RUTE – IV – UM ROMANCE SELADO POR DEUS

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Septiembre 29, 2015 by Bortolato

Este é o sonho de muitas pessoas jovens, adultos e até mesmo de alguns idosos. Não se trata de acharem apenas alguém para passarem juntos o tempos que acharem interessante assim fazê-lo, mas de encontrarem aquela pessoa cuja formação tenha sido dada por Deus de tal maneira que se perceba que as formas se encaixam.   Que viverão um sonho de amor que ultrapassará as barreiras do tempo, e das crises da vida. Que juntos poderão chegar à velhice e enfrentar as dificuldades da fase, até chegarem ao limite extremo da duração desta vida.   Todos os problemas não serão suficientes para separar os seus caminhos; aliás estes tenderão a uni-los ainda mais, porque as compensações do amor lhes redobrarão as forças e continuarão unidos, porque o vínculo harmonioso entre eles lhes conservará a felicidade; e quando faltar a um deles o sopro da vida, ainda lhes restará a esperança do reencontro saudoso na dimensão da eternidade.

Não é assim a melhor forma de realizar-se o sonho que subjaz no inconsciente e até aflora no consciente de cada ser?   Este é um chamado para o usufruir das mais altas câmaras da felicidade.   Felizes aqueles que encontraram a sua outra metade, neste espírito de fidelidade.

Mas a pergunta que se segue é: como encontrar a pessoa certa para se realizar esta tão profunda aspiração?   Muitos lutam sem cessar, para depois perceberem que tudo redundou em frustração.   Acham que, se forem bastante inteligentes ou espertos nesta área, é que poderão ser bem sucedidos. A vida, porém se nos mostra como um longo percurso a ser corrido, no qual é quase impossível evitar-se alguns problemas, tais como o desgaste, o cansaço, ou mesmo um acidente…

Diremos que esta felicidade tão almejada está nas mãos de Deus, e Ele é quem pode dar um bom final à história de cada um de nós. E Ele tem-nos legado os Seus princípios, que se encontram em Sua Palavra.

No livro de Rute, em seu capítulo 3º, vemos que os sentimentos nascidos entre Boaz e a moabita começam a tomar um rumo mais sério de envolvimento.   Havia um certo clima favorável, que causava agradável sensação quando ambos se viam.   Ambos inspiravam paz um ao outro, quando se avistavam, e isto era um bom sinal, e ambos se admiravam em alta conta.

Rute era a mulher virtuosa aos olhos de Boaz, e este era para ela um gentil senhor que não escondia a sua admiração pela jovem.   Ele compreendia o drama por que ela e sua sogra estavam passando.   Ele se apresentava a ela como um bálsamo suave que atenuava as dores de sua alma, um verdadeiro representante do Deus misericordioso de Israel, a quem ela agora estava conhecendo na terra que o Senhor dera aos falecidos maridos de sua família.

Noemi, a sogra viúva da jovem viúva, mesmo não estando presente naqueles momentos em que os dois se encontraram e se encantaram, pôde perceber a alegria e a satisfação que o coração de Rute demonstrava quando falava acerca da maneira adocicada com que Boaz a tratava.   Na sua experiência de mulher da terceira idade, ela pôde notar que algo diferente a havia tocado, e que algo de muito bom estava prestes a acontecer.

Um romance sadio dava sinais de surgimento naquela relação discreta, tudo sob o prisma de uma amizade que o par vinha desenvolvendo.

Pensando em sua viuvez, no trauma que invadiu agressivamente a sua alma, Noemi se tinha amargurado, pensando que Deus a havia escolhido para ser alvo de Sua ira… Perdeu o marido, perdeu todos os seus filhos, perdeu a possibilidade de ter netos, porém… agora parecia que as coisas estavam tomando um rumo muito consolador e a rota de sua vida dava sinais de uma conversão para melhor.   A vida parecia tornar a sorrir-lhe no horizonte.

