I SAMUEL – V – O TOUR DA ARCA DE DEUS

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noviembre 1, 2015 by Bortolato

A Arca de Deus

Uma Arca misteriosa, importante, brilhante, de um valor incomensurável, belíssima, atraente e ao mesmo tempo terrível.   Um mobiliário sagrado seguido de perto pelos olhos atentos do poderoso Deus. Afinal, então existiria algum objeto digno de ser escolhido para exaltar a Deus?   É o que a Bíblia nos conta. Uma história fantástica sobre essa espécie de baú, que foi objeto do máximo respeito da parte do povo de Israel, devido ao valor espiritual que o mesmo representava, e o poder que desprendia.

Quando lemos que os aventais de Paulo, o apóstolo, eram levados até os enfermos, e estes eram curados, somos induzidos a pensar que realmente Deus permite que objetos sirvam para transportar o Seu poder sobrenatural – pelo menos é o que a história de Israel nos mostra.

Outros fatos registrados nas Escrituras revelam, por exemplo, que uma serpente fundida em bronze no deserto foi um veículo de salvação para pessoas que tivessem sido picadas por cobras venenosas (Números 21:9); que também uma porção de sal, ou pedaços de madeira fossem instrumentos para sanear águas amargosas (Êxodo 15:23-25 e II Reis 2:19-22) e fazer uma cabeça de machado flutuar sobre as águas do rio Jordão (II Reis 6:2-7).   A sombra, e tão somente a sombra de Pedro expelia demônios; águas do rio Jordão curaram um leproso (II Reis 5), as do tanque de Betesda a entrevados (João 5:1-ss) e as do tanque de Siloé (João 9:11), a um cego de nascença depois que o referido houvera recebido no toque das mãos de Jesus, untando-o com lodo produzido pela Sua saliva e o pó da terra.

Tudo isso aconteceu, muito embora não se possa dizer que fatos pontuais ou isolados tenham a mesma força de leis e de regras gerais.   O que não se pode negar, porém, é que esses objetos materiais foram usados para que se inferisse que o poder, o louvor e a glória pertencem a Deus, que os usou porque assim Lhe aprouve fazê-lo.

Quando então o Senhor Yaweh ordenou a Moisés que se construísse um Tabernáculo e que se fizesse uma porção de objetos para serem colocados dentro deste, tais objetos acabaram tornando-se sagrados: o candelabro, a mesa dos pães, e o incensário, dentre outros.

Havia, porém, um destes, o qual se distinguiu dos demais: a Arca da Aliança.

O que vinha a ser esta? Era um tipo de baú, construído com estrutura de madeira de acácia, todo forrado a ouro, por dentro e por fora, e no seu interior foram colocados uma porção do Maná do deserto, a vara de Aarão que floresceu e as tábuas da Lei que o Senhor escreveu no monte Sinai e as entregou nas mãos de Moisés.   Uma tampa da mesma feitura, toda revestida de ouro puro, chamada de propiciatório, cobria a Arca por cima. Dois querubins esculpidos em ouro, ajoelhados com os seus rostos voltados para baixo, com asas abertas e estendidas por sobre o propiciatório, postados um defronte ao outro sobre aquela tampa, inspiravam de forma inequívoca uma atitude de adoração, respeito e reverência para com a santidade do único Deus digno de todo o louvor, pois Ele estaria ali, repousando o Seu Espírito sobre aquela Arca.   Ele mesmo, o Senhor Yaweh, foi quem escolheu esses objetos para com os mesmos estar ali presente, acolher reservadamente para falar com muito poder e autoridade com Moisés, e aceitar ofertas de aspersão de sangue (pré-figura do sangue de Seu Filho Jesus) das mãos do sacerdote designado para adentrar ao recinto sagrado onde a referida Arca se encontrava, nas ocasiões e condições determinadas por Ele mesmo em Sua Lei. O sacerdote Zacarias, mais tarde, recebeu ali, no Lugar Santíssimo, a revelação da conceição e do nascimento de João Batista, o filho que Deus lhe daria, através do anjo Gabriel, diante daquela exclusiva Arca do Concerto (Lucas 1:1-17).

