I SAMUEL – XXIV –NOITE TENEBROSA EM ISRAEL

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febrero 29, 2016 by Bortolato

Saul e a pitonisa

Como interpretar um relato de acontecimento que coloca um texto que traz uma versão humana e idólatra para dentro das páginas da Bíblia, o super livro, onde encontramos a Palavra de Deus?   Como convém considerá-las? E qual o valor que devemos atribuir a essas palavras?

É preciso ter cuidado e prudência ao analisarmos trechos assim.   A Bíblia provou ser, dentre os livros dos antigos, o mais profundo, o mais aprovado, e o mais poderoso veículo de comunicação escrita de todos os tempos.   É o livro mais produzido em gráficas, o mais difundido e lido em todo o mundo.   Esse livro tem sobrepujado os golpes mais drásticos contra a fé que apregoa, apesar de toda a perseguição.   Não se pode negar que a Bíblia fala muito alto e é confirmada a sua palavra de muitas e diversas maneiras, de modo que muitos que a leram puderam experimentar uma mudança transformadora em sua vida, através do desprender do poder salvador de Cristo, Jesus, a Pessoa que traz o tema de suas páginas.

Um comentário esclarecedor, porém, precisamos tecer aqui.   A Palavra de Deus não ignora o agir e o poder das trevas, assim como o comprometimento da mente humana com o pecado, de modo que dentro de suas páginas iremos encontrar algumas palavras de Satanás, o arqui-inimigo do Senhor Criador dos Céus e da Terra. Iremos também achar palavras vãs, e reprovadas pela censura de Deus, que permitiu que estas fossem escritas e inseridas no cânon sagrado, com o objetivo de informar e alertar o Seu povo acerca dos erros humanos – como por exemplo, as palavras dos amigos e Jó, e as do próprio Jó, quando este estava em graves tribulações, com a alma amargurada por uma tortura que ele não sabia de onde vinha e nem como poderia suportá-la.

Enfim, algumas palavras inseridas na Bíblia foram transcritas tal como foram ditas pela boca de seus emissores originalmente, dentro de uma forma responsável e aceitável de fidelidade aos fatos – e onde o homem sai da unção e inspiração de Deus, logicamente que sairão palavras inadequadas, as quais ali estão escritas para revelar caráteres e como se comporta o coração humano.

“Enganoso e perverso mais que todas as coisas é o coração do homem, quem o conhecerá?” (Jeremias 17:9)

Assim é que temos que analisar o trecho de I Samuel, capitulo 28, onde se narra uma consulta a uma médium feita pelo rei Saul, mormente no que diz respeito aos versículos 5 a 19.

FUNDO HISTÓRICO

Vamos procurar contextualizar o fundo histórico dessa narrativa.   Eruditos marcam esse acontecimento por perto do ano 1056 AC.   Isto quer dizer, cerca de 400 anos após os israelitas haverem entrado na Terra da Promessa para a possuir.   Saul era o rei que encabeçava a primeira dinastia dos reis de Israel.

O profeta Samuel já era morto, e Saul havia expulsado todos os médiuns e adivinhos das terras do reino, a seu estilo – ele era o matador daqueles necromantes, e médiuns.

Os filisteus, na sua saga de avançar sobre as terras israelitas, eram um povo bem organizado militarmente, e não desistiam de guerrear contra Israel, apesar de várias tentativas baldadas.   Dessa feita, vieram com toda sua força para valer de uma vez por todas. Reuniram seus exércitos numerosos para guerrearem contra Israel, acampando-se em Suném (localidade no território de Issacar, perto de Jezreel), e Saul e seus homens estenderam suas tendas em Gilboa (onde há uma cadeia de montanhas, também no território de Issacar).

Davi estava morando em Ziclague, cidade sob o domínio filisteu, procurando ficar a salvo das tentativas de Saul capturá-lo e matá-lo.   Em que pesem suas melhores intenções, estava fazendo um jogo duplo – estava compromissado em ser um dos mais fortes guardas de Áquis, rei da cidade filisteia de Gate.    Face ao confronto iminente, foi convocado por Áquis para ir à batalha contra os exércitos de Israel, vendo-se em uma situação muito difícil: sendo impelido a guerrear contra Israel, seu povo, ao lado dos filisteus.

