I SAMUEL – XIV – AMIGOS E AMIGOS APESAR DE AMIGOS

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diciembre 30, 2015 by Bortolato

Jônatas e Davi

Podemos ter muitos amigos, mas apenas alguns poucos serão mais chegados que um irmão.   Apesar de termos vários amigos, nem todos serão nossos fieis companheiros.   Pois é, há amigos muito íntimos, bons amigos, que preenchem lacunas impensáveis, verdadeiros confortos para nossos corações, mas estes são poucos. Muito poucos, aliás.

Alguns dizem: – “Amigos, amigos, negócios à parte” – querendo significar que em se tratando de certos assuntos, a amizade deixa de ser tratada como amizade.

Este posicionamento também quer dizer que uma boa amizade, que trata as coisas de um coração amistoso para com um outro coração amistoso com franqueza e total abertura, de repente se trancará e deixará de lado o aquela alma aberta, para tratar as coisas com a frieza de uma transação comercial, visando, acima de tudo, aos lucros em proveito próprio, e esmagando assim a beleza e a pureza de coração em um relacionamento de amizade.   Mais do que isso, atitudes mesquinhas como essas esmagam também amizades que poderiam se as mais abençoadas e abençoadoras.

O valor de uma amizade sincera é algo que não se deve estipular em termos de lucros financeiros, nem de imagem, de reputação, de nome, de aparências, ou de quaisquer sentimentos de competição ou concorrência.   Se assim fizermos, estaremos desvalorizando a amizade e também ao amigo que sofreu tal desvalorização – não se surpreenda quem assim procede, se, persistindo nesta senda, vier a perder os seus melhores amigos.

Para mantermos este valor em alta, porém, é necessário que estabeleçamos bem firme e claramente quais são os valores mais altos e sublimes que temos, os quais deverão superar os nossos próprios interesses. Em assim fazendo, estaremos atraindo alguns amigos verdadeiros, os quais absorverão os mesmos sublimes valores que teremos em alta conta.

O capítulo 18 de I Samuel nos revela dois tipos de amizade: uma delas, como a que foi entre Jônatas e Davi; e outra, bem diferente, a que houve entre Saul e o pastorzinho que se portou como um valente guerreiro.

O texto começa falando do carinho que Jônatas nutriu por aquele jovem pastor de ovelhas que enfrentou o gigante acintoso, venceu-o, eliminou o opróbrio e, com isto, levantou o moral de todo o Israel.

Jônatas viu em Davi um grande potencial.   Aquele menino não devia mais ser só um pastor de ovelhas. Era notório que o Espírito de Deus pousava sobre aquele rapaz.   Ele era destemido, cheio de fé no Senhor Yaweh, com quem tinha uma comunhão muito forte e constante.   Para ele, não havia tamanho nos inimigos.   Com o Senhor ao seu lado, todos aqueles se tornavam diminuídos, e prestes a serem desbaratados.   Nem tampouco o número dos inimigos lhe causavam espécie.   O Senhor dos Exércitos era com ele, e os milhares e milhares de adversários depressa se tornavam em minoria que se superestimou indevidamente.   Jônatas já havia experimentado esta sensação (ISamuel 14:6) havia algum tempo atrás, e se identificou com a atitude de Davi.

O melhor de tudo é que ambos, tanto Jônatas quanto Davi, tinham o mesmo alvo: deveriam combater unidos contra o inimigo comum, com vistas a exaltarem ao Senhor, reputando a Ele todo o poder de vencer, as glórias decorrentes das vitórias, e a honra de ser exaltado por isso.

Jônatas não teve dúvidas. Aquele rapaz, destro atirador de pedras, precisava acostumar-se com o uso de uma armadura, de andar com uma espada na bainha e saber manejá-la, bem como ao arco e às flechas.

Olhou bem Jônatas para o porte de Davi, e concluiu que se assemelhava com o seu próprio.   O coração daquele filho de Saul então revelou o que tinha por dentro: um amor de amizade profunda, cheia de admiração. Jônatas despojou-se de sua própria armadura, de sua espada que trazia na bainha, juntamente com o respectivo cinto, mais o seu arco, e mais ainda, deu-lhe a sua capa, a capa de um príncipe, do filho do rei.   Foi demais? Não! Aquilo mais parecia ser, sim, um ato profético: de que Davi seria o sucessor que subiria ao trono.

Ora, aquilo ainda foi só o começo dos acontecimentos, pois cada vez mais se estreitariam os laços de estima entre ambos.   Uma profunda confiança mútua passaria a desenvolver-se a cada lance oportuno.

Jônatas viu que seu pai amou ao jovem pastor e harpista cheio do Espírito Santo de Deus, e em plena concordância, amou a Davi como a si mesmo.

Uma vez bem armado e treinado, Davi passa a ser mais usado nas linhas de frente, e como a unção de Deus era com ele, seu comportamento logo confirmou a sua notoriedade. Já desde então tornara-se em um consagrado guerreiro.

