I SAMUEL – VI – PERMITA A DEUS SER DEUS

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noviembre 23, 2015 by Bortolato

Ebenezer

Limpem bem os caminhos até onde se possa fazê-lo, abram as alas, deixem Deus mostrar o que Ele pode fazer, e se obterá uma mostra do Seu poder que surpreenderá suas vidas.

As pessoas, mesmo as mais incrédulas, todas elas constroem, nas suas mentes, a imagem daquilo que estas valorizam como sendo da maior importância, e erigem, no seu interior, verdadeiros altares de adoração, prestam suas homenagens, tiram seus chapéus e se inclinam a coisas, animais, pessoas e até a fenômenos da natureza.    Alguns endeusam a um homem, ou a uma mulher, ou até a uma criança.   Outras tentam fazer de si mesmos o deus a ser venerado.

Por incrível que pareça, sabe-se que chegam a deificar propriedades, recursos financeiros, empresas, uma cultura, um partido político ou ainda a um time de futebol.   É interessante notar que todos esses ídolos cairão um dia.   Perecerão, sem dúvida, de modo a ficar demonstrado que é um despropósito e falta de bom senso o atribuir tanto valor a essas coisas, bichos ou pessoas.

Quem morre, perece e com isto cessa toda a sua  glória, e a sua jactância.   Todos os ídolos deste mundo serão destruídos pelo soprar da boca do Filho de Deus, que em breve há de vir para julgar a este mundo.

Em I Samuel, capítulo 7:1-4 vemos que o povo de Israel, ainda mantinha o Tabernáculo em Siló, mas este estava desprovido do objeto mais precioso e poderoso espiritualmente – a Arca do Concerto.   Esta tinha sido, depois de sequestrada pelos filisteus, liberada como errante, mas chegara ao povoado de Bete-Semes.   Depois disso, foi ela encaminhada de Bete-Semes para Quiriate-Jearim, à casa de Abinadabe.    Logo, os israelitas ficaram cerca de vinte anos sem poderem celebrar e usufruir da bênção que era terem condições plenas de realizar o Dia da Expiação Nacional.

Samuel, porém, crescia e cada vez mais se firmando como profeta, gozando da maior credibilidade diante de seu povo.

O anseio dos israelitas de poderem ver-se livres de seus inimigos, aliado ao anelo por ver o Senhor voltar a abençoá-los, levava-os a erguerem altos lamentos, muitos pedidos imprecatórios e muitas orações.

Uma coisa, porém, detinha a resposta de Yaweh: os ídolos que abrigavam nos lugares altos, objetos de culto que desagradavam a Deus em extremo.

Samuel, que entendia o anseio de seu povo e também a real situação espiritual em déficit com o Senhor, então incentivou-os a desfazerem-se dos deuses estranhos e os astarotes, para servirem somente a Yaweh.   Sentindo que era chegado o momento, Samuel conclamou a todo o Israel em Mizpa.  Em lá chegando, jejuaram por um dia, e confessaram haverem errado, cometendo graves injustiças em desobediência ao seu Deus verdadeiro.

Os filisteus souberam dessa congregação em Mizpá, e julgaram que se tratava de uma rebelião que se levantava e armava-se contra o seu domínio.    Logo, aqueles inimigos de Israel também se reuniram, e planejaram antecipar-se na iniciativa de lançarem-se ao ataque.   Confiados nesta estratégia, estavam seguros de que lograriam total sucesso;  essa investida era dada como infalível aos seus próprios olhos, contando com o elemento surpresa, o seu grande lance.

De fato, os israelitas não esperavam essa reação da parte de seus inimigos, pois afinal, ali estavam em jejum e orações naquele dia, em espírito de contrição e arrependimento diante de Deus.   Os filhos de Israel se conturbaram, mas ao perceberem que um confronto armado era inevitável, pediram que Samuel clamasse continuamente ao Senhor, intercedendo por eles.

