I SAMUEL – X – PARADOXOS DE UM HOMEM

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diciembre 1, 2015 by Bortolato

Saul e Samuel

Vivemos dias de muitas indefinições e contradições. Nós gostamos quando as coisas ficam bem claras, bem definidas, porque assim se pode entender melhor qual atitude se deve assumir diante das possibilidades que se abrem à nossa frente.

Quando os fatos se aclaram, podemos ver as situações de forma a podermos dizer sim, ou não, de conformidade com cada caso, mas com perfeita segurança do que estamos fazendo, e do que nos espera após cada tomada de decisão.

Se, porém, observarmos tendências que se projetam para mais de uma direção, isto parece propor que direcionamentos contrários, mutuamente excludentes, ou incompatíveis tentam chamar a nossa atenção, confundindo nosso discernimento sobre o que fazer.

Bom é ouvirmos “sim e sim” ou “não e não.” Mesclar esses dois tipos de resposta nos oferece o primeiro sinal das incertezas da vida. Deus também espera pela nossa definição cabal: ou quente, ou frio!

Queremos que tudo seja muito bem definido, mas pretendermos obter esta clareza não significa que o conseguiremos.

Em I Samuel, capítulos 13 e 14 observamos o registro de fatos paradoxais.   Desde o início do reinado de Saul este monarca mostrou não estar espiritualmente bem preparado para estar à frente de seu povo.

Quando alguém demonstra desejo de servir a Deus, mas persiste em ser o condutor das decisões que regerão o Seu povo, haverá, aqui e ali, ocasiões em que os acontecimentos se seguirão em uma mistura de coisas que trarão confusão, pois ora tudo parecerá estar bem, o ora não.

Foi o que aconteceu com o reinado de Saul, que reinou sobre Israel por 42 anos, conforme vemos registrado na versão grega da Bíblia, a Septuaginta.   O texto massorético diverge desta última em I Samuel 13:1-2, aliás também em outras passagens, devido a lacunas de letras e palavras apagadas, provocadas por traças ou pelo constante manuseio nos rolos mais antigos onde se acham os registros do livro.   O texto de Atos 13:21 nos revela o tempo de forma arredondado para 40 anos.

Apesar das falhas do rei Saul, o Senhor ainda permitiu que este estendesse seu tempo no trono por tantos anos, e assim foi.

Tudo teria sido diferente, entretanto, se o povo esperasse o tempo de Deus, em que Samuel levasse seu juizado até o fim, esperando-se pela ocasião quando, oportunamente, viria a ungir Davi, e o jovem belemita pudesse assumir o trono em Israel.

Como as coisas não andaram segundo o cronograma traçado inicialmente pela mão de Deus, então a história se desenvolveu à revelia, cheia de altos e baixos, durante o reinado de Saul.

Saul, depois de pouco tempo de reinado, teve que enfrentar um incidente gravíssimo contra os filisteus. Os filisteus astutamente forçaram Israel a ser despojado de artigos ferro, e os obrigava até que estes tivessem que amolar suas enxadas e foices junto a ferreiros estrangeiros. Mesmo sendo um rei, Saul não conseguiu deter essa força política de seus inimigos, até que… Tentando impor-se na terra dada por Deus, Jônatas, o seu filho, atacou destacamentos daquele povo inimigo em Gibeá, e isso desencadeou uma guerra.   Filisteus se sentiram feridos em seu brio, e resolveram por em campo um grande contingente de soldados em Micmás, a leste de Bete-Áven.   Era um exército tão numeroso cuja infantaria nem podia ser contada, munido de 30.000 carros de guerra, e seis mil cavaleiros.

Os homens que Saul então mantinha como seu contingente em tempos normais eram apenas 3.000 soldados.   Saul convoca todo o Israel em Gilgal, e o povo atendeu prontamente ao chamado, mas ao perceberem a sua inferioridade em números e armas (só Saul e Jônatas tinham espadas e lanças), eles se deixaram intimidar e se dispersaram.   Saul ficou em Gilgal, com um pequeno número de correligionários que tremiam de medo.

O povo começou a esconder-se em cavernas, buracos, fendas de rochas e até em cisternas.

Samuel tinha dito a Saul para esperá-lo por sete dias.   Era uma ordem do Senhor. Por que Deus teria feito assim, pedindo esse tempo de vacância?   Certamente para testar a fé e a coragem de Seu povo.

