I SAMUEL – XVIII – O REFÚGIO SECRETO

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Enero 18, 2016 by Bortolato

Este é o nome do livro que nos trouxe ao conhecimento a história das irmãs Cornélia, também chamada de Corrie, e Betsie Ten Boon, as quais fizeram de sua casa um refúgio para judeus durante a Segunda Guerra Mundial, na Holanda.

Enquanto o exército invasor nazista impunha severas medidas antissemitas na Holanda, a família de Corrie se propôs a dar uma sistemática ajuda humanitária para os que fugiam da perseguição.   Oferecia-lhes tudo o que os judeus refugiados necessitavam: casa, comida, pousada, e o que mais fosse necessário para que seus protegidos encontrassem abrigo e ajuda temporários.

Quando se viram sob forte investigação, recolheram aos judeus dentro de um compartimento oculto por trás da parede da casa, e estes ficaram a salvo da ação violenta dos nazistas. Assim foi que conseguiram fazer com que todos os seus convidados àquele refúgio estivessem livres, e pudessem sobreviver, e dali saírem sem serem presos ou molestados.   Era um refúgio secreto preparado por Deus, onde se operava a salvação para aqueles condenados à morte pelo simples motivo de pertencerem a uma raça.

Este também é o título deste artigo, que comenta a passagem de I Samuel capítulo 22, acerca de Davi, quando procurava fugir da presença de Saul, seu rei e seu perseguidor, que ansiava e lutava insistentemente por vê-lo morto, enquanto o jovem pastor, harpista e guerreiro buscava um lugar seguro, a salvo, para ele e para os seus.

Há anos atrás, um certo pastor começou a ser o alvo de ações truculentas da parte de um grupo político que ansiava por vê-lo destruído, e preferencialmente morto em uma cidade do interior do Estado de São Paulo, Brasil.   Sofria toda sorte de ameaças e ataques à sua privacidade, até ao ponto em que teve que buscar refúgio em uma outra cidade distante, junto a amigos, a fim de que ele e sua família pudessem ter paz, e desfrutar de relativa segurança.   Tudo mudou em sua vida – sua rotina de trabalho, a vida escolar de seus filhos, sua igreja, e tudo parecia ter de recomeçar do início, tudo de novo.   Perdeu a sua função de pastor titular de sua igreja, e em vez de contar com a compreensão de seus companheiros, passou a ser criticado e julgado como se tivesse sido culpado do que estava ocorrendo.   Passaram-se anos, até que ele pôde voltar para ver os seus novamente, e aqueles anos de sofrimento se passassem como se tudo tivesse voltado ao normal.   Aquela má fase havia sido contornada.   Ele encontrou refúgio em um lugar secreto, longe das intrigas e da violência, debaixo das asas do Altíssimo (Salmo 91:1-4).  Que o Senhor nos dê um lugar de refúgio, onde possamos nos esconder, debaixo de Suas asas, até que as tempestades passem!

Em I Samuel, capítulo 22, versos 1 e 2 vemos que Davi foi encontrar um lugar seguro em um lugar tido como a caverna de Adulão, cerca de 16 quilômetros de Gate. Pouco antes, estava na cidade filisteia de onde conseguiu sair vivo e livre como um pássaro, e logrou chegar a Adulão, localidade a 24 quilômetros de Belém.   Ele havia sido detido pelos filisteus em Gate, onde não deveria ter-se apresentado, pois aquela era uma fortaleza dos seus inimigos.   Ele fugia de alguém que se fez seu inimigo gratuito, mas no seu desespero acabou caindo na cova dos lobos – não ficou ali por muito tempo, porém, pois o Senhor foi fiel em seu socorro.

Aonde ir então?   Eis a pergunta que muitos fazem quando estão em perigo.   Foi preciso sair rapidamente de Gibeá de Saul e da vista dos servos daquele rei, e ir para um lugar onde não tivessem chance de caçá-lo.   Para onde?   Para Adulão!   Adulão!   No hebraico, significa “Refúgio”. Uma cidade antiga, habitada por cananeus. Que lugar era esse?   A tradução do texto bíblico de alguns linguistas diz que foi em uma caverna.   Mas afirmam outros que houve uma corrupção do texto, o qual originalmente devia referir-se a uma fortaleza; que não se tratava de uma caverna, pois não se acha ali nenhuma caverna nas proximidades, capaz de abrigar o número de homens que foram ao encontro de Davi.

De qualquer maneira, foi esse o lugar.   Davi achou ali um ponto de onde pôde assentar-se, acalmar-se, e, muito embora ainda bastante preocupado com sua situação, teve um lapso de tempo para buscar ao Senhor com vagar, recolocar sua cabeça no devido lugar, avaliar as perdas, pensar melhor e planejar algo sobre o que deveria fazer naquela instância.  Teria que ser realista, e não sonhar demais.   Tinha que andar com os pés no chão, e de nada lhe adiantaria chorar o leite derramado.

