I SAMUEL – II – A DEDICAÇÃO QUE DEUS TRANSFORMA EM BÊNÇÃOS

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octubre 15, 2015 by Bortolato

ANA, mulher de Elcana

O que ganha um homem ou  mulher ao oferecer a Deus algo que ele tem?   A grosso modo, diremos que o mesmo que alguém ganharia quando oferece um presente a um amigo – não se espera paga, mas deseja-se mostrar simpatia, e o cultivo de uma amizade que alcança as raias de uma parceria que envolve múltiplas facetas da vida.   E o que um amigo nos pode acrescentar? em primeiro lugar, o amor, o carinho para com os seus, além da confiança, a segurança, o socorro amigo no momento da necessidade, uma atitude solidária que preenche a alma, tudo isso sem se contar que o Senhor é o Grande Médico, bondoso, benfeitor, e que Ele tem todo o poder nas Suas santas mãos, e que tudo é dado ao que nEle crê.

Deus está observando a cada um dos habitantes desta Terra, procurando encontrar uma oportunidade para interagir em suas vidas.   Contudo, bem poucos são os que Lhe oferecem a ocasião que Ele tanto espera.   Às vezes, Ele espera que um coração se quebrante diante de um abundante derramar de bênçãos, mas devido a haver tantos males e tantos pecados neste mundo, na maioria das vezes Ele só acaba encontrando aquela brecha esperada no meio das angústias de algumas pessoas.

Nem todos os angustiados, porém, procedem de maneira a alcançarem o favor do Altíssimo.   Muitos são os que desejam apenas o seu livramento, e se porventura logram recebê-lo , logo esquecem das agruras do passado e também do Deus que os contemplou com o Seu favor.   Prosseguem a vida como se tudo tivesse sido obra do acaso.   Esquecem-se do Senhor que os livrou, como se a bênção recebida não tivesse sido importante, e pensam apenas em querer mais e mais, e mais… nunca estão satisfeitos com o que têm, como se a obrigação de Deus fosse sempre atender aos seus desejos.

Existe uma chave que está ao alcance de todos, mas nem todos compreenderam o que fazer para poderem tê-la em suas vidas. Qual é ela?

Este é o ponto: ninguém pode esperar ter uma relação de amor com Deus, se não a cultivar. Em segundo lugar, ninguém jamais deixou de receber dEle algo: o dom da vida por si só já foi uma dádiva de Seu amor.   E com este, muitos outros já vieram acompanhando: alguém que cuidou de nós quando ainda éramos bebês; alguém que nos deu alimento, para podermos viver; o ar que respiramos; a água que bebemos; e muitas outras coisas mais, tantas são que nem dá para as enumerarmos.   V. reconhece essas providências em sua vida?

Então concluímos este pensamento: um relacionamento de amor é construído da troca de gestos de carinho.   Se recebemos tanto, temos em mãos alguma coisa para darmos.   Como, pois, pediríamos tanto, sem nada darmos a Deus?   Pedir sem nada oferecer não é amor puro, é apenas mostra de uma amizade interesseira.

Em Iº Samuel, capítulo 1, temos o exemplo clássico do sucesso e da bênção que uma pessoa recebe quando esta resolve oferecer algo a Deus com o coração totalmente aberto.

Ana, mulher de Elcana, da região montanhosa de Efraim, sofria muito por ter sido uma mulher estéril, um problema bem mais grave dentro da cultura hebraica de então, do que na do ocidente atual.   Era um drama agravado por uma outra mulher de Elcana, a qual tornou-se um estigma de verdadeira opressão, trazendo-lhe certa tortura psicológica, o que poderíamos denominar de assédio moral, um instrumento diabólico que fere, abre feridas na alma e continua batendo constantemente nas feridas abertas.   A arma que Penina, esta mulher opressora, era bater no ponto fraco de Ana: a esterilidade.   Era como que dizer que Ana representava um zero à esquerda para Elcana, para o seu clã, para a sua tribo e para Israel.   O que Penina fazia era pisar sobre a alma de Ana, no afã de poder inflar e preencher o seu ego defeituoso que não lhe permitia que “a outra” pudesse crescer em importância.

