I SAMUEL – VIII – VOX POPULI NÃO É VOX DEI

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noviembre 25, 2015 by Bortolato

Saul ungido

Esse velho adágio migrado do latim, que, traduzido, quer dizer que a voz do povo é a voz de Deus, está errado.

Muitos foram os líderes de povos que impressionaram aos eleitores, e depois, decepcionaram. A escolha foi do povo, mas não consultaram a Deus antes de fazê-lo.

Foi assim que a Alemanha escolheu a Adolf Hitler como o seu “füher”, a Itália a Benito Mussolini e assim, muitos outros países agiram. A Romênia escolheu a Nicolau Ceausescu, e depois o próprio povo o julgou e executou sumariamente.   Anuar Kadafi, de modo até mais drástico , na Líbia, é morto, e desta vez, sem julgamento.   A lista desses nomes continua a ser preenchida, e já é bastante longa.

Israel, por cerca do ano 1.095 A.C., também quis ter um rei, muito embora Deus tivesse outro projeto para eles: um rei, sim, mas um homem segundo o Seu coração, que no momento certo surgiria, seria ungido e coroado diante do povo.

Enfim, em I Samuel, capítulo 9º, lemos que, devido à insistência do povo, o Senhor decidiu que teria que indicar-lhes uma pessoa para ocupar essa função, malgrado aquela não fosse a hora de Israel ter um monarca.

A escolha de Deus ter recaído sobre um homem naquele momento não foi o que poderíamos dizer que foi a ideal, mas o anelo do povo clamava por um rei naqueles dias.   Não queriam mais esperar. Tinha que ser àquela hora.   Faltou-lhes sensibilidade e confiança nos planos divinos.

Quando o homem toma decisões fora da plena vontade de Deus, o Senhor ainda pode consentir que estas sejam tomadas, muito embora o caminho dEle seria muito melhor para quem o assumisse.

O que acontece é que o homem, muitas vezes, tem pressa, mas Deus não, e vice-versa.   Deus espera a hora em que os frutos estão maduros, enquanto que o homem os quer comer ainda verdes – e às vezes não os quer comer, ainda que maduros, mas é obrigado a fazê-lo, e se demorar, pode ter que ingeri-los em estado de deterioração.

Pode-se achar que tudo esteja certíssimo, tudo OK, que todos os indícios apontem para aquilo que se julga a “plena vontade de Deus”, mas é preciso ficar atento para aquela pequena luz vermelha piscando, que acusa que algo estaria errado, ou fora de hora, fora da hora do Senhor.

Israel queria ter um rei que os levasse às guerras, e queria para ontem, achando que já estava atrasado, e pediu-o a Deus, que não gostou daquela atitude intempestiva.

O Senhor já lhes havia dado um tremendo livramento em Mizpá, quando os filisteus fortemente armados, vindo com rapidez num súbito ataque, estavam prestes a impor uma amarga derrota a Israel.   Isto aconteceu quando Deus enviou raios, trovões e um terremoto que atemorizou aos atacantes, os quais ficaram atônitos, numa demonstração evidente de que estavam lutando contra o Deus de Israel, tal e qual Ele o fez contra o Egito, libertando Seu povo da escravidão.   Assim como o Egito se acanhou e desistiu de lutar contra os israelitas, assim os filisteus, naquela ocasião, além de sofrerem muitas perdas, desistiram de tentar avançar contra o povo de Yaweh.

Caso houvesse necessidade da intervenção de Deus para novamente salvar a Israel, seria o mesmo caso que se deu em Mizpá.   Samuel ofertaria um sacrifício agradável a Deus, oraria ao Senhor, e o livramento aconteceria sem dúvida alguma, desde que o povo estivesse sendo fiel ao Altíssimo.

Samuel já estava idoso, mas não inútil.   Seus filhos haviam-se tornado líderes em Israel, mas temos que considerar isto: Samuel ainda não tinha morrido, e o povo estava querendo depô-lo do seu cargo de juiz!

Samuel viveu ainda por bom tempo, até ungir a Saul, e, anos depois, a Davi.

Isto significa que o Senhor ainda queria manter Samuel na liderança de Seu povo, até que Davi pudesse despontar como guerreiro e líder da nação.

Como o povo queria um rei com urgência, então o Senhor, na Sua vontade permissiva, concedeu-lhes que Saul fosse ungido para tanto, naquela ocasião.

Se compararmos, pois, entre os dois reinados, de Saul e de Davi, veremos qual deles agradou mais ao Senhor, pois pelos frutos se conhece a árvore.

Sobre a tribo de Benjamin, aquela que quase chegara à extinção, o Senhor foi até ali, e da vergonha e humilhação de homens derrotados e dizimados quando decidiram defender e colocarem-se como escudos que ocultassem a um bando de criminosos, recaiu a escolha privilegiada do cetro de Israel.

