II SAMUEL – V – TUDO COOPERA COM AMADOS DE DEUS

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Mayo 11, 2016 by Bortolato

APESAR DOS HOMENS, TUDO AJUDA AOS QUE AMAM A DEUS.

Neste mundo vemos muitas circunstâncias acontecerem e deixarem de acontecer, num contínuo faz-e-desfaz, sobe-e-desce, põe e tira, abate e levante.    Que é isso?   As coisas surgem, transformam-se, e desaparecem em um misterioso processo.

Disse certa vez o cientista Lavoisier (1743 – 1794):  “Nada se perde; tudo se transforma”.  Ele parece concordar com o filósofo grego Heráclito (c.575 – 475 AC.), que dizia que as coisas nunca permanecem de maneira estática, mas estão num constante vir a ser, ou devir, tudo é movimento, e que nada pode permanecer parado – Panta rei ou “tudo flui”, “tudo se move”, exceto o próprio movimento.

Se tudo de fato é assim, a conclusão a que se chega é que nada é constante: como então se poderá confiar em alguém?   Se todo homem é mutável, em que lugar ficarão os contratos sociais, as juras, as leis, e os estadistas que governam, legislam, ou julgam o povo?   E onde estão os que deram sua palavra, empenhando para tanto, os fios de sua barba?

Certa vez, o ex-estadista palestino Yasser Arafat disse:  “Acordos são feitos para serem quebrados!”  Cremos que os acontecimentos foram determinantes para que este homem chegasse a dizer tal coisa.   Ele não falou lançando uma nova, mas extraindo estas palavras do fruto de suas experiências internacionais.

Logo, se alguém confia em outrem, deve sempre esperar uma decepção ou traição?   Não diríamos isto, mas repetiríamos o que diz a Palavra de Deus:  “maldito o homem que confia noutro homem, e faz da carne o seu braço” (Jeremias 17:5).

Quantas vezes V. não emprestou seu guarda-chuva, ou uma caneta esferográfica para alguém que lhe prometeu devolvê-lo após usá-lo, mas até hoje a promessa não foi cumprida?   Isto ainda é uma pequena coisa, mas existem tratos que são muito mais importantes, e que não são cumpridos, porque as pessoas não mantêm suas palavras.

Em II Samuel, capítulo 4º, lemos acerca de um episódio muito desapontador, onde esta característica do ser humano se fez notar de forma a produzir quatro mortes, onde se desperdiçaram quatro vidas de quatro homens importantes para o momento histórico da nação israelita.

Vamos fazer uma resenha resumida dos fatos que formaram o fundo histórico e as circunstâncias que os envolveram.

Isto aconteceu por volta do ano 1048 A.C. , em Israel

Sendo Isbosete o filho de Saul que remanesceu para ser um provável herdeiro da coroa de sua nação, este se havia aliado a Abner, o antigo e fiel general de Saul.

Saul, Jônatas, Abinadabe e Malquisua haviam morrido na batalha de Gibeão, que travaram contra os filisteus.

Isbosete restara vivo, e retirou-se para Maanaim, para ali estabelecer-se como rei sobre todo o Israel que não caíra sob o domínio filisteu.   Abner havia sido o pivô dessa continuidade da dinastia de Saul.

Devido a um deslize de fraqueza da carne achado em Abner, o qual coabitou com uma concubina de Saul, criou-se um clima de desconfiança e instabilidade entre este e Isbosete.   O caso fez com que Abner renunciasse ao seu cargo, passando das linhas dos militantes de Isbosete para as de Davi.

Mal se estabeleceu uma aliança entre Davi e Abner, Joabe e seu irmão Abisai conspiraram contra o ex-general de Saul, a título de vingança e rixa oriunda da guerra que se explodiu entre as forças de Judá e do restante de Israel.   Abner então morreu, traído covardemente pelos filhos de Zeruia.

A morte intempestiva de Abner teve uma repercussão muito negativa sobre todo o Israel que estava sob o comando do filho de Saul.    Eles ficaram abalados e incrédulos quanto à prosperidade dos planos e do governo de Isbosete.   A Bíblia diz eu “se afrouxaram-lhes as mãos e pasmaram” (II Samuel 4:1).

Já com a saída de Abner das linhas do exército de Isbosete, houve um desfalque irreparável, pois que aquele general não tinha um substituto à altura.

Devido ao modo honroso como o ex-general se houvera até que foi morto à traição, tudo estava em suspenso sobre o futuro de Israel.   Acreditava-se que, com a atuação de um homem fiel em seus princípios como era Abner, o conflito Isbosete/Davi, em algum momento, deveria entrar em um plano de transição em que, aos poucos, muitos de Israel se aliariam a Davi, e cessaria a questão.   Por mais que Isbosete teimasse em querer ser o rei de sua nação, estava claro até para o povo que Davi deveria ser o líder deles todos, e o filho de Saul teria que declinar de sua pretensão.

Havia uma grande possibilidade de que houvesse uma ou mais tréguas daquela guerra interna, e Isbosete fosse forçado a fazer um acordo de paz com Davi, mas a súbita morte de Abner parecia ter frustrado o acesso a esta porta entreaberta.

