JUÍZES – III – QUE FAZER QUANDO A FÉ É FRACA ANTE DESAFIOS

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Julio 10, 2015 by Bortolato

Quando passamos  por longo período em que encontramos paz ao nosso derredor, nosso espírito deveria ser exercitado em dedicarmos mais louvores a Deus, que nos proporcionou tal bênção de descanso.

O que ocorre, porém, muitas vezes é que o povo de Deus se esquece de prestar-Lhe toda a reverência, oferecer-Lhe o seu agradecimento, e deixa de adorar Àquele que toda sorte de bem lhe traz – e isso tem seus efeitos colaterais.

Com o passar do tempo, passam dias, meses e anos, e os bens da terra começam a iludi-los, a hipnotizá-los; eles se deslumbram demais com isso, esquecem-se de Quem lhes propiciou tais situações confortantes, e logo desfazem aquele vínculo de fé operante e fervorosa que tinham com seu Deus.   Já não acham mais tão importante repassar a seus filhos aquilo importante que tinham aprendido…

Daí, ao passar uma geração que conheceu ao Senhor, as seguintes tenderão a apostatar da fé genuína, e dar-se ao luxo de desvalorizar a Palavra que seus pais um dia lhes falara, ainda que superficialmente.  Então vem a pior parte dessa história: além de eles se desviarem dos caminhos do Senhor, começam a entregar-se a outros deuses através de imagens, cultos a espíritos, invocação a mortos, e até pactos com demônios.

Resultado:  quando Deus se sente esquecido, menosprezado e aborrecido com o homem, um abismo de separação se abre entre o céu e tais pessoas.   O homem foge de Deus, e perde-se nas sombras desse abismo.   No final, surgem angústias, dores, sofrimento e, a princípio, não se sabe diagnosticar o porquê de tudo isso.

Por quê?  E por que eu? Assim questionam – esta é a primeira fase dos questionamentos.

Surge então alguém que faz uma análise honesta de tudo, e conclui: – “É, nós erramos.  Mas o Senhor livrou os nossos pais no passado com mão forte, de poder.  Por que Ele não faz isso conosco hoje também?”  Daí começa-se a tentar buscar uma solução.

Está nas Escrituras Sagradas?   Como foi?  Com quem aconteceu?  Onde?  Quando?  E como poderemos alcançar esse mesmo livramento?

Isto, na verdade, ocorreu por várias vezes, na história de Israel.   Vamos, pois, nos ater aos casos específicos mencionados na Bíblia, fazendo uma incursão pelo livro dos Juízes.

Juízes 3:7-8 nos mostra o primeiro desses casos:

“Os filhos de Israel fizeram o que era mau perante o Senhor, e se esqueceram do Senhor seu Deus, e renderam culto aos baalins e ao poste-ídolo.   Então a ira do Senhor se acendeu contra Israel, e ele os entregou nas mãos de Cusã-Risataim oito anos”.

Isso deve ter ocorrido algum tempo depois da morte de Josué, que ocorrera entre 1425 a 1380 a.C., mas o caso parece muito atual até os dias de hoje.

Voltamos a afirmar que a ira de Deus é o termo que se emprega para designar as consequências do afastamento do homem da trilha da vontade de divina.   Na verdade, desde a Criação, é o homem que se afasta da presença de Deus, e não o inverso.   A mão de Deus só parece pesada quando ela é retirada, pois é quando as bênçãos faltam, parecem fugir, e as pessoas ficam à mercê de seus inimigos.

No Senhor reside todo o bem que possamos usufruir, e na ausência dEle o mal se achega com muita liberdade, rouba o brilho das nossas conquistas, entenebrecem-se as almas, e o final é sempre triste, senão cruel.

Esta é uma lei divina: a da semeadura e da colheita.    Se as sementes que espalhamos durante nossas vidas pelos caminhos por onde pisamos são aquelas que o Senhor no-las deu para as semearmos, é intuitivo: vamos colher muitas bênçãos, com toda certeza.

