I SAMUEL – XII – COM QUEM DEUS SE COMPRAZ

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Diciembre 17, 2015 by Bortolato

Tudo nesta vida tem mudado. Pessoas mudam.   Governos mudam, e seus regimes também.   Uns mudam para melhor, e outros para pior.   Quisera que todos melhorassem dia após dia.   Mas isto não depende de uma só pessoa, vai das decisões que se somam, uma a uma, tomadas pela multidão.

Caminhos nesta vida se abrem e outros se fecham.   Quando se toma um desses caminhos, um certo rumo é seguido.   Alguns não sabem até onde se chegará, se continuarem prosseguindo na mesma caminhada.   Outros têm muita segurança daquilo que estão fazendo, mas nunca sabem, nos mínimos detalhes, o que o futuro lhes reserva.

Outros ainda sofrem decepções, e percebem que assumiram a direção errada.   Dentre estes últimos há quem ainda possa voltar atrás, mas por incrível que pareça, também há quem reconheça o seu erro, mas resolve continuar no mesmo até o fim, sob desculpa de que não veem outra opção.   Ou por pura teimosia, o fato é que continuam.   Sem fazer mais nenhum sentido, mas continuam, e não sequer param para pensar.

Quando analisamos as atitudes do rei Saul em I Samuel, capítulo 15, notamos que o mesmo era voluntarioso, tinha suas próprias opiniões, as quais fazia prevalecer, mesmo quando desrespeitando a opinião de Deus.   Agia sob ímpetos, aconselhado por pessoas que não valorizavam as Palavras do Senhor Yaweh.

Saul errava muitas vezes desta forma, e persistia em errar. Quando confrontado pelos santos profetas, especialmente por Samuel, procurava justificar-se.   Achava que estava certo em fazer tudo o que fazia, ainda que contrariando a Palavra de Deus, e ainda se tornava um advogado para levantar sua voz em sua autodefesa.

O Senhor Yaweh é invisível, mas não tolera ser ignorado.   Quem faz isto, provoca a Sua ira.

Depois de algumas desfeitas recebidas da parte de Saul, o Senhor se cansou, enojou-se e diz uma palavra que fica até um tanto difícil de ser compreendida.   O Senhor diz que se arrependeu de ter constituído Saul rei (I Samuel 15:11).

Pensaria alguém: – será que Deus também faz suas besteiras e depois se arrepende das mesmas ?   Ora, por certo que este tipo de teofania não existe.

Existe um problema no homem que Deus criou: ele está muito aquém da perfeição do Senhor, e não compreende bem as coisas do Alto, porque não consegue alcançá-las.

Para Deus exprimir-se, dirigindo as Suas palavras aos homens, Ele precisa usar de uma linguagem de comunicação.   Às vezes pessoas se queixam de que Deus não lhes fala nada – e de fato, nada ouvem, nenhuma palavra que possam atribuir ao Altíssimo.   Acontece que o nível de comprometimento com o pecado é tanto, que deixou o homem como que encalacrado dentro de um poço fundo, de tal forma que este isolou-se, voluntariamente fez assim, e para que as palavras de Deus não sejam ditas dentro do estilo divino e mal interpretadas por quem está longe, com os seus ouvidos limitados para poderem ouvi-Lo, muitas vezes Ele se cala – mas age.

Diremos que a profundidade do poço do pecado distorce o sentido das Palavras de Deus.

Diremos também que a linguagem de Deus é molhada pela unção vaporizada do Espírito Santo.   É uma linguagem espiritual, que sai do profundo do Seu Ser, sem engano, sem mentiras, sem vícios, sem sofismas, mas plenamente recheadas das verdades eternas.

Enquanto isso, o homem está em um mundo onde as bocas podem falar algo que sai com o som das palavras pronunciadas, mas totalmente fora daquilo que de fato e realmente se passa dentro dos corações. São palavras escusas e enganosas.

Em suma, Deus fala com o Espírito e em Verdade, completamente coerente com o Seu coração.   Já o homem sabe muito bem como mentir, ser doloso, ardiloso, desonesto, maldoso, e tenta enganar tanto ao próximo, como também a si mesmo.   Deus, porém, conhece essa natureza do homem.

