UM MANJAR PARA JESUS

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febrero 12, 2016 by Bortolato

Pudim

O Antigo Testamento foi claro em escrever que Deus, no passado, aceitaria ser contemplado com um certo tipo de oferta – a oferta de manjares, isto é, uma substância alimentar, um prato que significava uma iguaria apetitosa e delicada, que pode cair muito bem ao paladar, além de fortalecer ou vigorar a pessoa que o ingere.

Mas – diria alguém – Deus precisa de comer para ser revigorado?   Certamente que Ele não precisa disso para viver, mas Jesus mesmo um dia disse aos seus discípulos:

“Uma comida tenho para comer que vós não conheceis” (Evangelho de João 4:31, 34)

Ele não estava escondendo nenhum pedaço de pão em seu bolso. Ele mesmo explicou:

“A minha comida (aquilo que sacia a sede da alma) consiste em fazer a vontade dAquele que me enviou a realizar a Sua obra”

Pois é, Jesus gosta de comer os manjares que dedicamos a Ele, mas tem que ser aquele tipo especial, ao qual referiu-se ao dizer estas palavras aos discípulos.   As ofertas de manjares do Antigo Testamento eram sacrifícios em louvor a Yaweh.   “Minhah” (Levítico 6:14, 20) era a palavra hebraica empregada para designá-las, o que também significa “presente” ou “oferta sacrificial”; normalmente sem derramamento de sangue, e era voluntária – esta era a oferta de manjares.

Procurei saber com detalhes sobre este tipo de oferenda que podemos fazer a Deus, porque um sonho muito bem colocado por Ele em meu espírito certa noite deixou-me muito pensativo a respeito.

Quando minha mãe fazia um certo confeito especial para sobremesa, ela o denominava de “manjar branco” – o que era muito semelhante a um pudim de leite com sabor de baunilha ou coco, e com uma calda caramelada por cima, que lhe acrescentava mais doçura ao paladar.

Era muito delicioso saboreá-lo.   Não dá para esquecer disso.   E ela o fazia com muito carinho e dedicação para a família.

Um manjar bíblico, porém, que era dado como oferta ao Senhor tinha mais semelhança com bolos.   Eram feitos à base de cereais, os quais eram assados e em número de dez, exceto quando tinham que representar as doze tribos de Israel, quando então eram feitos doze deles.

Pois bem, vamos ao sonho da noite que o Senhor me fez conhecer.

Estando eu em São Paulo, Capital do Estado, andando por uma das ruas por onde já andei, parei para ver uma cena que pouquíssimas vezes vi em minha vida.

Eu vi Jesus passando pelo outro lado da calçada daquela rua.

Como falei, bem poucas foram as vezes em que vi Jesus em toda a minha vida.   Esta foi, pensando bem, a quarta de toda minha história.

Eu O vi caminhando, mas Ele não estava só. Ele ia acompanhado de uma jovem vestida com simplicidade e que também não estava com os cabelos arrumados como para uma festa.   Ela estava andando ao Seu lado, com muita simplicidade, mas era a Sua noiva.

Sabia que Jesus tem uma noiva? Pois esta é a Igreja (Apocalipse 21:9; Efésios 5:25-27). A congregação dos salvos e remidos pelo poder de Seu sangue derramado na cruz.

Foi então que o Senhor Jesus passou, mas logo pude telefonar a Ele, para conversarmos. Identifiquei-me: – “Jesus! Sou eu, José!” – e foi quando Ele pediu-me para preparar-Lhe um alimento – uma torta!   Uma torta!   Eu não tinha ideia de que Ele gostaria de que eu lhe preparasse uma iguaria para a Sua festa de casamento. Mas Ele assim o quis.

A torta, sem especificar se doce ou salgada, teria que estar pronta para o enlace cerimonial de Seu casamento com Sua noiva.