Se não for assim, porém, colheremos o fruto que semeamos.   Deus é amor, é paz, é abundante em bênçãos, é eterno, e com Ele teremos eternas bênçãos.   Isto não é recurso de retórica, e nem figura de linguagem.    Sem Ele, somos iludidos pelas visões sedutoras deste mundo, que se nos mostram como boas coisas, de “baixo custo”, de acesso rápido e retorno palpável e imediato.   O que essas visões sedutoras não nos mostram (aliás, procuram esconder) é que suas propostas são para uma curta duração quanto ao prazo de validade – não se estendem para além desta vida perecível, logo acabam, e o que resta é um futuro sem Deus – o que quer dizer o mesmo que a perdição eterna.

Não devemos, sob hipótese alguma, desconsiderar isto:  temos uma alma eterna, ou seja, que durará “ad infinitum”.    Qual é o tipo de futuro que estamos semeando, preparando, para vivenciarmos o passar de toda a eternidade que temos à nossa frente?

Para respondermos verdadeiramente a esta pergunta, primeiramente precisamos olhar para o fundo de nossas almas: estamos em paz?   Estamos felizes?  Não há nenhum vazio clamando dentro de nós, suplicando para ser preenchido?   Logicamente que todos têm esse vazio na alma, mas como o estamos preenchendo?   Se com luxo, dinheiro, drogas, vícios, sexo, paixões, autoexaltação, aquisição de influência ou poder, autopiedade, ou até mesmo com religiões, tudo isso vai passar, e acabará em nada.   Na eternidade isso tudo não existirá – e se estas foram as fontes de satisfação a que se apelou por esta vida a fio, ou mesmo durante parte dela, saiba-se que o vazio vai continuar existindo pela eternidade afora e não haverá senão o pranto da frustração pelas oportunidades perdidas.

A grande satisfação que é duradoura para sempre reside na oportunidade que temos hoje em vida.   Seu nome é Yoshua, ou seja, traduzido para nossa língua, é Jesus!   Ele á a nossa salvação.    Ao percorrermos o livro de Juízes vamos descobrir várias pistas de que Ele mesmo ali aparece e no-las deixou para que as descobríssemos, revelando que Ele ouve o clamor dos aflitos.

CUSÃ-RISATAIM, TAL COMO UM FARAÓ:

Então um cativeiro atingiu a vida dos israelitas, como um furacão que lhes veio do norte.

Depois que os israelitas sentiram na pele o resultado muito incômodo de sua infeliz displicência e menosprezo pelas coisas de Deus, eles então começaram a buscá-Lo.

Otoniel era descendente da tribo de Judá, que ficava ao sul do território de Israel.   Isto significa que Cusã-Risataim, vindo do norte (área da Síria) percorria toda a terra de Canaã, oferecendo muitos gemidos de dor e morte a toda a nação, de norte a sul.   Isto ocorreu por oito anos.   Oito anos de uma nova escravidão.   Oito anos em que  a nação colheu os espinhos de uma semeadura  de uma vida sem o seu Deus que os havia adotado como Seus filhos.  Foi muito longo tempo de aprendizado, muito tempo, tempo demais para se suportar tamanha dor, nessa escravidão.   Mas foi esse o tempo necessário para aprenderem a fugir da idolatria, e a clamarem a Yaweh por livramento.

 “Clamaram ao Senhor os filhos de Israel, e o Senhor lhes suscitou libertador que os libertou:  Otoniel, filho de Quenaz…  Veio sobre ele o Espírito do Senhor e ele julgou a Israel:  saiu à peleja, e o Senhor lhe entregou nas mãos a Cusã-Risataim, rei da Mesopotâmia… e a terra ficou em paz …”  (Juízes 3:9-11)

Depois de amplamente solicitado, o Senhor não precisou de nada mais que levantar um líder, um homem que estivesse em Suas mãos, disposto a guerrear com fé na Sua vitória.