O povo de Deus estava um tanto inseguro, pois que vinte anos antes foram derrotados diante daqueles mesmos filisteus, sofrendo perdas da monta de trinta mil homens de sua infantaria.   Naquela ocasião, eles pensavam que se dariam bem na batalha, mas foram surpreendidos em dois combates, e ainda lhes fora tomada a Arca do Concerto com Deus.   O que estaria à sua espera desta vez?   Parece que reconheciam que estavam em déficit com o Senhor, e temiam por sua sorte, mas tinham uma luz de esperança:  o Seu profeta estava ali, reunido com eles, em atitude de consagração dedicada Àquele que os poderia salvar.

Samuel então oferece um sacrifício ao Senhor, e enquanto isso, os filisteus já vinham aproximando-se ferozmente.   O que aconteceu então foi uma inequívoca resposta divina, que veio em ajuda a Israel.

O relato bíblico fala de trovões, estampidos aterradores sobre os filisteus.   O Salmo 29:1-8 e Êxodo, capítulo 19, nos dão uma ideia sobe a força imensa que a voz do Senhor demonstra através da natureza.   Martinho Lutero sentiu-a quando ainda era um homem sem grandes compromissos com Deus.  Raios e relâmpagos, acompanhados de trovões, amedrontaram-no ao ponto de ele sentir-se um alvo fácil para que estes o fulminassem.   Lutero então chegou à conclusão de que havia, por trás daquele espetáculo amedrontador, uma chamada irrecusável, e foi quando resolveu dedicar sua vida ao Senhor, decidido a ser um monge, a estudar a Bíblia a fundo e cumprir todo um ministério a Seu serviço.

Os filisteus também se sentiram alvejados pela voz dos trovões, mas aconteceu algo mais do que o simples ribombar destes aos seus ouvidos.   Flávio Josefo, um excelente conhecedor da tradição hebraica, alega que houve momentos eletrizantes que desfizeram toda a autoconfiança filisteia em poucos minutos.   Alega ele que houve um terremoto e que a terra se abriu no caminho daqueles inimigos de Israel, e alguns de seus soldados caíram nas brechas do chão.   Quando um raio iluminava o céu, caindo no meio destes, ofuscava-lhes os olhos, e aqueciam as armas nas mãos dos que as seguravam, ao ponto de serem obrigados a atirar suas espadas ao chão, e correrem amedrontados, reconhecendo que diante daquele tão grande poder não se sairiam vitoriosos – como de fato aconteceu.

Os filisteus, conforme narrado nos capítulos 4, 5 e 6 de I Samuel, temiam o poder do Deus Yaweh, pois que conheciam a história da libertação de Israel desde a terra do Egito.  Eles sabiam que foi através de muitos sinais e maravilhas poderosas que o Faraó, muito embora com o coração empedernido, teve que dar de mãos e deixar aquele povo sair livre para adorar ao seu Deus.   Suas colheitas, seu gado, muitos homens do campo, muitos oficiais egípcios e até o filho do Faraó foram atingidos mortalmente, pagando o preço da obstinação em lutar contra o Senhor dos Exércitos.   Depois, ao se apoderarem da Arca do Senhor, sofreram ações  terríveis com tumores e  uma peste letal.

Fatalmente, os filisteus que foram empregados naquela operação militar equivocada, em Mizpa, também pagaram muito caro pela sua ousadia de atacar a um povo a quem Yaweh amava e ama. Realmente, Yaweh ajudou muito ao Seu povo naquela batalha.

Os israelitas que iam para o combate, inicialmente iam como que obrigados a isso, a contragosto, e cheios de medo.   Iam, porque não lhes restava outra opção.   Caso fugissem da responsabilidade de defenderem suas terras, eles tinham suas famílias e suas casas, que poderiam ser perdidas em uma operação como aquelas.    Não houve diálogo algum da parte de seus inimigos.  Os filisteus não quiseram saber de nada, estavam partindo para a violência sem mais e nem menos.   Não houve oportunidade para nenhuma apelação.   Sem conversas. Vinham em massa, bem armados, donos de um armamento muito superior às armas dos israelitas.  Seu exército era bem treinado e bem organizado, enquanto que os de Israel não constituíam uma força oficialmente preparada para batalhas.  Suas esperanças repousavam apenas sobre as palavras de Samuel,  seu profeta e juiz que lhes representava Yaweh, e mesmo assim, temiam porque consideravam-se em completa desvantagem – as condições materiais o mostravam assim.

