O LIVRO DE GÊNESIS – VI

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noviembre 11, 2013 by Bortolato

Gên. Capítulo 4º:  CAIM E ABEL, MARCA DO INÍCIO DA VIOLÊNCIA NA TERRA

O pecado dos pais não é de responsabilidade de seus filhos, mas os filhos sempre sofrem juntamente com aqueles, e são resultado da vida de seus pais.  Pais pecadores geraram filhos pecadores, mas nem tudo deve ser encarado como o pior que poderia suceder, isto é, nem tudo estava perdido.

O primeiro homem e a primeira mulher pecaram, perderam status e privilégios que tinham diante de Deus, mas os dois primeiros filhos de Adão nos revelam quais as nossas possibilidades, tendo em vista que nossa raça foi destituída daquela vida paradisíaca.

Caim e Abel continuaram a buscar ao Senhor, como seus pais lhes haviam ensinado.  Já eram conhecedores da história de seus pais, e queriam ter aquele reencontro com Deus, muito embora tivessem de reconhecer que herdaram os gens do pecado, e tinham que lutar com todas as forças para lograr sair de suas garras.

Caim trouxe frutos da terra ao Senhor, e Abel trouxe dos primogênitos das ovelhas e da sua gordura.   O Senhor se inclinou para aceitar a oferta de Abel, mas omitiu-se quanto à de Caim.   Esta é uma particularidade que somente Ele, o Senhor onisciente, sabe discernir – quando considerar uma oferta pura, perfeita e digna de aceitação, ou não.   Afinal, Ele é quem as estava recebendo, e conhece o profundo de cada coração.

Ofertas ao Senhor são como orações que fazemos – ora umas são abençoadas por Ele, e respondidas em atenção ao que Lhe dizemos, ora ficamos em suspense pela resposta que não nos vem imediatamente, e em alguns outros casos, a resposta é um simples “não”, e temos que recebe-la com a mesma submissão de um “sim”, e de preferência com a mesma alegria.

Abel, pois, logrou ser abençoado por Deus, de uma certa forma que Caim não o lograra.  Não seria o caso de Caim continuar tentando, conversando com o Senhor, para saber o que poderia ser feito?  Sim, tal como faz um aprendiz de tiro ao alvo.  Acerte-se, corrija-se na pontaria, para testá-la na próxima tentativa, até que o êxito venha a coroar seus esforços.  Para isso, cada um deve autoexaminar-se sem fazer comparações com o que Deus faz com o irmão.   Adoração e oração são atos individuais perante Deus, embora possam ser feitas em coletividade, mas a avaliação será feita cabeça por cabeça…

Foi o que o Senhor lhe falou, a Caim:

“Por que te iraste?  … se bem fizeres, não haverá aceitação para ti?   E se não fizeres o bem, o pecado jaz à porta, e para ti será o seu inimigo, e sobre ele dominarás” (4:6-7).

Desgraçadamente, Caim não aceitou o conselho que o Senhor lhe deu.

O pecado, bem como a voz do Senhor, batem à porta de nossos corações.  O pecado sempre ameaça entrar dentro de nós, com certa insistência, às vezes até despercebida.  Cabe a nós a decisão: ou extirpamos o pecado da nossa porta, ou seremos dominados por ele.

O autor da carta de Tiago diz que é bem-aventurado o homem que sofre a tentação, pois sobre ele repousará a coroa da vida, se for aprovado (Tg. 1:2).   É uma questão de como se vê uma tentação, sob qual ponto de  vista.  Temos que encarar o fato como uma oportunidade para lutarmos e sermos vencedores, mas se não, então não nos disporemos, nem nos prepararemos para a batalha, e daí, então, não poderemos colher os louros da vitória.

O que precisamos atentar é que o Fiel da balança vai propender para o lado em que mais investirmos em nossos valores, nossos interesses, enfim, o nosso desejo maior.

Queremos ser qual tipo de pessoa?   Os bons serão abençoados, mas se o mal quiser nos escravizar, temos a nossa vontade própria para lutarmos contra este, e Deus nos ajudará.

Precisamos ser mais insistentes em lutar, do que o pecado.   Note-se que este se enraizou em nossa raça, desde Adão.   Esse tal de pecado é pegajoso como praga de jardim.   V. o combate por um pouco de tempo, e quando pensa que já está tudo limpo, lá um dia, aquele mato inconveniente aparece timidamente num cantinho do terreno, onde V. não esperava.  E se V. deixa-lo ali, ele vai crescer e crescer cada vez mais, e, em dado momento, V. ficará surpreso com o progresso da tal erva daninha.  E então esperamos que não seja tarde para tomarmos as providências esperadas por Deus, para erradica-lo.

Caim deixou o pecado ataca-lo na forma de ciúmes e inveja – coisas que o homem comum, até certo ponto, acha normal ocorrer, mas diante de Deus, isso carece de um tratamento chamado “crucificação do eu”.   Assim que notarmos qualquer manifestação desses pecados, por insignificantes que estes pareçam, precisamos concentrar nossos esforços para combate-los e expulsá-los de nossas mentes e nossos corações.

Foi então que, não suportando o peso e a pressão do pecado sobre si, Caim permitiu que Satanás o usasse para destruir uma pessoa querida de Deus…  Foi o primeiro homicídio da história, e o primeiro fratricídio.

Que armas poderia ele, Caim, usar para não ir até além do limite, onde chegou?  Ele poderia ter jejuado e orado a Deus até ser visitado pelo Senhor, e liberto das garras do mal.

De repente, Caim deu-se conta de que num futuro a longo ou médio prazo, poderia ser morto também, tal como ele mesmo o fizera, por algum irmão mais violento do que ele.   Confessou a sua maldade diante de Deus, e o Senhor, num ato de misericórdia, marchou-lhe com um sinal visível, provavelmente em seu rosto, para deixar a todos avisado que, quem o matasse, seria sete vezes castigado.

