I SAMUEL – XI – VENÇA AO SEU INIMIGO

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diciembre 7, 2015 by Bortolato

Boiada

Quem é este inimigo?   Diriam alguns: – “Eu não tenho inimigos!”

Muitos pensam não ter inimigos, porque são pessoas de paz, que não gostam de guerrear. Pessoas boas, enfim, mas estão enganadas.   E pelo fato de estarem enganadas, poderão sofrer muito por não saberem sequer quem são seus adversários, que lutam contra, mas escondem-se num anonimato cauteloso, aproveitando-se do descuido e da ingenuidade das pessoas.

Conscientizar – é preciso!   Procurar saber quem são eles, para se tomar os cuidados especiais que sua ação perniciosa nos demanda.   Não se pode combater ao que não se conhece, a quem não se mostra, mas permanecermos enganados é um erro maior do que o despertar e o preparar-se para uma guerra sutilmente não declarada.

Pense na morte. Esta é sua inimiga. Na enfermidade. Esta é outra. Pense no mal. Este é personificado por um anjo caído, que optou por deflagrar angústias e dores no planeta Terra. Este é o nosso maior inimigo.   Ele é o acusador de nossas almas (Apocalipse 12:10). Seu nome era Lucifer, a quem Jesus o chamou de adversário, ou inimigo, palavra que em hebraico se pronuncia Satan (Jó 1:9-12).

O mal não foi extirpado desta Terra ainda, de forma que temos muito que lutar contra o mesmo, e não devemos querer ficar neutros nessa história, nem o lograremos se assim tentarmos, ainda suspiremos muito por isso.   Não existe esta possibilidade.   Ou somos amigos de Deus e inimigos de Satanás, ou vice-versa.   Não há área de escape nesta batalha.   Ou estamos de um lado, ou do outro.   Os que quiserem localizar-se na área supostamente neutra, serão atacados dos dois lados, pois estarão imprudentemente no meio do fogo cruzado.

Deus é bom, e tem o Seu inimigo, o qual anela por destruir a tudo o quanto o Altíssimo faz.   Após a destruição do Dilúvio, todo o mal recomeçou, alastrou-se e luta para corromper ao mundo até hoje.

Deus plantou algumas sementes santas nesta Terra, e assim foi que nasceu uma nação – Israel.   Israel como nação nasceu após tremendas manifestações do querer de Deus constituindo-o Sua nação.

Israel saiu do Egito, e peregrinou pelo deserto.   Depois de dois anos andando pelo deserto, no dia em que os filhos de Israel decidiram marchar para a Terra de Canaã, mas sem a orientação e a bênção de Deus (Números 14:42-45), sofreram uma derrota terrível, humilhante e feroz da parte dos amalelquitas e dos cananeus.   Estes dois povos os perseguiram, ferindo mortalmente aos mais fracos e cansados, os que estavam fugindo retardados, na retaguarda daquela retirada.

Alguém argumentará: mas os amalequitas e cananitas não conheciam a história do agir de Deus no meio de Seu povo Israel no Egito…

Puro engano.

Eis aí um detalhe importante: os egípcios que restaram das pragas não somente presenciaram-nas, mas também sofreram-nas pela mão pesada de Deus Yaweh, que voltou-se contra àqueles, porque o Senhor queria libertar aos filhos de Jacó.   Além disso, aqueles egípcios contaram aos moradores de Canaã toda aquela maravilhosa ocorrência (Números 14:13), de sorte que tanto os amalequitas como os cananeus já conheciam esta história. Mesmo sabendo disso, perseguiram odiosamente a Israel quando este tentava entrar em Canaã, de forma que também estavam-se opondo ao Senhor Yaweh e à Sua obra.   Estes povos foram verdadeiros satan, inimigos, sendo cruéis contra o povo de Deus, ferindo-os até Horma, sem dó e nem piedade.

Em outras palavras, os cananeus e os amalequitas agiram de acordo com o ódio que Satanás tem contra tudo quanto Deus abençoa.   Foi uma afronta não somente contra Israel, mas também contra Yaweh, que estava conduzindo o Seu povo pelos deserto até chegar ali.

O Senhor não puniu Seus adversários no ato porque os israelitas estavam tendo que receber uma dura lição, e voltar para o deserto, em vez de entrarem na Terra Prometida, mas aquela fúria e ostensividade dos Seus inimigos não ficou esquecida.