No rincão de um lote de terras destinadas a Benjamin, um homem seu descendente chamado Quis deu pela falta de duas jumentas em seu curral.   Procurou-as pelos arredores, mas não as achou.   Sem saber que o Senhor as havia extraviado para fazer com que seu filho fosse atrás delas, Quis disse a Saul para sair a procurá-las.

Acompanhado de um dos servos, lá foi Saul errante pelas montanhas de Efraim e todo o território de Benjamin, sem lograr achá-las.   Eram passados três dias de buscas, e nada! Necessitando de uma direção profética, ao chegarem ao distrito onde morava Samuel, decidiram procurar por este, a fim de poderem encontrar aquelas duas jumentas.

Não por acaso, mas por providência, encontraram o profeta pronto a fazer um sacrifício.   Samuel então os convida para comerem juntos, e ali se iniciou uma parceria entre o profeta e o futuro rei de Israel.

Samuel, aos poucos, foi-lhe revelando o que Deus tinha reservado para ele.

Em I Samuel 9:20, diz-lhe o profeta:

“Quanto às jumentas que V. perdeu há três dias, não se preocupe com elas, já foram encontradas. E a quem pertence tudo o que é precioso em Israel, senão a V. e à família de seu pai?”

Saul replica-lhe, tentando explicar que isto não seria assim, pois pertencia à menor das tribos de Israel, e ao seu menor clã.

Apesar dessas circunstâncias contrárias, Deus o havia escolhido para ser o primeiro rei de Israel.

O Senhor, antes de Saul ser aclamado rei, ordena a sua unção, o que Samuel o faz em reservado, mas dá-lhe ordens para que também fosse ao encontro de um grupo de profetas em Gibeá, onde esse futuro rei seria cheio do Espírito de Deus, chegando a profetizar juntamente com os demais daquela escola profética.   Em lá chegando, Saul foi tomado pelo Espírito Santo, e começou a profetizar, tal como os participantes daquela escola de profetas.

Assim é que Deus opera na vida de uma pessoa: antes de conferir-lhe cargos e trabalhos, visita-a com o Seu poder, e a Sua unção profética, capacitando-a para o ministério que lhe tem preparado.

Cada qual deve, no entanto, saber que este é apenas um impulso inicial, e que tal escolhido do Senhor precisa zelar para sempre voltar às fontes das águas do Seu Espírito para ser renovado, e ter condições de andar e viver de forma a glorificá-Lo em tudo.

A história completa de Saul nos veio a comprovar que este foi alguém que começou bem, mas terminou seus dias fora dos caminhos do Senhor.   Isto também serve de alerta para todos quantos desejem andar na presença de Deus.   Que nunca se desviem, e nem se permitam afastar-se das fontes das águas purificadoras.

As passagens de Ezequiel, capítulo 47º e João, no seu capítulo 7º lemos da abundância de águas vivas, que nos purificam e nos tornam aprazíveis ao Pai.   Que sejamos aqueles que sempre se banhem nessas águas, em que o Espírito Santo de Deus nos limpa, nos lava, nos preenche e satisfaz plenamente, pois quem busca, acha; a quem bate, abrir-se-lhe-á, e quem pede, o receberá.

“ Oh, minha alma, retorna à tua serenidade, pois o Senhor te fez bem.” (Salmo 116:7)

Embora tenham menosprezado à forma de Deus operar através de Samuel, o Senhor ainda consentiu em que fosse ungido um rei em Mizpá – Saul, filho de Quis, o benjamita.

As pressões oriundas do leste de Israel acabaram por estourar em uma declaração de guerra da parte de Naás, o chefe amonita.   Este rei cercou uma cidade da região a leste do rio Jordão – Jabes Gileade.   Os cidadãos locais se viram em aflitiva situação de inferioridade, incapazes de resistir-lhe, e propuseram negociar um acordo de rendição.

Naás, cheio de presunção de que teria forças para derrotar e submeter a todo o Israel, responde-lhes de maneira a demonstrar um profundo ódio pelo povo de Yaweh.   Em vez de aceitar fazer um tratado de paz com os homens de Jabes Gileade, o amonita diz-lhes que, se houver rendição, arrancaria os olhos direitos de cada cidadão a fim de causar um sentimento de humilhação e opressão, e prenunciar-lhes que aquela desgraça chegaria a toda a nação de Israel.   Ele queria causar pânico.   Era um recado diabólico para todo o povo de Deus.

Tanta era a certeza que Naás nutria de sua vitória, e de que não haveria, em todo o Israel, um exército que estivesse à altura de poder enfrentá-lo, que ele até permitiu que mensageiros saíssem da cidade para percorrerem a terra a fim de procurarem por quem lhes pudesse salvar.   Se alguém ousasse erguer-se contra os amonitas, estavam certos que seria derrotado e tratado com violência sem par.

