I SAMUEL – XXVI – DEUS SALVA AS FAMÍLIAS

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marzo 14, 2016 by Bortolato

Ruínas de fogo

Salva de perigos um bem tão precioso como este, a família dos que se agregaram à Sua família.   Ele mesmo, o Senhor e Criador foi quem instituiu a família.   Ele mesmo é o Pai de uma grande família, e tudo faz para que esta seja mantida com todos os Seus valores.

Existe, porém, uma ação espiritual muito acirrada que procura destruir as bênçãos que uma família pode trazer para os filhos de Deus.   É um ataque orquestrado por alguém que não tem comunhão com a estrutura do Reino de Deus.   Este ataque pode vir focando apenas um membro de uma família, bem como pode tentar raptar e fazer desaparecer toda ela.

Um indivíduo colocar-se a salvo é uma questão pessoal, mas salvar nossas famílias já é obra que atinge a mais de uma pessoa, a uma pequena coletividade unida por íntimos laços de amor.   Quantos pais não dariam a vida por um de seus filhos para salvá-los?

Esta vida terrena, porém, é repleta de múltiplas circunstâncias que nos envolvem, de modo que por vezes podemos estar às voltas com apertos trabalhosos, angústias e dores.

“Muitas são as aflições dos justos, mas o Senhor os livra de todas”. ( )

A Palavra de Deus se interpõe diante de nós como um clarão de luz que nos aponta para o caminho a seguirmos.   Assim nos diz:

“Clama a mim no dia da angústia; Eu te livrarei e tu me glorificarás”. ()

E mais:

“Clamou este pobre e o Senhor o ouviu e livrou-o de todas as suas angústias”. ()

  1. já saiu de casa um dia, para trabalhar, e quando voltou, notou chocado que levaram raptadas as pessoas que ama?   Sua família? Seu cônjuge? Seus pais? Seus filhos? Seus irmãos?   E a casa ficou vazia, deixando para trás apenas um rastro de clamores vindos do profundo da alma?

Isto é um drama! E não é ficção.   Isto aconteceu muito neste mundo, e continua acontecendo em vários pontos deste globo.   A partir daí começa uma história que marca indelevelmente a vida de muitos, de um modo que jamais se poderá esquecer…

E logo vem a pergunta: – Como eles foram levados? Como isso veio a acontecer?   Para onde foram?   Quem foi o responsável por tal desatino?   Quem reparará agora os danos causados pela sofreguidão que se segue?   Mas que Deus nos livre de tal infortúnio!

Há diversas maneiras através das quais isso pode acontecer, e em diversos níveis, mas não se desespere.   Em muitos dos casos há esperança, e este pode ser o seu.

Em países onde há guerra, ou onde há grupos de extermínio, ou de mercadores de escravos, isso não é uma hipótese improvável.

Durante calamidades públicas, também. Cito aqui o caso de M.L., um grande amigo que, durante a infância sua família perdeu tudo o que tinha em uma enchente que houve no Rio de Janeiro, e todos tiveram que ir para um lugar para serem abrigados. No meio da confusão gerada pela pressa e pelos improvisos, ele se perdeu de seus pais, e assim ficou despojado do amor dos seus.   Deste modo ele foi vitimado pelo ataque que sua família sofreu.   Anos se passaram, e, um dia, quando estava sendo tratado de uma enfermidade em um hospital, por um “acaso” entra no seu quarto de enfermaria um homem que, ao vê-lo, ficou maravilhado ao perceber a semelhança de feições da face que o jovem mostrava, principalmente comparando-o com uma irmã do visitante – e esta irmã não era outra senão a mãe de M.L. – e assim, logo ele pôde ser reconduzido aos seus…   por providência divina, que ouviu as muitas preces de ambos os lados…

Se um súbito mal acontece sobre uma esposa ou um marido, logo um pesadelo se desaba sobre a família.   Uma doença letal, uma ataque fulminante que leva o cônjuge à morte, ou a um estado de vegetação também são casos em que são subtraídos da família entes muito queridos.   Os filhos passam a ser cuidados por uma terceira pessoa, pois alguém teria que trabalhar para o sustento da prole, e assim as crianças sofrem as consequências desse sequestro do destino.   Estas são outras formas pelas quais as famílias são atacadas.

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Um acidente repentino pode nocautear de modo a jogar numa cama por bom tempo um dos cabeças do lar.   Isto aconteceu em 1969 com minha mãe, mudando muitas coisas, alterando a rotina de nossas vidas em nossa casa.

