JUÍZES – XII – A QUEM PERTENCE O PODER

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agosto 12, 2015 by Bortolato

Manoá e Hazelelponi

“Mas isto é muito natural!”   É o que muitos dizem, dando a entender que as leis naturais que regem este mundo jamais falham, e que portanto devem ser aceitas como fato consumado, nada mais restando a nós, meros humanos, senão aceitá-las e nos conformarmos às mesmas.

Se isto fosse totalmente verdade, então diríamos que estamos também à total mercê dos governos políticos que regem as nações deste mundo.   No entanto, vemos que a moeda e que o papel-moeda da rica nação americana são marcados pela expressão: “In God we trust”, o que traduzimos por: “Nós confiamos em Deus”.

A Constituição Federal do Brasil foi aprovada com a seguinte citação da expressão introdutória: promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL”. (Preâmbulo da Constituição da República Federativado Brasil, promulgada em 05 de outubro de 1988)

Estes são poderes políticos que governam nações, que administram o futuro e o presente dos seus cidadãos, mas que também declaram, por força de suas próprias palavras, que escolheram ser protegidos pelo poder de Deus.

Quando então as leis naturais da biologia dizem que uma mulher é estéril, e não tem condições de engravidar, ou um coxo andar, tudo isso é embasado nas possibilidades ao alcance do conhecimento que os homens lograram angariar.   Os médicos não estão mentindo.   Eles não poderão fazer milagres, pois conhecem as leis físicas deste mundo, e fizeram experimentos que resultaram em um retorno que lhes diz “não”, e acabaram-se as suas esperanças.

Quando, porém, toma-se a Bíblia em mãos, e a abrimos no livro de Gênesis, vemos que Sara, Rebeca e Raquel eram mulheres estéreis; no livro de Juízes, a mulher de Manoá, também – mas todas estas puderam ser mães, e abraçar a seus filhos, gerados dentro de seus próprios ventres.

Como isto aconteceu? Cada uma delas tem a sua história, mas vamos nos deter agora no caso da mulher de Manoá.   A tradição judaica atribuiu-lhe o nome de Hazelelponi, conforme o Midrash, Números Rabbah Naso 10 e Bava Batra 91a

Um certo dia, alguém lhe apareceu vestido à moda dos israelitas de então, e, ela jamais o havia visto antes, mas ele toma a liberdade de dizer-lhe:

“Eis que és estéril e nunca tiveste filho, porém conceberás e darás à luz um filho…” (Juízes 13:3)

Como este desconhecido jamais visto antes naquela redondeza pôde saber deste detalhe com tanta certeza e precisão?   Quem lhe havia contado isso?   Perguntas como esta pairaram na cabeça de Hazelelponi.   Ela poderia ter pensado que o tal varão seria um profeta, mas algo lhe chamou a atenção: o parecer impressionante do homem.   Ao tentar descrevê-lo a seu marido, chegou a dizer que “a sua aparência era tremenda, semelhante a um anjo de Deus” (Juízes 13:6).   Flávio Josefo alega que Manoá chegou a sentir um certo ciúme de sua mulher, ao senti-la tão envolvida e afetada com aquela revelação bombástica que de repente os surpreendeu naquele dia, de forma tão inesperada.

Manoá ficou, pois, muito curioso e intrigado, preocupado com aquilo.   Não que duvidasse de palavras proféticas, mas queria saber mais, algo mais que lhe trouxesse uma direção de Deus mais clara e mais completa, para capacitá-los melhor para receberem a tal criança prometida.   Deus os estava contemplando com um grande presente do céu, pois não?   Nem todas as mulheres estéreis puderam receber uma dádiva do gênero.   Ele passou a orar a Deus pedindo que pudesse ver e conversar com aquele mensageiro divino.

Não tardou a acontecer outra visita-surpresa para aquele casal.   Certo dia, estando ela assentada no campo, reapareceu-lhe aquele mesmo varão, e ela foi logo correndo noticiá-lo a seu marido, o qual se pôs a segui-la e encontrou-se com aquele Ser extraordinário.