Quando Samuel, um homem de Deus, que conseguia sair do poço do isolamento para encontrar-se com Deus, ele falava com o Senhor e o Senhor também falava com ele, num diálogo muitas vezes longo, e muito gratificante.   Samuel se embevecia na presença do Altíssimo.   Então o Senhor inclinava-Se para expressar-Se em particular, somente aos ouvidos de Samuel, num encontro de revelar uma parceria muito agradável, segura, excitante e extasiante.

Nessas ocasiões, Deus precisava usar o vocabulário que Samuel entendia, mas acontece que as palavras acessíveis ao homem são muito pobres para deixar transparecer a linguagem do céu.

Expressar o que existe no coração de Deus é algo como uma missão impossível, pois o Senhor é muito rico, infinitamente, e insondável como ninguém.   Podemos, no entanto, tentar nos aproximarmos dAquele que é perfeito.

Então o Senhor, que conhecia o coração de Saul e o de Samuel, quis dizer algo como:

“Estou firmemente decidido a deixar de fazer algo que vinha fazendo enquanto prestava Meu apoio a Saul como rei”.

Como dependesse do vocabulário, da cultura e das expressões comumente usadas entre os hebreus da época, poderia exprimir-Se de modo mais simples e direto, usando a seguinte forma:

“Estou desgostoso. Não quero mais que Saul seja rei de Israel”.

A história da ascensão de Saul ao trono está bem exposta em I Samuel 8 a 12.   Foi o fruto de uma decisão precipitada da parte do povo de Israel.   Se houve alguém que fez alguma besteira, esse alguém foram os líderes de seu povo, que o pediram e não abriram mão de sua pretensão.   Não foi uma besteira de Deus.   Deus sabe muito bem o que faz quando executa Seus intentos.

A língua hebraica, como qualquer outra desta terra, tem suas limitações e por isso a palavra que Samuel ouviu da boca do Senhor lhe pareceu chegar assim aos seus ouvidos:

“Arrependo-me de haver constituído Saul rei”.

No espírito daquela palavra, porém, Samuel entendeu muito bem que o erro era oriundo da vontade obstinada do povo, e em especial, na de Saul.

Esta palavra Samuel repete em I Samuel 15:35.   Deus realmente estava determinado a constituir um outro rei.   Um outro, sim, que fizesse Sua plena vontade, mas quem?

Quem seria o felizardo escolhido, abençoado pelo Senhor Yaweh?   Um rico? Um poderoso? Alguém muito experiente? Não!   Um homem alto e forte como Saul? Não!   Um soldado habilidoso como ninguém com a espada? Não!   Um sábio?   Não nos moldes dos homens desta terra.

Nas palavras do apóstolo Paulo em I Coríntios 1:27-29:

“Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar aos sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes, e Deus escolheu as coisas humildes do mundo e as desprezadas, e aquelas que não são, a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus”  

Dia a Bíblia em I Samuel, capítulo 16, que o profeta estivera orando muito por causa de Saul e seus erros; afinal, este fora ungido, e tinha sido escolhido por Deus para reinar sobre o trono de Israel.   Foi um grande guerreiro, muito lutador, e trouxera vários livramentos de vários agravos, ameaças e opressões contra o povo do Senhor.   Lutara à sua maneira e vinha conseguindo com isso alguns bons resultados, mas podia ter sido melhor, aos olhos dAquele que tudo vê – aliás, poderia ser muito melhor.

O povo tinha Saul como seu rei, com bastante carinho e submissão às suas ordens, mas o Senhor não estava se agradando dele, da maneira de Saul governar.

A maneira de Saul reinar, pensando bem, não traria os livramentos que o Senhor queria dar a Israel, mormente no que diz respeito aos filisteus.   Tanto é assim , que Saul terminou os seus dias e o seu reinado derrotado por aquele povo idólatra e opressor…   Por este motivo o Senhor se via querendo operar, mas sendo barrado pelo homem.   Problema que, por sinal, é frequente no meio do povo de Deus…

O Senhor tinha um outro plano.   Escolheu um jovem, um pastor de ovelhas, para ser o Seu ungido, segundo o Seu coração.   Inexperiente, sim, com muito para aprender, o mais novo dos irmãos de uma família de Belém de Judá.