Meu pai, já idoso, contava então com seus setenta anos, e ela com 54.   Ele ficou bastante apreensivo, ficou por tempos cabisbaixo, pensativo, pois já havia perdido sua primeira esposa em um lance imprevisto, cerca de 35 anos antes disso…

Foi assim…

Em 1934 meu pai era um alfaiate, e trabalhava muito para ganhar o pão de cada dia.   Já era pai de uma família com seus quatro filhos: dois meninos e duas meninas.   A caçula contava com apenas quatro anos de idade, e sua então esposa estava gestando o quinto herdeiro.   Naquela época não havia muito controle sobre a natalidade.

Um pensamento tenebroso passou pela cabeça daquela sua mulher.   Eles moravam em uma casa em São Paulo, e dois anos antes disso, aquele Estado havia-se unido ao Estado do Mato Grosso, para declararem sua independência do restante da nação brasileira, o que deflagrou uma guerra interna.   Com a guerra, os alimentos, e os recursos em geral entraram em crise de escassez.   Após a guerra, que, graças aos céus, durou pouco tempo, vieram as consequências.

Aquela mulher pensava nas dificuldades que poderiam vir com a chegada de mais uma criança em seu lar, e ousou colocar em ação um plano às escondidas de meu pai – ela foi tentar matar aquela criança que gerava em seu ventre, em um aborto.   Para sua própria desgraça, e da criança, ambas morreram naquela tentativa malfadada, e assim se iniciou um verdadeiro terremoto na família.   Faltaram a mulher e a criança em gestação; e os quatro filhos que ficaram, tiveram de ser amparados e criados por uma tia viúva, mãe e outros tantos filhos, que também lutava bravamente para poder manter o seu lar.

Para dificultar mais as coisas, a alfaiataria de meu pai entrou em falência pouco tempo depois.   Com muita graça de Deus, ele pôde conseguir uma colocação de vendedor em uma grande empresa fabricante de materiais de limpeza e higiene pessoal.

Após cinco anos daquele acontecimento trágico, foi meu pai tentar recomeçar a vida de um homem honesto que queria muito reconstruir o seu lar.   Ele encontrou-se com minha mãe, e casaram-se em setembro de 1939.   Foi quando então ele pôde reunir novamente seus filhos com sua mulher, dentro de um lar.

Aquele triste incidente levou o novo casal a decidir jamais tentar um aborto, e assim eles tiveram seis filhos.   Ao todo, a família passou a contar com doze membros: pai, mãe e dez filhos.   Com todas as dificuldades de uma prole de tal tamanho, mas iam conseguindo equilibrar suas finanças aos poucos, sofrendo apertos e ajustes aqui e ali.

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Agora, no inverno de 1969, estava minha mãe internada em um hospital, sofrendo grave perigo de vida.   Ela fora atropelada por um veículo em uma movimentada avenida da cidade de São Paulo.   Ficou inconsciente por bom tempo, até que pôde voltar a si.   Estava com a cabeça toda inchada e escurecida pelos hematomas.   Sofreu várias fraturas em seu corpo, e teria que passar a tratá-las.   Parece que tribulações surgem do nada, querendo fazer parte integrante de nossas vidas, em alguns momentos.   Quem poderia dizer que estaria isento disso?   Quem teria controle sobre essas coisas?   Somente Deus, mas somos apenas homens, neste planeta…   Que bom que Ele nos socorre, estando presente nesses tempos difíceis.

Felizmente ela pôde sobreviver depois de alguns meses de fisioterapia e uma lenta recuperação.   Então ela voltou a uma vida quase que normal, dando conta de seus afazeres domésticos, graças ao bom Deus.

Traumática e ainda mais dramática foi a situação de Davi, que em I Samuel capítulo 30 é narrada.   Ele tinha acabado de receber a dispensa de seus serviços militares para combater ao lado do rei filisteu Áquis, e estava voltando para sua casa, em Ziclague.   Ele e seus homens saíram de Jezreel de madrugada, e viajaram, muitos deles a pé, durante cerca de três dias para percorrerem esse trajeto.

Chegando a Ziclague, eis que a sua cidade estava toda queimada a fogo.   Os amalequitas, tradicionais inimigos de Israel, haviam atacado e capturado os habitantes, levando toda a fazenda e bens que lá encontraram.   Decerto esses inimigos perceberam a movimentação dos homens que saíram de seu lar e foram para longe, jornada de três dias, de forma a dar-lhes a folga que procuravam para executarem seu golpe de pirataria terrestre.

As mulheres todas , juntamente com as crianças, haviam sido levadas cativas, certamente para serem feitas escravas.