Quando aquela Arca tinha que ser movimentada, teria que, antes de tudo, ser coberta pelas cortinas do Tabernáculo, e sobre estas, ainda deveriam ser colocadas uma cobertura de peles de animais (alguns dizem texugos, mas mais provavelmente seriam peles de dugões, uma espécie de golfinhos), e ainda sobre tudo isso, um pano azul como cobertura externa. Isso manteria a Arca totalmente coberta, mantendo-se assim um suspense em que era enfatizada a diferença de santidade e a separação entre Deus e os homens. Apenas se poderia observar, como se fossem duas pontas de extensão da mesma, dois varões de madeira de acácia totalmente revestidos em ouro puro, os quais deveriam ser inseridos em suas alças laterais, possibilitando aos levitas que a transportassem sobre os seus ombros (Números 4: 4-6).   Ela não deveria ser vista por todos do povo, a fim de que nenhum cidadão fosse ferido pela mão divina.   Deus queria ter um ponto de contato com Seu povo, mas este deveria manter o devido comportamento, digno de cidadãos que coabitavam com o Rei do Universo, Senhor da Terra e do Céu – porque Ele é santo, terrivelmente grande e poderoso, e a pecadores não tolera como se fossem inocentes.   Os sumos sacerdotes poderiam visitá-Lo no Lugar Santíssimo, onde ficava a Arca, somente uma vez por ano, mas jamais sem que estes trouxessem nas mãos o sangue que representava o sangue de Seu Filho Jesus, que purifica os pecadores.

Um certo levita chamado Uzá, filho de Abinadabe, da linhagem sacerdotal, certa vez, durante o transporte da Arca, ousou tocá-la intempestivamente, e foi morto diante de todo o povo que estava presente naquela ocasião (II Samuel 6:1-7).   Parece que Uzá havia-se esquecido do ocorrido com Nadabe e Abiú, que entraram na presença de Deus fora dos pré-requisitos exigidos para tanto.   Estes pagaram com a vida pela sua audácia, falta de cuidado e precaução.

Pode parecer uma dura lição, e de fato o é, mas que todos os homens tenham em mente que o Senhor Yaweh foi quem criou os vulcões, com sua enorme capacidade destrutiva; o imenso mar que cobre a Terra com suas águas; o vento, que quando se enfurece, muito temor inspira; o fogo que se nos mostra como um elemento terrível, quando fora de controle.   Ora, se tememos a alguns itens da natureza da Sua Criação, é de muito bom alvitre que temamos mais ainda Aquele que os fez com o simples proferir de Sua Palavra: “Haja!” – e tudo se fez.

Aquela Arca transportou consigo algo muito mais precioso do que aparentava trazer: não somente o poder de Deus, como também a presença do Altíssimo.   Por este motivo, era bem mais do que sagrada.   Era temível, era para ser respeitada, e trazia em si muitos marcos de episódios do relacionamento de Deus com os homens.   Os levitas que pisaram as bordas do rio Jordão levando-a em seus ombros viram um caminho impossível se abrir para passarem com todo o exército de Israel por entre as águas, a pé enxuto (Josué 3:14-17).

Em I Samuel, os capítulos 4 a 6 nos narram a história ocorrida quando homens quiseram tratar a Arca do Concerto com Deus como se fosse um troféu digno de exibição, e um objeto a ser manipulado para atender aos seus desejos. Foram dolorosas experiências, pois o Senhor não Se esqueceu de que tinha uma aliança com Seu povo, e aquela Arca era um memorial dessa aliança – aliança da qual os filisteus não participaram, e nem tinham condições de fazê-lo.

Nenhum homem tinha visto a Deus face a face sem morrer (Êxodo 33:20).   A presença de Deus sobre o monte Sinai foi de estremecer o mundo.   Os israelitas que o viram, ficaram pasmados e atemorizados; pediram que Moisés se aproximasse do terrível Deus que estava ali. Era para se pensar duas vezes antes de se ter um encontro com Ele.

Israel teve, pois, de lutar contra os filisteus e foi derrotado, perdendo cerca de quatro mil homens durante o primeiro combate (I Samuel 4:2).

Os lideres do povo então se lembraram dos episódios célebres em que a Arca de Deus foi colocada à frente do povo de Israel, e foram bem sucedidos – na travessia pelo deserto, na passagem pelo rio Jordão a pé enxuto, na conquista de Jericó, e outras ocasiões.

