JUÍZES – I – O LIVRO DE JUÍZES

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junio 30, 2015 by Bortolato

Pergaminho antigo

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Quem eram estes a quem este livro quis referir-se?   A palavra hebraica  shophetim  significa “juízes”, ou “lideres executivos”.   Na verdade estes eram líderes espirituais que se erguiam impulsionados por uma unção especial do Espírito de Deus, que soprava sobre os mesmos, tornando-os capazes de exercer os poderes judiciário, executivo e militar diante de seu povo, com finalidade de fazerem a justiça de Deus vigorar sobre a Terra – no  caso, trazendo um livramento para o povo Seu, sempre que amplamente suplicado e necessário.

Ficamos a pensar por qual razão os editores da Bíblia teriam aceito em sua composição um livro como este, que mostra com tanta clareza as falhas e os deméritos do povo de Israel como nação escolhida por Deus.   É um livro histórico que revela muitos altos e baixos espirituais e morais de forma tão terrível, que parece que estamos diante de uma catastrófica decadência de uma nação que deveria dar um bom exemplo a outras, para atraí-las ao seu Deus, mas em vez disso…

O fato é que Israel de então era uma teocracia.   Seu grande líder era Deus Yaweh, a quem os israelitas, por muitas e muitas vezes ultrajaram, desobedeceram e traíram, agindo de forma acintosa e criminosa, demonstrando o seu mau caráter, e sua indignidade diante da santidade dAquele que os resgatou de seus opressores.   O livro parece demonstrar que Israel nunca mereceu a posição a que foi elevado pelo Senhor, diante de outras nações.

Isto ocorreu entre o anos 1.400 a 1.100 A.C., isto é, após a morte de Josué e antes da coroação do rei Saul.   A deslealdade de Israel à aliança com Yaweh foi tão lamentável que ficou comprovado que os seus cidadãos não estavam maduros o suficiente para formarem uma confederação de doze Estados, cada uma das quais sendo dirigida por uma liderança humana colegiada.

Esta história nos revela outrossim o grande amor e fidelidade que o Senhor, muito embora tendo sido bastante magoado por um povo tão contumaz e rebelde, ainda os tratou como se fossem filhos Seus.

Poderíamos dizer que Israel nasceu como nação em trabalhos de parto dificílimos, no Egito, e dali passou sua primeira infância no deserto, onde aprendeu a ser reverente e dependente do Deus que os adotara como povo Seu.

Ao findar o período de deserto, veio aquela fase em que crianças passam a viver já parcialmente educadas por seus pais, na qual o seu grande herói é o seu pai, o qual, aos seus olhos, tem toda sabedoria, e é digno de toda a confiança e admiração – esta foi a fase da conquista da terra de Canaã.   Nesta fase, Israel recebia de Yaweh todos aqueles presentes que marcaram a fidelidade de seu Pai, o seu Deus:  vitórias em batalhas, conquistas de uma boa terra, assentamentos bem sucedidos, construção de boas casas, boas cidades, boas colheitas e um convívio de paz com o Senhor, que até os fazia engordarem ali.

Já o livro de Juízes mostra o período em que os israelitas, tal e qual pré-adolescentes presunçosos e desobedientes, que dão muito trabalho a seus pais, viveram quebrando as regras, desafiando a tudo e a todos (até ao seu Deus), achando-se os donos de seus próprios narizes e de suas vidas,vindo a colher o fruto de sua deslealdade e rebeldia – receberam um menu completo de angústias e dores, momentos em que reconheceram, pois, seus erros, arrependeram-se, e voltaram às boas maneiras de conviver-se com Deus.

Pela maneira inconstante de agir, Israel parecia não ter boa memória.  Tão logo se via em boa situação, esquecia-se do Deus que tantas bênçãos lhe tinha proporcionado, e cedo passava a aderir à idolatria, cultuando aos deuses dos cananeus, aos quais deveriam ter expulso da Palestina, segundo as ordens que Deus dera insistindo, por várias vezes, nesta mesma tecla.

A apostasia era seguida de um período de opressão da parte de alguma nação próxima, o que redundava novamente em um cair em si, em reconhecimento de seus erros, por afastar-se de Yaweh, em arrependimento e em uma volta ao Senhor com rogos e clamores, pedindo por libertação – ao que as misericórdias divinas sempre os atendia, depois de alguns anos de sofrimento.

Assim, depois disso vinha então outra vez um período de paz e prosperidade, até que tudo começava novamente, o mesmo ciclo vicioso, repetindo-se de novo e de novo: apostasia, arrependimento, clamores, livramento de Deus e período de descanso – e depois, tudo isso outra vez…

Isso se repetiu lamentavelmente por várias vezes.   Quatorze líderes são mencionados como os juízes levantados por Yaweh nesse período para lhes trazer o alívio do livramento e exortá-los a novamente seguir o caminho dAquele que lhes deu a Sua Lei para ser seguida.   Cada um deles tinha o seu carisma e uma unção especial, de forma a convencer aos seus irmãos que o Senhor é que os impulsionava a sacudir o jugo de seus inimigos.  Era o Senhor, que os ouvira, e que lhes veio ao seu encontro.