Por ser o líder daqueles seiscentos homens que ali com Davi moravam, alguns deles quiseram matá-lo apedrejado, a fim de desafogarem aquela revolta e amargura, atribuindo-lhe a culpa daquilo tudo.

Era uma situação que tinha tudo para dar errado, mas exceto por um detalhe importante: o Salmista confiava no Senhor Deus.

Abiatar, o sacerdote de Yaweh, filho de Aimeleque, estava também com eles. Interessante notar: Davi o levava sempre consigo, pois não queria ficar sem a possibilidade de consultar a Deus, através das placas do Urim e do Tumim. Era aquela, sem dúvida, a ocasião mais propícia para se consultar a Deus.   Ele, o Senhor, certamente teria uma solução, para aquele problema mais que intrincado.

Davi consulta ao Senhor se deve ou não prosseguir viagem, indo ao encontro daqueles amalequitas.   Yaweh , vendo a angústia de Seu servo, compadeceu-Se dele, e animou-o, dizendo que fossem e perseguissem aos raptores de suas famílias, pois os alcançariam e libertariam a todos os raptados.

Davi fala então aos seus comandados aquilo que o Senhor acabara de dizer-lhe.   Os homens se animaram.   Aquelas palavras lhes acendem uma chama de esperança.   Pareceu-lhes que nem tudo estava perdido.   Acalmaram sua ira, e no lugar brotou-lhes um espírito de coragem e vontade de lutar.   Em poucos minutos, estavam prontos e partiram para aquela campanha de resgate dos seus, empenhando toda a sua força.

Mas o exercício demandado por aquela ida inútil a Jezreel, e, na sequência, a sua volta, foi coisa que os fez caminhar por cerca de seis dias.   Isso deixou duzentos deles cansados demais para poderem atravessar um ribeiro, o de Besor, em seu caminho, e estes ali ficaram cuidando da bagagem deles todos.

Davi prosseguiu então com quatrocentos homens.   A sorte, de repente, lhes sorri.   A sorte? Bem, não um mero acidente de percurso, mas uma providência de Deus Yaweh, que zelou sobre Sua palavra para que esta se cumprisse à risca.   Um homem egípcio é achado por aquele caminho…

Este homem estava ali, fraco, meio inconsciente, parecia ter sido largado, como se tivesse sido nocauteado por algum assaltante… mas não era bem isso…   Ele era um egípcio, escravo de um amalequita, que ficara doente, ficando incapaz de acompanhar ao seu senhor, e ficou abandonado, até para morrer sem água e sem suprimentos.   Os homens de Davi lhe deram então a beber e de comer.   O homem recuperou as forças, e relatou tudo quanto os amalequitas fizeram em Ziclague, bem como em todo o sul de Judá.   Aquele ex escravo então recebeu a melhor proposta que tivera em toda a sua vida: ser-lhe-iam perdoados os seus pecados que cometera contra as famílias dos homens de Davi, se os conduzisse até onde estava o seu ex-senhor – e ele então poderia passar a participar das bênçãos de Deus junto ao povo de Deus, desde que passasse a mostrar que realmente teria passado para o lado do povo de Yaweh.   Nem precisaria guerrear, devido ao seu estado físico, mas assistiria de camarote a uma tomada de assalto contra os que o deixaram para morrer no caminho de sua vida.

Aquele ex-escravo egípcio, pois, os guiou até que alcançaram o acampamento dos amalequitas.

Chegaram ao alvo no crepúsculo do dia, e antes mesmo de ali se aproximarem, já puderam ouvir o barulho de uma grande festa, com muita comida e regada a muito vinho. Os amalequitas estavam eufóricos, pois tinham conquistado um tremendo estoque de bens e de escravos. Aproximando-se os homens de Davi com a devida cautela, puderam ver que eram muitos, e que se espalhavam por aquela região.

Davi os visualiza e rapidamente traça planos, divide sua tropa com estratégia, e já passa a fazer os sinais característicos para atacarem.   Rápidos como guepardos em busca de sua caça, começa a operação varredura, para que nenhum deles escape.   Por esta os amalequitas não esperavam.   Estavam surpresos, bêbados, desorganizados, e sem uma defesa à altura.   Eram muitos, e por isso aquele ataque teve que se estender noite a dentro, com rapidez e eficiência.

O desespero tomou conta dos amalequitas, e quiseram fugir, mas para a maioria deles, foi em vão.   Somente quatrocentos jovens deles o conseguiram, porque em um lapso de minuto perceberam logo que tudo estava repentina e irremediavelmente perdido, e por isso correram, montaram em seus camelos e lograram escapar para longe dali.   Os restantes foram feridos até o final do dia seguinte, não lhes sobrando tempo e nem homens para se reorganizarem.   Não deixaram mais nenhum deles vivo.