Poderia parecer uma alucinação, coisa que brota da mente de uma mulher aficcionada por ter um filho(?), por muito tempo o desejando e sem nada conseguir.   Por outro lado, todo aquele relato de Hazelelponi parecia muito convincente, e como o Senhor é dono de todo o poder…   Quem o poderia contrariar?  De qualquer forma, aquela aparição alvoroçou a casa de Manoá.   Um raio de esperança no Senhor brotou em seus corações, e na verdade, ambos, marido como mulher, ficaram muito contentes e felizes só em pensar serem escolhidos por Deus para serem visitados de maneira tão especial.

Manoá e Hazelelponi se apressaram, e foram depressa ao encontro daquele Senhor – quem seria ele?   Qual seria o seu nome?   Seria algum profeta famoso em Israel?   Seria muito bom se fosse…   Suas esperanças cresciam, e seus corações bateram mais forte.

Logo chegaram no lugar apontado por Hazelelponi, e descobriram que não era alucinação.   Ele, o tal homem, reapareceu como resposta às orações de Manoá. Não havia mais o que duvidar. Então foram dissipadas as dúvidas de Manoá quanto à realidade da revelação, mas ele tinha ainda que perguntar sobre coisas que já haviam sido ditas à sua esposa, a fim de confirmar as palavras.

Inquirido, o varão falou, e então foram confirmadas as palavras que orientariam o casal na criação do bebê que ainda era apenas um projeto de Deus em início de construção: o menino seria um nazireu (verbete da raiz hebraica que significa “consagrado”), do qual jamais deveriam ser cortados os seus cabelos, jamais beberia bebida forte, e nem deveria contaminar-se em contato com mortos.   Isto, por todos os dias de sua vida, até a morte (ver Juízes 13:7). Estes detalhes marcariam aquela criança como um nazireu, especialmente gerado, criado e educado para o Senhor Yaweh.

Em todos os casos bíblicos do nascimento dos filhos de mães outrora estéreis, vemos que o desejo das genitoras era o de serem mães, mas isso era apenas um detalhe dentro de um grande plano que Deus tinha para com não somente uma família, mas com todo um povo, de toda uma nação.

Qual era a necessidade da mãe?   A Tradição judaica a chama de Hazelelponi, uma judia, casada com um homem da tribo de Dan. Ela queria realizar o seu sonho de trazer à luz e criar uma criança.   Naquela épóca, e naquele contexto social, uma mulher estéril era menosprezada pelo povo, tanto por homens como por mulheres.   A concepção e o nascimento de Sansão lhe traria uma grande alegria, além de um grande alívio, livrando-a dos preconceitos reinantes naquela cultura.

E qual o propósito de Deus , fazendo vir à luz milagrosamente um menino que começaria a livrar Israel do poder dos filisteus (Jz. 13:5)? A resposta a esta pergunta foi inserida na profecia a respeito daquele pequenino que estava ainda por ser gerado e nascer…

Sansão foi o nome escolhido para entitular aquela promessa que repousava sobre um pequeno ser ainda por formar-se no ventre de sua mãe.   Este nome hebraico Shimonshon é derivado do termo shemesh (=sol), e que ao pé da letra significa “pequeno sol”, podendo ser usado figuradamente para ressaltar a força ou a distinção de uma pessoa.   A imputação deste nome também foi um ato profético que bem se pôde observar, ao acompanhar-se a rota de vida do menino nazireu.

NASCIDO PARA LUTAR SOZINHO, AJUDADO POR DEUS

Os filisteus, que já estavam presentes em Canaã com um contingente inicialmente muito mais modesto pela época de Abraão e de Isaque ( Gênesis 21:32 e capº 26), vieram da ilha de Caftor (Creta), o que nos leva a crer que a sua origem étnica seria micena, isto é, de um povo que habitou a Grécia antes dos helenos, mas a língua que usavam era de origem semítica, talvez devido ao êxodo destes quando em busca de um lugar para se estabelecerem, no Oriente Médio.   Pela época de Josué, já se haviam tornado numerosos, na área da Palestina.  Sangar, um outro juiz (Jz. 3:31) já teve problemas de conflitos com filisteus, antes de Sansão.