Aquela Arca trazia em si um significado muito marcante – a presença do Senhor Yaweh, que em muitas batalhas ajudou a Israel.   Pensou Israel em ser ajudado; quiseram, então, trazer a Arca para o arraial de guerra, e assim o fizeram.   Ao chegar esta ali, todos os soldados deram grandes brados de otimismo e exultação.   Estavam certos de que o Senhor estava ali, com eles, trazido por aquele importante objeto.   De fato, Deus ali estava, mas não para guerrear por Israel, desta vez.

O que acontece é que a presença do Senhor traz luz aonde quer que vá, e desta feita a Sua luz pousou e pesou sobre os pecados do povo, e em especial os daqueles dois filhos de Eli, que vieram de Siló para acompanhar o transporte do santo objeto.

Quando um povo procura a presença de Deus, deve saber como deve fazê-lo.   Não com arrogância e nem presunção, jactando-se de serem filhos de Abraão.   Conforme nos disse João o Batista, até das pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão (Mateus 3:9), e por conseguinte é mister haver muita reverência, um profundo autoexame e um sincero arrependimento e confissão dos pecados, a fim de que não se levante a ira do céu contra a ousadia dos impenitentes.

Os filisteus, ao ouvirem os altos brados do arraial israelita, vieram a saber que a presença de Deus estava ali.   Interessante notar: estes inimigos de Israel naquele momento demonstraram mais temor ao Senhor do que o povo que Ele escolhera para ser Seu.   Aqueles adversários, já cientes daquilo que Yaweh fez aos egípcios por cerca de 400 anos antes, clamaram: – “Ai de nós!   Ai de nós!” (I Sam. 4:7)   Uma nova batalha, porém, já estava prestes a explodir.   Os israelitas, agora, não pensavam em outra coisa senão vingarem-se da derrocada do primeiro combate, e estavam confiantes, ansiosos para partirem novamente para o ataque.   Não houve outra alternativa senão ambas as partes irem ao confronto, esforçando-se ao máximo, procurando superarem-se a si mesmos, com ou sem otimismo para os incentivar.

Uma surpresa aconteceu, então.   Os presunçosos israelitas foram vencidos novamente pelos filisteus, não por causa de serem estes últimos serem mais justos do que Israel, mas porque o Senhor estava empenhado em tratar com o Seu povo, tentando fazê-lo entender que em dado momento as coisas não são mais proteladas, e os Seus juízos vêm mesmo sobre toda iniquidade e impiedade (Romanos 1:18).   Ser filho de Abraão não é um atestado de isenção de punibilidade, mas sim, um peso de responsabilidade.   Nem tampouco a carne ou o sangue herdarão o Reino do Céu, mas somente aqueles que fazem a vontade de Deus (I Coríntios 15:50).

Naquela peleja o Senhor estava lá para fazer com que a Sua Palavra se cumprisse sobre a casa de Eli.   Hofni e Fineias foram mortos na mesma ocasião, no local daquela batalha, tal como o profeta desconhecido e também Samuel, o menino, o profetizaram.

Eli, em Siló, não pôde acompanhar o trajeto da Arca, pois que seus olhos negavam-lhe a visão, e além do que, sua senilidade de noventa e oito anos o impediram de caminhar tanto.   Ele aguardava notícias sentado junto ao portão da cidade de Siló, muito preocupado acerca do paradeiro da Arca de Deus e de seus filhos, cismado de que o mal os poderia alcançar.   Quando soube que esta havia sido capturada e levada pelos filisteus, seu coração, que já estava apreensivo, não suportou aquilo, acrescido do fato de saber que seus dois filhos foram mortos – Eli caiu de sua cadeira, quebrou o seu pescoço, e faleceu.

A esposa de Fineias também morreu naquele dia, porque estava em trabalho de parto, e não teve forças para superar o esforço exigido para dar à luz.   Seu filho então foi chamado de “Icabôd”, que significa “foi-se a glória”, pois realmente a Glória de Israel estava com seu povo até que a Arca da Sua presença gloriosa foi-se da área da Terra Prometida para a área dos inimigos.   Dura lição foi aquela, mas foi desta forma que Israel foi obrigado a desvincular a palavra “sacerdócio” daquela família, que tanto escandalizava a todos.

Quanto aos juízos sobre a casa de Eli, é constrangedor, mas ao mesmo tempo compreensível que este foi o meio que o Senhor usou para exercer Sua disciplina junto ao Seu povo.   No entanto, o fato de a Arca passar das mãos de Israel para um povo idólatra e mais injusto é que ficaria difícil de entender-se, não fosse o que a história narra sobre os acontecimentos que se seguiram.