O Senhor gosta de transformar corações, e teve em Seu coração transformar um simples pastor de ovelhas em um músico, um guerreiro valente, um poeta, um escritor sacro, e um homem que seria segundo o Seu coração.   Deus tem prazer em tomar do barro bruto para fazer deste um vaso para as Sua honra.   Ele abate aos fortes e exalta aos fracos. Do nada faz tudo, e onde há trevas, faz brilhar a luz.

Samuel se encheu de pena por Saul. Foi ele, Samuel, quem o ungiu com o seu vaso de azeite, e quem serviu de instrumento divino para constituí-lo rei, mas agora muitas coisas mudaram.   Saul não conservou a humildade que tinha antes de ser rei, e isto o levou a desagradar a Deus em vários pontos.

O Senhor então diz a Samuel para parar com isso.   Parar de entristecer-se por Saul.

O Senhor Deus tinha uma outra pessoa em mira, e já chegara a hora de começar a operar a preparação, iniciando-se pela unção com óleo sobre a cabeça do jovem escolhido.

Samuel ouviu a voz de Deus mencionar o nome de um homem de Belém – Jessé.   Este tinha vários filhos. Oito, e mais duas filhas.   Jessé, filho de Obede, e neto de Boaz.   O Senhor ordena que Samuel unja a um desses filhos de Jessé, mas não citou nenhum nome.

Uma preocupação vem ao profeta:   Saul vai considerar isso uma conspiração, e decerto quererá matar tanto a Samuel como ao novo eleito.   Mas o Senhor tem um plano: que tudo aquilo fosse feito de forma a não chamar a atenção de ninguém.   Foi essa mesma maneira que Deus usou para a Pessoa de Cristo: que não se fizesse publicidade de Seu título honroso de Messias, que tinha e tem conotações várias, entre as quais a de que Seu possuidor será o rei de Israel eternamente.   Pelo menos por um determinado tempo, tanto Davi como Jesus tiveram que agir como quem não tinha pretensões de subir ao trono real.

Samuel então vai a Belém levando um novilho e convida Jessé ao sacrifício.   Apesar dessa estratégia usada, os líderes daquela cidade logo se abalaram, e tremeram os seus nervos nas bases quando viram o profeta.   Ao tomarem conhecimento que Samuel viria “apenas” para um sacrifício, acalmaram-se e abriram o caminho até a casa de Jessé.

Jessé e sua casa toda são convidados para se purificarem, e os seus filhos vão-se apresentando, um a um vão-se achegando perante Samuel.

Samuel olha para o primogênito Eliabe, considera o seu porte, e pensa que este seria o ideal, mas o escolhido não era ele.   Alto, quase como Saul, gentil, fez com que Samuel achasse que fosse ele aquele a ser ungido.   O Senhor disse que não, porque o homem vê as aparências, mas Deus vê o coração.

Samuel, interessado, vai passando a conhecer um por um dos filhos de Jessé, e depois que passaram sete deles diante de seus olhos, recebendo a orientação de Deus de que nenhum deles fora aceito para aquela unção.   Samuel, então, reclama da falta de algum dos filhos da casa.

Jessé diz-lhe que falta apenas o menor, que estava no campo, cuidando das ovelhas. Samuel manda chamá-lo, pois não iniciaria o ritual do sacrifício sem a sua presença.

Ao chegar, Davi, ainda jovem, não tinha aquela estatura física de alguns de seus irmãos, mas tinha um coração malheável e disposto a ser transformado pelo Senhor, como o barro nas mãos do Oleiro.

“Este é ele!” – diz o Senhor, e Samuel unge-o com o óleo que trazia dentro de um chifre, o óleo da Santa unção caiu sobre a cabeça de Davi diante de todos os seus irmãos, mas ninguém ali, exceto Samuel, sabia qual o significado que Deus estava conferindo àquele ato.   Estratégia divina, uma maneira de Ele fazer coisas de forma que os homens não fiquem cientes do que acontece no reino do Espírito, pois assim pôde operar livremente no espírito de Davi.

Samuel fez aquilo que um homem de Deus faria: a sua parte – crer e agir.   Os resultados daquele momento estavam nas mãos divinas, e logo começariam a aparecer.

