I SAMUEL – VII – QUEREMOS UM REI

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Noviembre 26, 2015 by Bortolato

“ – Queremos um rei! Um bom rei! Um excelente monarca!”

“ – Que seja um pai para a nossa nação!”

Esta é a expressão que retrata o anelo de muitos povos.   Todos querem ser bem conduzidos , bem cuidados, amparados e amados por algum líder que pacientemente aceite o encargo de ser seu benfeitor, capaz de enfrentar os inimigos e até a morte para os defender.

Esta aspiração, pelo menos a princípio, parece ser legítima – mas se legítima, será sempre boa?  Trará bons resultados?  Depende.   Ela deixa transparecer o anseio por algumas mudanças no sistema de governo que nos alcançará como a chegada de um pacote de presente que vem fechado, cujo conteúdo não conheceremos até que o mesmo seja desembalado – e leve-se em consideração que normalmente leva anos para que seja desembrulhado e conhecido, tal como realmente o é.

As expectativas no ato do desembrulhar sempre são boas, mas assim como nem todos os casamentos se revelam bons, nem todos os reis também o serão, ainda que suspiremos para que o sejam.

– “Mas eu queria que…”

Dizem que querer é poder, mas neste caso há uma limitação.   Um rei que reina sob o regime absolutista pode governar e conduzir a uma nação, mas a nação sob seu cetro não pode governar e conduzir a esse tal rei.   Uma vez coroado sob esse regime monárquico, ele fará aquilo que estiver em sua mente fazê-lo – o que nem sempre estará de acordo com a vontade de seus súditos.

Muitas vezes já ouvimos dizer que “nosso país só poderá funcionar bem, se houver uma ditadura, encabeçada por um “ditador bom”, ou um “ditador bonzinho”, querendo significar que é necessária uma mudança radical na forma de governo, nas estruturas políticas e, de preferência, a curto prazo.

É preciso atentar bem para qual tipo de mudanças que iremos aceitar.   Mudanças só valem a pena quando vêm para melhorar as coisas, mas a escolha de um monarca se nos mostra, não raro, como uma caixinha de surpresas.

O caso que se apresenta em I Samuel, capítulo 8º, é um exemplo no qual todas as nações deveriam meditar, procurando identificar-se e espelhar-se no mesmo.

Que fizeram os cidadãos de Israel naquela oportunidade?   Vamos procurar analisar essa questão.

Samuel, o profeta que foi muito usado por Deus no sentido de trazer a nação aos pés de Yaweh, a abandonar os ídolos e serem fieis ao Senhor, e a agirem confiados nEle, estava ficando idoso, e tencionava passar algumas atribuições suas para seus filhos.   Até aí, tudo normal, pois os filhos de um líder precisam também colocar as mãos na massa, a fim de aprenderem como devem portar-se diante do povo.

Os filhos de Samuel, porém, não eram tão justos como seu pai fora diante de todos.   Aceitavam subornos e distorciam a justiça.   Isso realmente não era algo digno de sua parte, e não deveria ser aceito.   O povo que via esse desvio de comportamento não estava satisfeito, e queria mudanças na liderança de seu pai.   Algo teria que ser feito, mas o que foi que fizeram?

As autoridades se reuniram e foram até Ramá, cidade residência de Samuel, para pedir-lhe que este lhes ungisse um rei, como as demais nações faziam.

Samuel pensou que a razão desse pedido era uma certa rejeição ao seu ministério, e ficou aborrecido com isto.   Parecia-lhe um ato de extrema ingratidão e falta de reconhecimento à sua dedicação e fidelidade ao Senhor e ao Seu povo.   Mas isto não era bem assim.

Samuel foi então orar a Deus e então obteve uma informação mais precisa sobre o caso.   Tratava-se de uma rejeição, sim, mas não a Samuel.   Eles estavam rejeitando a forma como Deus estava dirigindo a nação até aquele momento.

Se os filhos de Samuel já não eram mais o que a nação precisava como juiz, este era um caso que ninguém melhor que o próprio Yaweh saberia cuidar com carinho.   Ele cuidou do problema de Nadabe e Abiú, de Hofni e Fineias, e continuaria cuidando com muito zelo, afinal.   Assim como Ele levantou a Samuel, outros juízes e profetas também seriam levantados, tantos quantos fossem necessários, desde que o povo se submetesse totalmente a Ele e estivesse somente sob Sua tutela, como seu único Deus…

A questão, porém, era outra.   Eles estavam usando o comportamento dos filhos de Samuel, acusando-os e desqualificando-os apenas para expressarem o seu desejo de terem um homem como ponto central na forma de governo.

Em outras palavras, Israel não queria mais que Deus fosse o seu Líder central.   Eles queriam ligar-se a um intermediário, dando todos poderes a este, poderes que no fundo, somente Deus teria: a sabedoria, a justiça, o equilíbrio, a equidade, capacidade de liderança e a força necessários.   Estes predicados eram o que tanto queriam, mas estavam cometendo o erro de enfocar-se em uma terceira pessoa, que não o Senhor Yaweh.

Quando o Senhor levantava juízes, como vinha fazendo, Ele estava colocando embaixadores do Reino do Céu na Terra, o que também significa que Ele, Yaweh, é quem governava, Ele era o verdadeiro Rei de Israel.   E Ele era e é o Rei da Glória, quem estavam relegando a um segundo plano.   O Rei do Céu, que domina Céus e Terra, e que unge a quem quer, para fazer valer a Sua vontade neste mundo.   Ele é quem de fato era o Rei de Israel desde os dias de Moisés, até os dias dos Juízes, isto é, desde cerca do ano 1.500 A.C.   até c. de 1.095 A.C.