Sim, aquela jovem mulher que com Ele andava era a Sua noiva – a escolhida e amada do Seu coração!   E Eles estavam para se casar, e Ele queria uma torta para o dia da Sua celebração.

Ora, se alguém faz um confeito desses, sabemos que o mesmo tem prazo de validade para ser consumido, e, de preferência, que seja consumido no mesmo dia em que foi preparado e foi ao forno.   Isto significa que a união de Jesus com a Sua noiva se dará muito em breve.

Acontece, porém, que eu não estava encontrando um ingrediente, e sentia que não seria muito bom que a torta fosse feita sem o mesmo em sua massa. Ficaria incompleta. Não teria o mesmo sabor, e nem os mesmos nutrientes.

E que ingrediente seria esse?

Era carne moída, ou, como alguns o preferem, “boi ralado”.

Que linguagem significativa!

Será necessário carne moída par satisfazer o gosto e a fome de Jesus?

Vamos rememorar. Ele tinha uma comida que os homens (até mesmo seus discípulos) não conheciam.   Não era o pão material.   Era fazer a vontade do Pai.

E as ofertas de manjares não consistiam em derramar de sangue. Eram ofertas de cereais que eram transformados em bolos.   Não eram resultantes de sacrifícios de animais, bem como disse Davi:

“Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito não desprezarás, ó Deus!” (Salmo 51:17)

Contudo, faltava ainda um ingrediente, e este era “carne moída”.

Sabemos como fazem a carne de animais ser moída – ela tem que passar por uma máquina de moer, onde a carne em pedaços passa por um processo de compressão contra dentes afiados que giram e vão ralando a mesma, que depois então passa pelos furos circulares de saída, de onde a vemos sair finalmente em forma de pequenos fios tubulares, como os de macarrão. Assim teremos a carne moída.

Se Deus, no entanto, não quer mais a carne de bois e animais, o que significa então essa “carne moída”?   Que ingrediente precisamos adicionar à massa da torta que Ele pediu para Suas bodas de casamento?

Há muitas formas de “moer a carne”.   Ele, Jesus, mais do que ninguém, soube mostrar que a Sua própria vontade foi esmagada quando adentrou ao Jardim do Getsêmani.

Ele, contudo, não queria beber o cálice que representava a cruz.   Claro! É intuitivo!   Quem gostaria de ter de enfrentar um julgamento injusto movido pelo inferno, ser seviciado e zombado severamente, sem nenhuma piedade nem consideração de “direitos humanos”, e por fim ser obrigado a carregar um madeiro de peso maior do que poderia suportar, para depois ser pregado naquela cruz para morrer à míngua?   Ninguém, em sã consciência.   Ele também não o queria, e por isso mesmo pediu:

“Pai, … passa de mim este cálice!”

Nada mais justo que este pedido, muito mais feito pelo Justíssimo Filho de Deus, mas… Ele permitiu que o Seu ego fosse esmagado, quando pronunciou a frase seguinte, que diz:

“… contudo, não seja como eu quero, mas como Tu queres…”

E assim foi feita a vontade do Pai. Jesus deixou literalmente que sua carne, além de sua própria vontade, fosse moída, ali naquela noite no Jardim do Getsêmani. Depois, Ele foi sacrificado para fazer o que o Pai lhe havia planejado.

Penso que os sofrimentos desta vida, pelos quais temos que passar, são a forma que o Senhor aceita, quando pelos mesmos passamos dignamente.   Haveria um outro jeito?   Tudo indica que não.   As circunstâncias nos ensinam: não nos resta outra opção.   Todos teremos que passar por um vale, e um deserto, um dia.   Não que agrade a Deus nos ver em apuros, tanto quanto Ele preferiria não ver o Seu próprio Filho morrer naquela cruz.   Acontece que este mundo é mau, corrompido pelo pecado, e as consequências disso são espinhos e amarguras para quem está nesta Terra.

Penso na igreja dos nossos dias.