Quanto aos cananeus, estes foram vencidos na época da conquista por Josué, foram combatidos, eliminados e expulsos da terra.

Quanto aos amalequitas, porém, bem… este foi um caso à parte, que carecia de um tratamento especial.

QUEM ERAM OS AMALEQUITAS?

Amaleque, em hebraico, significa “habitantes do Vale”. São descendentes do filho de Elifaz, filho de Esaú, que habitavam ao sul da Palestina, entre a Idumeia e o Egito, e a leste do Mar Morto e do monte Seir.

Esses descendentes de Esaú se tornaram tão numerosos que enchiam a terra onde habitavam, e possuíam numerosos camelos.   Seus costumes eram temíveis, porque usavam e abusavam de práticas assassinas e de saques, desde o começo de sua história.   Seu metieé especial era atacar e saquear povos vizinhos, como Israel.   Este era o seu meio de viver.

Associavam-se com outros povos para pilharem, saquearem, matarem e roubarem (Juízes 3:12-14; 6:34).

Desde os primeiros contatos com Israel mostraram-se inimigos ferozes e sem misericórdia.

Quando Israel fugia dos mesmos até Horma, os que, de fracos e desfalecidos ficavam pelo caminho, eram mortos sem que se aventasse a hipótese de poupá-los ou até mesmo de capturá-los.   Quando guerreavam com outros povos, matavam as mulheres grávidas com suas espadas penetrando-lhes o baixo ventre e rasgando este de baixo para cima.   Não tinham misericórdia, não conheciam esta palavra, e usaram de seus métodos hediondos para guerrear contra Israel e o Deus de Israel.   Por este motivo, o Senhor mandou que se registrasse que, além dos cananeus, Amaleque teria que ser destruído (Deuteronômio 25:17-19), pois, como Satanás, portou-se como inimigo de Yaweh e de Seu povo.   Assim como o mal ficou personificado na pessoa de Satanás, assim Amaleque ficou estigmatizado e foi amaldiçoado por Deus.

Pouco mais de quatrocentos anos se passaram após este infeliz incidente, e o Senhor se calara a respeito das maldades de Amaleque. Cremos que dando-lhes inúmeras oportunidades para estes se arrependerem de suas obras, mas sem nenhuma mudança de comportamento.

Como Saul fora feito rei de Israel, o Senhor lhe ordenou que guerreasse contra Amaleque, a fim de destruírem a tudo o que tivesse contato com esse povo – até mesmo os animais.   A ordem foi clara: não poupar nada dos amalequitas.

Saul recebeu a ordem e foi a campo contras os tais. Cercou a Amaleque, tendo o cuidado de não atacar aos queneus que com aqueles moravam.   Perseguiu-os desde Havilá até chegar a Sur, fronteira com o Egito.   Eliminou a tantos quantos estivessem ao seu alcance, mas poupou ao seu rei, Agague.

Naquela oportunidade de exterminar o gado apreendido, Saul hesitou.   O povo que o seguia também parou diante da beleza de reses, cabeças exuberantes, e ponderaram. Esqueceram-se de que tudo quanto pertencesse a Amaleque cheirava mal diante de Deus, tanto aquele povo como os seus pertences.   Uma maldição de Deus pesava sobre aquele povo e o lugar onde se haviam instalado.

Tal e qual Jericó, nada deveria sobrar dali, senão cinzas e ruínas.   Esta era a sentença de Deus.

Nada sobrara de Sodoma e Gomorra, esta também foi a sentença de Deus.   O clamor de suas más obras testificava contra eles, e teriam que sofrer, pagar com a vida pelo sangue que derramavam, e pelo nojo que provocaram ao Senhor, o Alto Juiz de toda a Terra.

Nada deveria também sobrar de Amaleque, mas…

Tal e qual Acã, Saul tomou do anátema.   Acã morreu apedrejado, ele e sua casa, mas Saul, como o rei de Israel, não sofreu este castigo – não por ora, mas o final de sua carreira nos mostra que o Senhor não se agradava mais dele, e teve que sofrer as consequências, ele e três de seus filhos.

Saul poupou ovelhas e bois, e ainda deixou vivo a Agague, o rei amalequita.

