I SAMUEL – XV – ESTRATÉGIAS E ESTRATAGEMAS

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diciembre 31, 2015 by Bortolato

Harpa de Davi

É comum que todos tenhamos de enfrentar crises em nossas vidas.   Dramas podem aparecer a todos, sem exceção, mas qual a melhor maneira de encararmos tais momentos?

Temos que pensar em modos de superar tais problemas que se alongam querendo nos envolver como ondas de um mar revoltoso.

Pensamos em estratégias. Qual delas escolher?   Existem boas e más estratégias. Estratégias e estratagemas.   Estratégias são meios e métodos a serem aplicados com o fim de alcançar-se objetivos.   Estratagemas já usam de artifícios com alguma finalidade, dentro do setor militar, com um detalhe característico: seriam ardis a serem usados para enganar a um inimigo com astúcia, ou manha.

Podemos usar de estratégias para escaparmos de situações difíceis, e nos colocarmos a salvo, e isto é uma boa causa.   Pode haver várias opções de caminhos para alcançarmos êxito nesta empreitada.   A fim de sermos bem sucedidos assim, o primeiro passo é orarmos a Deus, na fé e esperança de recebermos a Sua orientação e aprovação.   Se não fizermos isto, podermos ter feito uma escolha errada.

Se não estivermos em boa sintonia com o Espírito de Deus, poderemos estar fazendo algo que foge do conceito de uma estratégia benigna, estarmos transpondo os limites desta, e avançando para o campo pertencente a um estratagema.

Foi assim que aconteceu com Saul, segundo nos conta o capítulo 18 de I Samuel, quando este rei começou a arquitetar planos para aniquilar a vida de Davi, o jovem harpista de Belém.   Que mal lhe havia feito Davi?   Nenhum, muito pelo contrário.   Aquele jovem belemita apenas estava fazendo o seu papel, que era agir de conformidade com que o Espírito de Deus colocava em seu coração: tendo prudência nos seus atos, tanto individualmente, como na companhia coletiva de seus correligionários, e o fato é que Deus o abençoava por onde quer que ia.

Saul já havia promovido Davi a chefe de mil, a fim de colocá-lo em posição mais vulnerável, de forma que os filisteus pudessem dar cabo de sua vida, mas isto se reverteu apenas em oportunidade para que o filho de Jessé conquistasse vitórias mais estrondosas, e o jovem aprendesse mais ainda como liderar um grupo de muitos guerreiros sob seu comando.

Com muita astúcia, Saul faz chegar aos ouvidos de Davi que deseja dar-lhe sua filha em casamento, como prova de sua “satisfação” pelo performance que o jovem vinha apresentando.

Ora, Davi não tinha nenhum bem.   Não era rico, muito embora o seu pai tivesse uma boa data de terra e um rebanho de gado leiteiro, que bem produzia para confecção de queijos.   Como poderia ele ousar ambicionar casar-se com a princesa, a filha do rei?

Para superar este problema, Saul lhe prometeu sua filha Merabe, mas, como que esperasse algum dote, e nenhuma proposta Davi lhe fizera neste sentido, aquela princesa foi dada em casamento a um outro homem, não se importando o rei em falhar com sua palavra dada.

Saul, porém, tinha outra filha, Mical, que não pôde esconder seu amor pelo jovem belemita, e isto injetou um outro estratagema na mente do rei.   Se o dote fosse estipulado não em prata e nem ouro, mas em um feito militar que açulasse a ira dos filisteus contra Davi!   Esta seria uma ótima ideia! Se Davi se dispusesse para executar uma ação ousada, que provocasse grave indignação de seus inimigos! Isto seria uma boa maneira de instigar a mão do inimigo externo, para matar ao inimigo interno do rei!  Sim, o preço então passaria a ser cem prepúcios de soldados filisteus – se ele conseguisse fazer isso.