O Espírito de Deus, desde então, passou a tomar o controle da vida de Davi.  O jovem que já era hábil com a harpa desde algum tempo atrás, agora, mais do que nunca, torna-se em um exímio harpista ungido pelo Espírito Santo.   Sua habilidade para atirar pedras com fundas também é aprimorada e ele passa a perceber que pode fazê-lo com maestria e perfeição, a partir de certa distância.   Aquilo que um homem pode realizar com suas forças e capacidade é aperfeiçoado e corroborado por Deus de uma forma extraordinária, e Davi vai sendo assim formado, dia após dia.

O jovem de Belém estava transbordando do Espírito Santo enquanto tocava, ao ponto de ficar famoso por isso.   É assim que Deus vai operando em um homem, preparando-o para ser Seu servo fiel, visitando-o constantemente.

Davi tocava sua harpa enquanto pastoreava as ovelhas de seu pai, extravazando em louvores ao Senhor.   Seu período de pastoreio lhe trouxe a oportunidade para experimentar um grande derramar de bênçãos de Deus sobre seu viver no dia a dia.   Ele cantava, compunha e cantava, dedilhando as cordas de sua harpa, enquanto o Senhor punha-se ao Seu lado, e ia preenchendo-lhe a alma com muita alegria e satisfação.   Passava horas e horas em um culto particular de louvor onde o Senhor fazia-Se presente muitas vezes, penetrando em sua alma com muita profundidade.   Até as próprias ovelhas sentiam isso.   Eram momentos de grande enlevo espiritual.   Ali foi que o Senhor lhe imprimiu a verdade de Quem era o seu Pastor (Salmo 23), e experimentou-a amplamente.   Este é o quesito mais importante para um homem chegar a ser uma bênção dispensada pelo céu.

Cada dia mais Davi foi entendendo que o Senhor o estava acompanhando e sendo-lhe como a sua própria sombra à sua direita (Salmo 121:5), jamais faltando nos momentos mais críticos, e sempre presente nos mais deleitosos.

Foi então que chegou o dia em que teve de passar por uma, ou melhor, algumas experiências de fogo.   Feras predadoras sondavam o rebanho, e atacavam uma rês.   Vinham devagar, sorrateiras, escondidas em algum arbusto ou pedra saliente, quase invisíveis; escolhiam cuidadosamente a sua presa, dando preferência aos cordeiros, que, pelo tamanho, possibilitavam ser carregados na boca, e no momento que lhes era propício, corriam rapidamente oferecendo-lhe uma surpresa, tomavam-nos com suas garras, e iam levando-os embora, enquanto o rebanho, assustado, corria para quaisquer lado que lhes representasse uma fuga ao estranho ser que lhes aparecia, quase que do nada.

Ao perceber isto, como que de súbito, as forças, a habilidade e a presença do Espírito Santo cresceram-lhe em um pico transbordante.   Ele não titubeou.   Tomou a sua arma, e correu ao encontro fatal.   Cheio do Espírito Santo, corajoso e aguerrido, deu combate à fera, às vezes um leão, às vezes um urso, arrancava-lhes o cordeiro da boca, e enfrentava uma luta feroz.   Tinha que combater com prudência, não deixando a fera se achegar muito junto de si, mas não se deixando intimidar. Tinha que avançar e recuar, avançar de novo, e esperar o instante mais propício para desferir o golpe fatal, em que as feras baixassem a sua guarda. Agarrando-os pela barba, matando-os, e só depois de tudo feito é que notava que algo diferente o ajudou – ele foi assenhoreado de forças incríveis, que o controlaram, fazendo-o agir com rapidez, eficiência e perfeição.   Coisa extraordinária. Depois disso, reunia novamente o rebanho, e voltava ao seu posto, para cantar ao Senhor, louvando-O por Sua presença e fidelidade em sua vida.

Quando lemos acerca dos valentes que acompanharam Davi em suas campanhas, ficamos sabendo que alguns deles também enfrentaram leões frente a frente, em uma luta corpo a corpo, e os mataram, ficando famosos pelo feito, como foi o caso de Benaia, filho de Joiada (I Crônicas 11:22).   Pois então um homem podia tornar-se famoso, se enfrentasse qualquer desses grandes predadores em uma luta assim, e levasse a melhor.   Pois foi o que lhe aconteceu, mas aquelas vitórias sobre feras do campo eram apenas um trailler, uma avant-première, uma amostra do que ainda viria na vida daquele rapaz que estava já se tornando um valente homem, um verdadeiro guerreiro nas pastagens de Belém.