Samuel foi informado disso pelo próprio Senhor, e se contristou.   Clamou toda uma noite. Conversou muito com Deus.   Embora indignado, ainda tentou interceder tal como Abraão intercedera por Sodoma e Gomorra, e de madrugada saiu para, com o corpo cansado e olhos fundos, procurar por Saul.   Fora informado de que Saul estava em Gilgal, e, decidido, foi-lhe ao encontro.

Ao avistar Saul, aponta-lhe para a ordem do Senhor. Saul lhe diz que executara as palavras do Senhor. Tudo. Tudo completamente certo, certíssimo, conforme manda o figurino, afirma Saul.

Samuel ouve balidos e mugidos dos animais poupados daquela campanha, e pergunta-lhe o que vem a ser aquilo.

Saul então diz-lhe que eram os melhores bois e as melhores ovelhas de Amaleque, poupados para serem sacrificados ao Senhor – provas vivas da desobediência à ordem de Deus, mas o monarca insiste que ouviu muito bem a voz de Deus, e cumpriu-a integralmente.   Este foi o seu maior erro: justificar o injustificável, e tentar explicar o inexplicável.

Erro é erro, e assim deve ser visto, identificado e tratado. Quando se erra, não há como se apresentar justificativas.   Ou admitimos o erro e nos arrependemos do mesmo, ou ficamos como seus idôneos e cúmplices.   Saul, infelizmente preferiu a cumplicidade com aquilo que Deus detesta, e poupou o que era mau aos Seus olhos.   Enganou-se redondamente.

Samuel então lança um princípio inflexível, uma cláusula pétrea dos institutos de Deus: –

“…Obedecer é melhor do que sacrificar… rebelião é como o pecado da feitiçaria, e obstinação contra as palavras de Deus é como a idolatria…” (I Samuel 15:22-23)

Samuel então lhe diz mais uma palavra dura: o Senhor rejeitara a Saul para que não seja mais rei.

Aí então, somente aí é que Saul se abala, sente a reprimenda, “reconhece” o seu erro, e diz outra vez tentando justificar-se:

“Pequei, porque temi a voz do povo, e dei ouvidos a sua voz.”

Após a reprimenda, Samuel tenta retirar-se, mas é segurado por Saul, que involuntariamente rasga a barra da capa do profeta. Samuel então lhe diz que o Senhor também rasgou de Saul o reino…

Mais uma vez repisamos no seguinte conceito: Vox populi não é Vox Dei.   Se alguém deseja agradar a Deus, é necessário ignorar respeitos humanos muitas vezes.

É preciso estar atento às palavras de Deus, e zelar para cumpri-las com muita fidelidade, acima das opiniões de homens destes mundo.

Cristo nos convida para reinarmos com Ele neste mundo. Para tanto, precisamos estar preparados.   Saul não era um homem bem preparado espiritualmente, e por isso é que caiu em vários erros humanos.

Para reinarmos com Cristo neste mundo, temos que estar atentos à voz de Deus, que fala aos nossos corações a todo instante. Este é um cuidado imprescindível para sermos fieis mordomos Seus.

Precisamos a cada dia ter aquela mesma atitude de Samuel quando este ainda era uma criança:

– “Fala, Senhor, porque o Teu servo ouve.” (I Samuel 3:10)

Ouçamos a voz de Deus quando orarmos sem cessar (I Tessalonicenses 5:17) e quando formos contemplados com o privilégio de ouvi-Lo, estejamos atentos e façamos exatamente como diz a Sua Palavra.

A Bíblia é a Palavra de Deus.   Voltemo-nos para ela, pois tem muitas instruções para nos dar.   Não importa se muitas vezes não entendemos com o nosso intelecto o que nela está escrito, pois o nosso espírito entende, e se sentirá em plena paz ao lê-la, e tem prazer em cumprir o que Deus diz.

O Espírito de Deus também nos fala à medida que nos dispomos em espírito e em verdade, com todo o nosso coração na presença do Senhor (Efésios 4:30; 5:18-21).

Que seja uma doce aventura essa convivência de nossos espíritos com o Espírito Santo de Deus.   Ouçamos a Sua Palavra como ouviríamos uma suave melodia, deixando-a penetrar em nossos corações assim como as chuvas penetram em terra seca.   Bebamos mais e mais dEle, e nossas almas se deleitarão com isso.


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