Deus honra aos que O honram, e abandona aos que O abandonam.   Havia juízos a serem derramados sobre Israel, o Seu povo, mas que os ímpios povos inimigos não se enganem, pois o peso da mão de Deus também cairia sobre estes.

O Senhor queria mostrar aos filisteus alguma coisa a respeito de Sua soberania e poder, dando-lhes a oportunidade de conhecerem quem realmente é Deus, quem são os ídolos deste mundo, e fazê-los refletir melhor sobre a quem deveriam dedicar todo o louvor e glória. Eles não mereciam tê-Lo junto a si, mas puderam perceber que Ele é muito santo, não tolera o pecado, e impõe Sua autoridade sobre todos os ídolos, todos os poderes, potestades espirituais da maldade, sobre todos os reinos, toda a humanidade, e todos estes serão obrigados a se ajoelharem e reconhecerem que somente Ele é o Senhor de toda a Terra.

Foi apenas por um certo lapso de tempo que a Arca permaneceu em poder da Filístia.   Poderíamos dizer que o Senhor executou um tour pelas terras do oeste da Palestina, as quais os israelitas não se esforçaram por conquistá-las, e assim Ele Se foi, desviando-Se um pouco da presença dos israelitas que tanto O desagradaram por longo período.   Ele tinha negócios a acertar com Israel, e tinha também com os filisteus, e foi pessoalmente fazer isso.

Israel então ficou por sete meses sentindo a ausência daquele objeto tão maravilhoso e desejável que era para eles – a Arca da sua aliança com Deus (I Sam. 6:1) – a Arca da presença de Deus que tanto bem e tantas bênçãos para eles significava.   Foi um período desastroso para ambas as nações – principalmente para Israel, que perdera algo muito mais valioso do que uma família de sacerdotes – perderam a maravilhosa presença do Deus Todo Poderoso, que os havia tirado do Egito com mão fortíssima.

Para os filisteus, de outro lado, as coisas não correram tão bem como estavam pensando, muito pelo contrário…

Os filisteus não eram um povo compromissado como adorador de Yaweh.   Não tinham nenhuma aliança com o Senhor.   O seu triunfo temporário sobre o povo de Deus lhes pareceu ser atribuído aos seus deuses, e por isso, levaram a Arca do Senhor para Asdode, cidade litorânea, localizada a menos de cinco quilômetros do mar Mediterrâneo, a 35 quilômetros ao sul de Jope, e a introduziram dentro do templo de Dagom, um deus considerado o mais cultuado pela civilização filisteia.

É bastante evidente que os filisteus queriam reter as bênçãos de Yaweh, e por isso foi que trouxeram a Arca para aquele lugar.   Acontece, porém, que aquela Arca, que era um canal da presença de Deus nesta Terra, não era um talismã, ou mascote da sorte, e em vez de beneficiar os Seus “anfitriões”, foi-lhes causa de uma gravíssima tribulação.

Antes de mais nada, o Senhor fez-Se comprovadamente superior ao deus filisteu, assim como fez no Egito contra os deuses locais.   A propósito, Yaweh não tolera, sob hipótese alguma, a convivência com outros deuses.

Um dia, logo após a Arca ter sido instalada naquele templo idólatra, Dagom amanheceu caído com o rosto em terra diante da Arca.   Foi de pronto erguido, mas no dia seguinte o deus filisteu estava novamente deitado de bruços diante da Arca, e ainda com a cabeça e as duas mãos decepadas.

O pior ainda estava por acontecer em Asdode.   Não demorou para que a cidade fosse invadida por ratos, muitos ratos, que atacavam suas searas, seus depósitos de cereais, entravam nos canais de esgoto, e também nas casas, causando um enorme transtorno e preocupações naquela cidade.   Aquela invasão dos roedores não ficou por aí.   Uma peste se deflagrou no meio da população, levando à morte centenas de pessoas, e fazendo estourar tumores nas virilhas e em outras partes dos corpos infectados pela doença, de modo que os que puderam resistir vivos, sofreram dores atrozes, além de outros sintomas que acompanhavam o seu quadro clínico.   Esses sintomas configuravam os de uma peste bubônica.