 Desde o episódio de  Ebenezer, de vinte anos para trás, Israel se obrigara a tornar-se uma nação submissa ao controle filisteu.    Pensavam que o Senhor os tinha largado à sua própria sorte, até que então lhes apareceu de volta, em Bete-Semes, aquela preciosa Arca da Aliança, objeto de onde Deus lhes falava, e junto à mesma, habitava.   Raiou-lhes uma luz de esperança, mas as coisas ainda não estavam todas no seu lugar.   O Tabernáculo estava em Siló, e a Arca veio de Bete-Semes para Quiriate-Jearim, e lá ficou.   Parecia haver ainda algumas pendências entre Deus e o Seu povo…  coisas de família, aquelas coisas que às vezes precisam ser colocadas em pratos limpos.

Os de Israel, ao verem, pois, a mão de Deus operando em seu favor, a cada raio que descia do céu, e a cada fenômeno da natureza que se desprendia, concentrando-se  sobre os filisteus, enchiam-se de coragem, eram fortalecidos.  De fato, Yaweh estava ali, com eles, e desta vez, ao seu lado, fazendo-Se notar pelo Seu poder que tem sobre o céu e a terra.   Coisas de Deus.

Quando permitimos que Deus seja exclusiva e realmente entronizado em nosso meio, e individualmente em nossos corações, mesmo depois de um período de incertezas, estaremos dando a Ele o espaço e o tempo para agir à Sua maneira.   Estaremos permitindo que Ele seja como Ele é.   Estaremos deixando Deus ser o Deus de nossas vidas, e assim, deixando que Ele demonstre alguma coisa do que é capaz – e Ele tem todo o poder, no céu e na Terra.

Atacaram aos que antes os amedrontavam, e foram triunfantes sobre os inimigos, infringindo uma grande derrota sobre os mesmos.  Reconquistaram as terras perdidas vinte anos antes, e os filisteus tiveram que recuar em sua marcha cortante e invasiva que estavam empreendendo a fim de expandir seus domínios.

Os filisteus que sobreviveram  àquela batalha ficaram com temor de Yaweh, receosos de serem atacados tal como o foram os egípcios no período das dez pragas e do Êxodo.   Esta foi a marca constante que lhes ficou impressa em seus corações, e isto por muito tempo.   Depois disso, ficaram muitos anos dentro de seu território, e perceberam que não lograram mais êxito contra os israelitas durante os dias de Samuel.

Esta era a maneira que Deus usou para impressionar aos povos todos.  Sim, porque este triunfo não ficou conhecido apenas entre Israel e os filisteus.    Desta maneira, alguns estrangeiros de todos os lados sentiam-se movidos a conhecer ao Deus de Israel, como foi o caso de Rute, a moabita; também Raabe, de Jericó; mas sabe-se de outros que, embora estrangeiros, serviram a Ele.

Samuel, por sua vez, trabalhava muito para conduzir o povo aos pés dAquele que tem todos os méritos para receber todo o louvor dos Seus.   Fundou uma escola de profetas, onde se dava toda a liberdade para a manifestação do Espírito Santo de Deus.    Nestas, se notava um mover espiritual muito intenso, forte, sinal de que Deus estava operando.  Deus estava trabalhando do Seu modo, levantando pessoas que podiam mostrar a todos quem Ele é, agindo a seu próprio estilo.    Quando Deus é reverenciado, amado e louvado, é gerado um ambiente onde Ele e todos os Seus anjos sentem-se à vontade para marcarem gloriosamente àqueles que O desejam em suas vidas.   Deuses são destronados, e todo o domínio abre-se à disposição do Rei da Glória.

Samuel percorria um circuito de quatro cidades de Israel, anualmente:  Betel, Gilgal, Mizpá, e retornava a Ramá, onde sediou ali a sua casa, lugar onde prestava assistência ao povo, e onde edificou um altar ao Senhor.   Muitos anos de paz foram dados a Israel nos dias do profeta do Senhor, pois a Deus foi erguido um altar, e Deus mais uma vez pôde revelar-Se como Ele é: como Deus absoluto!  Ele reina sobre as nações, e reinará soberano até os dias da eternidade.   Deus é Deus!  E só Ele o é!


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