Acabada aquela “operação varredura”, voltaram-se para resgatar as pessoas que haviam sido levadas cativas, reunidas em um lugar à parte.   Lá estavam as duas esposas de Davi: Abigail e Ainoã.   Sua família estava recuperada, louvado seja Deus!   As demais esposas dos seus homens também lá estavam, e os seus filhos também.   Todos.   Não faltou ninguém.   Algumas mulheres e crianças que também haviam sido raptadas dos queretitas, do clã de Calebe e do território sul de Judá, também lá estavam.

Desfrutando de grande alegria, Davi e seus homens foram então se preparando para levar seus filhos e mulheres nos lombos de montarias, e um grande despojo de mercadorias, alimentos, vestidos, ovelhas e gado os acompanhando.   Era tanto, que tiveram que destacar homens para conduzir aqueles animais com vagar, a fim de não os esgotar no transcorrer do percurso.   Os amalequitas fizeram o favor de acumularem e trazerem consigo um imenso rol de riquezas, que deixaram para Davi e seus homens serem enriquecidos com estas.

Ao chegar no ribeiro de Besor, foi aquela alegria.   Um ou mais jovens chegaram à frente dos demais para anunciar a boa nova aos duzentos que lá ficaram.   Os homens foram correndo ao encontro de suas esposas e seus filhos, com seus corações palpitando fortemente de emoção.

Aqueles duzentos homens vibraram, louvando a Deus.   Que maravilha, rever os nossos a salvo, depois de havê-los perdido por um tempo significativo.   Ao se reencontrarem, seus olhos brilhavam, tanto dos homens, como das mulheres e dos filhos.   Foi um momento de choro, de comoção e de grande alívio.  Abraços longos e apertados, beijos e muita alegria.   Uma festa para os corações que dantes estavam apertados pela preocupação e o sofrimento.

Quiseram alguns que tinham ido com Davi, que aqueles que não puderam prosseguir naquela incursão, apenas levassem suas mulheres e seus filhos, ficando prejudicados na recuperação de seus bens.   Davi, porém, não lhes dá ouvidos e faz uma divisão das partes por igual para todos os seiscentos.

Como é bom termos um salvador em horas de aflição.   Mais uma vez Davi tornou-se uma pré-figura do Salvador Jesus, o Cristo, que nos resgatou das garras do inimigo das nossas almas, e nos trouxe libertos para o Reino do Seu amor, acabando com os tempos de cativeiro, e escravidão do pecado.   Quem pôde ser assim salvo, pode dizer quão bendito é Jesus por isso.   Ele nos salva e liberta também as nossas famílias dos terrores e do furor do reino das trevas.

Ao chegarem em Ziclague com toda aquela riqueza que mal puderam transportar, tamanha era ela, o coração de Davi ficou a pensar naquelas famílias que haviam sido raptadas dos outros lugares do sul de Judá e outras cidades.   Elas também sofreram com aquele episódio marcante em suas vidas, e parte destas havia sido resgatada juntamente com a sua família

Seria uma grata surpresa devolver aquelas mulheres e crianças aos respectivos lares, aos seu clãs, ao seu quinhão de Terra Prometida, muito embora algumas delas já não tivessem mais seus cabeças da casa, pois teriam morrido durante o maldoso ataque de Amaleque.

Os que puderam reconstituir seus lares, receberam com aquela mesma festa de alegria as vidas dos seus de volta ao seu convívio.   Devolvê-los-ia, porém, de mãos vazias? Absolutamente não, pois isto seria dar-lhes um difícil reinício de vida.

Davi então resolve repartir daquele imenso despojo com os seus amigos e irmãos judeus, enviando-lhes presentes para mais de doze localidades, e assim os corações daquelas pessoas ficaram reconfortados.   Um final feliz, e uma nova vida para os libertos do poder do mal.

Deste modo foi que Davi, inspirado por Deus, demonstrou amor e misericórdia aos seus, conquistando-lhes os corações, pois logo depois dessas coisas terem acontecido, ele passaria a ser coroado rei de Judá…

Assim também Jesus conquista com amor e misericórdia os nossos corações, libertando-nos das nossas angústias da alma, aliviando e alegrando os nossos corações e presenteando-nos com as riquezas de Sua glória em nossa vida aqui, pois em breve Ele será coroado o Rei de toda a Terra – quando então estaremos juntos com Sua grande e única família, a família dos salvos pelo poder redentor de Seu sangue derramado em demonstração de Sua imensa graça.


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