Penso no grupo da igreja que vive no mundo comunista, e do islã radical.   Eles estão pagando um alto preço para fazer a vontade do Pai.   São presos, torturados, feridos, maltratados e alguns não resistem e morrem por amor a Jesus.   Muitos destes dão, literalmente, a sua carne para ser moída, seguindo o exemplo do nosso Mestre.

Penso também na igreja do mundo livre. Esta está até mal acostumada, mal entendendo e muitas vezes até mesmo não aceitando o que deve fazer para acrescentar a “carne moída” aos ingredientes da comida que Jesus queria comer ao fazer a vontade do Pai.

As múltiplas ofertas, as abundantes opções e oportunidades para se crescer materialmente aparecem como um ilusionista, um mágico que apresenta uma visão enganosa por toda parte, como que fazendo anúncios comerciais de TV, instigando e açulando a vontade de possuir muitas coisas, e convidando a todos: “Vinde!” – sem revelar, contudo, o que estará esperando os iludidos por trás de seus truques.   Eles nem sequer pensam que, de alguma forma, o Senhor está pedindo à Sua Igreja uma Oferta de Manjares feita com o ingrediente da “carne moída”…

Penso em um estimado irmão que, vivendo em um país próximo à China, certa vez ousou buscar Bíblias, atravessando a fronteira e entrando em outra nação, correndo o risco de ser apanhado pela polícia. Perguntou-se a ele se iria continuar a contrabandear Bíblias para seu país, ao que ele respondeu:

“- Eu ainda não estou pronto para morrer!”

Este “ainda” não quer dizer que ele excluía a possibilidade de um dia pretender ousar e estar pronto a tudo.   Seu alvo era Cristo, e ele certamente tinha plena consciência do espírito de sacrifício que segui-Lo demandaria. Entregar a própria carne para ser moída, porém, isto é algo que não se desejaria. Ninguém, em sã consciência.   Um autoflagelo tal como uma prisão, uma tortura, uma guilhotina, ou uma cruz é coisa que não aceitamos com facilidade… queremos fugir disso, mas há circunstâncias em que não temos como dizer “não” ao Pai…

Certa vez um jovem perguntou a Jesus o que deveria fazer para herdar a vida eterna. Jesus lhe perguntou se estava sendo fiel aos mandamentos da Lei de Moisés.   O jovem responde que tudo isso vinha fazendo desde a sua mocidade.

Jesus, porém, disse-lhe:

“Uma coisa te falta…”

Se lermos o texto, veremos que o que faltava àquele jovem de valor era um só ingrediente: um real desapego aos seus bens materiais ao ponto de desfazer-se deles.

Cada um de nós tem, com muita facilidade, um ponto fraco, onde o ingrediente agradável a Deus seria entregarmos o mesmo, para deixarmos ser queimados como em uma cauterização.   É aí que reside a maior dificuldade de cada um.

Um famoso pastor e escritor evangélico confessou certa vez, perante sua igreja, que estava falhando em cair com frequência em uma brecha, uma pedra de tropeço, que ele chamou de “beer”, a cerveja.   Ele precisou da misericórdia dos irmãos para orarem por ele, a fim de vencer a si mesmo e à sua fraqueza.   Era o ingrediente que lhe estava faltando, e graças ao Senhor, recebeu forças para buscar e lograr “moer” a sua carne.   Felizmente.

A pergunta que não quer calar agora é: –

“Quero oferecer a Jesus essa Oferta de Manjares que Ele me pede. Qual, pois, é a minha dificuldade para fazer a plena vontade do Pai?”

O escritor Paulo Setúbal escreveu que certa vez estava escrevendo um livro. Já havia gasto muitas horas diante de sua máquina de escrever, imaginando estórias, fazendo ilações, procurando ligar coisa com coisa, redigindo o texto, corrigindo aqui e ali, quando… de repente sua filha pequenina se achega perto, e lhe faz um pedido.