Seu marido Elcana olhava para aquela tristeza e sofrimento.   Ana não comia, jejuava muito e orava desconsolada ao Deus de seu povo, o Senhor Yaweh.   Parecia até haver um desencontro entre cônjuges.   Elcana a amava, e ela mal tinha condições de corresponder.   É assim que a felicidade de um casamento fica frustrada, e ambos não viam uma solução à altura, para o desmoronamento que se desabou sobre a estrada de suas vidas.

Uma coisa, porém, nutria as esperanças no coração de Ana, de ver aquele quadro ser mudado:   o poder tremendo de Yaweh!     Ele tem todo o poder, e prometeu em sua Torah que as mulheres de seu povo fiel não permaneceriam estéreis.   E se Ele prometeu, Ele cumpre, não falha porque tem o poder para fazê-lo.

Por que Ana não podia ter filhos?   Não sabemos as razões, mas esta foi a circunstância adversa que Deus usou para atingir o seu coração, e alcançar Seus propósitos para com todo o seu povo.

Chegou então a oportunidade de Ana subir até a casa do Senhor, a Tenda da Sua habitação.   Isto só acontecia uma vez ao ano.   Em lá chegando, adentrou ao pátio e foi-se aproximando do altar.   Elcana estava preocupado em oferecer um animal como oferta ao Senhor, mas ela procurou aproximar-se o quanto mais perto possível da Tenda do Concerto.   Ela estava com um firme propósito: oferecer completamente ao Senhor aquilo de que nenhuma mulher gostaria de abrir mão: o seu próprio filho!

No meio da congregação ali reunida, ela se levanta e, sem nenhum controle sobre suas emoções, começa a chorar copiosamente.   Orava somente à medida que suas emoções o podiam permitir, mas fazia-o entre ela e Deus, apenas balbuciando as palavras em seus lábios.   Foi uma oração entrecortada por lágrimas e soluços, ela mal conseguia exprimir-se perante o Senhor.   Este processo de total quebrantamento demorou até ser completado, até o ponto em que ela o conseguiu.   Quem a pôde observar, decerto ficou muito intrigado com o estado psicológico que ela demonstrava.   Alguns a tomaram por uma louca, ou, na melhor das hipóteses, uma desequilibrada.

Ela lembrava-se que existe na Lei um dispositivo que trata da consagração dos nazireus – homens de Deus, que tinham que obedecer a certo tipo de tratamento um tanto rigoroso quanto a cortes de cabelo, alimentos e bebidas e o principal: a dedicação ao Senhor Yaweh.   Em homenagem ao Deus a quem os pais amavam, eles poderiam dedicar tais filhos ao Senhor, se assim entendessem que deveria ser.   Estes filhos podiam ser educados pelos próprios pais, tomadas as precauções necessárias, mas Ana propõe a si mesma deixar este detalhe nas mãos de Deus, aos cuidados do Seu sacerdote.   Ela estava disposta a doar totalmente, full time, aquilo que consideraria o mais precioso, isto é, que o menino fruto de seu ventre até então estéril fosse totalmente doado ao Senhor.

O sacerdote que a observava, até aquele momento nada entendia do que estava acontecendo com Ana.   Ao seu ver, ela parecia uma mulher embriagada, e tendo ido até mesmo tentar aconselhá-la, foi que então soube que Ana era apenas um coração atribulado.

O Senhor Deus, que pela prerrogativa de Sua presciência já sofria, antevendo o dia da crucificação de Seu Filho Jesus, comoveu o Seu coração diante da sincera entrega de um presente tão valioso daquela mulher que não veio somente pedir, mas nada tinha em suas mãos.   O Senhor sabia que tipo de entrega era aquela!   Era uma oferta do tipo daquela da viúva pobre, que muito pouco tinha nas mãos, mas queria ofertar.  Mais do que isto, era uma oferta que abria mão de um filho – o tipo de oferta que se aproxima do que Deus fez um dia no monte Calvário!   Ana nada tinha nas mãos para dar, mas tinha um projeto santo a ser aprovado, e um compromisso assinado somente com a sua palavra, de entregar o seu próprio filho nas mãos de Deus.

O coração de Deus não somente se comoveu, como também aceitou a oferta e a proposta de Ana, e lhe concedeu o que ela pedia.

O sacerdote Eli, que estava assentado em uma cadeira, junto ao pilar que sustentava o Tabernáculo, e a havia visto, trocou algumas palavras com ela e então compreendeu que havia um drama por trás da alma daquela mulher, e a abençoou ali, veiculando a bênção do céu sobre aquele coração aflito.

