RUTE – III – UM ROMANCE PROMOVIDO POR DEUS

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septiembre 24, 2015 by Bortolato

Ruth e Boaz

Deus é romântico!… É o que concluímos quando vemos que pessoas nasceram com potencial para amar, potencial este que se desperta mesmo em crianças.

O apóstolo S. João disse que Deus é amor (I João 4:8) – esta é a Sua essência, a qualidade que nunca falta em Seu ser.

Deus fez o homem e a mulher (Gênesis 2), e a constituição física e psicológica destes foi formada de maneira a trazerem à luz sentimentos que se atraem, harmonizam-se mutuamente e se ajustam de modo a servirem um ao outro, trazendo-lhes prazer e alegrias recíprocos.   Considere-se, porém, que nem todos os perfis da população do mundo são harmônicos.

Logicamente nem tudo são flores neste planeta, e devido à corrosão do pecado, nem sempre esta atração é benéfica – caso em que , se de fato há amor nos corações, vale a pena avaliar se as formas e padrões de comportamento são convenientes e compatíveis – e se não o são, o amor diz para afastarem-se, pois os formatos não se encaixam satisfatoriamente, e Deus é Deus de paz, e não de desarmonias ou desencontros.

No livro de Rute, no seu capitulo 2, vemos uma jovem viúva que tinha direitos diante de seus parentes remidores, aliás, havia dois deles que, de acordo com a Lei do Levirato, capítulo à parte da Lei de Moisés, seriam os seus possíveis resgatadores, pessoas quotadas para prestar assistência a viúvas de seus parentes mais chegados.

Ela, como a viúva de Malom, herdeiro de Elimeleque, teria direitos em expectativa: uma data de terras que pertencera ao seu sogro, e… um possível casamento com um parente remidor.

Como temos comentado no capítulo anterior, essa lei previa os casos em que viúvas sem filhos, a fim de que não ficassem desamparadas, estas deveriam ser desposadas pelos irmãos ou parentes próximos. Isto pode parecer um tanto estranho à cultura ocidental atual, mas não o era, naquela época e região, onde a previdência social devia ser praticada só entre a família.   Este procedimento legal certamente que teria suas implicações econômicas, além de trazer consequências para o direito das famílias, principalmente no tocante às heranças, o que seria apenas um detalhe.   Este era o plano de previdência privada que beneficiava esses casos especiais de viúvas sem filhos.

As pessoas quotadas como possíveis remidores poderiam e deveriam ser convocados a uma reunião com os líderes da cidade, com a finalidade de ser-lhes proposta a remissão da viúva sem filhos, o que significaria terem de comprar a propriedade a que tinha direito o falecido marido e … casarem-se com a mesma, a fim de suscitarem descendência em nome daquele que falecera – e, no caso, os filhos assim concebidos passariam a fazer parte daquele ramo da árvore genealógica ameaçada de extinção.

Este seria um direito outorgado por força de lei a Noemi e Rute, mas Noemi era já idosa e não poderia mais ter filhos, aqueles que, ao crescerem, poderiam dar toda assistência e carinho à mãe.   Noemi já tivera dois filhos, os quais, por uma atrocidade do destino, já haviam morrido, e passara da idade de ainda poder tornar-se mãe.

Rute, porém, era jovem, e poderia ser resgatada para fazer funcionar, com vantagens para si, a Lei do Levirato, mas ela não se precipitou a reclamar tais direitos.   Em vez disso, propôs-se apenas a fazer o papel batalhador que caberia a um chefe de família, cabeça do lar de uma família empobrecida, partindo aos campos de plantação de cereais que seus vizinhos já estavam colhendo, para prover o que comer, ela e sua sogra.

Esta era uma outra prerrogativa da qual Rute dispunha: ela era viúva pobre, e ainda acima de tudo, uma estrangeira – o que lhe facultava duplamente a colher as sobras da colheita, que os trabalhadores do campo deixavam para trás (Levítico 23:22).

Assim Rute enfrentava as dificuldades que a vida lhe trouxe.   Assim ela defendia o seu pão de cada dia, abençoando a sua sogra que era só, a quem tinha na mais alta estima.

Ela deixou sua pátria e veio a Belém de Judá a fim de unir-se a Noemi e ao Deus de Israel, disposta a suportar o que desse e viesse, lutando para viverem juntas, consolarem-se uma à outra, e suavizarem o fardo que carregavam.   Ela foi o ombro de apoio que Noemi achou para chorar sua sorte, e ambas choravam juntas – mas elas tinham, além de uma à outra, o Deus de Israel, que já as olhava com amor e compaixão, já lhes havia preparado um lei para ampará-las e… uma agradável surpresa no decorrer dos dias prestes a raiar.