Não podia mais voltar para sua casa, e nem para sua mulher, Mical, com quem, até pouco tempo antes, estava coabitando em clima de lua de mel.   Perdera o seu lar e a sua família recém formada, com todos os seus pertences que havia conquistado até então.   Não tinha nem condições de pensar em como salvar seu casamento, pois sua prioridade era apenas fugir, fugir e fugir para se por a salvo… mas em meio a tantas desventuras, notou que havia algumas pessoas com quem ainda podia contar como aliados seus…

A Bíblia não é explícita detalhes sobre como ele foi encontrado pelos seus ali, mas lembramos que, apesar de perseguido, ele era benquisto por muitos, até dos servos do próprio rei Saul, e até do filho primogênito do rei.

Quando passara por Ramá, ali, com toda certeza, encontrou servos de Deus que também procuravam pelo profeta devido a suas dificuldades – o que não era nada difícil de acontecer quando um rei egoísta, ciumento e invejoso como Saul era quem governava.   Pois bastava que alguém se sobressaísse muito bem em algum feito, e este já poderia passar de herói à mira maldosa de um soberano inseguro e desligado dos padrões de Deus.

Ademais, não era preciso nem mesmo ser alguém destacado para que se criasse indisposições com o governo do rei Saul…

Homens que se endividaram muito também eram pessoas que fugiam de uma parte para outra, buscando escapar da condição de serem vendidos como escravos.   Ao verem Davi como uma promessa de que poderia vir a ser o próximo rei de Israel, e de escaparem de seus credores, não viam oportunidade melhor que aquela que se lhes mostrava: a de viverem lutando para quiçá um dia alcançarem sua liberdade, e uma outra situação em suas vidas.   Isto lhes soava como algo excitante: em vez de serem assolados pelas desditas da vida, podiam lutar!   Olhavam para Davi como uma atraente esperança de dias melhores.   Assim os fieis devem olhar para Jesus como sua esperança, de vez que neste mundo muitos são depreciados, mal compreendidos e perseguidos pelo príncipe das trevas.

Desde Ramá, quando esteve junto a Samuel pela última vez, Davi já foi atraindo companheiros idôneos a si, os quais passaram a segui-lo. Por sinal, em Nobe, cidade do Sumo Sacerdote, era também dos que buscavam proteção contra a ira de vingadores de seu sangue, e dali mesmo, como um ímã, o jovem guerreiro foi naturalmente reunindo gente arrojada como ele, disposta a tudo, para arriscar a sorte de lograr ter uma vida futura melhor, uma vez junto ao jovem belemita.

Por onde ele passasse, jovens e adultos decididos a seguir a sua carreira, ainda que de um exército paralelo, clandestino, fugitivo e obrigado a ser mercenário, prontos se apresentavam, aos poucos, às vezes individualmente, e por vezes em grupos.

Uma coisa premente então estava preocupando a mente de Davi: a segurança de sua família.   A ira de Saul não os pouparia, com certeza!   Era preciso que eles ficassem sabendo de tudo, para poderem decidir o que fazer para se colocarem fora de perigo.

Um desses seus simpatizantes fieis vai a Belém, para alertar aos pais e irmãos de Davi acerca do que estava lhe acontecendo.   Foi como soltar uma “bomba”, uma manchete, um “furo de reportagem” naquela cidade.   Em pouco tempo, todos os seus simpatizantes e parentes ficaram sabendo de tudo, para espanto destes. Jessé era um homem respeitado.   Seus outros filhos também eram soldados do exército de Israel, e logo seriam mal vistos e também perseguidos por Saul.   Provavelmente seriam torturados até a morte por Saul, com o objetivo de arrancar-lhes alguma informação que pusesse o jovem proscrito a descoberto. Os perigos que cercavam Davi logo iriam estender-se também a seus familiares – seus pais, e toda a sua casa.   A ira cega de Saul já lhes era conhecida.   E eles conheciam a Davi, também, mais que ninguém.   Muitos belemitas já haviam lutado sob o comando do jovem harpista e guerreiro.   Aquela situação não era um convite ao qual poderiam dar-se ao luxo de declinarem… Era questão de optar pela única alternativa razoável: ou lutar, ao lado de Davi, ou correr um alto dano, com certeza, o de serem humilhados, seviciados e mortos por Saul.

Como um efeito dominó que saía da casa de Jessé para os quatro cantos das redondezas, aquelas novas iam se espalhando tão rapidamente, que, conforme a notícia vazava, levantava o ânimo de homens dispostos a tomar uma atitude séria a respeito. Houve então um reboliço na cidade, e uma reação em massa…

Alguns se dispuseram individualmente, enquanto outros se entusiasmaram e, à medida que se levantavam, levavam consigo um grupo de amigos e parentes.