Ana, depois disso, já sentia que algo na atmosfera havia mudado.   Já não se sentia mais triste, e o seu coração estava confiante, crendo que recebera de Deus uma grande dádiva.   Ela tornou-se uma mulher diferente.   Estava liberta daquele sentimento de opressão que a estava esmagando por dentro.

Como um dos resultados daquela entrega de Ana, seu relacionamento com Elcana voltou a tornar-se aberto, desimpedido, normal para um casal, e logo ela concebeu, e nasceu o menino, a quem chamou de Samuel (nome que significa “Pedido a Deus”).

Ela criou aquela criança, até que o desmamou, o que presumimos ter acontecido pelo seu terceiro ano de idade, e então a trouxe para Siló, a Eli, o sacerdote, para ali ficar para sempre( I Samuel 1:22), exatamente como o prometera ao Senhor.   Não passou navalha sobre a cabeça do menino, e cuidou de sua alimentação em conformidade com a Lei do Nazireado.

Ao vir a Siló, Ana e Elcana trouxeram um novilho de três anos, um efa de farinha (medida que pode ser de 20 ou 40 litros) e um odre de vinho, para apresentá-los ao Senhor!   Ana realmente tinha um coração aberto apara doar ao Deus Vivo.

Ao entregar Samuel às mãos de Eli, Ana entoou um lindo cântico de louvor e adoração em honra Àquele que tudo pode, e que acedeu à sua petição (I Samuel 2:1-10).

O Senhor, ao abrir-lhe a madre, ainda concedeu que Ana tivesse três filhos e duas filhas, no decorrer do tempo.

Assim é um relacionamento de amor entrelaçado com Deus.   Doando-Lhe, dedicando—Lhe todo o amor, Ele nos responde, apega-se a nós, abençoando-nos, curando mágoas e feridas, e fazendo-nos sentir a Sua doçura envolvente.

O Senhor toma as nossas ofertas de amor e transforma-as em bênçãos as mais notáveis, como foi a vida do profeta Samuel.

Para Deus, a oferta de Ana foi muito valiosa, muito embora para alguns não tenha passado de um pequeno arrojo da fé.

Sob o ponto de vista de mercenários, foi apenas um lance de investimento que trouxe os lucros acima dos esperados, e nada mais.   Este prisma, logicamente, está viciado pelos interesses materiais, e não pode alcançar entender até onde nos levam as bênçãos de Deus.   O Trono da Graça não deve jamais ser considerado como se fosse um “Santo Cassino”, pois neste caso o jogo de azar contemplaria os seus investidores somente em raríssimas exceções, e onde a regra geral é a perda e a ruína.

Sob o ponto de vista de Jesus, o ato de Ana apenas obedeceu aos princípios que Ele nos deixou:

“Dai, e ser-vos-á dado, com boa medida, recalcada, sacudida, e transbordante, porque com a mesma medida com que medirdes, também sereis medidos.” (Lucas 6:38)

E:

“Pedi, e vos será dado; buscai e achareis; batei e a porta vos será aberta.   Pois todo o que pede, recebe, quem busca, acha, e, ao que bate, a porta será aberta.”(Mateus 7:7-8)

Convém salientar que Ele é quem conhece e avalia cada oferta que recebe, não pelas aparências, ou pelas fortes impressões causadas nas pessoas, nem pela quantidade, nem pelo tamanho, nem pela valor venal desta Terra. Nem se pense em moeda de troca.   O Senhor não se presta a atender tal desvio de propósito.   Apesar de alguns tipos de ofertas poderem ser traduzidos em valores monetários, Ele não precisa desse dinheiro, pois é o dono de toda a prata e todo o ouro. Estas podem, sim, ser doadas a Ele, mas há um detalhe importante: as ofertas do que Ele já nos deu não constituem o verdadeiro valor que Ele nos pede.   Ele está atento a algo muito mais importante que temos dentro de nós – o nosso coração.

Saiba-se, porém, que ninguém deu nada a Ele, sem antes ter recebido, e aquilo que Lhe dermos com o coração aberto, certamente colherá o retorno aqui nesta Terra, e também na eternidade, como foi o caso de Ana e Samuel.

Que os nossos corações, acima de tudo, estejam apegados a Ele como o nosso maior valor, o nosso maior tesouro, e o restante será mera consequência.

 

 


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