Sim, depois do arrependimento, da confissão dos pecados e dos clamores a Deus, então chega um nova etapa:  os tempos de ir à luta, de batalhar para sair daquela incômoda situação – e a batalha tem que sofrer um empurrão inicial, e esse empurrão inicial é dado pelo próprio Senhor, que sopra do Seu Espírito sobre alguém que sentirá a Sua forte mão, e que chegou a hora de guerrear para se obter o livramento, certo de que o Senhor o dará.

Os que seguiram Otoniel puderam ver que o Senhor tem misericórdia dos oprimidos, e que aqueles que se voltaram para Ele não ficaram desamparados, e nem confundidos.   Eles puderam perceber a salvação de Yaweh.

A lição de Cusã-Risataim, tanto da servidão amarga, como da libertação de Israel, ficou bem marcante.   Os israelitas, pelo menos os do sul de Israel, lograram obter a paz por quarenta anos que se seguiram.

ENTÃO VEIO EGLOM, DE MOABE:

Aconteceu, porém, que aquela lição foi dada a uma certa geração, que via em Otoniel um símbolo da misericórdia, da força, do poder e da mão salvadora de Yaweh, também passou…  “E os filhos de Israel tornaram, então, a fazer o que era mau perante o Senhor”  (Juízes 3:12)

O ciclo do pecado então é novamente articulado e se reinicia.   Os deuses dos cananeus novamente são adotados por Isarel.   Baal, cuja palavra é traduzida por “senhor”, “proprietário”, ou “marido” era um dos deuses mais preferidos naquela infeliz escolha.   Foi alvo de adoração pelos  moabitas em Baal-Peor (Números 25:3).  Baal-Gade (Josué 11:7), Baal-Hermon (Juízes 3:3), e outros nomes denotam que assume o papel de uma divindade local.   O termo sugere que tais entidades espirituais se consideravam proprietários de certas áreas, onde era suposto que exercessem autoridade, e controlavam algumas coisas, tais como a fertilidade, tanto da terra, como dos animais e também dos seres humanos.

Aserá era a deusa-mãe ou ancestral de Baal, e Astarote (ou Astorete) era a esposa de Baal, também ligado a assuntos sobre fertilidade.   Os cananeus desenvolveram esse tipo de religião mais do que o fizeram seus vizinhos do Médio Oriente.

Depois de quarenta anos de paz, e novamente um sincretismo religioso promiscuiu Israel com as nações vizinhas, então veio uma nação – Moabe – chefiada por seu rei Eglom para ferir e escravizar o povo que se desviou do Deus Yaweh.   E os moabitas chegaram para ficar.   Juntaram-se também a Moabe, Amon e Amaleque, duas outras nações terríveis.   Tomaram para si a cidade das Palmeiras, ao ultrapassaram os lindes do rio Jordão com ousadia, e foram logo impondo seu domínio onde chegavam.   Chegavam, na verdade, tempos muito difíceis para Israel…

Vendo-se em apertos, Israel logo cai em si acerca de seus pecados de infidelidade contra o Senhor Yaweh, arrepende-se e começa a clamar ao seu verdadeiro Deus.

Como enfrentariam àquelas três nações que se tornaram em fortíssimos opositores e opressores?

Ao que tudo indica, do lado oeste do Jordão, o maior prejudicado foi a tribo de Benjamin, mas também Efraim tinha sido alcançado por aquelas nações invasoras.

Além da vergonhosa e violenta imposição da autoridade moabita, os israelitas eram obrigados a cumprir um programa de pagamentos periódicos de altos valores aos cofres de seus invasores.