Se somarmos todos os anos relatados no livro, obteremos um total de 410 anos, mas I Reis 6:1 nos permite deixar apenas 292 anos entre o período de Otoniel e o de Eli.

Quando lemos, então, a declaração de Juízes 10:7, que diz:

“Acendeu –se a ira do Senhor (Yaweh) contra Israel, e entregou-o nas mãos dos filisteus e nas mãos dos filhos de Amon”.

Isto nos faz concluir que o período de opressão pelos filisteus e pelos amonitas foi aproximadamente o mesmo, e também que alguns juízes atuaram em regiões distintas, ao mesmo tempo em que outros agiram em outra parte da nação.

Não se sabe quem foi o autor do livro de Juízes, mas a expressão que ocorre em 18:1 e 19:1: “Naqueles dias não havia rei em Israel”… parece indicar que o livro foi encerrado, terminado de ser escrito por ocasião da monarquia de Saul ou Davi, mas antes que Jerusalém fosse completamente conquistada, cerca do ano 1.000 A.C.   Talvez fosse algum discípulo do profeta Samuel, talvez, em parte, o mesmo Samuel.

Uma das características deste livro que nos leva a aceitá-lo como inspirado e canônico é o estilo do autor.   Ele não estava interessado em contar somente as glórias de Israel, enquanto ocultaria os seus fracassos (como faziam os egípcios, com sua característica vanglória nacionalista).  Ele estava, sim, usando de uma ótica profética, que confere a Israel a graça e o privilégio de bem viverem enquanto são fieis a Deus.   Esta é uma condição “sine qua non”.  A fidelidade a Yaweh é a alavanca propulsora da paz e da felicidade duradouras para o povo – e isto vale também para nós, até os nossos dias.

Em compensação, a infidelidade espiritual contra Deus é a causa primeira de onde advêm as desgraças da vida.   Este é um princípio eterno.  Em toda a extensão da Bíblia, que é um livro profético por excelência, nota-se que esta é uma verdade inconteste, e isto valeu para Israel, no passado, vale hoje para a igreja de Cristo, e valerá para sempre.

A eleição de Israel foi uma das alianças que Deus fez com Seu povo.   A idolatria praticada constantemente pelos hebreus culminou posteriormente com a rejeição e com a expulsão de Israel da terra que o próprio Deus lhe dera um dia.   E esta maléfica propensão para desagradar a Deus estava apenas começando a se manifestar no meio do povo israelita, naqueles dias dos Juízes.

Deus, porém, hoje tem uma Nova Aliança, através da qual estende Sua graça e Seu amor a todos os povos, sem distinção de raça, língua, ou tez, de forma que o fracasso espiritual de Israel, apesar de ter sido deplorável, acabou por abrir uma porta maior ainda para que a graça de Deus fosse derramada em todo o mundo, a todas as gentes.

Israel, após sua rejeição da parte de Yaweh ter acontecido, na verdade, apenas saiu da pauta da preferência de Deus, para fazer com que outras nações pudessem receber o privilégio de também exercerem um sacerdócio santo, puro e agradável a Ele, com promessa de vida eterna, no céu.

Claro está que Israel também, à medida que aceita e recebe a Cristo Jesus como o seu Messias e Salvador, é reincluído no rol do povo a quem o Senhor aceita como Seu povo, no mesmo nível de graça com que os gentios a Ele convertidos também O aceitam.   Isto, porém, não acontece de forma coletiva, como nação, mas particularmente – cada pessoa é responsável por si mesma, e a chamada, neste caso, é individual.

Não se pode deixar de cogitar sobre este aspecto da bondade divina: o pecado e a queda de uma nação outrora escolhida acabou por culminar com uma maior extensão da graça do Altíssimo.   Louvado seja Deus pelas Suas tremendas misericórdias!

Olhamos, pois, para o livro de Juízes, sempre tendo em vista a grandiosidade do amor e da longanimidade do Único Deus, que tão pacientemente tratou com Israel.   Que Ele sempre nos trate assim, com Sua misericórdia, e que jamais sejamos aqueles que ultrapassem as medidas da Sua paciente graça.   Lembramos que Ele até mesmo nos deu o Seu próprio Filho para ser o nosso Salvador, à custa de Seu precioso sangue!

Que a leitura destes estudos nos faça refletir bastante sobre nossas atitudes com relação a Ele, pois que merece toda a nossa fidelidade, nosso louvor, e nossa dedicação, de forma que possamos dizer que estamos sempre melhorando, com a Sua excelente ajuda – até chegarmos ao céu!


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