– “O que V. quer, filha?”

– “Quero fazer um pedido ao papai…”

– “O quê…?

– “Queria que o papai rasgasse essas páginas que está escrevendo…”

– “Por quê? V. viu alguma coisa do que escrevi?

– “Não”.

– “V. sabe alguma coisa sobre o que estou escrevendo?”

– “Não.”

– “Por que então…?”

– “Não sei…”

Talvez a menina estivesse apenas procurando dizer que estava à procura de um tempo com qualidade para ver seu pai brincando com ela, investindo no relacionamento com ela. Talvez não, talvez apenas estivesse com alguma cisma não identificada. Talvez tivesse tido algum sonho, onde viu algum mal nas palavras que seu pai escrevia. De qualquer forma, ela insistia.

O renomado escritor parou. Pensou.   Não se sabe acerca do que ele escrevia. Algo o estava incomodando com o pedido de sua filha.   Será que ela não teria razão?   Algumas coisas têm razões que até a razão desconhece.

Fosse como fosse, ele então decidiu: rasgou todo aquele “script” que tinha feito até ali, naquele mesmo momento, bem à frente da filha.   A menina ficou feliz, e Paulo Setúbal também.

Voltamos ao pedido de Jesus. Aceitaremos ou rejeitaremos inserir o ingrediente que estaria faltando para satisfazer ao Pai e oferecermos uma torta de manjares completa, da qual Ele venha a agradar-Se?

Jesus é o exemplo de auto renúncia. Só o fato dEle descer de Sua glória que tinha junto ao Pai para vir a este planeta aqui, tendo que suportar uma vida relativamente pobre, jejuar e orar muito, estendendo a Sua mão a todo instante para desfazer as obras do diabo, o príncipe deste mundo, sendo ainda perseguido por isto, já foi uma humilhação sem precedentes.   Depois, ainda teve que negar-se a ser feito rei à moda dos homens, negar-se a fazer o papel de “milagreiro” que poderia fornecer pães à mancheia para a multidão, para dizer que Ele é o Pão que desceu do céu…

Os discípulos mesmo não O entenderam.   Muitos o abandonaram.   Os que ficaram, disseram:

_ “Duro é este discurso; quem o poderá suportar?” (João 6:60)

Jesus não se abalou, e ainda perguntou se mais alguém não gostaria de retirar-se de Sua presença.

O fato se resume nesta questão: Jesus está pedindo uma torta de manjares a nós.

Estaremos dispostos a deixar “moer” a nossa carne? Se sim, então estamos prontos para as bodas do Cordeiro.   Se não…

Isto vai depender de cada um de nós.   Não é hora para olharmos para o companheiro ao lado, esperando ver o que este irá decidir.   Esta pergunta é feita a cada um, individualmente, pois cada um terá que dar a sua resposta.

O tempo está acabando.   O prazo para fazermos essa torta especial e entregá-la ao Noivo está se esgotando, pois Ele está ansioso por entrar nas Bodas do Cordeiro, e não quer mais demorar.

Aliás, uma torta, quando pedida, tem um prazo para entrega, que não poderá ser ultrapassado.   Se ultrapassado, não servirá mais para a festa do casamento – e a festa do casamento de Jesus com a Sua Noiva está com data marcada na agenda do Pai.   Quando?… Logo…

Não queremos falhar como o jovem de qualidade, que se aborreceu e foi embora frustrado, por não conseguir fazer aquilo que o Mestre lhe pediu.

Vamos falar com Ele.   Como orar?   Para começar, inserimos aqui um trecho da oração que Jesus nos ensinou:

“Pai Nosso, que estás no céu, santificado seja o Teu Nome; venha o Teu reino, e seja feita a Tua vontade na terra como nos céus…”

Ele vem muito em breve. Ele está às portas.   Logo as trombetas irão soar. Falta muito pouco.

Maranata!

Ora, vem, Senhor Jesus!


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