Chegado um certo dia em que os benjamitas teriam que apresentar seus tributos perante o rei de Moabe, Eglom, um jovem representante da tribo de Benjamin fora designado para tanto.    Seu nome, Eude.   Segundo Flávio Josefo, ele foi acompanhado de uma escolta de dois servos que o ajudaram a transportar peças preciosas para os encarregados dos tesouros reais.   Após a entrega, com tudo transcorrendo normalmente, em nada se deixando transparecer quaisquer indícios de revolta, os dois servos foram dispensados quando já estavam deixando o local, de onde Eude decidiu voltar, com vistas a executar um plano astucioso e arrojado.

Os seus acompanhantes vão-se embora, e ele volta só, para cumprir o desígnio que estava em seu coração.   Para tudo dar certo, algumas coisas teriam que transcorrer de forma favorável, e até ali, os caminhos pareciam estar se abrindo para ele, de acordo com seus planos.

Dentro de seu espírito, Eude estava remoendo uma indignação crescente, e a abertura inicial que sentira ao voltar ao lugar onde prestara as esperadas honras ao rei de Moabe, dentro do palácio de Eglom, começava a dar-lhe uma oculta satisfação: ele aspirava aliviar a dor e as humilhações da servidão moabita.   A cada passo daquele caminho, ele respirava um ar de triunfo prestes a se realizar, mas não revelava o seu segredo aos seus inimigos.   O segredo, muitas vezes, realmente, é a alma do negócio.

Eude era um homem canhoto, e escondia debaixo de seus vestidos uma pequena espada, de cerca de 45 centímetros, a qual tinha dois gumes.

Ele guardava aquela pequena espada do seu lado direito, junto à sua coxa, o que lhe serviria de fator positivo, que lhe facilitaria na hora de sacá-la rapidamente.    Vale frisar que o lado direito dos homens não era comumente bem vigiado, pelo fato de a maioria das pessoas serem dextras.   Mas isto não era uma regra – a obrigação da vigilância do palácio exigiria atenção total, inclusive sobre este pormenor.   Como a guarda moabita não o revistou quanto a este quesito, ele ia adentrando ao palácio, e conseguiu chegar à presença daquele rei.   Mais uma vez, as coisas estavam rumando para o fim que ele estava almejando…

Decidido ao “tudo ou nada”, estava pronto para matar seu principal inimigo, ou morrer ali mesmo, se alguma coisa desse errado, e ele fosse surpreendido antes de realizar a sua proeza de ousadia.   A adrenalina parecia querer subir de nível em seu sangue, mas ele sabia que precisava manter o controle de suas emoções.   Era importante manter a calma, como se tudo estivesse tranquilo dentro de si.  Afinal, ele já tinha estado ali por outras vezes, e já havia sondado o ambiente com o seu olhar perspicaz.   Era mais questão de jeito de fazê-lo, do que de aplicação de força ou habilidade para lutar, e ele bem sabia o que tinha que fazer a cada passo…

Em dado momento, ele sente que estranhamente o nervosismo é esquecido, e dele se apoderou uma segurança incrível, que lhe permitiu fazer tudo de uma forma simples e natural, como se nada estivesse acontecendo.

Pediu audiência em particular, prometendo revelar algum segredo de Estado, o que aguçou a curiosidade do rei, e Eglom, sem desconfiar dos planos do jovem varão, concedeu-a, pedindo que todos se retirassem.

Eude, então a sós com o líder inimigo, disse que tinha uma palavra de Yaweh para o rei Eglom, o qual levantou-se da sua cadeira para ouvi-la, e foi golpeado em seu ventre com ferida mortal, e ali mesmo caiu, vertendo sangue e expelindo fezes junto ao chão.

Para ganhar tempo, Eude fechou oportunamente as portas daquela sala, e saiu dali andando, confiando no sucesso de sua empreitada, até ficar longe das vistas dos inimigos.

Eis aí o que fazer quando os nossos inimigos espirituais nos oprimem: usar da espada de dois gumes – que no nosso caso não é de aço, mas de 66 livros – que é a Palava de Deus, e enfrentar as situações, sem medo, ousadamente, com sabedoria e rapidez, usando os dons que o Senhor nos dá, dentre os quais mencionamos a nossa voz.