Saul, lembramos, era um homem perturbado por espíritos malignos, que o faziam sentir-se depressivo e explosivo muitas vezes.

EXEGESE DO TEXTO:

Pela primeira vez em sua vida, Saul teve medo da morte ao olhar para o acampamento filisteu. Notou que estes eram muitas vezes mais fortes e preparados numérica e belicamente para o confronto, e ele se sentiu próximo a um colapso naquela guerra.   Saul rogou então aos profetas que consultassem a Deus por ele, pedindo uma palavra de ânimo ou conforto para aquela hora, mas não obteve absolutamente nada, nenhuma resposta, nenhuma orientação divina para a luta que se erguia à sua frente.

“Saul consultou ao Senhor, mas Este não lhe respondeu, nem por sonhos, nem por Urim, e nem por profetas.” (I Samuel 28:6)

Este texto bíblico nos traz um verbo hebraico – responder – em um tempo pretérito muito forte, de onde se depreende que Deus não respondeu, não responde, e nunca responderá.   Em adição a isto, as locuções adverbiais que se ligam a este verbo deixam-nos a impressão de que DE MODO ALGUM Deus lhe responderia: (1) nem por sonhos, revelação pessoal (Gênesis 37:5-10); (2) nem por Urim, revelação sacerdotal que o próprio Deus prometeu que usaria quando em casos relevantes (Êxodo 28:30; Números 27:21); (3) e nem por profetas, os quais, consultados, oraram a Yaweh, mas qual nada, nenhuma resposta puderam obter para acalmar os nervos do rei.

Tal silêncio divino com certeza se prendia às atitudes rebeldes de Saul, e seu comprometimento com homens, antes de comprometer-se com Deus.   Quando Deus se fizer silente desta maneira na vida de alguém, certamente que não será sem motivo. Tal silêncio é sinal de quebra dos meios de comunicação entre o homem e Deus.   Tal quebra só tem uma causa: o pecado.   O remédio é fazer uma revisão da vida, jejuar, orar, e buscar a Sua face insistentemente, até se obter resposta, antes de se fazer qualquer coisa.      Melhor é parar tudo e acertar as contas com Ele, do que sair-se em busca de algo, sem esperanças de uma solução abençoada pelas mãos divinas.

Saul, entretanto, muito embora tenha pedido a algum profeta para obter uma palavra de Deus, não o fez com o coração arrependido de seus erros, e nem insistiu muito.

Naquele momento, porém, Saul, desesperado, mostrou que acreditava em uma prática condenada pela revelação da Lei de Moisés: a necromancia – e foi em busca desse tipo de coisa que Deus reprovara expressa e terminantemente.   Nessas horas é que afloram as tendências mais profundas dos corações dos homens, seja para bem, ou seja para mal.   Mas esta escolha de Saul não era a coisa certa a ser feita…

Como funcionou a mente de Saul?   Ele não conseguia mais obter contato com Deus, devido a suas teimosas manias de desprezar a direção do Senhor, e de julgar e perseguir a homens justos, mais justos do que ele mesmo, mas mesmo assim queria obter uma informação de como se daria naquela guerra que estava prestes a estourar.

Saul lembrou-se que Samuel era o profeta que o ungira com óleo da santa unção um dia.   Se Samuel estivesse vivo, certamente que lhe falaria abertamente as razões do bloqueio daquelas comunicações entre seu reinado e os céus…   Desejou então Saul conversar com o espírito de Samuel, acreditando que esta prática fosse realmente pô-lo em contato com o profeta morto.

Tanto é desaprovada esta prática, que o Antigo Testamento prescreve a pena de morte a quem se entregasse a esta (Êxodo 22:18) ou permitisse haver tal consulta a espíritos passados (Levítico 20:27; Deuteronômio 18:9-14).

Se consultar mortos fosse algo bom para o homem, não haveria pena de morte para os infratores, pois a pena máxima era para quem burlasse preceitos importantes, inegociáveis para Deus, os quais não perderam sua importância com a revelação do Novo Testamento.