Ao expandirem-se numericamente, procuraram um lugar no Egito para ali se assentarem, mas foram expulsos por Ramsés III, por cerca de 1.188 A.C.  Uma vez desalojados daquela nação africana, à procura de terras para desenvolverem suas vidas diuturnas, grande porção deles chegou à região sudoeste de Canaã, mormente junto à baixada litorânea que beira a região montanhosa de Judá e Benjamin.   Ali construíram cinco grandes cidades, onde elegeram um governo pentagonal, em Gaza, Asquelom e Asdode (na região praiana) e Gate e Ecrom (estas duas mais ao interior do território de Israel).

Devido à sua grande força e organização militar, pois que tinham têmpera de um povo aguerrido, muitos da tribo de Dan tiveram que mudar-se para o norte de Israel, a fim de poderem viver a salvo dos conflitos com aqueles estrangeiros.

Tanto fizeram os filisteus, que afligiram aos filhos de Israel por quarenta anos, isto é, até a segunda batalha de Ebenezer (I Samuel 7:10-ss.), e por vezes abalaram até mesmo o reinado de Saul.   De qualquer modo, a Bíblia atesta que foram quarenta anos em que Israel teve que baixar a sua cabeça diante de um povo estrangeiro que avançou firmemente sobre o território dantes dominado pelos judeus.

Era uma dominação tal que até as enxadas, foices e instrumentos agrícolas de ferro tinham de ser afiados junto a ferreiros filisteus, pois que desarmaram a Israel das demais formas de objetos férreos.   Isto foi tão impositivo que, ao submeterem-se desta maneira, Israel demonstrou até que não tinha outra opção senão acomodar-se à situação, e denotavam ter perdido as esperanças de estarem à vontade dentro de suas próprias terras.    Com esta medida, pois, Israel não possuía mais lanças e espadas para armar o seu exército de pretensos voluntários, o que deixou os filisteus muito confortáveis e confiantes de que acabariam conquistando e tomando todos os domínios que eram antes israelitas.

Aquele domínio filisteu foi aumentando, e começando a expandir também a adoração a Dagom e aos demais deuses que estes adoravam.   Esta expansão então estava marchando não somente contra a dominação israelita, mas também contra a soberania do Deus de Israel, Yaweh, o Senhor dos senhores.

Com esta condição se acentuando cada vez mais, Israel estava prestes a ser absorvido e engolido pela cultura filisteia, e isto significa deixar de ser um povo de exclusiva propriedade de Yaweh.   Alguns judeus de então já se haviam deixado envolver com a adoração aos deuses filisteus.   Não deixariam de ser religiosos, mas estavam abandonando ao Deus que os adotara como a filhos Seus.   Parece que o povo de Deus esquece-se de coisas muito importantes, com muita velocidade.

Esta, logicamente, não era uma situação que abraçava “in totum” ao povo israelita.   Muitos, por outro lado, não aceitavam tal comportamento, pois que não somente guardavam a Lei do Senhor, como O amavam profundamente, de todo o coração.

Vendo, pois, que nem tudo estava perdido, o Senhor resolveu colocar um termo, um basta àquela progressão idólatra, dando uma firme demonstração de que Ele agia ali naquelas plagas, em favor de um povo que Lhe era fiel, que se chamava pelo Seu nome, Israel, “alquele que luta com Deus”.

Com o objetivo de mostrar a todos, tanto aos Seus como aos inimigos, que Yaweh, o Senhor dos Exércitos é o grande detentor de toda a força, Ele decide fazer um investimento, visitando Sansão, fazendo-o um homem excepcionalmente forte, valente, destemido e exímio guerreiro que seria capaz de reunir o potencial de um exército, tudo isso dentro de uma só pessoa – mas somente enquanto este respeitasse a Lei do nazireado e as ordens do Alto.