Entre fases de rebelião, falta de fé, idolatrias, punições e angústias de um lado, e de obediência com frutos de abundância de bênçãos de outro, Israel tinha conhecido já por cerca de quatrocentos anos que Yaweh era o seu verdadeiro Rei.

O povo, porém, não estava contente com a forma de Deus agir no tocante ao que dizia respeito a dirigir uma nação.   E eles queriam mudar isso.

Ao orar, Samuel ouve o Senhor revelar-lhe esta verdade.   Era um problema pessoal, sim, mas não entre o povo e Samuel – era do povo para com Yaweh.

Aqui se localiza o ponto crítico.   Mudanças, muitas vezes são necessárias, mas para que estas sejam acompanhadas das alterações apropriadas, estas devem ser aquelas que tragam também benefícios, melhorias em todos os sentidos.

Eles queriam trocar o Senhor por um rei humano, no mesmo sentido que pediram a Moisés para que este profeta se achegasse ao monte Sinai, o qual tremia, fumegava, e como um para-raios atraía a fúria da natureza de Deus (Êxodo 19:16-25; 20:18-19).   Eles temiam que no trato com o lado terrível da presença de Deus, fossem mortos.

De fato, eles tinham razão quanto a um ponto: a presença de Deus não tolera pecado, e os pecadores que fossem displicentes no achegar-se a Ele, estes certamente que pagariam um alto preço, não raro com a própria vida.   Realmente, a aproximação de Yaweh era como uma faca de dois gumes: de um lado ferindo aos inimigos de Seu povo, e de outro, ferindo aos Seus mesmo, se abusassem de Sua paciência.

Assim foi durante o período dos Juízes – quando Israel, temendo ao Senhor, aproximava-se dEle, os inimigos eram vencidos, mas o Altíssimo sempre exigiu-lhes o cumprimento de Sua Lei.

Caso o Seu povo quisesse afastar-se do Senhor, Ele então os deixaria à sua própria sorte, o que significava que seriam subjugados por outros povos, o que Israel percebeu por várias vezes, e eles detestavam ver isso acontecer.

Os lideres de Israel pensavam que se, por certas ocasiões era difícil estar junto a Yaweh, pior seria estar sem Ele.   Quiseram, então, achar uma outra fórmula alternativa que lhes inspirasse mais confiança e segurança: um rei humano, mas que fosse indicado pelo próprio Senhor!   Que sutileza!   Pediram um homem para o lugar de Deus, com a anuência divina.

Eles olhavam para outros povos, e viam que Edom, por exemplo, já havia adotado o regime monárquico, o que significava que os mesmos teriam um homem como líder, e seus filhos lhes dariam a segurança de uma promessa de que não faltaria rei para liderá-los, em caso de guerras.

O Senhor lhes esclarece quais os custos de ter-se um rei, nada barato, mas eles persistiram naquela mesma proposta.

Apesar do pedido ter sido eivado de razões ocultas, sutil e enganoso da parte das autoridades de Israel, da falta de bom senso espiritual, atitude que denotava falta de fé no Deus que os ajudou inúmeras vezes de forma maravilhosa, havia um fator positivo no anseio do povo: eles anelavam por um homem que os dirigisse, mas que esse homem fosse aprovado por Deus.

Ora, não há homem que não peque, mas um certo homem houve que pôde reunir todos os quesitos e condições necessárias para agradar a Deus a ponto de poder encaixar-se plenamente no agrado divino, e reinar com perfeição, oferecendo-lhes uma gestão duradoura, um grande guerreiro, e um grande pastor de ovelhas.

Não se trata de Davi, mas de alguém superior: o homem-Deus, que abrigava tanto a natureza humana como a divina. Estamos falando de Jesus, o Cristo, que um dia voltará para ser o Rei dos Reis e o Senhor dos Senhores.   Seu reino será sempiterno, justo, bom, e o Seu trono jamais será abalado.

Quanto a este anelo de todos os povos por um Rei perfeito, que saiba bem conduzir, amar, respeitar, cuidar, amparar e honrar aos Seus súditos; este legítimo desejo de se ter um bom rei, um excelente monarca, que seja um pai para a nossa nação, eis que em breve será plenamente preenchido pelo Filho Unigênito de Deus, Jesus de Nazaré – pois que Ele logo há de vir do céu para reinar sobre toda esta Terra, e então todos hão de concordar que não há nenhum outro que possa ser como Ele, sem termos de comparação!

Então a Terra será purificada a tal ponto, que até os animais o sentirão:

“Ele se inspirará no temor do Senhor; e não julgará pela aparência, nem decidirá pelo que ouvir dizer, mas julgará os pobres com justiça e defenderá os humildes da terra sem parcialidade; ferirá a terra com palavras de juízo e matará o ímpio com o seu sopro.

A justiça será o cinto do seu peito, e a fidelidade, o cinto da sua cintura.

O lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará com o cabrito.   O bezerro, o leão e o animal de engorda viverão juntos; e um menino pequeno os conduzirá.

A vaca e a ursa pastarão juntas e as suas crias se deitarão juntas ; e o leão comerá palha como o boi.

A criança de peito brincará sobre a toca da cobra e a desmamada porá a mão na cova da víbora.

Não se fará mal nem dano algum em todo o Meu santo monte, porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar.”   (Isaías 11: 3 – 8)


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