Logo que teve notícias do fato, Noemi abençoou a Boaz, afirmando que ele não deixou de exercer a benevolência nem para com os vivos, e nem para com os mortos (Rt. 2:20). Ela bem observou: – “Este homem é nosso parente chegado, e um dos nossos resgatadores…” – uma esperança que alegrou os corações das duas, pois um resgatador seria um candidato a cumprir a Lei do Levirato, acerca da qual temos comentado anteriormente – mas o melhor da história é que Boaz se estava sutilmente desenhando-se como tal, e docemente reagia, de modo positivo a essa possibilidade, como se uma agradável situação estivesse à sua frente.

Boaz, de início, absolutamente nada mencionou sobre esse dispositivo legal que o poderia atingir em cheio.   Isto seria manifestar algo de natureza fria, enquanto estava aquecendo o seu coração. Rute, muito menos.   Ela jamais quereria impor-lhe o fato como uma obrigação a ser cumprida – seria estragar a doçura daquele momento, como que “colocar o carro adiante dos bois”.

Assim ambos levaram aquele flerte devagar, como que em “banho Maria”, deixando as coisas se aquecerem naturalmente.   Deus sabia como eles foram psicologicamente formados, e estava usando aquelas circunstâncias para aproximá-los, levando-os a uma identificação recíproca e a constatarem que as formas de cada um se encaixavam harmoniosamente.

Passou-se a época da sega da cevada e do trigo, e este foi o tempo que tiveram para se aproximarem mais um pouco.   Faltava apenas um gesto e uma palavra para que um compromisso selasse aquela promessa de uma relação eterna.   A palavra final, porém, teria que partir de uma decisão a ser tomada por Boaz, mas uma pequena dúvida pairava na mente do belemita.

Qual era a dúvida?   Rute era uma mulher afável no trato, o que seria um fator positivo para que tudo fosse posto à tona expressamente – mas não era este o ponto que lançava névoa nos pensamentos de Boaz.   Ele estava ciente de algo mais sério: havia uma certa diferença de idades…   Ele era já homem maduro, provavelmente próximo da terceira idade, e ela era uma jovem com toda uma vida pela frente.   Talvez ela preferisse alguém mais jovem – não se sabe quem, mas a uma jovem viúva de tão altas qualidades, não haveriam de faltar outros candidatos…   e ele não sabia como relevar este obstáculo em seus raciocínios. Pois o que seria melhor para ela?   Somente ela poderia dizer o que achava sobre o caso.

Talvez deixando o tempo passar e cuidar de resolver essa equação e então tudo se definiria conforme fosse a vontade da jovem de Moabe.   O ideal era que ela estivesse plenamente à vontade para seguir o caminho que melhor lhe parecesse.   Que nada interferisse no desenvolver dos pensamentos de Rute, pois afinal ela era jovem, ainda.   Que ela então decidisse para qual vertente seguir, e seria melhor assim.   Desta forma, Boaz estava se conformando em deixar tudo, descansando nas mãos do Senhor.

Ser um possível resgatador da jovem viúva não seria o fator mais importante para se chegar a um compromisso sério como um casamento feliz, e Boaz sabia bem disso, pois que ele mesmo era um dos líderes do colegiado da cidade de Belém, conhecia a Lei e até julgava casos dessa natureza juntamente com outros líderes locais.

O tempo foi, em parte, o fator que Deus usou para dar um final feliz ao casal que se apresentava como uma promissora esperança que de repente surgiu, surpreendendo-os… mas aos olhos humanos, o tempo escoava, e em dado momento as oportunidades pareciam estar escapando…

Noemi, porém, sabendo que Boaz haveria de passar uma tarde supervisionando o trabalho de separação da palha da cevada, pensou bem e arquitetou um plano.   Ela achou que era a hora de passar-se de uma simples amizade ou flerte indefinido para algo bem mais claro. Ela tramou uma operação um tanto arrojada, mas era para Rute ser abençoada naquele projeto que chamaríamos de affair. Pensando sobre o futuro de Rute, sua nora idônea; conhecendo a Boaz como um bom homem, e sabendo que as coisas por ora estavam indo bem, rumando para um bom fim, e que o final da colheita poderiam esfriar as possibilidades entre ambos, ela sentiu que teria chegado o momento de agir rapidamente.   Ela decidiu que era a hora de transformar aquela amizade promissora em algo mais sério, um compromisso real.