Dois oficiais de Isbosete que eram de segundo escalão, Recabe e Baaná, foram os que receberam a incumbência de preencher o posto vago, deixado pela renúncia de Abner.   Estes perceberam que estariam defendendo divisas fadadas ao fracasso.   Eles conheciam a Joabe e Abisai, que eram excelentes em manobras militares, e já tinham experimentado sua força em campos de batalha.    Os dois capitães de Israel não se viam em condições de oporem resistência em caso de um ataque dos exércitos de Judá; aquela guerra interna não tinha cessado, e cedo ou tarde ainda haveria oportunidade para algum confronto.

O exército de Davi era então aquele que por várias vezes consecutivas se havia fortalecido em campos de batalha, enquanto os de Isbosete se iam enfraquecendo…

“Se Joabe matou a Abner, o forte comandante de Saul, logo, o que sucederá nas próximas batalhas?  Se o grande, experiente e poderoso Abner não resistiu às forças de Davi e de Joabe, é intuitivo que em breve a espada de Judá nos alcançaria, pois isto era só uma questão de tempo.”   Assim por certo pensavam os dois capitães beerotitas, antevendo sua capitulação ou morte em combates.   Seria então o caso destes dois homens serem sinceros com Isbosete, negociarem uma saída honrosa, proporem um acordo com Davi, e não aceitarem aquela incumbência tão terrível que caiu aos seus cuidados – mas não foi isto o que aconteceu.

Antes de morrer, Abner já havia conversado com os anciãos de Israel, tentando convertê-los a Davi, e ao fazê-lo, estava conseguindo bons resultados.

Recabe e Baaná também sentiram que melhor seria passar para o lado de Davi, do que serem aqueles que o combateriam.   Este pensamento estava messiânica e escatologicamente correto, dentro dos planos de Deus, mas o que eles vieram a fazer para procurarem o favor e alguma recompensa de Davi é que não estava dentro das conformidades divinas.   Eles escolheram o caminho de uma covarde traição, sujando suas mãos com o sangue inocente de Isbosete.

Quiseram aqueles dois capitães que o caminho de Deus fosse aplainado de uma maneira totalmente indigna.   Isbosete era o único filho de Saul que restou para herdar de seu pai o reino.   Os demais eram filhos de uma concubina, e desta forma, sem uma legitimidade plena para subirem ao trono.   Diríamos que uma exceção seria um filho de Jônatas, que ficou manco quando sofreu uma queda ao chão com seus cinco anos de idade – seu nome era Mefibosete.   Assim, além de Isbosete, não havia mais herdeiros aptos e à altura de lutarem pela dinastia de Saul.

A cena que filmaria a sórdida atitude de Recabe e Baaná deixaria a todos os possíveis assistentes horripilados.    Faria o gênero dos filmes de terror.

Quando Isbosete estava a dormir em sua sesta costumeira do meio-dia, na hora do maior calor do período, quando muitos faziam o mesmo para refazerem suas forças, tudo estava muito quieto.  Era a hora oportuna para o descanso.

Com muita astúcia, fingindo entrarem naquele recinto para colherem cereais, Recabe e Baaná ali adentraram e mataram silenciosamente a Isbosete, fazendo findar a vida daquele descendente de um rei respeitado em todo o Israel.

Além de matarem a Isbosete usando de uma artimanha tão aviltante, ainda o decapitaram, e levaram a cabeça até Hebrom, a Davi, dizendo que “o Senhor o havia vingado dos que procuravam a sua morte”.   Usaram, além de tudo, o nome de Yaweh para acobertar aquele crime hediondo, burlando escandalosamente o terceiro mandamento da Lei de Moisés.

Qual teria sido o crime de Isbosete?   Sua vida foi ceifada por homens inescrupulosos e sanguinários, que usaram da sua boa fé para assassiná-lo a sangue frio e atribuir tal ato à “Providência Divina”.   Isbosete morrera assim, acima de tudo porque nascera como filho legítimo de Saul, e este foi o seu “grande crime”.   Tentou levar avante o nome e a dinastia de seu pai, no intuito de erguer um cetro que julgava ser mais legítimo que o cetro de Davi.   Estava na contramão do fluxo da vontade divina, mas fazia-o com dignidade e convicção de estar no caminho certo.   Errado, mas sincero; sincero, mas errado, e pagou com sua vida pelos pecados de Saul – mas não era digno de uma morte tão imoral, como lhe aconteceu.

Jamais teria sido plano de Deus que Isbosete fosse traído pelos seus homens de confiança.   O Senhor havia, sim, prometido rasgar das mãos de Saul o reino, e dá-lo a Davi( I Samuel 15:27-28), e isto seria, sim, feito dentro dos métodos de Deus, mas nunca através de um complô covarde, que não deu a  um coroado rei a mínima chance de sobreviver.

O Senhor teria, sim, entregue o reino a Davi, porque não é homem para que minta, e nem filho do homem para que se arrependa( I Samuel 15:29).   Tudo, porém, haveria de ser feito dentro de uma boa ordem, decência, e redundaria em motivos de louvor a Ele, por Sua extrema sabedoria para lidar com assuntos difíceis para os homens.