A mediunidade não é um dom divino, antes é um engodo, que tenta conquistar pessoas para essas práticas, com o intuito de desviá-las da comunhão com Deus – pois quem tem contato com espíritos de mortos, não se sente com necessidade de buscar ao Santo Espírito de Deus, arrependido de seus pecados. Está enganado pelo sobrenatural, pensando estar realmente se comunicando com entes mortos que lhe são caros.

Há uma enorme diferença entre ser abençoado pelo Espírito Santo de Deus, e ser servido por pretensos espíritos de mortos. Por quê?   Porque na verdade não há meio de comunicação com espíritos de mortos (conforme a parábola do rico e o lázaro em Lucas 16:22-31).

Consultar ao Espírito de Deus e consultar a espíritos de mortos são caminhos muito diferentes, e excludentes.   Quem segue a um destes, não poderá, ao mesmo tempo, seguir ao outro. É como tomar-se uma canoa para navegar. Enquanto se está dentro de uma canoa, não se deve e nem se aconselha que se ponha um pé dentro de uma delas e o outro em outra, e se comece a remar para o encontro de uma corredeira… o naufrágio é fatal.

Saul então, como o coração angustiado, e pressentindo o mal muito próximo, abre seu coração para alguns súditos aliados, dizendo que gostaria de consultar um médium…   Seus conselheiros mostraram, pois, mais uma vez que não eram homens fieis a Deus em toda prova.   Antes, cederam àquela loucura de seu rei, e procuraram por alguém dentre eles que soubesse da localização de um médium, que fosse dado a essa prática.   Atentemos para o detalhe de que, para que o rei fosse atendido neste seu pedido, o tal médium não poderia jamais ser um embusteiro, e sim, alguém até mesmo famoso e reconhecido por ser um genuíno consulente de espírito de mortos.

O profeta Isaías, mais tarde, profetizou a ruína desses desobedientes à Lei do Senhor (Isaías 8:19-22). Jamais verão a luz de Deus…

Perguntaram os conselheiros de Saul uns aos outros, e chegaram a um homem que, ao ser abordado, compreendeu a situação de desespero de seu rei, e resolveu relatar o que sabia a respeito. Havia sim, uma pitonisa em En Dor, nas terras de Israel.

En Dor ficava a cinco quilômetros ao norte de Suném, onde os filisteus estavam acampados. Ficava também a 19 quilômetros de Gilboa, ao norte do acampamento de Israel.   A cavalo, ou sobre um jumento, a viagem seria rápida, em uma noite.

Ora, o tal homem que sabia disso e não havia antes denunciado a tal mulher, demonstrou tacitamente que ele se tornara cúmplice da mesma, protegendo-a.   E ele sabia bem onde ficava a casa da tal pitonisa, e como se chegar lá.   Por que tal homem protegeria com seu silêncio àquela mulher, mesmo sabendo que com isto estaria se indispondo contra a Palavra de Deus, e contra as ordens do próprio rei Saul? A pena para tal ato era a morte. Isto significa que ele acreditava em tais práticas, e possivelmente ele também se recorria a estas. Saul havia perseguido e expulso aquela gente herege, e quando ele perseguia alguém, era para valer – e mesmo assim, aquela mulher estava ali, sendo consultada por pessoas, inclusive por homens da confiança da corte do rei.

Não se pode chegar a nenhuma outra conclusão senão de que o tal homem, próximo a Saul, era um dos que frequentavam a casa da tal médium, e esta contava com a conivência e a proteção de um ou mais participantes da corte real.

De qualquer maneira, lá foi Saul, acompanhado de dois homens, à procura de uma pseudo profecia, reprovada por Deus.   Por que Deus reprovara tal prática?   Por muitos motivos, entre os quais, mencionamos que Satanás, que também é um espírito, e que deseja muito que os homens se apeguem a espíritos quaisquer, e consequentemente se desapeguem de Yaweh, sabedor desse desvio desobediente à Lei do Senhor, sabe bem aproveitar-se da brecha por onde pode penetrar na vida das pessoas.    Que Satanás e seus anjos caídos saibam imitar vozes, sotaques e jeitos de falar, isso não é problema para eles, e quem é o pai da mentira?