Lá foi Rute buscar um campo de cevada, onde os obreiros estivessem a colher…

Parecia ser obra do acaso, mas diremos que foi a mão provedora do Senhor que, sem ela perceber, a estava dirigindo.   Parecia não estar no caminho certo, mas onde será?   Ela não sabia ainda para onde dirigir os seus passos, mas ia caminhando, e os seus pés a estavam levando para um lugar que não imaginava como seria…

Ela precisava de encontrar pessoas aparentemente gentis, e assim que viu algo com as características, pelo menos a princípio, minimamente ideais, foi-se achegando ali, timidamente, junto aos trabalhadores de uma seara.

Humildemente ela se apresenta e logo todos já sabiam quem era Rute, a nora de Noemi, a mulher que saiu abastada de Belém, e voltou pobre e com o coração despedaçado. Parecia que aquele grupo de trabalhadores se condoía dela e de sua sogra… Sentindo-se com liberdade para colher os rabiscos que iam sendo deixados no campo, ela os seguia a pouca distância, e ia apanhando, assim, uma e outra gavela de centeio.   Devagar ia olhando, e vendo com cuidado aquilo que poderia levar.   O que lhe viesse à mão seria lucro, fosse pouco, ou fosse muito.

Em dado momento, chegou o proprietário daquele campo, o dono da colheita. Seu nome, Boaz.

Educadamente, aquele senhor respeitado cumprimenta a todos os presentes ali, e logo lhe chamou à atenção aquela jovem, a quem não tinha contratado, e portanto, não a conhecia.   Seu interesse por ela lhe dá um pequeno sinal, pois Rute era uma bela mulher, mas sendo um homem já experiente, de meia idade para mais idoso, não se deixa levar facilmente por tais primeiras impressões, e apenas pergunta quem é ela.

O encarregado da colheita o informa: ela é Rute, a nora de Noemi, aquela que a acompanha desde a terra de Moabe.   Logo o seu conceito sobre a jovem viúva completou-lhe a visão de um quadro de uma mulher virtuosa.   O performance de Rute era exemplar, e diante dos mais severos críticos, era no mínimo admirável, uma joia de nora.

Então ele se dirige a ela com o coração aberto, tecendo-lhe altos elogios pela sua atitude solidária para com Noemi.   Tencionando ajudá-la, ele lhe diz que ela terá o seu campo de cevada todo à disposição para aquilo a que ela veio; pensando também na sua segurança, ele diz-lhe também que deu ordens terminantes a todos os seus comandados para que ninguém a moleste; e quando o quisesse, poderia ir às vasilhas de água para beber à vontade.   Era uma saudação de boas vindas, abrindo as portas e o coração para ela continuar a respigar em seu campo.

Ela então se viu impactada diante daquela atitude excepcionalmente cortês, e tão benevolente.   Humildemente, a jovem inclina o seu rosto em terra, atitude um tanto radical em outras civilizações, mas comum entre aquelas culturas do Oriente Médio de então, para demonstrar uma reação de submissão e gratidão a alguém julgado superior.   Ela lhe diz que ficou surpresa com suas palavras, lembrando-lhe que ela era apenas uma estrangeira, status um tanto desvalorizado dentre os homens de Israel; mas este item parecia nada significar para Boaz, que aprendera que as qualidades da alma são mais valiosas que preconceitos e a aparência física.

Ele lhe responde com muito carinho e agrado o quanto se impressionara com a atitude corajosa e altruísta que ela, uma moabita, teve ao buscar refúgio sob as asas do Senhor Yaweh, naquela terra que não conhecia.

Ela diz então sentir-se muito favorecida com aquela atenção toda especial, e que as palavras de Boaz encheram o seu coração.

À hora da refeição, ele a convida a participar juntamente com ele e os seus empregados.   Parecia a Rute uma grande demonstração de simpatia, talvez movida de compaixão pelo seu estado, mas era algo mais que isso.

Amor à primeira vista? Pelo menos é desse modo que se sabe que os romances se iniciam.   Este detalhe é algo que ficou discretamente em suspense aos olhos de quem observava de fora, mas conhecendo as qualidades do Deus de amor, entendemos que era Ele, o Senhor, que já estava trabalhando neste caso, atingindo aos corações.

O fato é que Boaz viu a moça e esta lhe chamou à atenção; ouviu falar de suas qualidades e se encantou; conversou com ela, e lhe demonstrou afeição; ela, sentindo-se o alvo de palavras carinhosas, surpreendeu-se; foi abençoada em nome do Senhor e confessou ter sido atingida no fundo de seu coração.   Era o milagre do amor dando a graça da sua presença, muito embora, analisando-se apenas sob o prisma dos comportamentos exteriorizados, tudo não tivesse meramente a aparência de uma amizade, e nada mais.

Assentada à mesa, ao lado dos segadores, ainda recebeu uma porção farta de grãos tostados, os quais ela gostosamente os comeu e, tendo sobrado bastante, guardou-os, pensando em levá-los a Noemi no final daquele dia.

Com vistas a facilitar as tarefas dela, de respigar sobras do campo de cevada, Boaz dá ordem aos seus servos para que estes deixassem propositadamente para trás espigas, e seguirem em frente, sem voltarem para apanhá-las, a fim de que ela o fizesse, tomando-as e guardando-as no seu bornal.   Logo, este ficou cheio, e ela precisou usar sua capa para poder transportar todo o produto do dia.