Como entendermos um fato tão escabroso como este encaixar-se dentro dos planos de Deus?   Acontece que Deus faz os Seus planos para os homens, mas estes também os fazem, e à sua maneira, ao seu estilo corrompido.

O fato estava consumado, quisessem os justos ou não.   Deus usaria uma outra forma para dar um desfecho mais suave e mais digno ao caso de Isbosete, mas fizeram tudo de um jeito grosseiro e sem entendimento.   Com o último filho de Saul capaz de assentar-se no trono, de qualquer forma o povo de Israel não tinha outra opção plausível senão voltarem-se para submeterem-se ao cetro de Davi.

Prosseguindo na narrativa bíblica, o discernimento de Davi, que alguns anos antes julgara e condenara ao jovem que se ufanou de haver matado a Saul, outra vez se fez presente para mostrar que ele não teve nenhuma alegria com este tipo de morte, e que agora, menos ainda se alegrou ao saber das condições com que mataram a Isbosete.

Aquela notícia malfadada não soou alvissareira aos ouvidos de Davi.   Aquela não era uma maneira justa e nem razoável de se desfazer de um rei de Israel, ainda que este lhe fosse um suposto inimigo – principalmente quando este era filho de um rei ungido por Yaweh, de Seu povo.   Isbosete, além de tudo, era irmão de um grande amigo, Jônatas, a quem o filho de Jessé muito estimava.   Davi, com toda certeza, não desejava a sua morte.

Perante Saul mesmo, Davi prometera um dia que não eliminaria a descendência e o nome de seu então ainda rei de Israel, sob juramento ( I Samuel 24:20-22).   Logo, quanto lhe fosse possível, Davi não o mataria, não colaboraria com isso e nem incentivaria a morte de Isbosete, em que pese aquela guerra interna que Abner deflagrou e levou avante até poucos dias antes de morrer.

Com toda certeza, assim como Davi jurou a Saul, e a Jônatas, isto ele não faria.  Ele até gostaria que Jônatas lhe fosse seu aliado, e fosse um vice-rei ao seu lado.   Este sentimento Davi guardava em seu coração.   Se Isbosete lhe propusesse o mesmo que Jônatas lhe propôs (ISamuel 23:16-18; 20:13-15 e 20:41-43), Davi lhe teria concedido não somente a vida, mas também a autoridade de um príncipe em Israel.

Os dois homicidas recebem então a recompensa devida por haverem matado a um homem justo, honesto e que estava tentando honrar o nome de seu pai, o qual era ungido de Deus como rei de toda Israel.   Davi fez valer a Lei de Moisés, na Lei do Talião, que prescreveu a morte aos assassinos (Êxodo 20:13 e 21:12, 14), e os dois beerotitas infiéis morreram ali mesmo, à espada, conforme as palavras de Jesus: “todos os que lançarem mão da espada, morrerão à espada” (Mateus 26:52).

Depreendemos algumas coisas importantes deste capítulo, senão vejamos:

  • Traições são projetos enganosos, que procuram enganar, mas que no final, os maiores enganados e traídos são os próprios traidores.
  • Aquele que cumpre sua palavra, seus contratos e seu pactos, ainda que arcando com algum dano para si, este nunca será abalado.
  • Isbosete tentou levantar e honrar o nome de seu pai, o que era comportamento aprovado pelo 4º mandamento: “Honrar pai e mãe”.  Honrar ao rei também é um mandamento no Novo Testamento ( I Pedro 2:17).  É uma ordem importante.
  • Um rei revestido da autoridade que lhe foi dada do alto é uma figura que representa o Messias, Jesus, a Quem seja a honra e a glória.
  • O povo de Israel foi incentivado a honrar a seus reis justos, e Davi foi o primeiro destes que soube levar o cetro de forma digna, atribuindo toda autoridade ao Senhor, que é o verdadeiro Rei de toda a Terra, a quem se deve salmodiar com harmonioso júbilo. (Salmo 47:7).
  • Esta é a forma que Deus adotou para dar a Seus filhos o portarem-se honrosamente, com reverência em Sua presença. Quem presta honras a um rei digno, presta-a, indiretamente a Quem legou, desde o céu, o cetro de autoridade ao mesmo.
  • Fica, porém, claro que não se deve honrar ou dar o aprovo aos erros e às coisas erradas que os homens fazem quando de posse do poder – o que, diga-se de passagem, superabundam em nosso planeta.
  • Devemos, sim, nos sujeitarmos às leis aprovadas por Deus, porque estas nos conduzirão a evitarmos o mal.
  • Quando, porém, leis e homens se aproveitam de sua autoridade para promoverem a injustiça e a irreverência a Deus, há um Rei que julga e julgará a todos os demais reis da Terra, e a Ele devemos toda a honra, pois a Sua Palavra é a Carta Magna do Reino do Céu para vigorar sobre a Terra – e esta está acima de todos os reis e todas as leis humanas.
  • Honras e glórias, sejam, pois, ao grande Rei de toda a Terra hoje, e que venha o Seu Reino, fazendo a Sua plena vontade aqui, como no Céu.

 


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