Davi teria que matar aos cem, decepar-lhes o prepúcio, levaria a prova do feito a Saul, e deixaria no campo de batalha os corpos dos mortos à mostra, sobre a terra.   Isto faria com que os filisteus, ao contemplarem o resultado daquela façanha, urrassem de raiva, perguntando, em um primeiro momento, quem teria feito tal afronta às suas tropas! Logo não tardariam em sabê-lo! Alguém o haveria de delatar. Seria esta uma astuta tentativa de direcionar o ódio dos filisteus contra o jovem Davi, o autor daquele ato acintoso.   Isto, mais do que nunca haveria de trazer consequências funestas contra o mesmo, fazendo dele um ícone a ser derrubado, um herói israelita a ser eliminado, um alvo a ser alvejado.   Os filisteus haveriam de colocar o seu nome em primeiro lugar na pauta do dia, e talvez até oferecessem um prêmio por sua captura…

Davi aceitou o desafio, e trouxe duzentos prepúcios de filisteus à presença de Saul, que então concede dar Mical a ele como esposa.

Há uma consequência lógica para quem é sempre muito bem sucedido:   passa a ser bem visto, um paradigma para os que são beneficiados pelas suas ações, e isto significa crescer a sua fama.   As ações de Davi, àquelas alturas, eram um sucesso à toda prova a cada manobra militar que empreendia, e isto saltava aos olhos de todos.   Ele tornou-se mais bem sucedido do que todos os outros servos de Saul, e por isso tornou-se muito famoso (I Samuel 18:30).

Naquele momento, Saul passou a perceber que Davi era alguém especialmente abençoado e amado pelo Senhor, em todos os sentidos – em especial nas batalhas contra inimigos.   Davi estava já provando que era melhor do que o seu rei, muito embora esta não fosse a sua intenção. Isto deixou o seu rei mais avesso ainda para com o seu harpista, pois que Saul não desfrutava mais de uma unção tão poderosa, e se ressentia disso.

Os pensamentos de Saul vagueavam por escuros atalhos, temendo que o seu servo se tornasse tão poderoso ao ponto de um dia ter que ceder-lhe a coroa.   Os fatos estavam-no perturbando, a cada vez em que meditava sobre este assunto.    Davi lhe parecia não mais um grande cooperador, mas um pesadelo, um fantasma.

Um certo dia, Saul reúne os seus servos mais achegados para dizer-lhes que matassem a Davi.   Aquilo parecia ter sido um desvario da mente daquele rei!   Não podia ser assim.   Jônatas, o príncipe mais cotado para ser o herdeiro do trono, porém, percebeu que algo estava errado nos raciocínios de seu pai. Os valores de seu rei pareciam estar-se invertendo.

Jônatas havia-se tornado um grande amigo de Davi, e não podia compreender aquela atitude de Saul.   Ele avisa a Davi acerca do propósito mal concebido de seu pai, e, em um momento em que consegue levar o rei à parte, em um campo onde o jovem estaria por perto, tenta interceder pelo mesmo, mostrando que um pensamento maquiavélico como aquele não era justo. Seria o derramar do sangue inocente de alguém que só ajudou ao reino de Israel firmar-se em um momento crítico, perante inimigos cruéis, aceitando passar por um grande risco de vida, ao enfrentar o gigante Golias.

Jônatas, como um verdadeiro amigo, arrisca-se a ser seu advogado, aconselhando a Davi para esconder-se, enquanto isso. Saul entendeu as razões de Jônatas, e naquele momento promete desistir cabalmente daquele intento macabro contra seu servo fiel.

Foi por pouco tempo.   Em I Samuel capítulo 19 lemos que bastou haver guerra novamente, Davi infringir grande derrota contra os filisteus, e Saul já voltava a maquinar o mal contra o seu fiel servidor.   Outra vez, Saul, em sua casa, toma de uma lança e a arroja contra o jovem que dedilhava sua harpa, mas este se safa novamente, e a lança finca-se na parede.

Davi lembra-se do aviso que Jônatas lhe dera pouco tempo antes.   O rei procurava matá-lo, naquela ocasião, mas votara atrás. E agora, em que pé estavam as coisas?

Davi sente que não é hora de brincar de gato e rato, e retira-se.   Suas indagações são: se de fato Saul desistira de matá-lo, aquela tentativa de assassinato não poderia ter acontecido novamente!   Como aquilo?   Afinal, que história era aquela de ceder-lhe a própria filha em casamento, como sinal de afeição?   Afinal, não era ele então o genro do rei?   Confuso, ponderando as tendências conflitantes daquelas atitudes de seu rei, por via das dúvidas vê que o melhor é procurar afastar-se. Foge, sem saber direito o que estaria acontecendo por trás dos bastidores.   Vai para sua casa, sem saber que Saul ordena que esta fosse cercada naquela noite, e seus perseguidores estariam apenas esperando o raiar da manhã para o atacarem.     Mical, por amor à sua vida, avisa-o, e ajuda-o a escapar pela janela, antes do clarear do dia.   Então ficou bem claro que esta era, definitivamente, a intenção de Saul.   Lamentavelmente, este era o posicionamento de alguém que lutava contra a unção de Deus na vida de um servo de Deus e servo do rei de Israel.