Ao aviso do mensageiro de que Davi estava em Adulão, eles não titubearam; foram logo ao seu encontro, juntamente com os seus pais e seus irmãos.   Como resultado do relatório dos últimos acontecimentos, e vendo que já alguns estavam decididos a juntar-se ao jovem obrigado a cair na clandestinidade, logo se formou um exército esperançoso ali… Antes que Davi pensasse em pedir-lhes qualquer coisa, eles já se propunham a serem seus comandados.   Quatrocentos homens!   Decididos, dispostos ao tudo ou nada, atirados e arrojados.   Viesse o que viesse, para eles seria lucro!   Sentiam que esta era a coisa certa a ser feita, e ponto final!   O destino os empurrou a isto, ou melhor, o formão de Deus lhes traçara este caminho, e ali estavam eles, prontos para uma nova etapa em suas vidas!

Davi foi conduzido a tal trajetória, e com ele também os seus companheiros.   Assim foi que o formão de Deus talhou aquilo que já estava desenhado para eles.

Seus irmãos a ele juntaram-se sem vacilar, em resposta à tirania de Saul, que logo recairia também a seus familiares.   Alguns outros homens vieram de cidades de Judá, e não era de se admirar se alguns poucos de Benjamin também.

Era a hora da decisão, e decisão arrojada!   Eles olhavam para Davi não somente como uma saída oportuna para seus problemas. Eles viam-no também como uma esperança recém nascida de terem, um dia, um rei abençoado por Deus, ao ponto de confiarem que sempre seriam bem sucedidos em batalhas.

Ali, em Adulão, rapidamente formou-se um exército de quatrocentos homens.   Joabe, Absai e Asael, filhos de Zeruia, portanto sobrinhos de Davi, que muito provavelmente já eram admiradores dos dons deste, observando-o atentamente nas guerras, tornaram-se discípulos do jovem guerreiro harpista, seu tio. Estes prometiam ser seus futuros generais.   E com eles, muitos daqueles homens de excepcional valor, estavam ali.   O que mais eles poderiam fazer?   Renegados de Saul, nunca se adaptariam a uma vida monótona e sedentária.   Não, eles não tinham nascido para serem lavradores – isto lhes seria uma frustração. Seu sangue fervia contra os inimigos de Israel, que roubavam suas colheitas, saqueavam-nos e matavam aos seus. Sentiam-se, isto sim, realizados quando em ação empunhavam uma lança, ou uma espada, e mostravam a si mesmos e a todos, que nasceram para uma milícia constantemente ativa.   Dariam a vida defendendo suas causas, e não rejeitavam o desafio de uma luta corpo a corpo. Era a sua chance de demonstrar o seu valor, o que eles não deixariam passar jamais.

Alguns dos homens de Davi tiveram os seus nomes escritos na Bíblia, exaltando os seus feitos, chegando, pois, à notoriedade.

Por outro lado, qual foi a reação de Saul ao saber disso? Reuniu suas tropas, e passou-lhes um sermão, no qual lançava a culpa daquela cisão sobre seu filho Jônatas e também sobre os que sabiam da aliança de afeição que houve entre este e Davi, e nada lhe falaram, e ainda lhe omitiam acerca do paradeiro do “filho de Jessé” – até que o seu pastor edomita, Doegue, presta-lhe a informação de que ele tanto queria saber: o jovem guerreiro arpista esteve em Nobe, onde obteve provisões e a espada de Golias, das mãos do sacerdote Aimeleque.

Munido desse relatório, lá foi Saul até Nobe, com a cabeça fervendo de raiva, indignado com aqueles que colaboraram com o jovem fugitivo. Ele estava prestes a explodir para extravasar a sua ira.   Para Saul, aqueles quatrocentos homens de Davi parecia-lhe mais uma ofensa, uma acusação, uma ameaça de que ele estava prestes a perder o seu reino, e um aviso de que a sua forma de governar estava deixando muitos insatisfeitos – mas os seus dissidentes estavam com muita razão!

Foi, pois, Saul a Nobe para inquirir a Aimeleque, não para consultar à voz de Deus através do Urim e Tumim, ou ouvir as razões que levaram o sumo sacerdote a agir daquela forma.   O rei estava já predisposto a condenar a todo o sacerdócio, e com estes, toda aquela cidade à morte.   Seus homens da guarda não quiseram obedecer-lhe naquela hora, temendo a Deus, mas Doegue, o edomeu não.