Manoá, diante daquele varão, representante de Yaweh, ainda não sabia sequer o seu nome, e, na sua simplicidade, perguntou-o ao poderoso visitante até então desconhecido.   A resposta do mesmo foi um pouco misteriosa, parecendo ser uma esquiva, mas enfim, dizendo que Seu nome é… Maravilhoso!   O profeta Isaías, cerca de 420 anos mais tarde, afirmou em sua profecia que este nome pertence ao Senhor Jesus (Isaías 9:6).

Manoá quis então honrar ao ilustre desconhecido, em sua forma de demonstrar gratidão a este, mas eis que o mesmo se recusou a ingerir quaisquer alimentos que Lhe fossem oferecidos – que fossem oferecidos ao Senhor Yaweh, em um sacrifício. Foi o que Manoá fez.   Ao apresentar aquela oferta ao Senhor, o Seu Anjo (teofania de Cristo no Antigo Testamento) usou da chama que saiu daquele altar, uma rocha adaptada de improviso para aquele ato, e nela subiu ao céu.   Foi muito rápido, mas visível.   Este feito deixou claro transcender-se ao natural. O Anjo do Senhor houve-se maravilhosamente, e o casal observou, estupefato.

Há quem diga que este Anjo do Senhor teria sido Gabriel, mas temos visto que este anjo que assiste diante de Deus, quando atuou em nome de Deus não se negou a dizer o seu nome, aliás, pronunciou-o voluntariamente para Daniel (Dan. 9:21), Zacarias e também a Maria (Lucas 1:19, 26).

À parte disso, o fato é que aquela criança da tribo de Dan cresceu e foi abençoadíssimo, sendo muitas vezes visitado pelo Espírito do Senhor, em ocasiões específicas, nas quais se notava que as suas forças eram multiplicadas sobrenatural e excepcionalmente.

Tal concentração de poder sobre uma pessoa serviu para demonstrar a todos que o Senhor Yaweh detém a grande força e o grande poder nas Suas mãos santas, e não há ninguém que possa detê-Lo.

Os filisteus, ao notarem as demonstrações de força de Yaweh em Sansão, ficaram boquiabertos, temerosos e perceberam que enquanto aquele israelita fosse assim dotado dos dons de Deus, eles encontrariam uma terrível barreira contra os seus propósitos e sua soberania.   Eles tencionavam expandir seus domínios para além das fronteiras de Judá e Benjamin, e aqueles feitos incríveis de um só homem os estavam assombrando, deixando suas tropas desafiadas, desarvoradas e de espírito atemorizado demais para sequer entrarem em uma batalha contra Israel.   A força e os feitos de Sansão abalou os arraiais filisteus.

Através de Sansão o Senhor Yaweh deteve o avanço do domínio filisteu que ia rompendo os limites de Judá, sem precisar usar da força de um exército.   Apenas um, somente um homem usado por Ele, já era o suficiente para amedrontar aos Seus inimigos, e este homem era ele, o nazireu preparado, escolhido e ungido por Seu Espírito, Sansão.

Ao Senhor Deus dos Exércitos, o grande autor da Criação, pertence a força, o domínio e o poder, e Ele o dá a quem bem Lhe parecer.   Queira Ele nos contemplar com Seus dons maravilhosos, para que o mundo O conheça, e Lhe dê toda a glória, glória esta que Lhe é devida por todos os direitos.

Jesus, o Cristo, que veio a este mundo como um só homem, Deus encarnado em uma só pessoa, venceu a todas as hostes infernais que oprimiam e oprime aos homens.   Curou enfermidades incuráveis, ressuscitou mortos, deu-nos nova vida, e Ele também ressuscitou.   Nele reside a plenitude de Deus, com toda a força, todo o poder, e toda a glória.   Sansão foi apenas uma prévia na qual o Senhor demonstrou do que Ele é capaz, e em Cristo Ele operou uma salvação que venceu a toda a operação do mal que escraviza os homens.   Se Sansão venceu a alguns milhares pelo poder de Deus, Jesus operou a nossa redenção ao mesmo tempo em que esta alcançou a milhões e milhões.   Ele é a nossa maior bênção de Deus.   Que todos nós O abracemos como o nosso grande Campeão.   A Ele pois, glorifiquemos!


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