Eude, ainda no seu entusiasmo decorrente daquela proeza de bravura, foi correndo para Seirá, um local fronteiriço com o território de Efraim, e ali tocou a trombeta.

Lembramos que havia sido previsto na Lei de Moisés, desde a época do deserto, que um certo tipo de toque de trombeta conclamava o povo para a guerra.   Com aqueles toques retinindo, logo se ajuntaram a ele uma grande multidão, que pôde ouvi-lo, e ficar ciente do que havia sido feito.

Cercado então de muitos, seu discurso foi convincente.   O Senhor o havia feito prosperar em uma manobra individual que inspirava alta confiança ao povo que o seguiu – confiança de que então Yaweh dos Exércitos os livraria de seus inimigos.

Não foi nada diferente do que estavam imaginando.   Dotados repentinamente de intrepidez, e confiantes no Deus de Abraão, foram ao encontro dos inimigos, que não resistiram àquela unção vitoriosa de que estavam munidos os de Israel.

Como vemos, é muito importante que jovens sejam abençoados por Deus com um espírito de coragem, para fazerem  com que trevas espirituais sejam vencidas – mas isto não vingará se o caminho não tiver sido pavimentado com a ação persistente das orações e dos clamores (Juízes 3:9, 15).

Como resultado disso, Israel pôde viver tempos de paz com Eude, e após ele, oitenta anos.

SANGAR:

A Bíblia diz apenas que ele foi um filho de Anate, o que pode significar uma ascendência semítica, ou que ele era oriundo da cidade de Bete-Anate, que ficava na região norte de Israel, pertencente ao território de Naftali.

O período em que este herói bíblico atuou  é posterior ao de Eude, com probabilidades de ter sido contemporâneo de Débora e Baraque, que surgiram em cerca de 1230 A.C.

Em Juízes 5:6-7 o cântico de Débora nos dá uma ideia de como a vida e a ordem estava conturbada.   Não era mais comum o uso de estradas abertas, pois que os perigos eram iminentes para os transeuntes.   A segurança estava comprometida.  Ataques da parte dos filisteus, de um lado, e dos cananeus de outro, tornaram as viagens em investimentos de alto risco de vida.

Os filisteus já estavam presentes em Canaã desde a época de Abraão e Isaque, até onde a Bíblia o registra (Gênesis 20, 21 e 26:1;  10:14; I Crônicas 1:12), mas durante os dias dos juízes eles começaram a desenvolver uma forte organização militar, e a expandir seus territórios, avançando sobre a terra de Israel.   Eram originários da ilha de Caftor, isto é, Creta, e existem registros egípcios que mostram que quiseram avançar sobre o Egito, mas foram vencidos.   Buscando outras paragens, resolveram então reunir suas tropas e seu povo para a região de Israel.  Eles avançaram sobre a faixa litorânea desde Gaza até Jope.

Essa expansão dos domínios filisteus tornou-se em um problema sério, pois trouxe conflitos inevitáveis com Israel, e como o próprio texto diz:

“Depois de falecer Eude, os filhos de Israel tornaram a fazer o que era mau aos olhos do Senhor”.  (Juízes 4:1)  “Depois dele, foi Sangar, filho de Anate…” (3:31)

Quem era Sangar?  A Bíblia pouco fala a seu respeito, mas sabemos que era um homem que não se intimidava perante seus  inimigos.   A propósito, crentes fieis também não devem temer  aos inimigos espirituais, às hostes infernais.    Temos a obrigação de nos prepararmos, sermos fortes e habilidosos no manejo das armas da luz.

Voltando a falar sobre Sangar, havia patrulhas filisteias perto da área onde Sangar vivia.   Sua aguilhada de bois significa que ele trabalhava em região pastoril, e esta devia ser ligada a sua atividade secular.