Para onde foram os tais mensageiros?   Eles já sabiam que Samuel havia ungido Saul para reinar sobre eles.   Ninguém melhor do que Samuel, e aquele que foi ungido para liderar o povo às guerras.   Foram para Gibeá, cidade de Saul, que, ao ouvir a notícia, ficou irado.

Saul estava voltando do campo, trazendo o gado e notou que seus concidadãos estavam chorando, pois previam que uma grave desdita estava para os atingir.   Era uma guerra declarada por uma nação inimiga fortemente preparada para invadi-los, matá-los, desonrá-los e profanar o seu solo sagrado.   Aquela afronta de Naás foi tão ousada, que os próprios israelitas se deixaram impressionar e acharam que a ameaça proferida em breve se cumpriria, para sua infelicidade e vergonha nacional.   Estavam antevendo o seu próprio fim.

Esta é uma situação que atinge ainda algumas pessoas nos dias atuais.   Guerras de origem religiosa, ou da cobiça de algumas cabeças, há muito que existem neste mundo. Jesus advertiu: – “ouvireis de guerras, e rumores de guerras, mas não vos perturbeis… ainda não é o fim…” (Marcos 13:7) E a ameaça de Naás não seria o fim para o povo de Deus, como não será para o povo que confia no Senhor.

A solução de Deus já estava preparada. Em Saul?   Não necessariamente, notar bem. Deus usa a quem quer, e por vezes Ele nem se dá ao luxo de usar a algum ser humano.   Não precisou de mãos para escrever as tábuas da Lei, nem de um exército para acabar com o exército do Faraó, no Mar Vermelho, mas os Seu Espírito passeia por toda a Terra, à procura de homens justos.   Não foi preciso haver uma guerra para acabar com a cultura e a civilização antediluvianas, mas Ele disse a Noé:

“Entra na Arca, tu e tua família, porque te tenho achado justo nesta geração” (Gênesis 7:1)

Saul, contudo, acabou por ser o escolhido dentro da vontade permissiva de Deus, e ao ficar ciente da situação que se lhes oferecia como se fosse uma calamidade pública, uma sentença de genocídio, foi visitado pelo Espírito do Senhor, que Se apoderou dEle e foi cheio de um misto de coragem, indignação, ousadia e uma certa impetuosidade que o levou a matar dois daqueles bois que ia conduzindo, cortá-los em pedaços e enviá-los a todo o Israel, dizendo, através de mensageiros, que assim aconteceria com os bois de quem não seguisse a Saul e a Samuel.

Os mensageiros foram rápidos, apressando-se, e, como resultado disso, 330.000 homens se dispuseram em Bezeque, prontos para irem à batalha contra os amonitas.

Os mensageiros de Jabes Gileade então voltaram para sua cidade com uma notíicia que lhes caiu aos ouvidos como uma doce canção de uma mãe que procura acalentar o mal estar de um filho, embalando-o de forma a trazer-lhe um repentino alívio, e uma reação de alegria:

“Amanhã, na hora mais quente do dia, haverá libertação para vocês” (I Samuel 11:9)

Saul então organiza seu exército durante aquele dia, e o dispõe prontos para a guerra. À noite, já se puseram em marcha, e na alta madrugada invadiram o acampamento dos amonitas, e o resultado foi uma surpreendente e marcante vitória, que desbaratou completamente os seus adversários.

Os homens de Jabes Gileade, estrategicamente, informaram aos amonitas que iriam entregar-se à mutilação no dia seguinte.   Enquanto Naás esperava por esse dia seguinte para entrarem sem obstáculos em Jabes Gileade para impor-se como seu dominador e cegar os olhos dos jabitas, foi surpreendido de forma fulminante.   Os amonitas que conseguiram escapar do ataque de Saul, só o lograram a sós, um ou outro, individualmente, em separado, pois ficaram totalmente desarticulados dos seus demais companheiros.   Foi uma vitória cabal, que não deixou sobreviventes que pudessem reorganizar-se e formar um novo exército à altura, capaz de causar qualquer espécie de impressão a Israel.

O segredo dessa conquista?   Está na obediência à unção e ao impulso do soprar do Espírito de Deus. Quando o Espírito Santo nos impele a fazer algo, é a hora de fazê-lo, sem demora.   Obediência à vontade de Deus, eis a chave dos sucessos e dos milagres.

A resposta de Deus a um povo que nEle espera com paciência e amor é o soprar do Seu Espírito.   Quando o Espírito Santo virá novamente para soprar sobre nós, levando-nos e conduzindo-nos pela vontade divina?   Quiséramos que fosse hoje!   Mas ainda que não seja, ainda que demore, sempre valerá a pena esperar pela Sua manifestação – e mais uma glória brilhará na Terra.


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