Esta narrativa, que se insere no livro de I Samuel, foi contada por quem de fato acreditava na prática da consulta aos mortos como sendo um fato que realmente ocorre, como verdadeiro aos olhos do narrador.   E como a Bíblia procura ser fiel aos fatos que ali estão relatados, reproduziu na íntegra, ipsis literis, a história conforme foi falada – a fim de não distorcer, aumentar e nem diminuir as palavras que veicularam o acontecido.   Esta narrativa, entretanto, deve receber o mesmo nível de crítica que as palavras de Satanás, dos amigos de Jó e do próprio Jó – como um texto que conta a história através de uma fonte meramente humana, espúria, e por este motivo deve ser analisado sob o prisma doutrinário dos trechos restantes (que não são poucos) da Bíblia. Tal relato não é um trecho profético, e nem de ensino. Não deve ser considerado como se consideram os escritos de Paulo, João, Moisés, e tantos outros…   Está na Bíblia para o depurarmos, filtrarmos, reprovarmos os erros de Saul (I Crônicas 10:13), da prática de consulta a mortos, e concluirmos como estava o nível espiritual daquele rei naquela ocasião.

Ao ser abordada, a médium de En Dor procurou resguardar-se de que nenhum daqueles homens que a procuravam a delatassem a Saul.

Saul estava disfarçado, e por este motivo, ela não percebeu que se tratava do rei de Israel, e, na sequência, foi-lhe prometida total isenção de qualquer castigo por realizar aquele ato proibido.

Saul pede-lhe que viabilizasse uma consulta ao espírito do profeta Samuel, acreditando piamente que isto pudesse ser feito.

A mulher então viu um espírito se aproximando dela, e recebe a revelação de que o seu consulente era o próprio rei Saul. Horrorizada, aos gritos, lança aquilo em rosto de todos ali, manifestando seu desagrado, sentindo-se enganada, traída e prestes a ser morta por ter caído em uma armadilha.   Este detalhe demonstrou que a tal mulher não era uma pseudo médium, mas que de fato recebia espíritos a pedido das pessoas.

Saul, porém, a acalma, dizendo-lhe para não temer, e prosseguir na consulta.

Interessante notar: a médium disse ter visto a Samuel como se fosse um espírito de um deus subindo da terra.   Supôs-se então que o tal teria vindo da terra dos mortos, do Sheol.   Sabemos, contudo, que quando o espírito de alguém se desprende de seu corpo sem vida, este sobe a Deus, que vida lhe deu (Eclesiastes 12:7) – Isto é, não fica no túmulo, esperando para ser consultado, e, portanto, quem foi visto subindo das profundezas da terra, certamente que não foi Samuel, mas sim, um espírito enganador.

O verdadeiro Samuel, depois de morto, tendo recebido do Trono de Deus parte das recompensas celestes e de um esclarecimento maior das coisas divinas, viria a mando de uma pitonisa (pessoa cujos atos a condena à morte pela Lei do Senhor) para poluir-se a si mesmo, coisa que jamais faria em vida nesta terra? Com toda certeza, e terminantemente NÃO! De maneira alguma!

Contudo, a entrevista com o tal espírito prosseguiu, com uma simulação da voz e da autoridade profética que Samuel detinha quando em vida. Os que creem na veracidade e legitimidade dessas consultas não percebem, nas entrelinhas, a sua falsidade. Infelizmente, o que acontece é que pessoas, muitas vezes, são enganadas porque dão ensejo para sê-lo. Algumas até gostam de ser enganadas, dura é esta realidade…

AS FALHAS DA PROFECIA DO FALSO SAMUEL:

O desenvolver daquela conversa, porém, deixou transpirar alguns detalhes que também denotaram a ilegitimidade daquele suposto Samuel, senão vejamos:

A – O pseudo Samuel prevê que Saul morreria no dia chamado de “amanhã”(28:19). Que a morte de Saul estaria programada dentro dos planos de Deus, isto era uma coisa que todos os demônios do inferno já sabiam.   Davi já o havia profetizado (I Samuel 26:8-10), de modo que, repeti-lo, seria chover no molhado.   Dizer, portanto, que um rei pecador, rebelde contra a palavra do Senhor, decadente, falido espiritualmente, sentindo-se inseguro e temeroso diante de uma forte potência militar como a dos filisteus, estaria prestes a morrer naquela batalha, seria jogar com uma afirmação que tinha grande probabilidade de acontecer.   Só não aconteceria se Saul estivesse em plena comunhão com Deus, coisa que estava distante dele, mas os Juízes de Israel (Otniel, Jefté, Baraque, e outros), os reis Davi, Ezequias, Josafá e outros bisaram ver a glória de Yaweh em seus confrontos com os inimigos.

Satanás bem sabia como estava indo o reinado de Saul e quão certo seria o seu tombar em alguma próxima batalha.   Davi já o havia profetizado (I Samuel 26:8-10) na autoridade do Santo Espírito do Senhor, e até mesmo alguns homens de Israel já esperavam por isso. Qualquer espírito espúrio, portanto, sentiria que estava chegando essa hora, e sentindo a maior liberdade de “profetizá-lo”, com grande chance de acertar.

B – Em I Samuel 28:19 reside uma característica das profecias sibilinas, que falam coisas de forma ambígua e genérica, e sem detalhes que poderiam marcá-las com a profundidade das palavras de Deus.   Por que isto?   Porque espíritos caídos não têm a plena revelação que vem do Trono de Deus.   Tais espíritos podem deter o poder de realizar algumas coisas, mas não são detentores de todo o poder nos céus e na Terra – razão por que muitas de suas profecias não fornecem detalhes precisos, e muitas de suas palavras não se cumprem.

No caso, o falso Samuel profetizou: – “Amanhã tu e teus filhos estareis comigo, e o Senhor entregará o acampamento de Israel nas mãos dos filisteus…”

B.1 – O termo “amanhã” não foi o que realmente aconteceu.   Este termo hebraico, mahar, não poderia ser empregado em um sentido indefinido neste contexto, pois todos um dia estão fadados a morrer em um dia futuro. Se esta profecia se referia a “um certo amanhã”, e não ao dia seguinte, então nada se comunicou. Diante dos fatos que estavam para ocorrer, jogar com a palavra “amanhã” foi jogar com a sorte, e errar.   Saul morreu, de fato, quinze a dezoito dias depois, à luz de I Samuel 30:1, 10, 13, 17, 20, 26; e II Samuel 1:3.  Para maiores detalhes, remetemos ao comentário do referido capítulo.

B.2 – “Tu e teus filhos estareis comigo”.   Tal expressão sugere que os filhos e a descendência de Saul seria exterminada, o que não aconteceu.   Nem todos os filhos de Saul morreram naquele combate. Apenas três dos filhos de Saul morreram naquele confronto: Jônatas, Abinadabe, e Malquisua.   Is-Bosete sobreviveu para ainda reclamar direito de herdar o trono. E Armoni e Mefibosete, também, além dos filhos de Merabe, uma das filhas de Saul.

B.3 – O corpo de Saul e de seus três filhos mortos naquela ocasião não permaneceu no poder dos filisteus. Apenas passou pelas mãos destes, pois os homens de Jabes-Gileade corajosamente tomaram-nos do muro de Bete-Seã, e os levaram consigo, para enterrá-los em Jabes, debaixo de uma tamargueira.   Dizer, portanto, que o Senhor entregará o acampamento de Israel nas mãos dos filisteus é outro ponto impreciso nessa profecia.   Dizer que as tendas do acampamento, (e não os soldados de Israel) seriam entregues nas mãos dos filisteus tampouco esclareceria alguma coisa, e seria tergiversar.   Seria forjar uma exegese furada como uma peneira, onde não resta nada de concreto.