Ora, para transportar bois, era necessário que se usassem as estradas abertas, pois os atalhos não ofereciam o espaço necessário para tanto.   Como vender-se bois para alguma cidade ou outra localidade senão utilizando-se das estradas?   Assim Eude fazia uso destas , e lá um dia…

Lá vieram ao seu encontro um grupo de filisteus.  Não mostravam ter boas intenções.   Não eram amistosos, nem um pouco, mas muito pelo contrário…   Se Eude fraquejasse, decerto perderia todos os seus animais, e, o que é pior, poria a perder também a própria vida.

Não sabemos quantas vezes Sangar teve que se defrontar com esses homens, mas o fato é que ele, um homem do campo, um agropecuarista, não tinha espada na bainha, e nem lança à sua disposição, mas em vez disso, com muito zelo afiava bem a ponta metálica do aguilhão que usava para dirigir sua boiada – o que na verdade se transformava em uma forte arma em sua mão, assim que uma luta se desenhasse à sua frente.

Ele desenvolveu muito bem a habilidade de usar seu aguilhão como arma de defesa e de contra-ataque.   Ameaçado pelas turbas, não se deixou vencer pelo medo.   Enfrentou-as com admirável galhardia.   Os filisteus, ao vê-lo, pensaram que saqueá-lo seria como tirar o doce da mão de uma criança – não esperavam muita resistência da parte de um homem que lhes parecia nada mais que um boiadeiro.  Houve uma tentativa, e logo alguns daqueles pretensos saqueadores iam ao chão, feridos gravemente.   Outros tentaram ajudar aos seus companheiros, e correram para a luta, mas não demorava muito para que também estes caíssem feridos ao chão.   De pequenos em pequenos grupos, os filisteus iam caindo diante daquele homem que não se deixava submeter àquela peleja desigual.   Outros filisteus que o observavam de longe, então, partiram igualmente para a luta, contando com que o cansaço abatesse o israelita, mas Eude continuava firme, forte, cheio de energia e de coragem.  Não podiam acreditar!   Aquilo não era somente da força humana!   Havia o poder sobrenatural de Yaweh operando! Um a um, iam morrendo os filisteus, e logo aquele servo de Yaweh ia deixando um rastro de inimigos mortos atrás de si, ao longo da estrada.   Alguns filisteus se indignavam com isso, e julgando aquilo inaceitável, iam partindo para a forra cheios de ira, mas eram igualmente abatidos.   Quanto mais filisteus criam que poderiam liquidar com aquele homem armado apenas de um aguilhão de bois, mais filisteus eram vencidos naquela luta que inicialmente lhes parecia que seria fácil.   Tantos foram os homens vencidos, que aquelas paragens já não mais poderiam ser consideradas território do inimigo.

Os filisteus não estavam esperando por isso, e foram mortos.  Ao todo, Eude acumulou seiscentos filisteus que enfrentou  e os matou, e isso ficou notório entre os filhos de seu povo, de forma que tornou-se um dos valentes de Israel que, com a ajuda maravilhosa do seu Deus, foi prodigioso.

A Bíblia parece enaltecer tais atividades de guerra, parecendo até que as mortes ocasionadas tenham sido um tributo à violência, ao banho de sangue, mas se Sangar não tivesse sido valente, repousasse suas esperanças no Deus de Israel, Yaweh, e agisse confiado na força que recebera do seu Senhor, ele é quem teria sido a vítima nesses confrontos radicais.

O que nos ensina esse trecho sagrado é que, com a ajuda do Senhor dos Exércitos, Yaweh Tsebaoth, se somos Seus fieis adoradores, não devemos temer aos nossos inimigos, e somos incentivados a usar da fé para não esmorecermos e nem desanimarmos em meio às lutas desta vida.

Nas palavras do Salmista:

“O Senhor é a minha luz, e a minha salvação; de quem terei medo?   O Senhor é a fortaleza da minha vida; a quem temerei?”  (Salmo 27)

E nas palavras do apóstolo Paulo:

“Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Romanos 8:31)


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