Saul começou então a lhe incumbir de expedições e manobras de guerra.   Começou chefiando algumas companhias menores, e com o seu sucesso cada vez mais ascendente, foi conquistando vitórias que saltavam aos olhos de todos que o acompanhavam.

Ora, quem lutava ao seu lado, sentia-se seguro.   Percebia que ele não dava passos em falso, que resultassem em sofrer graves danos.   Pelo contrário!   Davi parecia-se com o capitão de uma equipe em que seus performances surpreendiam aos inimigos e até aos companheiros que lutavam junto a si.   Suas vitórias eram arrasadoras. Todos viam isto. Não era possível esconder tal fato, tanto quanto uma luz brilhante que iluminava os seus rostos.

As mulheres de todas as cidades de Israel eram muito gratas e reconheciam o valor de Davi, pois seus filhos, seus maridos, irmãos e parentes que saíam com o jovem prodígio não somente voltavam dos combates vivos e vitoriosos, como sempre lhes traziam presentes dos despojos deixados pelos inimigos – sem se falar ainda do alívio que sentiam ao verem suas famílias, seus clãs, suas cidades e seus campos a salvo, pois então podiam permanecer dentro de suas propriedades, desfrutando dos bens e frutos da Terra Prometida, livres das ameaças de nações predadoras.

Os corações das mulheres jubilavam, ao verem o filho de Jessé voltando com sua tropa depois de se terem havido maravilhosamente protegidos pela mão do Senhor Yaweh.

Entusiasmadas, elas davam brados de alegria, e aclamavam ao jovem guerreiro tão abençoado.   Dançavam alegres.   Algumas delas, sabendo tocar instrumentos e tambores iam desempenhando seus talentos musicais dentro daquela sua forma espontânea, típica de sua cultura.

O elemento musical era do tipo de repentista.   Era-lhes gostoso fazer isto.   Umas delas cantavam um verso, enquanto outras lhes respondiam com outro verso, formando assim a letra e a melodia de uma nova canção.

Estavam muito à vontade.   Naquele ensejo, cantavam:

“Saul feriu os seus milhares…”

O espírito repentista em outras então respondia àquela frase:

“Porém Davi, os seus dez milhares…”

Não era exagero.   A equipe de Davi fizera prodígios, era a bênção da unção de Yaweh, e o jovem belemita ganhou essa fama inesperadamente, o que todo o povo o ouviu publicamente.

Naquele momento, no entanto, uma semente do mal foi inoculada por Satanás no coração do rei Saul.   As vitórias do jovem harpista, em vez de trazerem sentimento de alívio e segurança ao monarca, por ver seus inimigos derrotados por um seu representante, começaram a surtir o efeito de pó de mico debaixo de suas roupas, sobre a sua pele.   Saul se incomodou muito. Seu comandado não devia sobressair-se tão bem assim – a seu ver, foi demais!

“Não tinha que ser desse jeito”, pensava o rei. “ Isso não está certo! Dessa maneira, esse rapaz ainda vai tomar o meu reinado”.   E ele logo começou a ver Davi, não mais como um aliado, mas como um inimigo interno, que precisava ser eliminado.

Eis aí então a diferença entre uma amizade sincera e leal, e uma que se acaba quando os próprios interesses se sentem ameaçados.

Jônatas nem se preocupou com o que o povo iria pensar, ao ver Davi usando a armadura e a capa do príncipe herdeiro do trono. Ele amou a Davi, e quis ver o jovem revelação bem apresentável, e bem armado, para ter o mesmo gozo que ele, ao ver as ameaças dos inimigos sendo afastadas.   A fama, a opinião pública, o seu nome, sim, tudo isso lhe era secundário, e ele tinha certeza de que Davi compartilhava do mesmo sentimento.   Só restava entre eles a alegria de ver as vitórias que um e que o outro recebiam das mãos de Deus. Este era o alvo dos dois amigos – tinham isto acima de outras coisas.   Esta foi uma relação de amizade que Deus abençoou.

Na verdade, no fundo, Jônatas teve o mesmo sentimento que houve em Cristo, Jesus, que se despojou de Sua glória para compartilhá-la entre nós, vindo a este mundo para nos fazer soldados bem armados e treinados, bem vestidos, com as vestes de um filho do Rei, e para um dia virmos a reinar com Ele.

Infelizmente não foi o mesmo sentimento que houve em Saul naquele ponto da história. Não se alegrou com a obra que Deus fez através do seu jovem pequeno súdito. “ Era a mim, e não a Davi que deveriam atribuir a fama de ferir aos seus dez milhares, ora bolas! Afinal, eu é que sou o líder!” Assim pensava Saul, remoendo-se de ciúmes e de inveja.