Era finda a sega.   Os obreiros do campo estariam lançando a cevada para o ar através de uma grande espécie de peneira, e o vento vespertino faria com que a palha fosse levada pelo seu soprar, deixando cair de volta na peneira somente as sementes.

Boaz acompanharia o trabalho dos segadores, de modo a ter de cumprir uma longa tarefa. Ele trataria de orientar a coleta e estocamento da cevada, de limpar a eira, removendo-lhe as palhas, o subproduto daquela safra, e isto queria dizer que ele não iria dormir em sua casa na cidade, naquela noite.

Como poderia Rute expressar-se de forma a demonstrar que, embora desejasse ser resgatada por Boaz, não queria estragar o clima romântico que se criara entre ambos? Ela não queria expô-lo publicamente, bem como a si mesma, pressionando-o a assumir uma obrigação, mas desejava manifestar que, antes disso, estava disposta a mostrar-lhe que os galanteios e as gentilezas de Boaz haviam conquistado o seu coração, e o resgate dela…   bem, isto seria apenas um consequente detalhe, uma formalidade que poderia ser concluída a seu tempo.

Noemi propõe a Rute um plano ao mesmo tempo ousado, bem como respeitoso e sem que houvesse a participação de mais ninguém, em reservado, evitando a exposição em público.   Ela propõe a Rute que naquela noite, se vestisse com suas melhores vestes, e, após finda a etapa de trabalho naquele dia, em chegada a hora em que Boaz estivesse para se recolher e dormir, que o observasse atenta e discretamente, para saber onde este se deitaria…

Boaz, então, depois de comer, beber e alegrar-se, foi procurar um lugar para se deitar.

Rute esperou um pouco e então, vendo que ele já dormia, chegou-se mansamente, descobriu-lhe os pés, e ali, aos pés do seu escolhido, deitou-se.   Esta foi uma patente declaração de um amor nutrido durante o desenvolver de uma amizade e admiração que ambos depositavam um no outro.

Certamente que algumas possibilidades estavam em jogo – um “sim”, ou talvez um “não”. O que adviesse depois desse ato, traria uma outra sequência de decisões a serem tomadas.

Se Boaz lhe dissesse “não”, ela teria que se retirar dali, e se sentiria rejeitada, talvez até um tanto envergonhada pela sua audácia, mas era necessário saber, pois o seu coração o pedia assim.

E se ele dissesse OK?   Noemi sabia que ele, um homem honrado como era, não quereria aproveitar-se da jovem para apenas ter algum momento de prazer.   Ele não faria isso. Contudo, este era um risco que teriam que correr, pois que a colheita já era finda, aquela hora era propícia, e se deixassem a oportunidade passar em branco, o tempo correria contra o alvo das duas viúvas.

Ao final das contas, Rute teria o direito de ser resgatada, mas, mais importante que isto, teria também o direito de escolher a quem quisesse para algo tão importante e cheio de consequências para o restante de sua vida, como um casamento.

E assim foi…

Passados ali alguns momentos, no meio da noite, os pés de Boaz se esfriaram e o efeito sonífero do vinho já havia passado.   Então ele acorda, e se assusta ao perceber que uma mulher estava deitada aos seus pés.   Quem era ela?   Ele pergunta.   A luz do luar não lhe permitiu distinguir as feições.

Era chegada a hora do expressar, e da decisão!