Desafios maiores ainda viriam, mas o seu espírito estava forte, inquebrantável, na força do Senhor.

Saul começou então a sofrer de ataques de melancolia, diriam alguns, entrando em depressão.   Seu espírito sentia que algo estava dando errado.   Ficava inseguro, inquieto, nervoso, e às vezes também explosivo e agressivo.   Seus servos sugeriram que Saul contratasse alguém para tocar harpa, junto a ele quando isso acontecesse, pois reconheciam o poder do louvor que liberta nas mãos de pessoas que tocavam o instrumento de forma a agradar a Deus.

Esta era a situação do então rei de Israel.   Inseguro, perturbado e atacado por espíritos maus.   Deus assim o permitiu, uma vez que Saul se tornara rebelde para com Suas ordens.   Saul queria reinar por suas próprias forças, e viu-se atacado pelas forças do mal deste mundo, que atuam nos filhos da desobediência (Efésios 2:1-2).

Saul então era um homem que abandonou a direção de Deus e tinha que lutar contra nações idólatras, amaldiçoadoras, carregadas de feitiços, obras de bruxaria, encantamentos e, embora confiasse na sua força e na sua espada, esqueceu-se de estar protegido com a armadura de Deus (Efésios 6:12). Quem dera que todos os servos de Deus hoje se espelhassem na trajetória de Saul, e jamais se permitissem militar a boa milícia com as armas da carne.

Quem então poderia ajudar contra esses ataques espirituais que procuravam desequilibrar o rei Saul?

Três irmãos de Davi já eram soldados de Saul, e os demais já eram vistos como candidatos à milícia.   Não por coincidência, os seus amigos e correligionários chegaram a conhecê-lo por sua habilidade espiritual como músico.

Havia um Davi, sim, que tocava a sua harpa, e os demônios eram obrigados a se retirarem. Logo, o jovem pastor de ovelhas foi chamado para estar junto ao rei Saul, que estava se sentindo mal. Davi entrava, então, à sua presença, começava a dedilhar seu instrumento musical, cantando aquelas canções que o Espírito Santo lhe inspirava.   O mal não resistia e se ia de Saul.

Aquilo encantou a Saul, que passou a valorizá-lo muito e chegou a amar ao jovem harpista, ao ponto de, vendo-o como um mancebo forte e saudável, torná-lo o seu pajem de armas.   Ora, esta nova função acabou sendo uma excelente escola para Davi tornar-se cauteloso e ao mesmo tempo ousado em confrontos armados.

Embora Davi não estivesse full time no acampamento dos soldados de Israel, passou até a ter uma tenda para si (I Samuel 17:54), e o tempo em que atuava como escudeiro de Saul levou-o a presenciar a forma experiente com que esse rei lutava, com espírito forte, combativo, e mais: acostumou o jovem com a prática de matar os inimigos em guerra.

Tudo isso acontecia para fazer Davi somar a arte das guerras com a ousadia que o Espírito Santo lhe imprimia em seu coração.

Antes de tudo, porém, Davi era um servo de Yaweh, em toda e qualquer circunstância, e reconhecia ser este o maior privilégio da vida.   Quando ia acompanhando Saul em um combate, ia imbuído do sentimento de que lutava pelo Senhor, o Deus Absoluto, e quando matava aos inimigos, estava eliminando os inimigos do seu Deus.

Que todos os servos de Deus sejam cônscios de que deleitar-se na Sua santa e augusta presença é muito bom, e é o princípio da vida que nos capacita a erguer a cabeça, ser forte com a força do Deus de Abraão, Isaque e Jacó, a ser destemido diante dos inimigos e sabedor de que a nossa batalha a ser travada o é, antes de tudo, uma batalha espiritual.

“O Senhor é com ele (com Davi)…” (I Samuel 16:18), disseram seus conhecidos a Saul.   Isto é que é o mais importante.   É Deus conosco.   Emanuel. O resto é resto.   Assim também foi com Josué, com José, com Samuel. O Senhor era com estes, e o restante acontecia como devia acontecer.

Que o Senhor dos Exércitos seja com o(a) prezado(a) leitor(a) e a vitória lhe venha como um resultado disso, um detalhe a ser naturalmente acrescentado, como o incentivo e a recompensa dos fieis.

Sejam eternamente felizes!


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