Com Gideão, cerca de 1295 A.C., ou seja, aproximadamente 200 anos antes, também houve esse tipo de teste.   Junto à fonte de Harode, o Senhor ordenou que Gideão selecionasse apenas os corajosos, mandando aos medrosos de volta para casa, e em Gilgal não foi preciso que Saul fizesse isto, pois os covardes já se haviam evadido; alguns até atravessaram o rio Jordão para se esconderem nas terras de Gade e Gileade.   Os que ficaram, porém, temiam por suas vidas.   Uma desvantagem aparente pesava contra estes, que era notoriamente contra Israel.   A vantagem de Israel era seu Deus, Yaweh, o Senhor dos Exércitos, o que faz o fiel da balança propender para Aquele que tem maior peso do que o mundo todo.

Saul, achando que já havia esperado o bastante, e não vendo Samuel chegar, sentindo-se pressionado, já ofereceu um sacrifício ao Senhor; mesmo não sendo sacerdote e nem profeta, fê-lo; mas acabando ele de fazê-lo, logo apareceu-lhes Samuel como mostra da precipitação do monarca.   O profeta repreendeu-o, pois seu ato intempestivo deixou patente que aquele rei não entendia das coisas de Deus; Saul não compreendeu que a espera daqueles sete dias completos era o método que o Senhor usou para selecionar os homens que lutariam ao seu lado – e também para a escolha de quem deveria ser o rei submisso a Ele, para reinar sobre o Seu povo.

Entender mal os planos de Deus é agir à revelia, como se o Senhor não estivesse ali para ver tudo o que acontece.   E Saul ficou assim privado de ser abençoado com a presença e com as orações do profeta de Israel quando buscava a Deus, o que lhe traria maior segurança naquela hora estratégica.

Este desencontro com a vontade divina não impediu a Saul, de imediato, de batalhar e ser vencedor, pois afinal, ele buscou a Deus, sacrificando oferta de comunhão, antes de ir à peleja, mas ficou a marca da desobediência.   Isto foi o que demonstrou que Saul era um homem que se deixava influenciar pelas circunstâncias, e que cedia a pressões dos homens que o cercavam, em detrimento da vontade de Deus.   Esta marca fez com que Saul viesse a ser atormentado, à sombra da um outro homem que lhe trazia alívio nas horas de depressão: Davi.

Saul deixou a desejar diante de Deus e o seu reinado deixou a desejar diante de seu povo.

Incalculável é a palavra que define o que Israel teria perdido em termos de vida íntima e de paz com Deus, aquela paz Shalom, que significa mais do que tranquilidade, enquanto Saul reinou.

Samuel logo entendeu que o reino havia sido dado indevidamente a um homem que agia de acordo com os impulsos de sua vontade, e que não esperava pela orientação e a bênção divina.

Malgrado esta situação, Saul continuava sendo o rei de Israel, e naquele momento em específico uma situação crítica estava ocorrendo.

Os filisteus, com todo aquele seu formidável exército, numeroso como os grãos de areia da praia, tomando a dianteira, já se dividiram em três companhias, que iam passando pelos vilarejos e as cidades que se haviam esvaziado, abandonadas pelos israelitas que davam-se por vencidos, e iam saqueando o quanto queriam, com toda a liberdade, sem nenhum obstáculo, sem ninguém para impedi-los.

Enquanto isso, Saul, com seu grupo de “valentes” mal armado e diminuído, já não tinha mais nem os seus três mil homens.   Depois que muitos se debandaram, ficaram apenas seiscentos com ele.

Jônatas, filho de Saul, era o único, além de seu pai, que possuía espada e lança, e, imbuído de uma repentina e maravilhosa coragem, decidiu embrenhar-se por um íngreme desfiladeiro, juntamente com o seu jovem escudeiro, a fim de não ser visto senão repentinamente para atacar um destacamento filisteu.

Ao serem vistos, os seus inimigos zombaram deles, comparando-os a animais que estavam saindo de suas tocas e chamaram-nos para um confronto corpo a corpo.

Note-se bem que os filisteus nem sequer pensaram em desferir flechas sobre os dois, sinal de que estavam mesmo querendo uma luta frente a frente, com o intuito de se divertirem, agredindo antes de ferir, ferirem até os abaterem, zombarem bastante antes de matarem, e por fim matando àquele par de israelitas tido por idiotas.

Acontece que Jônatas estava aguardando um sinal de Deus.   Se os inimigos os chamassem até onde estavam, era o que deveriam fazer.   O filho de Saul tinha o coração cheio de fé.   Antes mesmo de ir mostrar-se disposto a lutar, havia ele afirmado:

“… porque para o Senhor, nenhum impedimento há de livrar com muitos ou com poucos”. (I Samuel 14:6)

Este é o ponto. Esta é a verdade que, se crida sem dúvidas e colocada em prática, trará resultados milagrosos.   Esta, enfim, seria a atitude que Deus esperava em Saul e em seus homens, mas naquele momento encontrou apenas em Jônatas.