Doegue era um estrangeiro, por certo que convertido à religião de Yaweh, mas não teve discernimento nem constrangimento, e executou a ordem de Saul. Por sua ordem, foram mortos não somente oitenta e cinco homens ordenados para servirem a Deus, como também os homens, mulheres, meninos, crianças de peito, bois, jumentos e ovelhas. Um sobrevivente porém, Abiatar, filho de Aimeleque, conseguiu escapar daquela matança, e este foi logo ao encontro de Davi em Queila, buscando também o seu refúgio.

Aquilo foi somente um sinal e um aviso de quão ferrenha passaria a ser aquela perseguição.   Saul, com seus três mil homens armados, sempre prontos a atacar a Davi e beber do seu sangue…   Era um “non sense”, um despropósito, mas que foi levado a ferro e a fogo por anos a fio.

E Davi, o jovem harpista, era bem aquele que sempre defendeu com garra e bravura, com uma extrema dedicação, sempre servindo fielmente, com quem Saul celebrava vitórias…

Até então, a perseguição a Davi tinha a aparência de certo cunho político.   Com o genocídio dos sacerdotes, Saul se revelou CONTRA os homens de Deus, e, por consequência, um militante contra o Senhor que um dia o elevara à posição de rei.   Homens de Deus são humanos, que podem ter lá seus defeitos, podem até errar, mas combatê-los será uma covardia, pois não são preparados para defender-se e lutar; e matá-los não trará nenhum mérito aos que os julgam culpados por algum motivo.   Não matem aos homens de Deus!   Não sejamos achados como aqueles que trazem prejuízos à causa de Deus.   Mais tarde a ira do Senhor recaiu sobre a casa de Saul devido a este crime hediondo que cometera sem justo motivo(II Samuel 21:1-6).

Certas coisas acontecem inicialmente com a aparência de males, mas se em meio a tais circunstâncias pudermos louvar a Deus, aceitando-as como um desafio a ser vencido, e então virá a vitória da fé.

Os desafetos de Saul eram muitos e, como comentamos, muitos desses eram extremamente hábeis na guerra. Eram homens fortes, valentes e muito bem sucedidos, ao ponto de causar a inveja a muitos, mas o pior foi-lhes suscitar o ciúme de um monarca inseguro.

Assim, a caverna, ou a fortaleza de Adulão veio a tornar-se o lugar de onde Davi produziu, sob inspiração divina, os Salmos 57 e 142.   O teor desses salmos nos mostram que Davi foi espiritualmente muito gratificado, encontrando ali um verdadeiro refúgio. Ele encontrara um cantinho do céu, debaixo das asas dos querubins, experimentando misticamente estar sendo transportado em espírito ao Lugar Santísssimo, à Presença do Altíssimo.   Era a ação do Espírito Santo consolando-o das suas tribulações. Que o Senhor dê aos leitores acharem também o seu lugar de refúgio secreto para encontrarem-se com Ele, o divino Consolador.

Daquele lugar, Davi chegou a ir a Mispa, na terra de Moabe, a fim de deixar lá seus pais a salvo, mas logo voltou aos termos de Judá, a um lugar desértico, onde procurou assentar-se em um “lugar forte” (I Samuel 22:4-5) que muitos dizem ter sido Massada, próximo ao Mar Morto.   O lugar poderia parecer-lhe seguro, como pareceu aos judeus que sofreram o sitio dos romanos pelo ano 70 D.C., os quais tiveram de admitir que não resistiriam a uma invasão, e se suicidaram.   Assim podemos nós escolher lugares e situações supostamente seguras, mas o melhor é onde Deus nos quer.

O profeta Gade então adverte a Davi para sair dali e ir para o interior de Judá.   Davi então mudou-se par o bosque de Hereth (hebr.= mata fechada), próximo a Adulão.

Às vezes nos parece que a vida caiu em uma constante de um rolo compressor que passa, tolhendo-nos a capacidade de vislumbrarmos uma saída honrosa.

Circunstâncias se endurecem para nos empurrar para tristezas, ansiedades e às vezes até ao desespero.

Tomando decisões apressadas pela vontade de nos colocarmos a salvo urgentemente.   Se nos desequilibramos, podemos cometer erros como Davi também o fez.

Tudo fica muito estranho e incômodo.   Quem poderia dizer que não passou por um vale desse tipo, assim escuro?

Leiamos os salmos que Davi escreveu: o 56, o 57, o 52, que descrevem a tipicidade desta situação, mas vamos também ao 34 e ao 40.   Foram escritos em circunstâncias reais, bem mais perigosas do que as que muitos de nós vivemos hoje.   Deus nos ouvirá, pois assim Ele ouviu a Davi.   Confiemos nEle.   Ele nos responderá e haveremos de regozijar-nos com a sua ação provedora.

Coisas incríveis e inesperadas acontecerão para a nossa admiração e nosso alívio.   Esta é uma promessa.   Quem quiser e crer, alcançará o impossível das mãos do Senhor!


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