Os clamores de desespero eram constantes, e eram ecoados de dentro das casas, pelas vias públicas, e por toda parte daquela cidade.   Todos sentiam-se ameaçados de morte a qualquer momento.

A Bíblia menciona apenas esta praga, mas a descrição dos versos de 9 a 12 do capítulo 6º de I Samuel denota que coisas terríveis aconteceram ali, de modo que não se descarta a hipótese de terem surgido outras pragas.

À medida que os clamores de sofrimento físico e também da alma, os gemidos de dor, e as lágrimas foram-se multiplicando, faziam os líderes daquele povo crer que não estavam mais diante de uma epidemia, mas de uma endemia.

Quem pôde analisar aquele estado de coisas, pôde compará-los às pragas do Egito.   E isto era mais que preocupante.   Era apavorante.   Se a moda pegasse…

Pensando em um meio de fazer cessar a praga, os asdoditas decidiram enviar a Arca para outra cidade filisteia – para Gate.   Ledo engano.   Aquela tribulação, decididamente, acompanhava o percurso da Arca.

Os cidadãos de Gate, por sua vez, após um período de dores e enfermidades terríveis, com muitas mortes na cidade e nos arredores desta, enviaram a arca para Ecrom.   Possivelmente a Arca também tenha passado por Gaza e por Ascalom.   Os mesmos sinais apareceram ali, para desgraça daqueles cidadãos.

O autor do livro usou a palavra hebraica ‘ophelim para designar aquele tipo de enfermidade.   Este termo é traduzido por alguns por hemorroidas, mas o mesmo pode referir-se a outros tipos de tumores, furúnculos ou inchaços na pele. Como esses sintomas apareceram nas partes baixas do abdômen dos atingidos, deduz-se que estes eram sintomas próprios da peste bubônica – doença que pode matar a muitas pessoas dentro de um curto espaço de tempo.

O alarde foi geral.   Não se podia mais duvidar . Aonde pousava a Arca, nas cidades filisteias, ali os ratos apareciam às centenas, e assim transportavam consigo a peste.   Acredita-se que a contaminação se dava através de pulgas que sugavam o sangue dos roedores e depois também dos humanos.

Os filisteus, aflitos, reuniram-se com seus líderes.   Estes se assentavam em cinco cidades principais, na região costeira da Terra de Israel.   Debateram sobre o problema.   Alguns arguiam que deveriam devolver a Arca.   Outros concordavam, mas não sabiam com fazê-lo.   Como o poderiam?   Estavam desorientados, e faltava-lhes ideia. Não conheciam a Yaweh. Uns poucos ainda, de coração endurecido, não entendendo a causa daquele surto, achavam que o mesmo os surpreendeu por acaso.

Foi então que alguém, dentre os sacerdotes e adivinhos filisteus sugeriram que se fabricasse um carro novo que fosse puxado por duas vacas com crias, as quais não tinham sido usadas para trabalhar em nenhum tipo de jugo, a fim de que estas levassem a Arca na carroceria.

Além disso, os filisteus acharam por bem dedicarem uma oferta a Yaweh por suas culpas: cinco ratos de ouro e cinco tumores de ouro puro foram fundidos e esculpidos, colocados dentro de um cofre, e que este fosse colocado ao lado da Arca, como presentes ao Senhor.

Um último teste foi feito para saberem se realmente a razão de todo aquele mal era devido à ira do Deus de Israel.   Os duvidosos encontraram um meio de desfazerem-se de suas dúvidas. Pensaram eles, se isto veio da parte de Yaweh, então Ele mesmo Se encarregaria de levar a Arca para a terra dos hebreus.

Para onde o Senhor iria levar a Sua Arca, da Aliança que fez com os israelitas?   Decerto que para alguma cidade povoada pelo Seu povo.   Não por acidente, mas providencialmente, havia a cidade de Bete-Semes, que ficava a 35 quilômetros de Ecrom.

As vacas foram soltas.   Normalmente, elas deveriam explorar as cercanias, em busca de seus bezerros; logo, não deveriam ir longe de onde estavam.   Ao invés disso, elas se puseram a caminhar por um rumo certo, determinado, e com persistência.   Tomaram a estrada para Bete-Semes.   Lá iam elas, andando e mugindo o tempo todo, percorrendo toda aquela extensão, sem que ninguém as segurasse e nem as dirigisse.   Assim foi que as vacas chegaram ao campo de Josué, o bete-semita, e lá pararam.