Para subir pela rocha íngreme e inclinada que se punha à sua frente até chegar aos filisteus ao alto desta, Jônatas e seu escudeiro tiveram que subir engatinhando-se – enquanto os filisteus se riam ao vê-lo, julgando-os uma dupla de ridículos suicidas, desatinada com a realidade que os esperava, e continuavam satirizando-os, agradando-lhes o fato de os observarem assim.

Os filisteus estavam apenas na expectativa daquela subida, e julgando-se os mais experientes guerreiros matadores, jubilavam-se de antemão por sua vitória, mas não se deram conta de que estavam redondamente enganados….

Em chegando ao alto da penha, estendia-se uma “meia jeira de terra”, algo como a metade da área que um boi poderia arar durante um dia.   O espaço era relativamente pequeno para aquele tanto de gente ansiosa por meter-se em um combate, mas isso trouxe vantagens aos israelitas, que puderam ir derrubando e eliminando um por um dos filisteus, os quais, ao se darem conta do que estava acontecendo, começaram a ficar espantados, e temeram.

Para ajudar à dupla israelita, a terra estremeceu.   Os filisteus já fizeram suas conjecturas: – “O Deus de Israel está lutando ao lado de Seu povo… Ele é terrível… Ele é muito poderoso…”

As coisas que aconteciam nos altos dos montes podiam ser vistas de longe, de modo que os filisteus já se apavoraram com a primeira pequena e inesperada vitória de Jônatas, e estes ficaram sabendo em Micmás, onde se acampavam, e pelo seu desfiladeiro, e pelos campos, que os israelitas saíram de seus esconderijos, onde então passaram a supor que se escondiam estrategicamente, estavam começando um ataque, e o Deus de Israel era com eles.

Tudo estava mudado, então.   Os filisteus olhavam para todos os lados, e já se sentiam surpreendidos por alguém vindo de quaisquer direções.   Uns corriam para lá, e outros para cá, iam-se trombando na sua pressa, derrubando a alguns, e pisoteando a outros. Da imensa multidão que estava com eles, por certo que nem todos estavam vestidos da mesma forma; eram oriundos de diversas cidades, e portanto nem todos se conheciam pessoalmente, e isto acabou tornando-se um fator negativo, pois que, devido ao seu estado psicológico de terror, viram-se uns aos outros como seus próprios inimigos.

Gritos de guerra ecoavam de todos lados, soltando ordens contrárias umas às outras. Os filisteus não estavam desinformados sobre o fenômeno ocorrido em Ebenézer algumas dezenas de anos antes e, aterrorizados também com o terremoto, perderam o rumo.  Perderam o seu referencial, e presumiram que outros israelitas também já os estavam atacando.

Como resultado disso, todo o arraial filisteu, bem como os seus soldados que estavam no campo, todos eles, cada vez mais contribuíam para que um tumulto tomasse conta de suas forças desarvoradas.   Era Yaweh trabalhando.   A espada de uns se voltava contra seus próprios companheiros, numa confusão cada vez mais espantosa.

Saul, avisado pelos seus sentinelas, ficou sabendo do ocorrido, e do alto do monte notou-o.   Notou também a ausência de Jônatas entre os seus, concluiu que Jônatas fora o estopim daquela explosão, percebeu que era hora de tomar rapidamente a frente da batalha, e partiu para o ataque com seus poucos homens.

Repentinamente, os israelitas que tinham sido levados ao arraial dos filisteus, aqueles capturados ou rendidos, também perceberam que aquela era a hora estratégica, e começaram também a atacar os seus inimigos.

Os filisteus fugiam por onde pudessem escapar, mas todos os homens que se haviam escondido pela região montanhosa de Efraim, ao ouvirem a boa nova, saíram em perseguição dos seus inimigos e aquela batalha impossível foi ganha, porque Deus é o Deus dos impossíveis, e Ele guerreia por Seu povo.

Depois de uma campanha exaustiva, embora vitoriosa, os soldados de Israel tiveram fome, e tinham proposto um jejum até que anoitecesse, devido a um voto feito por Saul – voto que Jônatas não tinha ouvido.

Jônatas então, ao ver um favo de mel, tomou-o e dele comeu. Seu olhos cansados voltaram a abrir-se e a brilhar.   Os homens de Saul, vendo-o, avisaram-no do voto, mas Jônatas o menosprezou.