Inicia-se então uma nova fase na vida do jovem Davi, uma sequência de fugas contínuas.   Ele passou a ser um fugitivo político.   Nunca mais houve paz entre Saul e seu servidor belemita.   Não porque Davi assim o quisesse, mas porque aquela perseguição não recuaria mais.  Não haveria mais volta, malgrado toda a transparência e fidelidade de Jônatas para com o seu amigo.

A UNÇÃO VENCE O JUGO

Para onde fugirmos, quando procuram as nossas vidas para nos matar?

Davi foi até Ramá, onde morava Samuel, para contar-lhe tudo o que Saul estava fazendo contra sua vida, a título de infundados ciúmes do trono.   Ao encontrarem-se, ambos vão até Naiote, uma vila residencial, onde se desenvolvia uma escola de profetas, e ali confidenciam.

Davi certamente foi aconselhar-se.   Bom é para os atribulados de coração buscarem conselhos junto a homens de Deus.   A pergunta que não queria calar em Davi era: “o que fiz de errado?”   Sua família sabia da unção com óleo que Samuel lhe despejou sobre a cabeça, naquele dia do sacrifício em Belém, e Davi não o ignorava, mas ninguém, senão o Senhor e Samuel, sabia que era uma unção real.   Naquela ocasião, muito provavelmente, Davi ficou ciente do que o Senhor estava preparando para ele.   Aquilo parecia-lhe um sonho onde Satanás se meteu e transformou no pior pesadelo de sua vida então já vivido.

Davi não buscava ser o rei de Israel.   Era fiel ao seu atual rei.   Suas façanhas militares lhe representavam apenas que tinha que fazer aquilo, uma vez que Yaweh o abençoava, pois no final das contas, ele estava defendendo sua pátria, seus companheiros, sua família, e por que não dizer, também ao seu rei?   Mas agora algumas coisas terríveis tinham acontecido, mudando o rumo de seus caminhos.

Saul fica sabendo que Davi estava em Ramá, e manda dois destacamentos para prenderem ao seu servo harpista.   Quando, porém, estes chegaram a Naiote, o grupo de profetas ali reunido estava profetizando com forte unção.   Aquele era um lugar santo, naquela hora. A presença de Deus estava ali, de uma forma muito marcante.   Samuel os liderava, e o Espírito de Deus os estava possuindo de tal forma, que até os mensageiros de Saul foram dominados por aquela força invisível, e começaram a profetizar…   e deixaram de perseguir a Davi.

Ao saber disso, Saul, inconformado e incrédulo, vai pessoalmente até lá.   Ao aproximar-se dos profetas sendo usados por Deus com aquela tão abundante unção, o Espírito Santo toma conta também do rei, e este, tal e qual seus mensageiros, também é dominado e cai ao chão, e começa a profetizar…   e vai profetizando.   Saul, aquele homem tão grande e imponente, despe-se de suas vestes, naquele calor do Espírito do Senhor, e ali passa algumas horas…   Horas e mais horas… Vai profetizando… Vai profetizando… E o tempo foi-se passando.   Assim foi durante todo aquele dia e a noite.

O Espírito de Deus se derramou naquele lugar em uma hora estratégica que propiciou mais uma vez a Davi escapar das mãos dos que se fizeram seus inimigos.   Gloriosa e irresistível é a presença do Espírito do Senhor.   Transforma as mentes e os corações.   Faz esquecer as mágoas, as rixas, as dores, e desfaz toda trama de Satanás contra os servos de Deus.   Detém homens armados, destacamentos militares, e sem armas físicas, vence-os com o Seu poder.

Deus seja louvado e adorado!

Vindo o inimigo como uma torrente de águas para nos tragar, o Espírito do Senhor arvorará contra ele a Sua bandeira!


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