Os filisteus observaram tudo isso, seguindo o carro novo de longe.

Foi motivo de muita alegria quando os israelitas viram chegar ali a Arca de Deus. Da madeira do carro fizeram um altar de holocausto, onde ofereceram as vacas ao Senhor Yaweh.   Os sacrifícios não pararam por aí.   Os bete-semitas imolaram mais sacrifícios ao Senhor….

Tudo parecia ser motivo de alegria até que a curiosidade se levantou, e alguns cidadãos de Bete-Semes quiseram olhar para dentro da Arca, e foram mortos setenta deles.   Ah, a curiosidade!   Violaram a Lei de Moisés acerca da discrição e da seletividade de acesso e trato com aquele objeto, o que deveria ser franqueado somente aos sacerdotes. Deus Se manifestava com muito poder ao Seu povo, usando-o como veículo de comunicação apenas em determinadas circunstâncias.   Talvez movidos pelo desejo de fazerem as vezes dos legítimos sacerdotes, arriscaram-se, movidos por tal ambição.

Se não fossem obedecidos os mandamentos do Senhor e os rituais da Lei, inclusive no tocante ao respeito ao cerimonial e à forma com que Deus teria franqueado o acesso à Sua presença simbolizada pela Arca da Aliança, as consequências seriam desastrosas.

Assim também os crentes hoje sejam fieis a Ele em tudo.   Ele decidiu que a partir do sangue da Nova Aliança, do sangue de Jesus, os corpos de Seus filhos passariam a servir-Lhe de habitação.   Passamos a ser habitados pelo Espírito Santo de Deus (I Coríntios 3:16-17), pois que o véu do Templo foi rasgado quando Jesus, Seu Filho, expirou naquela cruz em Jerusalém.   Tal e qual a Arca do Concerto da Lei, nossos corpos recebem a bênção inigualável da presença do Deus Vivo dentro de nós, motivo de grande exultação e louvor a Ele.

E pensar que Ele nos selecionou para sermos Seus sacerdotes reais!

Temos, pois, um grande tesouro depositado dentro de nossas vidas, o qual foi depositado em corpos feitos do barro da terra (I Coríntios 4:7), mas onde habita Deus.   A Ele, pois, seja dada toda a glória e honra!

Rememorando o que temos estudado sobre Êxodo 24:10-15, a Arca do Concerto da Lei de Deus foi construída debaixo das instruções e do planejamento divino.   Era feita com a estrutura de acácia, madeira que, por apresentar tortuosidades e espinhos próprios da severidade do clima desértico, também representa a vida nesta Terra que foi amaldiçoada desde o jardim do Éden, por causa do pecado.     Cristo assim fez-se pecado por nós, e nós, que somos Seus imitadores, também participamos da bênção de carregar dentro de nossos corpos a glória de Deus.

A Arca do Concerto, quando estava no lugar mais santo que existia sobre a face da Terra, representava o contato direto com o Senhor, Criador e Redentor do mundo.

“portanto, irmãos, tendo coragem para entrar no lugar santíssimo por meio do sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos abriu através do véu, isto é, o Seu corpo… aproximemo-nos com coração sincero, com a plena certeza da fé, com o coração purificado da má consciência  e tendo o corpo lavado com água limpa”.  (Hebreus 10:19-22)

O Senhor nos aceita como a madeira das acácias, após tratada. Depois que esta é cortada (sinal de morte da planta, símbolo da morte do nosso velho homem), podada, serrada, extraídas as tábuas e sarrafos, lixada (sinal de polimento do nosso comportamento viciado pelo pecado), é montada para então receber o revestimento de ouro, símbolo da pureza e santidade do céu.

Esta Arca assim composta também é símbolo do corpo de Cristo, que foi feito pecado em nosso lugar, e em tudo agradou a Deus, morrendo para este mundo corrompido.   Como o Corpo de Cristo hoje é a Sua Igreja, tenhamos a máxima reverência ao sermos colocados nesta Terra para continuarmos a Sua obra, em lugar do Seu Filho Jesus.

Glorifiquemos a Deus com os nossos corpos, pois, se somos de Jesus, neles habita Aquele que rejeitou a Israel para que o mundo todo fosse dEle e a Ele consagrado, para o Seu louvor.


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