Não seria o caso do rei atingido no seu orgulho de orar a Deus?   Saul nem sequer consultou ao Senhor para ouvir o que Ele teria a dizer a respeito.   Qualquer que fosse o profeta ou a palavra deste, ele achava que tinha que deter aquele jovenzinho impertinente e metido a famoso.   Aquilo estava lhe doendo na alma.

No dia seguinte àquela dança das mulheres de Israel, Saul teve um acesso de raiva.   Ficou muito irado.

Davi, então, chamado como das outras vezes, foi dedilhar sua harpa para acalmar o coração de seu rei, sem saber o que se passava com Saul.   O monarca então, ao ver o responsável pela sua crise de ira, indefeso ali, como uma presa fácil, pega em sua lança e atira-a contra o seu harpista, que num súbito reflexo de último momento, habilmente consegue desviar-se e escapar de morrer ali, encravado pela arma daquele a quem tanto já havia beneficiado.

Como um filho que foi agredido pelo seu pai, mas continuando a ter a mesma reverência e respeito pelo pátrio poder, Davi continuou a dedilhar sua harpa.   Afinal, aquilo parecia ser uma manifestação demoníaca, tinha todos os aspectos para sê-lo.   Parecia-lhe que Saul estava fora de si, completamente alienado, pois não seria possível ter agido assim em sã consciência.

Foi então que novamente Saul repete o mesmo gesto, e Davi, agora mais arguto e alerta do perigo que da primeira vez, consegue safar-se da lança e escapa ileso.

Logo se viu que então chegou o momento de terminar aquele sarau, e Davi voltou à sua tenda vivo.

Saul começou então a temer mais a Davi, e pensou em afastá-lo de perto de si.   Achou uma saída honrosa, colocando-o como chefe de mil, uma patente militar que viria a expô-lo a maiores perigos diante dos filisteus, seus grandes e ferozes inimigos.   Saul sabia que um exército de mil soldados teria que enfrentar a tropas mais preparadas e bem armadas pelos filisteus, e que Davi ainda era um jovem que bem poderia cair em suas mãos.

Caso Davi fosse bem sucedido também naquela nova posição, Saul supunha também que aqueles estrangeiros saberiam quem era aquele que lhes causava tantos estragos, infringindo-lhes tantas derrotas.   Davi então passaria a ser mais conhecido como figura militar importante entre os israelitas, e um alvo mais priorizado pelos inimigos. Logo, os filisteus haveriam de armar-lhe alguma emboscada, a fim de acabar com a festa daquele rapaz chamado de prodígio…

O tempo, no entanto, foi quem ensinou algumas coisas àquele rei cheio de inseguranças em seu espírito.   Em vez de Davi cair nas mãos inimigas, era ele quem se saía, a cada vez, o vencedor – e o povo cada vez mais colocando-o em alta estima.   A cada investida dos inimigos, o povo das cidades atacadas então via um exército de mil soldados vindo-lhes em seu socorro, ostentando aquela tremulante bandeira de Israel, cheia de galhardia, e enchendo de esperanças os corações dos que estavam em perigo.   Vinham bem rápido, com brados de júbilo, partindo para a luta com muita ousadia e autoconfiança, precisão na movimentação, avidez pelo combate, grande eficiência nos golpes, de tal forma que, ao caírem feridos os primeiros inimigos, uns após outros, alguns até ao mesmo tempo, os demais já se impressionavam, descaía-lhes o semblante, e até os mais fortes e valentes se apavoravam, e punham-se a correr, batendo retirada.

O povo de Israel se alegrava, e até chorando num misto de emoção e alegria, diziam uns aos outros: – “É Davi! É Davi!” E louvavam fervorosamente ao Deus Yaweh, que o trouxera para livrá-los.

Na verdade, era mais que Davi. Era o Deus de Davi, que ia à sua frente, abatendo os inimigos e removendo as suas ameaças.   Ninguém era mais forte do que Jeová!   E assim Davi assumiu mais um detalhe em que se tornara pré-figura do Messias, Jesus: o de libertador dos perigos que inimigos coletivamente ofereciam.

Davi foi desta forma gerando, mesmo que desapercebido, uma crescente figura do Messias, que é bom, é forte, fiel ao povo de Deus, que vence a Satanás , instaura a paz, a alegria, e recebe os louvores por ser o Salvador, e o grande Libertador, que opera maravilhosamente, e nos leva à presença de Deus como Seu povo salvo pela Sua espada.

Disse um dia Jesus: “Já não vos chamo servos… mas Eu vos chamo amigos…” (João 15:15). Notar o privilégio – amigos de Deus, por sermos amigos de Jesus.   Se temos a Jesus por nosso Amigo fiel, e a Ele formos fieis, em todas as nossas batalhas seremos socorridos pelo Rei dos Reis, e Senhor dos Senhores.   Mais do que isto: seremos combatentes ao Seu lado, cuja bandeira jamais sofreu uma derrota.   Vale a pena sermos correligionários do Filho de Davi!


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