Rute se identifica, e pede-lhe que ele “estenda sua capa sobre ela”, e pede-lhe para ser o seu resgatador.   Ele era o resgatador da sua escolha! Com isto, indiretamente ela pediu-lhe que ele passasse a ser o seu protetor e também seu marido!

Boaz já a protegia antes disso, de um certo modo, mas agora as coisas ficaram bem mais claras.   Ela não queria ser resgatada e nem ser esposa de outro homem. Era a declaração de uma escolha, e uma escolha de amor!   E um pedido de atenção ao seu resgate, antes que algum outro desejasse fazê-lo, antecipando-se, o que não seria difícil, pois ela era uma bela mulher!

Boaz reconheceu nesse gesto que a jovem, além de virtuosa, era sua fã incondicional, e também que sabia o que queria.   Ele percebeu que a escolha da jovem viúva recaiu sobre si, apesar da chamada “barreira entre gerações”.   Ela poderia ter escolhido a outro, e de fato havia alguém que, na lista de prioridades, detinha a preferência para o resgate, por força de Lei – mas não foi este último, e sim, Boaz quem a cativou com sua brandura.   Era Boaz o nome de sua preferência.

Ele logo foi atingido pela declaração indireta, embutida no pedido de Rute, não a rejeitou, e não a censurou pela sua franqueza e intrepidez.   Foi bom assim, aliás, foi ótimo. Ele gostou, e se alegrou com a revelação.   Sentiu-se lisonjeado, um homem de sorte, e o seu coração se abriu à jovem.   Ele reconhecia que ela era uma mulher abençoada pelo Senhor Yaweh, e a exposição daquela escolha de Rute em detrimento de outrem o estava confirmando assim. O que mais ele quereria?

Boaz então lhe explica que para ser seu resgatador, ele teria que obedecer a ordem de preferência, mas isto ele faria com muita expectativa, sabedoria e de todo o seu coração, aguardando no Senhor que as coisas dessem certo, de acordo com as pretensões de ambos ali.   Ele lhe promete que assim o faria, e sem demora.

Então ambos resolvem continuar deitados ali, como estavam, até pela manhã, mantendo o respeito e os limites que a situação lhes impunha.   De presente, ao despedirem-se, ele ainda lhe deu seis medidas de cevada (cerca de um terço de um efa, o que corresponde a seis ou doze quilos), os colocou sobre o manto de Rute, e ela, carregando-o sobre as costas, logo se foi para a cidade, mas um tempo feliz já estava marcando os seus corações e um novo rumo para suas vidas.

Vemos mais uma vez as semelhanças do feliz destino que Jesus marcou para a Sua noiva, a Igreja. Ele não a obrigou a unir-se a Si, mas deixou que esta tomasse sua decisão per si, com toda a liberdade; e Ele só a toma com Sua prometida quando esta manifesta expressamente o seu amor, assumindo um compromisso contínuo para valer pelo restante da eternidade.

Ele, Jesus, ama ao Seu povo e agrada-o, corteja-o, demonstra o Seu afeto com persistência, promete-lhe ser o seu Resgatador e, disposto a tudo para tê-lo junto a Si, ainda trabalha e aguarda com muito amor pelo dia em que poderão unirem-se para todo o sempre.

Jesus e a noiva, a Igreja, um sonho de amor que durará eternamente, juntos e inseparáveis!   Uma realização, uma ventura, um romance espiritual que atrai, encanta e promete durar pelo infinito do tempo.

A felicidade eterna existe, e tem um nome.   Era chamado de Yaweh nos tempos antigos do Velho Testamento, e hoje o seu nome é Jesus! E Ele veio para nos dar vida e vida com abundância!

Que cada partícula do corpo desta bem-aventurada noiva se posicione alegremente no lugar que lhe pertence por direito – direito conquistado pelo sangue resgatador que desceu da cruz de Cristo – e a felicidade, esta tão procurada felicidade será absolutamente completa, transbordante, quando Ele Se revelar em sua próxima vinda.


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