Pelos motivos aqui arrolados, vemos uma diferença muito grande entre as profecias do Senhor, e essas profecias de espíritos adivinhos.   As profecias de Deus não falham, e cumprem-se nos mínimos detalhes, ao passo que as dos falsos profetas muitas vezes erram – e quando estes erram, procuram dissimulá-lo, procurando consertar o erro, rearranjando as palavras ditas precipitadamente.   O motivo de tantos erros é porque as trevas não alcançam a profundidade da luz do Senhor, malgrado tentem até imitá-la.

Cremos assim ter lançado luz ao texto de I Samuel 28 que, por causa de opiniões polêmicas, tem sido muito discutido e mal entendido.

“Sessões espíritas”, portanto, não são autorizadas pela Bíblia, mas pelo contrário, são reprovadas.  Não há como mudar isto.

Muito embora haja quem aceite que realmente foi Samuel quem falou, depois de morto, a Saul, este posicionamento não condiz com o restante das doutrinas bíblicas, e uma análise lógica e exegética do trecho nos conduziu às conclusões a que temos chegado.

Temos colocado neste artigo uma visão que considera as doutrinas bíblicas como um corpo global, internamente coerente, teologicamente sistemático e não apenas uma opinião embasada em um trecho único e mal interpretado das Escrituras.

Ao final do capítulo 28 de I Samuel, lemos que Saul, que para aquela casa da pitonisa se dirigiu, caiu ao chão, sem forças devido ao jejum em que estava, e chocado pelas palavras que ouvira, prevendo a sua própria morte.   Estava muito perturbado…

Pela mente de Saul devia estar passando um filme, onde ele se via desobedecendo ao Senhor, que lhe ordenara o extermínio total dos amalequitas, sua perseguição contumaz a Davi, o qual lhe provara jamais ter planejado tomar-lhe o reino, poupando-lhe a vida por duas vezes; e muitos dos seus desmandos mal direcionados; e enfim, muitas das suas atitudes que tomou per si, sem o cuidado de obter a aprovação do Deus que o fizera rei em Israel.   Atitudes mal ponderadas, que o levaram cada vez mais para longe do Senhor, dentre as quais acrescente-se aquela consulta a uma necromante…

Com vistas a refortalecer ao seu rei desconsolado, a pitonisa convida-o a alimentar-se, ao que ele, a princípio, recusa-se.   Seus dois acompanhantes, porém, procurando animá-lo, insistem nisso, e ele, por fim, aceita.   Os três comem antes de saírem, e depois partem naquela mesma noite.

Este capítulo da Bíblia marcou indelevelmente um episódio ocorrido em uma noite de trevas para o rei de Israel, para o seu reinado, e para a sua família.   Infelizmente, foi esta a opção que o rei Saul escolhera, acrescentando um final infeliz à sua vida.

Colocamos agora o rei Saul à frente do ladrão que foi crucificado ao lado do Senhor Jesus, em uma cruz.

Ambos tiveram uma vida cheia de falhas morais, tendo sido levados a cometer pecados horríveis em Israel, mas com uma diferença muito grande no final de suas vidas.

Saul, tendo começado bem como rei de sua nação, terminou sua vida tendo sido rebelde à voz de Deus durante muito tempo, tempo que lhe foi dado para que pudesse arrepender-se de seus atos reprováveis, mas continuando a provocar ao Senhor até o fim.

O ladrão da cruz, porém, reconhecendo seus erros, e que a sentença de morte que lhe foi aplicada era merecida, não se rebelou, aceitou-a, e, vendo que o seu Messias, Jesus, estava ali, ao seu lado, naquela hora, não hesitou em pedir-lhe que o Senhor se lembrasse dele, quando entrasse no Seu Reino…   Qual foi a resposta de Jesus?

– “Ainda hoje estarás comigo no Paraíso.” (Lucas 23:39-43)

Vemos assim que não importa tanto a maneira com que tenhamos decepcionado a Deus em nosso viver diário.   Em verdade, todos pecamos, e estamos despojados da glória de Deus.   Importa, porém, sim, e muito, a maneira como venhamos a nos arrepender de nossos pecados, e pedir-Lhe a Sua graciosa salvação para nossas almas.

Seja, pois, esta também a nossa oração:

“Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no Teu Reino”… e recebamos a Sua doce resposta, agora, pela fé.

 

 


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