RUTE – V – O AMOR VENCE

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octubre 2, 2015 by Bortolato

Família abençoada

O amor nunca falha… supera distâncias, obstáculos, o tempo, a dor, as dúvidas, as incertezas, sempre mantendo-se vivo e ativo nos corações.

O amor não se deixa ser comprado, pois quaisquer ofertas neste sentido se lhe assemelham a nada, e por conseguinte são desprezadas.

O amor é uma maravilha que Deus fez brotar nos corações e sua beleza é incomparável.   Na verdade, é a essência divina compartilhada entre os humanos e os anjos.

O amor tem várias facetas.   No evangelho de João, em seu capítulo 21, versos de 15 a 17, observamos duas das três palavras gregas que o denotam: (1). o amor “Fileo”, que se mostra através de uma feliz e solidária amizade, nas três respostas de Pedro; (2). O amor “Eros”, que se prende ao desejo provocado por estímulos do corpo; (3). O amor “Ágape”, que foi o verbo que Jesus usou para perguntar a Pedro por duas vezes, o qual é o amor mais profundo, nobre e perfeito, que tudo oferece sem nada pedir em troca, cuja grande recompensa é sentir que beneficia à(s) pessoa(s) alvo desse amor.   É desta forma que Cristo ama aos pecadores, resgata-os das garras da condenação eterna, purifica-os, lava-os com Seu sangue, forma-os à Sua semelhança de santidade e a Seu tempo leva-os para o Seu lar, onde gozarão do conúbio celeste, duradouro por toda eternidade.

Desta forma, os casamentos felizes deste mundo são um prenúncio daquilo que Jesus deseja ter com a Sua noiva, a Igreja.

Em Rute, capítulo 4º, vemos um casamento que prefigurou, de certa forma, a maneira como Cristo lutou para conseguir o direito de desposar a Sua noiva.

Sentindo, então, o coração cheio da esperança de desposar Rute, a moabita, Boaz, o belemita concebeu e pôs em prática um plano tal que, se o Senhor lhe fosse favorável, ele lograria alcançar realizar o seu sonho de amor com a sua escolhida.

No dia seguinte ao do encerramento da sua colheita, Boaz vai até o pórtico da cidade.   Esse lugar era onde aconteciam as decisões colegiadas dos líderes de Belém.   Era também uma espécie de Cartório informal, sem anotações e sem notas escritas.   A palavra falada perante testemunhas valia como documento.   Os negócios contratados ali não precisavam de certidões e nem de registros, bastando a palavra dada em consonância com algum ritual costumeiro para dar-se por selada a transação.   Ali se assentavam os líderes da comunidade e as pessoas que desejavam alcançar alguma decisão do tipo extrajudicial (mas às vezes com força judicial, conforme o caso), a fim de darem casos por encerrados.

O coração de Boaz batia feliz e confiante, mas sabia que ele não estava privilegiado na ordem de preferência, conforme os costumes da Lei.   Disposto, porém, a alcançar o direito de tomar a mão de Rute, ele foi em frente, respeitando, contudo, os ditames daquela conhecida Lei do Levirato.

Assentado junto à porta da cidade, Boaz aguardava ansiosamente pelo momento certo, e este momento seria quando o resgatador que detinha a preferência para arrematar o resgate iria passar por ali.

Boaz esperou pacientemente, até que o homem veio.   Era chegada a hora decisiva. Ou as coisas seriam definidas em seu favor, ou não, e neste caso, era desistir de tudo, dar de mãos, e deixar de lado seus sentimentos, e tentar esquecer Rute e Noemi.   Isto ele não quereria, mas tinha que passar por aquele processo – assim era por força de Lei.

Ao vê-lo, Boaz chama-o para ali assentar-se, junto aos líderes da cidade. Dez deles são chamados para testemunhar e decidir o desenrolar e o desfecho daquele caso.

A sessão começa.

Boaz então expõe a situação, começando a falar da necessidade de ser resgatado o campo que pertenceu a Elimeleque, a quem ele chamou de “nosso irmão”, a fim de entregar-se o valor nas mãos de Noemi, a viúva do referido.

O resgatador contemplado pela ordem de preferência logo pensou no campo, na possibilidade de ali levar seus empregados, plantar messes, colher boas safras, encher seus celeiros com maior fartura e abundância, poder vender os frutos, e enfim tornar-se mais rico com os resultados daquela transação.   Ele antevia os cifrões dos lucros à sua frente. Uma boa fonte de lucros estaria próxima ao seu alcance.   Isto aumentaria o seu patrimônio, alargaria as suas posses.   Boas perspectivas materiais para o seu futuro e o futuro de seus filhos. – “Bom!   Muito bom!”, pensava ele.   Pensou em tudo isso, mas nem sequer atinou para o fato de ter de casar-se com a viúva de Malom, para gerar-lhe uma descendência em nome daquele morto.