Gn. 4:14-16 nos fala que Caim passou a viver como que escondendo-se de Deus.  O Senhor, entretanto, na Sua compaixão, não permitiu que ele continuasse a viver lavrando a terra, isto é, no mesmo ambiente e no ritmo de vida que lhe ensejou aquela propensão maligna.  Ele teria então que viver com mais tempo para pensar a respeito de si mesmo, do infeliz ato que fez, e também sobre o seu futuro.   Foi então viver para o lado oriente do Éden (v. 16).   Interessante notar: foi para mais distante do Jardim de Deus, do lugar que deveria suspirar por ali alcançar a graça do Senhor.

Gn. 4:17-24 – Assim foi que a descendência de Caim passou a povoar a Terra, pois coabitou com sua mulher e teve filhos.  Daí, argumentam alguns que a Terra já deveria ter sido povoada por outros seres humanos, que não da descendência de Adão (e  com alguma destas foi que Caim se casou), mas isto é nada mais que lucubração, hipótese, uma possibilidade infinitamente pequena, e sem base bíblica.  As mais esdrúxulas teorias foram desenvolvidas sobre isto que , ao final, mostra ser apenas fruto da imaginação fértil de alguns, e não há provas decisivas que as apoiem.  Lembramos que a Bíblia não é um livro de História da Civilização, mas quando adota o estilo de redação histórico, o faz apenas com objetivos certos, debaixo da ótica que Deus quis imprimir nos corações dos seus escritores.

Um descendente de Caim passou a povoar a Terra.  Um seu descendente, então, ficou digno de registro na Bíblia, porque mostrou que a perversidade e a violência se alastrou e refinou-se extremamente.   Lameque, descendente da linha de Caim, teve um confronto com um homem, por quem foi ferido.  Por vingança daquela afronta, ou por defesa própria, matou-o.   Em outra feita, um menino, jovem, machucou-o, ao que tudo indica, pisando-o.  Não levou a ofensa para casa.  Matou a este também, e ainda chamou a suas duas mulheres para se ufanar do feito.  Isso condiz com o culto à violência que permeava os dias antediluvianos, conforme vemos o relato de Gênesis, capítulo 6º.   Lameque ainda parece desafiar a Deus, dizendo que se alguém quiser vingar-se dos seus atos criminosos, este ato iria trazer setenta vezes mais violência sobre a sua cabeça.  Triste estado decaído de homens que se julgam prepotentes ao ponto de ignorar que a mão do Senhor Onipotente um dia irá chama-lo à Sua santa presença para um julgamento final.  O dia que Isaías previu para um futuro a longo prazo, quando homens haverão de transformar suas espadas em instrumentos de arado pareceu estar muito distantes dos dias de Caim (Isaías 2:4), e ainda hoje nos deixa suspirando por melhores dias.

COM QUEM SE CASARAM OS DESCENDENTES DE ADÃO?

Esta pergunta tem sido usada como uma bandeira do inimigo do Senhor, para acusar as Escrituras Sagradas de incoerentes ou pior que isto, mentirosas.

Se quisermos ter a mente e o coração abertos para entendermos em que pé podemos entender estas passagens, poderemos vislumbrar como se desenrolaram os fatos, e para isto, precisamos observar bem alguns detalhes:

1. Eva foi tirada de uma costela de Adão.  Logo, ela teria o DNA idêntico, ou, no mínimo, muito semelhante ao de seu marido, o que não foi problema para Deus unir um ao outro.  Até onde se verifica nas Escrituras, não havia uma outra raça de gente no mundo, antes do primeiro casal do Jardim do Éden.  Deus fez-lhes geneticamente fortes, o suficiente para não causar nenhum problema físico hereditário nas gerações de seus filhos, embora fossem como que irmãos.

2. Assim também foi com sua descendência.  Temos que notar bem que eram os primórdios, e as uniões entre irmãos não estava ainda proibida – a proibição disso veio muito mais tarde, com a Lei de Moisés.

3. A Bíblia nos diz que Adão teve filhos e filhas, além daqueles que tiveram seus nomes sido mencionados nas Escrituras (Gn 5:4).   Basta notarmos que muito rara é a menção de mulheres em alguma genealogia, e quando isso acontece, é porque aquela mulher teve um papel notório e importante na história de um povo.  E os outros filhos de Adão, além de Sete, e outros filhos de Sete além de Enos, e assim também alguns de seus descendentes, sucessivamente, a Bíblia nada fala sobre estes, por clara questão de enfocar e centralizar as atenções à descendência que passou a invocar o nome do Senhor (4:26).  A longevidade com que as pessoas viviam na época, facultava-as a casarem-se com diferenças de idade impensáveis, o que constituía outro fator que potencializou a expansão do gênero humano.  Temos que entender que a Bíblia é um livro que dirige seu foco para as pessoas que se relacionaram intimamente com Deus, pois esta é a bendita semeadura e a bendita herança que pais legam a seus filhos.   Deus quer nos falar sobre as pessoas que bem O conheceram, pois são estas as que podem nos trazer as revelações que dEle receberam.

4. Vejamos quantos anos durava uma vida.  Pode-se achar que a contagem dos anos era feita de forma diferente, mas o certo é que, depois do Dilúvio, a contagem da vida dos descendentes de Noé realmente diminuiu para cerca de 120 anos, conforme a palavra de Deus na profecia de Gên. 6:3.

As gerações foram-se desenvolvendo, e espalhando-se, habitando a Terra, mas pesarosamente nem todos eram fiéis a Deus, que lhes deu vida.

 

 


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