Aquilo foi como um convite à mesa.   Toda aquela gente faminta começou a matar reses, e a comer até mesmo com sangue, contrariando o voto de Saul, e também às Escrituras.   O que era uma boa intenção, acabou por tornar-se em pedra de tropeço.

Saul, vendo aquilo, clamou ao povo para que trouxessem seus bois até onde estavam, já de noite, para comer, mas não com sangue, pecando contra o Senhor.   Ali, edificou um altar ao Senhor.

Passo seguinte, com o povo bem alimentado, então chamou um sacerdote para consultar a Deus se deveriam continuar perseguindo aos filisteus, mas o Senhor negou-se a responder-lhe por Urim e Tumin.

Sabedor de que Israel havia cometido um pecado, então concluiu que alguém estava sendo pesado na balança de Deus, e tinha sido uma pedra de tropeço que deu origem àquele deslize.   Saul quis então saber quem teria sido o autor daquela reação em cadeia que redundou no desagrado de Deus.

Tiraram sortes, para saber quem teria sido o que desencadeou aquele estado de coisas.   Este método era comum em situações de crise, tal como se pode ver no caso do profeta Jonas, quando fugia da face de Deus em uma nau que ia a Tarsis.   Não podemos tomar este método como padrão para quaisquer ocasiões, mas no caso de Jônatas, funcionou, e este foi obrigado a confessar o que teria feito.

Jônatas se confessa e diz-se pronto a morrer.   Saul, no ímpeto de cumprir seu voto ousado, dizia que então seu filho deveria morrer.   O povo não aceitou aquilo, e assim ficou a situação.   Jônatas foi poupado, mas sobre ele pousava uma palavra de maldição proferida pelo seu próprio pai, que um dia haveria de cumprir-se.

Com este fato, a perseguição aos filisteus não deu continuidade, a batalha se relaxou, o que deixou os inimigos de Israel escaparem, naquela noite.

Saul continuava, após este incidente, a guerrear em prol de Israel, libertando o seu povo das mãos dos que os saqueavam: os moabitas, os amonitas, os reis de Zobá, e os filisteus, os edomitas, dentre estes últimos destacaram-se em especial os amalequitas; contra quem combatesse, ia-se saindo vencedor, e assim firmou-se em seu reinado, mas…

Os filisteus eram uma pedra em seu sapato, pois estes estavam crescendo, não hesitavam em medir forças contra Israel, e por vezes se fortaleciam, organizavam-se, e tentavam invadir a terra com vistas a expandir os seus domínios à custa da servidão do povo de Deus.   Todos os dias de Saul os filisteus lhe ofereciam problemas, em constante estado de guerra.   Era uma contínua preocupação…

A lição que ficou em meio a tantos desafios, desencontros, acertos e erros, é que é bom termos o Senhor como nosso forte defensor.   Toda glória seja a Ele, mas quando tudo poderia ter sido melhor, de uma outra forma, a satisfazer plenamente a vontade de Deus… Sem pecados, sem precipitações da carne, sem decisões voluntariosas a apagar o brilho da glória dAquele que a tudo vê, tudo percebe, e um dia requererá de nossas mãos todos os talentos que nos foram dados…

Algo porém nos impele a crer que, com todos os nossos acertos, e todos os nossos erros, o amor de Deus é incondicional, e a Sua graça preenche todos os vazios provocados pela nossa incapacidade de sermos perfeitos como Ele é, e se tivermos a humildade de reconhecer que somos Seus dependentes a cada instante…   Não sejamos como Saul, que prosseguiu um reinado sem parar para pensar onde errou, e onde deveria ter voltado atrás… Sejamos sábios…

A graça de Deus está firmada sobre a Sua compaixão, capaz de derramar o sangue de Seu próprio Filho em favor de pecadores que se arrependem, confessam-no, e tornam a trilhar os Seus caminhos com alegria e a liberdade de um habeas corpus despachado pelo Trono do Pai.

“Todos pecaram, e destituídos estão da graça de Deus…”(Romanos 3:23)

O salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.” (Romanos 6:23).”

“Que diremos? Que os gentios, que não buscavam justiça, alcançaram justiça, mas justiça que vem da fé”. (Romanos 9:30)

“Hoje, se ouvirdes a Sua voz, não endureçais os vossos corações”.

“Porque se com a tua boca confessares Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus os ressuscitou dentre os mortos, serás salvo”. (Romanos 10:9)

 

 

 


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