque o Senhor lhes foi fiel e misericordioso, e só o fato de sermos sua descendência já lhes foi uma vitória, uma bênção e um grato motivo de satisfação.

Mas como chegamos até aqui?   Estes capítulos de Josué nos mostram que as bênçãos dos pais sobre os filhos dependem das escolhas de fidelidade ou de infidelidade ao Senhor (24:8-10) que o povo de Deus assumiu em cada oportunidade que tiveram de fazê-lo.

Josué 23:11 nos traz o ensinamento chave para uma vida feliz:

“Portanto empenhai-vos em guardar a vossa alma para amardes ao Senhor vosso Deus.”

Isto coincide com o primeiro e grande mandamento que Jesus tomou de Deuteronômio 6:5: amar a Deus com todo o coração e alma e todo o empenho.

Na sua sinceridade muito cristalina, e direta, sem rodeios, Josué também diz qual o segredo para uma vida amaldiçoada(!!!):  quem quiser transtornar seus dias e tornar-se em um estigma  da infelicidade e do insucesso, para tanto, basta desviar-se do Senhor e adotar a outros deuses.   O desastre será muito grande e doloroso (23:12-13).   Ninguém se espante com as fatalidades, neste caso, pois todos estão de sobreaviso.

O trecho de Josué 24:1-13 traz palavras do próprio Deus: fazendo a todos verem o que Ele lhes fez, e de quantas bênçãos desfrutaram.

Já em 24:14-15, o profeta lança um repto:   lançar fora todos os deuses que foram cultuados pelos ancestrais, tanto de Ur dos Caldeus, como do Egito (subentende-se que de qualquer outra parte) para decididamente servirem ao Senhor Yaweh, uma vez que a história já demonstrou, deixando claramente registrado quem é o melhor, quem é Deus.

O próprio Josué já esclareceu qual a sua opinião a respeito, deixando patente qual o seu posicionamento definitivo quanto a isto.

“Se vos parecer mal servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais…  Eu e a minha casa serviremos ao Senhor”  (Josué 24:15).

Os israelitas não titubearam em responder:

“Longe de nós o abandonarmos o Senhor (Yaweh) para servirmos a outros deuses, porque Yaweh é o nosso Deus;  Ele é quem nos fez subir, a nós e a nossos pais, da terra do Egito, da casa da servidão, quem fez estes grandes sinais aos nossos olhos, e nos guardou por todo o caminho em que andamos entre todos os povos pelos quais passamos (…), portanto nós também serviremos a Yaweh, pois Ele é o nosso Deus”.  (Js. 24:17-18)

O desafio que Josué lançara sobre o povo retornou com uma resposta satisfatória, mas foi mais desafiadora ainda, senão até um pouco estranha a maneira como o profeta intermediou suas ideias a respeito desse detalhe:

“Não podereis servir ao Senhor (Yaweh), porque é  Deus santo, Deus zeloso, que não perdoará a transgressão nem os vossos pecados (v. 19).  Se deixardes ao Senhor, e servirdes a deuses estranhos, então se voltará, e vos fará mal, e vos consumirá, depois de vos ter feito bem (v.20)”.

O que é que ele estaria dizendo? Que não se pode servir a Deus por termos uma natureza pecaminosa?   Se isto for assim, quem então estaria em condições de servi-Lo?   Herdamos essa natureza através da carne,  desde que houve pecado no jardim do Éden, e nossos pais de lá foram expulsos.  E não há nem um justo, nem um sequer!!!  (Salmos 14 e 53 discorrem sobre isto)   Todos pecaram, e foram subtraídos da glória de Deus!

Não, não é neste espírito, sob este ponto de vista que Josué disse tais palavras!   Mas o que ele quis dizer então?   Ele está deixando um aviso solene, deixando exposto que não há outro Deus, senão Yaweh.   Ele é único!   O único verdadeiramente Deus.   Os outros deuses são impostores que quiseram ser travestidos da falsa impressão de que seriam dignos da nossa adoração.   São pretensos usurpadores…

Por tal motivo não se pode servir ao Senhor e a outros deuses ao mesmo tempo.  Seria ultrajante para Aquele que é único, ter que dividir a Sua glória e a Sua adoração com um terceiro, seja este um animal, ou um extraterrestre, ou ser humano, ou um outro espírito, ainda que de santos Seus.   Até as imagens destes não devem ser objeto de adoração.   Os Seus  anjos fieis tampouco aceitam receber a glória que é devida unicamente a Ele, o único Deus.

Quem quis “fazer média”, adotando a política da boa vizinhança, e adorá-Lo, ao mesmo tempo em que adora a alguém mais, meteu os pés pelas mãos, colocou um pé em cada uma de outras canoas, e naufragou na fé.   Deus não aceita dividir Sua glória, porque ninguém mais a merece, senão Ele só.   Se alguém quiser colocar algo ou alguma pessoa no nível divino, não estará senão obscurecendo a Sua glória, poluindo-a e insinuando que o único Deus tem o mesmo nível que os mais baixos do que Ele.   Em outras palavras, deste modo se estaria ofendendo ao único que é digno de todo o louvor, toda a glória, e honra, a quem pertence todo o poder, e a força e o reino.

Deus não se deixa escarnecer – o que o homem semear, isso também ele o ceifará.

Os líderes israelitas entenderam as palavras de Josué, acataram-nas e aceitaram o desafio, sabendo que esta era a melhor coisa a ser feita… mediante todo o cuidado de Yaweh estendido carinhosamente para eles, realmente, não haveria melhor opção.

Realmente, não há coisa melhor do que ser servo, amigo, e filho do Deus Altíssimo!   Quem sabe disso, e já o experimentou, sabe que isto tem que ser colocado em uma pasta, arquivada dentro de nossos corações, denominada de “INEGOCIÁVEL!”

Faleceu, então Josué na idade de 110 anos, após esse diálogo interativo com seu povo.  Enquanto foi o líder de Israel, o povo foi fiel a Deus.   Ele escreveu seu livro em colaboração com Eleazar, o sacerdote, o qual se esmerou em sua arte final até o verso 24:28, e depois, alguém mais teria escrito o epílogo do livro que levou o nome do profeta: Josué – em hebraico, Yoshua, aquele que recebeu a honra de ter o mesmo nome do grande Messias: Jesus de Nazaré!


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