Foi então que Boaz lembrou-lhe daquela outra parte do resgate, da qual nem se cogitou até aquele momento: tomar a mão de Rute para suscitar descendentes!

O resgatador era outro homem maduro, que já havia constituído família e tinha seus filhos; e diante da exposição de toda a situação, pensa melhor.   Aquela era uma situação que envolvia direitos sobre heranças.   Se ele comprasse, ou seja, resgatasse aquele campo, este passaria a fazer parte de toda a massa de bens e direitos que possuía, e, se tivesse que suscitar descendentes para o nome de Malom e Elimeleque, os herdeiros destes passariam a ter partes iguais à dos filhos do resgatador já existentes.   Tudo se misturaria, em um caso de sucessão dos direitos.   E de quebra, como novo encargo, teria que passar a sustentar duas viúvas como dois novos membros da sua família.

As terras de Elimeleque estavam abandonadas desde que este se fora para Moabe…   Para obter as benesses das futuras colheitas, teria que investir em carpina, arado, tratamento da terra, para depois semear, um exaustivo trabalho e… esperar um certo tempo para colher.   Enquanto isso, as terras do resgatador estavam produzindo há bom tempo.   As duas propriedades não teriam o mesmo valor, em uma comparação a grosso modo.   Misturar as duas em uma herança, pelo menos de início, não lhe parecia mais um bom negócio.

Daí foi que o resgatador em pauta se viu em uma situação em que poderia causar-lhe problemas familiares.   Como seus filhos iriam receber esta notícia?   Intrigas familiares à vista!   Certamente ele seria muito cobrado e mal julgado pelos seus, se assim o fizesse.   Melhor seria evitá-lo, e Boaz lhe disse que faria o resgate, se o tal não o quisesse.   Eis aí a porta aberta para o escape de um resgate aparentemente não lucrativo… um aparente mau negócio que lhe veio de surpresa como que ameaçando a prendê-lo como por um laço. Não, não!   Melhor dizer não, e o resgatador se nega a resgatar.   Assim seria melhor para ele, e que seja melhor para Boaz, se este assim o deseja!

O resgatador, então, tendo decidido que não cumpriria esse seu papel, passou o encargo para as mãos de Boaz, que, por dentro, estava jubiloso, pois conseguira o direito de casar-se com Rute, a moabita.

O costume adquirido, oriundo da Lei do Levirato, dizia que o primeiro resgatador, uma vez tendo declinado de sua obrigação, deveria descalçar o seu calçado e entregá-lo a seu parceiro o que seria o próximo candidato – no caso Boaz – e assim estaria selada a transferência da propriedade. Assim se fez.   Rute poderia ter cuspido no rosto daquele que esquivou-se da obrigação de parentesco, e passar a chamar a sua casa de “Casa do Descalçado”, mas ela não fez questão de proceder assim (Deuteronômio 25:7-10).

Logo, pois, abençoado pelo povo de Belém em nome do Senhor Yaweh, casou-se Boaz com Rute, e como fruto desta união, nasceu Obede, o qual seria, anos depois, o avô do rei Davi.

Vemos nesta história a compaixão de Deus e o cuidado que Ele teve para com as viúvas. Ele é Deus das restaurações, dos recomeços, das renovações, da vida.   Ele atende às orações dos aflitos, consola-os, e os incita a nEle crerem para serem felizes.

O Senhor quer que casais se sintam honrados pela escolha de seus cônjuges, pois Ele é Deus de honra, de amor, de paz e de Suas mãos procede todo o bem que se possa desfrutar.

Assim Ele honrou a Boaz e Rute, fazendo-os felizes participantes da linhagem dAquele que é o Messias, o Rei que governará este mundo com Sua destra de justiça por toda a eternidade.   Assim Ele honrará a todos quantos crerem no Seu Filho que veio a este mundo para buscar e resgatar aquilo que se havia perdido (Lucas 19:10), santificá-los e fazer destes a Sua noiva, a noiva do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.   Ele mesmo a resgatou, pagando um alto preço, preço do sangue que derramou de sobre a cruz do monte Calvário, livrando-a das mãos de mercenários, da ignomínia, e incluindo-a na família de Deus.

Homem e mulher de fé, a felicidade os espera nas mãos do Todo Poderoso Deus, que nos chama a uma doce comunhão de amor e a um casamento eterno com Cristo.   Esta felicidade começa aqui e pode ser desfrutada desde já, culminando com um futuro glorioso, ao se abrirem as portas do céu.

Jesus é o caminho, a porta do céu, o noivo de Sua amada Igreja, e esta é a comunidade dos salvos resgatados pelo Seu sangue; e toda a doçura de uma vida abençoada com Ele nos espera… Sigamo-LO!


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