Chegado o final da tarde, ela volta do campo e dirige-se para a cidade com uma boa porção de cereais para ela e Noemi, ambas, poderem alimentar-se e ainda estocarem cereais para cerca de dez dias ou mais.

Noemi olha para o sucesso daquela jornada e vê nos olhos de Rute que esta estava bastante alegre com o resultado do seu labor – mas aquela quantidade de grãos não era comum serem deixados para os órfãos, viúvas e estrangeiros.   Em meio a tantos infortúnios, algo de bom estava se manifestando de forma favorável àquelas duas mulheres. Boas notícias!

Aquele foi um grande dia! Algo que trazia bons sinais de esperança dali para a frente.   O volume colhido preencheria quase totalmente um efa, medida de 20 ou 40 litros.

– “Mas como foi isso?   Que bom!   Espantoso!” Indagava-se Noemi.

Comentou ela, então:

– “Quem foi o abençoado de Yaweh que lhe abriu tão generosamente o seu campo maduro para a ceifa, de modo que ela, Rute, trouxesse para casa uma fartura de cereais?”

Rute, com uma alegria que não conseguia esconder, diz o nome dele: Boaz. Um homem especialmente gentil, que lhe causou boa impressão…

Imediatamente Noemi recobra memórias do tempo em que convivia com a parentela de Elimeleque. Boaz!   Boas novas!   Ele é um parente chegado, e alguém que poderia ser o resgatador das duas viúvas, papel previsto na Lei de Moisés, destinado a levar amparo às duas viúvas sem filhos.

A descrição que Rute faz do varão deixa transparecer que ele parece ter-se engraçado com ela, e ainda convidou-a para continuar a colher e respigar em seu campo, pois no caso ela ali seria bem recebida e bem tratada – e seria um grande prazer tornar a vê-la novamente.

Esta história traz, por analogia, em seu escopo, uma comparação do amor de Jesus por Sua noiva, a Igreja.   A Igreja, por natureza, não é de composição exclusivamente hebraica; é também o reduto de todas as nações, raças, e tribos, os quais perfazem sua grande parte.   Os gentios, aliás, preenchem a maior parte do contingente de seus membros.   O amor de Deus é tão imenso que abre o Seu coração para receber a todos, o que inclui também aos gentios debaixo de Suas asas.   Há um lugar para todos, e os gentios são recepcionados com muito amor.   Esta é uma das diferenças entre Israel e a Igreja – o rol proporcional de sua população de origem gentílica.   Os gentios todos são chamados para fazerem parte do número dos herdeiros das mais ricas bênçãos celestiais, porque o Deus de Israel passou a revelar-Se e dar-Se a todos os povos.

Os gentios, que muitas vezes se sentiam lesados, ultrajados e mal curados no mundo, mesmo no tempo da Lei de Moisés podiam sentir-se chamados para virem à Terra de Israel e desfrutarem da Revelação de Yaweh, além de poderem ali trabalhar, junto à terra que Deus escolhera para serem abençoados sobremaneira.   Assim foi o caso de Rute.

Cristo, porém, bem mais que isto, encanta aos gentios com Seu amor inigualável, atraindo-os para Si, oferecendo-lhes uma consolação e um conforto que os atrai em massa – e eles respondem, dizendo o seu “sim”, e logo vêm, e seguem os passos do Nazareno.

O amor de Cristo para com este mundo foi assim manifesto de maneira cativante, não tanto ligado à Lei, mas dado liberalmente, tal como um jovem se encanta com sua amada, e começa a despertar-lhe aqueles sentimentos que a atraem, e faz com que ela se sinta cortejada, e alvo do seu profundo interesse, alguém importante e especial para ele.   E Cristo oferece vantagens eternas, que superam as expectativas que um romance normal deste mundo poderia oferecer.

Cristo é maravilhoso, gentil, encantador, sua beleza é deslumbrante, e Ele se nos achega em momentos nos quais mais dEle necessitamos, apagando as dores da alma, dissipando os desencontros da vida com o Seu sorriso poderoso, apresentando-nos um caminho iluminado por Seu brilho e gentilmente nos convida a segui-Lo.   O Seu sorriso nos diz tacitamente que Ele tem uma alegria muito grande e duradoura a acrescentar aos nossos corações. Uma alegria que não terá fim…

Quem quiser experimentar, crendo no que Ele nos oferece, vai receber o maior prêmio que a vida nos poderia dar – e verá que a solidão, as amarguras, as mágoas, as tristezas terão ficado para trás, tragadas pela vitória que se avoluma a cada dia, até os dias da eternidade.

Atendamos ao Seu convite, Ele está à nossa frente, de mãos estendidas para nos abraçar e nos abençoar!   Ele é o nosso resgatador, que com Seu sangue pagou um alto preço para nos salvar.   Vamos ao Seu encontro, apeguemo-nos a Ele, e isto se reverterá em uma bênção eterna!


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